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2 Não é uma ilusão


Notas iniciais
( 15 de Junho de 1865 )

Londres estava diferente, quase que "moderna", nas ruas se via belos casarões, e o comércio nunca esteve tão frenético e eloquente. As margens do Rio Tâmisa, as crianças corriam e alguns adultos até chegavam a pular para se refrescar do verão europeu. Era um cidade sem dúvidas, fervorosa.

As Damas dominavam as ruas com seus vestidos armados, franzidos e delicados, esbanjando sua leveza e graça e encantando cada cavalheiro que as olhavam. Os cavalheiros não ficavam para trás no quesito moda, usavam do mais fino tecido em seus trajes formais e elegantes. Tudo parecia normal, crianças brincando, pessoas passeando, comerciantes lucrando. Tudo normal, a não ser pelo que estava prestes a acontecer...

Na parte mais distante do comércio de Londres, com um zumbido quase que ensurdecedor, do absoluto nada uma grande bola de luz começava a surgir e se expandir no formato de um túnel, era inexplicável tamanho acontecimento, tamanho brilho como se os raios do sol abrissem um caminho para alguma coisa peculiar e rara. Dentro do Túnel de Luz, uma criatura, um ser humano se movimentava, sua forma ainda desfragmentada se juntava a partículas cintilantes. E em segundos um homem formado, saiu nú do túnel que acabara de aparecer e desaparecer.

Oh Céus! Onde será que estou desta vez? Este lugar me parece familiar, me parece... Sim, estou em Londres, continuo em Londres! Indagou com surpresa e logo se assustou a perceber que estava sem roupas.

Demorou um pouco para Chris perceber e raciocinar o que tinha que fazer, essas viagens o deixavam confuso por alguns instantes. Primeiro ele teria que arrumar roupas, não poderia de forma alguma sair sem roupas nas ruas, ele iria ser motivo de grande alarde. Então, não se orgulhando do que iria fazer, Chris roubou algumas roupas simples do varal de uma casa, sem que ninguém o visse se aproximando, se vestiu e quase sem rumo foi andando pelas ruas que não estavam da forma que ele se lembrava.

Chris ainda não havia se acostumado a viajar no tempo á força. Não era fácil ser um JUMPER, denominação que ele mesmo deu ao perceber que era capaz de tal extraordinário feito. Parecia mágico e um tanto admirável, mas um JUMPER deixava no passado, amores e amizades para quem sabe, em qual época reencontra-los.

Ele era um belo rapaz, não se sabe ao certo sua idade pelo fato de sempre estar viajando no tempo, mas sua aparência é de um rapaz viril nos seus 21 anos, seus cabelos eram louros como o dourado da camomila, não era alto mas também não era o mais baixo dentro os homens, e ah sim, Chris era um perfeito galanteador. Conseguiria todos os amores que quisesse para si, mas seu coração era de só uma pessoa.

Andando entre os ingleses e já quase adaptado a sua nova realidade, Chris estava começando a se lembrar dos últimos momentos vividos em sua época passada, e então ele se certificou do que tinha que procurar, ele tinha que atrás de Clauss, e ele sabia dentro do seu ser que Clauss não estava longe.

Então Chris saiu perguntando de pessoa em pessoa na esperança de que alguém saberia reconhecer seu amor.

Bom dia meu caro Senhor, você por algum acaso conhecestes alguém com o nome de Clauss Rose ?

–Perdão rapaz, mas nunca ouvistes falar tal nome antes. O gentil homem lhe respondeu.

Mas Chris não desistiu mesmo escutando de várias pessoas o que não queria ouvir, e seguia perguntando até avistar uma pequena lojinha. Essa loja era muito hospitaleira para quem a via de longe, e no instante que Chris avistou uma Roseira tão formosa como a que estava emaranhada na entrada da loja, ele teve certeza que deveria entrar ali.

Ao por seus pés na loja, que agora ele entendeu que era a floricultura real, avistou uma donzela de costas atrás do um balcão de vendas. A donzela usava um vestido de um vermelho sangue e de uma delicadeza sem igual, seus cabelos pretos como a escuridão da noite se enrolavam em perfeitos cachinhos, e ao se virar, Chris olhou aquela expressão. Era ela, era Elizabeth. E ao vê-lo Elizabeth o reconheceu de alguma maneira, e com tamanho susto deixou cair um dos vasos que estava segurando.

Chris então correu na sua direção para abraça-la e não havia se sentido tão feliz desde que havia aterrizado nesta diferente Londres.

Chris, eu não posso acreditar! Eu não posso acreditar que até eu consigo me lembrar de minhas vidas passadas! E você está aqui, comigo, de novo. Oh Deus mas que grande magia fazes para que isto aconteça? Elizabeth falava sem parar, o nervosismo pela descoberta a deixara estupefata.

Elizabeth, como é bom te reencontrar e como é mais reconfortante ainda, saber que de alguma forma sabes que nos conhecemos de tempos em tempos. Ele não parava de acaricia-la e abraça-la.

–Como estas? E por onde andou? Tenho tantas perguntas para lhe fazer e nem sei por onde começo.

Chris respondeu as perguntas obvias de Elizabeth que as poucos foi se acalmando, e entendendo verdadeiramente o que havia acontecido.

Ele estava em outra época, mas no mesmo lugar que já estivera a uns séculos atras, e agora que nesta ida a uma nova época, Elizabeth podia se lembrar do passado, e uma nova chama surgiu no coração palpitante do seu herói. Se Elizabeth se lembrava de tudo, Clauss seu grande amor o reconheceria no instante que o vesse.

Elizabeth preciso que me digas agora onde está Clauss.

Com um olhas pesaroso sobre Chris, Elizabeth disse:

–Clauss está longe daqui meu amigo, ele se foi para um mundo diferente quando percebeu que sua vida nessa época faltava algo muito importante. Ele aprendeu magia com uma das bruxas de Salem, e se trancou no túnel do tempo, no túnel das sombras que você passa por alguns instantes.

–Oh Meu Deus! Não posso acreditar. Chris estava tão conturbado com a informação que começou a andar de lado a lado da loja, tentando encontrar palavras para se expressar. E depois de muito pensar, ele disse:

Nem que leve toda a eternidade, nem que das piores bruxarias eu ei de aprender, nem que nas piores épocas eu tenha que viver. Eu vou encontra-lo Elizabeth. Eu vou atrás do meu amor! Determinado Chris olhou em direção a Elizabeth

Você não vai sozinho Chris, eu irei com você. Nós vamos achar uma forma de encontra-lo. Nós vamos atrás de Clauss.

Então de mãos dadas, os dois sairão andando rumo a Gruta de Grimm, onde lendas apontavam que bruxas realizavam desejos por jóias e riquezas. E eles mal podiam imaginar que estavam começando uma grande jornada no tempo.