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3 Dentro da Gruta, ai vão eles!!


Chris não imaginava o que estava pela frente quando entrou na Floresta Negra, não fazia ideia nem se ao menos as Bruxas da Gruta de Grimm realmente existiam. Eles estavam indo com a coragem de um gigante, porém com uma insegurança e um medo de decepção que assombrava seus pensamentos e quase os dominavam.

Andaram alguns metros floresta á dentro, Chris percebeu que o ar estava ficando espesso e uma neblina começava aparecer, Elizabeth parecia preocupada mas não tinham outra escolha. Eles tinham que encarar os desafios. Assim que adentraram na neblina coisas estranhas começaram a acontecer, suas cabeças estavam explodindo de pensamentos, seus sentidos não pareciam mais os menos, era como se aquela neblina fosse mágica. Era sem duvidas o começo de um desafio. Alguém não queria que eles saíssem vivos daquele lugar.

E então, como magia seus piores medos foram se materializando em suas frentes. Eles não tinham para onde fugir mas queriam correr. Foi quando uma voz quase que dócil e sutil começou a falar com eles. Havia uma voz os ajudando.

–Não pensem que é real isto não esta acontecendo de verdade, isto não está acontecendo de verdade.

Uma nuvem de falcões adentrou a neblina, e atacando Chris e Elizabeth com suas garras que mais pareciam pontas de ferro, e seu bico pronto para destilhaçar os pedaços de seus corpos. Chris resolveu ouvir a voz e seguir seus conselhos, começou imaginar que tudo aquilo não era real e que era apenas uma provação, foi ai que a neblina ao seu redor começou a se dissipar, e os falcões que o machucavam desapareceram junto, num passe de mágica.

Elizabeth isto tudo não passava de uma provação com nossos piores medos. Oh céus quase não sobrevivemos, Graças à aquela... Aquela Voz!. Diga-me que escutastes a mesma voz que eu, sim? Chris dirigiu o olhar apreensivo e franzido para a donzela ainda muito assustada.

Claro que sim, escutei perfeitamente. Mas fiquei tão aterrorizada que quase não dei muita importância ao que dizia nossa voz salvadora.

–Este nem é o problema Elizabeth, mas o que me esta corroendo é descobrir de onde que esta voz veio? Viraram seus rostos e uma nova surpresa havia de aparecer, eles não estavam mais no meio da floresta, mas em frente á uma gruta aterrorizadora. Eles haviam chegado a Gruta de Grimm.

Pronta? Disse Chris segurando a mão de Elizabeth

Estou pronta desde o começo, mas confesso que estou morrendo de medo de encontrar corvos medonhos ai dentro.

Assim, adentraram a Gruta e já se depararam com um novo trocadilho do destino.

As Bruxas Gorgoneas que viviam na caverna não eram nenhum pouco burras e leigas, elas sabiam muito bem que vários homens e mulheres estariam atrás das dádivas que elas poderiam alcançar a aqueles que passarem por seus desafios. Assim, poderia de se esperar que os desafios criados por elas, seriam de total risco com a vida do mais esperto, forte e valente soldado.

Chris e Elizabeth estavam dentro da gruta, deram alguns passos e o ar foi ficando rarefeito. Lá dentro tudo cheirava a morte, se via esqueletos pelo chão e mais a frente no final de um corredor, uma grande porta de madeira com detalhes em cristais bem valiosos. Os dois, quase que agarrados um ao outro seguiram até a grande porta, onde sem hesitar Chris empurrou com força. Então tiveram uma surpresa.

Uma melodia estrondosa começou a tocar, como de pianos desafinados se juntassem a sons de ossos se batendo e dentes rangendo. Vozes estridentes cantavam uma letra obscura e de deixar qualquer cabeça totalmente desnorteada:

–­ Na calada com a lua,

Sentiremos sua falta

Quem arrisca adentrar

Na Gruta vai enfrentar

Três provas vão ter que concluir

Pra só então,

As bruxas lhe servir

Tenha em pensamento bom

Que as três provas necessitam de dom

A primeira sua coragem vai se mostrar

Na segunda não deixe seu amor te dominar

Pense muito agora nessa,

Na terceira, a morte espera.

Chris e Elizabeth entenderam que era um enigma de fácil compreensão. Mas não repararam que na frente deles não havia chão, era um grande precipício onde só se via o começo de uma ponte, feita com cordas de cipó e madeiras desgastadas.

Elizabeth foi a primeira a entender que ali havia começado o teste da Coragem:

Nós temos que atravessar a ponte Chris, e rápido. O problema é que não temos noção do que nos aguarda do outro lado da ponte.

–Vamos ter que ser corajosos..

Chris foi à frente, eles só conseguiam ver a um metro de distancia de seus pés. Não tinham nem percebido como a luz que emanava de frestas havia se apagado. É que agora a única luminescência que tinham, era um ponto azul e forte bem longe deles. A cada passo, um pedaço de madeira ameaçava se partir ao meio, e uma corda balançava ao tocar nos lados da ponte. Foram demasiadamente com cautela para que nada de imprevisto acontecesse, e ao perceberem que o fim da ponte estava chegando um grande alivio os tomou por completo, mas isso não duraria muito.

Chegaram ao fim da ponte, e o que viram não os alegrou nem um pouco. A luz azul não era só um pequeno ponto agora, a luz azul era uma montanha de crânios reluzentes, mágicos. Um pergaminho na mão de uma estatueta dizia com clareza:

–“ O primeiro desafio foi alcançado. A Coragem foi testada. No segundo não vai ser tão fácil, seu amor pode te dominar e se isso acontecer, você pode findar.”

Chris leu isso em voz alta, e logo após ler, viu que a montanha de crânios começava a desmoronar da metade para baixo, um portal estava se abrindo, e eles já haviam entendido que tinha que entrar lá. E esperar para darem sorte mais uma vez.

Ao passarem pelo portão, tudo havia mudado. Aquilo tudo era muito lúdico. Um mundo de fantasias.

Meu Deus, como viemos parar numa floresta? Elizabeth espantada dizia.

Um caminho de ladrilhos vermelhos no meio da floresta levava até uma casa. Uma casa que eles começaram a identificar muito bem das histórias que lhe haviam contado quando eram crianças. Era uma casa construída com guloseimas. Seu teto era feito da mais suculenta barra de chocolate, suas paredes tinham a textura de bolachas recheadas e sua chaminé de marshmallows soltava uma deliciosa fumaça de doçura.

Agora era só o que me faltava. Estamos dentro de um conto de fadas. Estamos na historia de João e Maria. Chris não conteve o espanto.

Nós demos bem Chris, sabemos que não podemos de forma alguma comer nenhuma parte dessa casa. Só basta saber se tem uma bruxa cega ai dentro. Elizabeth riu tentando disfarçar o nervosismo.

Dentro da casa tudo parecia normal, por enquanto nenhuma velha rabugenta estava a vista dos dois, e não tinha nenhuma criança presa nas gaiolas. Vasculhando os objetos da cabeça, perceberam que barulhos começavam a se ouvir vindos lá de fora. Eram Crianças, crianças em uma algazarra por verem a tão majestosa casa de doces. Eram apenas duas crianças um menino e uma menina. Só depois de entenderem isso que perceberam que lá fora, quem estava causando aquela algazarra toda eram os verdadeiros, João e Maria.

Mas se João e Maria estão lá fora Chris, a Bruxa está aqui dentro, em algum lugar. Em algum cômodo que não vasculhamos. Logo, começaram a ouvir passos vindo do fundo da casa. Se entre olharam e já sabiam, que o perigo mais uma vez havia chegado para fita-los, cara a cara.

–Rápido Elizabeth! se esconda, rápido vamos para debaixo daquela mesa.

Foi o tempo certo de se esconderem e a Bruxa aparecer, só conseguiram ver suas meias listradas que pareciam até engraçadas, e seu sapato lustrado e brilhoso na cor preta. Logo a Bruxa se dirigiu a porta só esperando a entrada dos pobres irmãos que já não gritavam mais pois estavam enfeitiçados de tanto comer doces.

João e Maria entraram na casa em transe, a Bruxa só acompanhou eles até as grandes gaiolas que ficavam encostadas na parede ao lado da grande chaminé na cozinha. Chris não conseguiu ficar quieto e pensou que aquela Bruxa era uma das Bruxas de Grimm e logo se levantou do seu humilde esconderijo.

Sua bruxa velha, não tem vergonha de encantar essas pobres crianças a morte?

–Ora, ora temos um visitante a mais minhas crianças. Sabe menino, minha casa nunca foi tão visitada há séculos. Meu caldeirão nunca ficou tão borbulhante com sede de cozinhar carne humana. A bruxa riu com blasfêmia em direção á Chris.

Sua bruxa caquética, vou te jogar dentro daquele fogaréu para que nunca faça mais nada com crianças que tem tanta vida pela frente. Chris começou a andar ferozmente em direção a bruxa, com os nervos a flor da pele e uma sensação de heroísmo subindo a cabeça.

HAHAHA, sabe, algo me diz que você não vai não...

Neste exato momento a porta da casa se abriu e alguém que Chris conhecia muito bem entrou pela aquela porta. Aquele era seu amor, era o motivo por estar passando por tudo isso. Clauss estava ali, com ele. Chris foi correndo em direção de Clauss, que demonstrando a mesma empolgação o abraçou fortemente, e o apertou em seu peito que sempre foi rígido e forte.

Mas meu amor como que pode você estar aqui? Foi ai que Clauss sussurrou no ouvido do seu amado.

–Chris não deixe a emoção te levar, pense bem. Eu te amo meu amor mas isso é um teste. É o segundo teste.

Chris logo se tocou que tinha que deixar Clauss de lado e lutar pelo que era sua meta no momento, acabar com aquela bruxa malvada. Ele então se dirigiu a bruxa que ao perceber toda a fúria que ele carregava nos olhos, se sentiu ameaçada. Chris gritou para que a bruxa libertasse as crianças do transe e em instantes aqueles pobres rostinhos estavam assustados sem entender nada, mas Elizabeth que se encontrava no canto na cozinha o tempo inteiro desde que Chris saíra do esconderijo foi acalma-los e liberta-los de suas gaiolas.

Mas ele não parou, continuava lutando com a bruxa que resistente o rebatia na mesma força e intensidade. Foi ai que aconteceu, a bruxa tropeçou pra trás e num movimento falso Chris aproveitou para empurra-la dentro das chamas de seu fogaréu. E lá ela desapareceu como pó.

Ele logo se virou para ver se Clauss continuava lá, mas não. Só havia Elizabeth, e a casa começava a desaparecer, dar lugar a uma triste paisagem de sofrimento, com um ar gélido e quase impossível de respirar sem sentir como se facas cortassem seus pulmões. Chris nem teve tempo de cultivar sua tristeza por ter visto Clauss por tão poucos instantes. E nem teve tempo de ver Elizabeth ser agarrada por uma fera de características conhecidas. Elizabeth estava enrolada no meio de uma serpente enorme, era um grande basilisco. Enrolado no meio da neve, esperando ele se virar para dar o bote.

Confesso que estou extremamente impressionado humano. Poucos chegam ao terceiro desafio, e quase ninguém passa por ele. O basilisco em som sarcástico indagou suas palavras vividas e mortíferas.

Grande fera, diga-me o que queres e solte minha amiga. Faço qualquer coisa e até ti eu enfrento, mas deixa sair do meio do seu emaranhado corpo. Chris já estava desesperado por ver Elizabeth desmaiada no meio do enrolar da cobra.

Você não terá de enfrentar e lutar com nenhuma fera agora jovem. Mas um enigma vai ter que resolver, e se acertar, te dou sua amiga de volta e tu chegas no final desta longa caminhada.

Pois então me diga fera, qual enigma tem pra mim?

–Ai vai, preste muita atenção pois não vou repetir minhas palavras: O que tem 4 pernas no inicio, 2 no meio e 3 no fim ?

Chris ficou apreensivo e começou a raciocinar.

–“Não pode ser um objeto pois não tem pernas, nem um simples animal. Só pode ser... só pode ser um home. Isso é claro ! É um Homem”

Já sei a resposta Fera.

– Então diga em alto e bom som..

–É um homem no ciclo de sua vida.Um neném quando nasce engatinha como se tivesse quatro pernas, quando esta crescido e viril anda normalmente com suas duas pernas e no final de sua vida não anda mais sozinho e com a ajuda de uma bengala se locomove com suas três pernas.

–Parabéns, você acertou o enigma que lhe dei, é digno de passar por mim. Siga pela estrada enevoada até avistar uma muralha, atravesse o portão e as bruxas lá te atenderam. O grande basilisco soltou Elizabeth, que já acordada correu para os braços de Chris.

E os dois seguiram as instruções da Fera até a chegarem a muralha. Bateram no portão que emitiu um som seco e um eco impertinente. Do lado de fora nossos heróis escutaram os sons abafados de saltos se aproximando, e com um estalo os portões de abriram. E eles e maravilharam com o que viram.