Notas iniciais
Castelo no leste europeu no Século XVI as 23:00h da noite.

A noite estava gelida, mas da sacada de uma das torres do castelo podia se até esquecer as baixas temperaturas, e ser aquecido só de observar como o céu estava esplendoroso. Era possivel imaginar que todas as estrelas do universo estavam ali, naquele pedaço de céu, olhando para os que estavam na minusculo planeta Terra, aos que estavam prestes a perder o seu grande amor. Mais Uma Vez.

Todos estavam no salão principal do castelo de HayCinth, enfeitado com muitos brilhos e adornos, damas e cavalheiros da alta sociedade se alegravam dançando animadas músicas orquestrais. E neste mesmo salão, se encontrava uma pessoa que não compartilhava da mesma alegria dos outros. Chris estava sentado nos últimos degraus de uma escadaria, e de longe quem olhasse perceberia, seu nível de angústia e preocupação, olhando simultaneamente ao relógio dourado localizado em cima da grande porta de entrada.

-Céus, está quase na hora e ele ainda não chegastes. Sua preocupação era honesta, estava quase na hora e Clauss não havia chegado. Só então a irmã de Clauss entrou correndo no salão em pranto, Elizabeth estava aterrorizada.

- Não pode ser verdade Chris, diga-me que estais chacoteando. Ele não suportaria respirar sem ti. Elizabeth falava enquanto estavam abraçados, suas lágrimas a sufocavam tanto, que mal podia falar.

- Receios que não Elizabeth, receio que tenha descoberto antes de eu mesmo lhe contar, mas, por favor, me digas, me digas onde está meu amor!

- Oh Chris, Clauss está subindo as escadas da torre central-disse Elizabeth

- Fique bem Elizabeth, fique bem. Guarde-me em seu coração. Chris à apertou em seu peito e depois de um longo abraço e de dar um beijo na testa da doce Elizabeth, saiu em disparada atras de seu amor.

Correndo contra o tempo com o máximo de sua garra, ele subiu as escadas em minutos, em minutos desesperados que mais se pareceram como uma eternidade. Pisando os últimos degraus, avistou seu amor sentado ao lado da mais bela roseira que uma sacada de mármore branco poderia ter.

- Oh Meu amor, venha aqui e me abrace, deixe-me senti-lo mais uma vez em meus braços. Clauss quase não falava mais, sua respiração estava falhando, seu desespero impedia que seus sentidos funcionassem corretamente.

Chris correu e abraçou Clauss, que de tão belo e radiante se confundia com as estrelas do céu, não existia olhos mais verdes que os dele, e Chris se perdia naqueles olhos.

- O céu está tão brilhante meu amor, consigo até ver um de seus sorrisos entre a nossa constelação. Disse Chris à segurar a mão trêmula de Clauss. Aquela mesma mão nunca esteve tão trêmula, nunca esteve tão gélida, aquela paixão estava assustada. Os dois sabiam que estava chegando a hora.

- Só prometas para mim que vais me encontrar em outra época, que vais correr por toda a imensidão deste mundo para sentistes em minha vida. Disse Claus ao olhar nos olhos de seu amado.

- Eu lhe prometo Clauss, eu lhe prometo meu amor.

Então antes de se beijaram, Chris começou a se desfazer e como uma poeira cósmica, à ser levado pelo ar, para muito longe, mais longe de do que seu amor poderia imaginar. Onde as duas mãos estavam atadas, restou apenas uma, solzinha e insegura.

Onde havia dois corações, agora jazia um que chorava a se debater, com a saudade de um amor, um amor que ele não veria tão cedo. Clauss deixava as lágrimas escorrerem enquanto a solidão o estapeava.

Elizabeth então apareceu com uma expressão tristonha em seu rosto, e de relance e prontidão abraçou seu irmão, eles compartilhavam da mesma dor, haviam perdido mais uma vez um pedaço de seus corações naquela noite.

- Ele se foi Elizabeth, se foi e não sei quando vou encontra-lo novamente. Sabe Deus se voltaremos a nos encontrar nessa época. Clauss dizia inconformado.

- Mas nós vamos o encontrar meu irmão, pode não ser aqui, pode não ser mesmo nesta época, mas lhe prometo que Chris fará parte de nossa vida mais de uma vez.

Os dois admiraram o céu com tristeza, Onde estrelas brilhavam, agora não brilham mais nos dois pares de olhos cheios de dor. Chris já estava em outra época.