Experimentando Rivella
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Dentro do rinque de patinação, eles davam seu coração para as lâminas, sua mor paixão; fora delas, eles compartilham seu amor um pelo outro de forma contido, pois o mundo de gelo e lâminas ainda não conseguia aceitar que o amor independia de gênero, e assim, de forma discreta, escondida Christophé Giacometti, “a sex bomb suíça” e Seung-gil Lee, “a precisão sul-coreana” iam para o seu quarto mês de relacionamento.
Inicialmente, o namoro pegou os mais íntimos de ambos de surpresa, pois eles eram praticamente o oposto um do outro, mas eram justamente em suas diferenças que um se apaixonou pelo outro e a cada dia, eles descobriram-se mais, reapaixonavam-se.
Naquela semana, pós final do Grand Prix, Seung-gil Lee, pessoa geralmente racional, resolveu quebrar seu próprio protocolo e seguir suas emoções. Comprou a primeira passagem para a Suíça e partiu ver o namorado.
Obviamente, Chris adorou a visita, a qual eles curtiram intensamente, pois Giacometti fez questão de apresentar as belezas de Zurique para o Lee: o famoso Museu da Arte de lá, o histórico bairro comercial de Bahnhofstrasse, a Igreja de São Pedro, o estonteante museu Pavillon Le Corbusier, andaram de bicicleta por Sihl, caminharam pelo Velho Jardim Botânico, até assistiram ao pôr do sol no Lago de Zurique congelado, pois era inverno, e obviamente deram uma patinada no local, além de atenderem seus fãs presentes no local. O único “problema” era quando perguntavam o porquê de Seung-gil Lee ter saído da Coreia para ir até a Suíça e o patinador sul-coreano era curto e grosso:
— Porque eu quis, algum problema?!
Quando a noite chegou, eles estavam de volta no apartamento de Christophé, o qual fez questão de preparar um jantar cheio de pratos típicos como queijo derretido no prato acompanhado de linguiças e molhos suíços, batata-suíça acompanhada de cozido de vitela com creme e champignon, pão suíço, sopa à moda suíça e porco assado à moda de Zurique.
Seung-gil, de início, achou meio insonsa a comida, pois como um bom sul-coreano, era acostumado com a comida hiper-apimentada e colorida da sua terra natal — tanto que veio a lembrança de quando Chris foi visitá-lo em Seul e ele experimentou o tradicional Ramyun Habanero, um macarrão instantâneo acompanhado com um molho ultra-apimentado. Na época, teve que se segurar para não rir do namorado tomando um litro de cerveja de uma vez para passar a ardência. —, mas depois que passou a comer uma linguiça típica acompanhada de um molho mostarda bem apimentado, ele reviu totalmente seus conceitos. Tacava ele em todos os pratos mesmo e não estava nem aí.
“Ainda bem que ele não tem gastrite.” — pensou Giacometti, enquanto observava o namorado tomar o molho puro. Entretanto, Christophé não conseguia deixar de ficar encantado em como o namorado comia com gosto o jantar, junto ao sorriso dele de satisfação após terminar de comer tudo e agradecê-lo pela refeição.
Depois do jantar, Chris propôs um desafio para o namorado, falando em inglês com ele:
— Agora que Seung-gil Lee está iniciado na culinária suíça, você pode provar o segredo da minha força e vitalidade — tirou do armário uma garrafa amarela que parecia garrafa de cerveja barata, colocou-a na mesa em frente ao namorado e continuou. —, Rivella.
— Isso é cerveja? — perguntou o sul-coreano, enquanto abria a garrafa.
— Não, refrigerante. Um brinde a nós e ao futuro dia em que a gente possa amar em paz. — Lee concordou com os votos do namorado, fez o brinde e tomou o refrigerante, porém o gosto não agradou muito Seung-gil. Quer dizer, não agradou em nada o sul-coreano:
“Com todo o respeito, mas isso é refrigerante ou remédio para má digestão? Isso é muito ruim, eca! Tem gosto de leite de magnésia frutado misturado com água com gás.” — teve que perguntar:
— Chris, do que esse refrigerante é feito?
— Soro de leite, extrato de pêssego, água e gás carbônico industrializado para refrigerantes. É uma delícia, não é?! — respondeu Giacometti, após deliciar-se com mais um bom gole da bebida.
— É… — respondeu educadamente Lee para não ofender o namorado e principalmente a cultura dele, tanto que tomou o refrigerante até o fim. Entretanto, sua opinião continuou a mesma: experimentar Rivella não foi mesmo a melhor experiência do mundo:
“Se isso era o troco pelo Ramyun Habanero, você está “de parabéns”, Christophé Giacometti. Eu só não faço você comer sannakji¹, porque nem o meu pior inimigo merece aquilo, mas quando você voltar para Seul, Chris, você que me aguarde. Você terá uma experiência gastronômica inesquecível… com hongeo²!”
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