Notas iniciais
de·sa·fi·a·dor |ô|
adjetivo e substantivo masculino
Que ou aquele que desafia; provocante.

Sasuke achara que havia sido claro e incisivo o suficiente na noite anterior para que enfim desencorajasse aquela animosidade desconcertante por parte de seus dois ex companheiros de time, mas aparentemente ele falhara mais uma vez em comunicar suas vontades.

Ou os dois ninjas que eram apenas obstinados demais ao ponto de desconsiderar tudo o que ele falava que os contrariava.

O Uchiha olhou mais uma vez de um para o outro, tomando todo o tempo do mundo para saborear as expressões de felicidade e expectativa direcionadas a ele.

Deus, ele nunca admitiria em voz alta, mas Sasuke sentira falta desse ar de conforto que os rodeara antes de todos os problemas começarem a ressurgir anos atrás.

— Então, teme. Pensou melhor no que a gente disse?

Sasuke fingiu se sentir ofendido com o antigo apelido.

Uzumaki Naruto apenas sorriu, não se deixando enganar pelo ato. Sakura, ao seu lado, o observava como se esperasse que ele cedesse a qualquer momento aos apelos que lhe vinha fazendo há dias.

Mas ele não cederia, Sasuke pensou, ressentido. Não dessa vez, nem que significasse ter que ver o rosto de Sakura se contraindo em frustração mais uma vez em um período tão curto de tempo.

As vezes seus dois melhores amigos apenas complicavam sua vida.

— Se você demorar mais um segundo para responder, eu vou entender como um sim.

— Não. — Ele se afastou da entrada de sua casa, sem fechar a porta. Como esperado, ambos o seguiram para dentro da cozinha, fazendo sons de exasperação.

Sabendo que eles não se dariam por vencido, Sasuke tratou de se ocupar com o chá que começara a fazer antes de ser interrompido pelo ANBU encarregado de guardar sua residência.

Tsk, como se ele precisasse de alguém para um serviço tão banal como o de avisá-lo sobre aproximações em seu terreno.

— Aa, Sasuke, não seja tão cabeça dura. Não custa nada ficar mais alguns meses ou voltar quando chegar o dia.

— Não.

Sasuke já explicara seus motivos para o louro e por alguma razão o incomodava que ele ainda fizesse tanta questão de uma coisa que claramente o chatearia. Mas talvez, uma voz pequena no fundo de sua consciência começou, ele só esteja fazendo isso pela Sakura.

Mas ele não seria idiota o suficiente de se deixar levar por esse pensamento esperançoso.

Foi então que Sakura falou pela primeira vez no dia.

— Nós podíamos decidir isso em um treino, então.

Sasuke a olhou de soslaio rapidamente em um misto de surpresa e curiosidade ao ouvir seu tom de voz esperançoso e ao mesmo tempo tomado por um desafio e uma excitação de quem sabe o que lhe aguarda.

E ele não tinha como negar que muito do que sentia naquele momento era admiração – esta que se tornara bem mais frequente desde a conclusão da Guerra.

Quando ele resolveu parar o que fazia para dar sua total atenção para a garota, Sasuke quase se arrependeu.

Quase.

Subitamente, ele se viu inundado por um sentimento tão notavelmente familiar – mas ainda sem nome – que precisou de alguns segundos para se recobrar da visão de Haruno Sakura com as bochechas coradas e os olhos centrados em qualquer lugar que não fosse o seu próprio olhar.

E no instante seguinte, ele percebeu que assim como a cena que se desenrolava a sua frente, a sensação de perdição que Sakura lhe causava parecia atemporal.

— O que me diz? — Ela continuou, aparentemente ignorante aos seus pensamentos, – diferente de um certo Uzumaki que Sasuke simplesmente sabia que estava se divertindo com a sua transparência – olhando-o experimentalmente. — Se eu ganhar a sessão de hoje, você comemora seu próximo aniversário aqui em Konoha. Caso contrário...

Sakura se calou antes que pudesse se deixar afetar pela possibilidade.

E Uchiha Sasuke se lembrou naquele momento do quão desafiador era não se deixar levar pelas vontades de Haruno Sakura.

Notas finais
Não estou acostumada a escrever SasuSaku mas sair da zona de conforto é o que há.