Notas iniciais
Após eventos que mudariam o personagem aos poucos, ele enfim encontra alguém que pode ajudar-lo a sobreviver.

12h51.

Antes de tudo, ainda consegui enxergar. As últimas lágrimas as quais pertenciam à pessoa que mais me amava no mundo. Penso. Quantas pessoas passaram por isso além de mim? Sem motivo?

O amor... É o sentimento que muda tudo. As pessoas fazem tudo por quem amam. O amor é o sentimento que move montanhas, ouvi isso em algum lugar. O amor tem a capacidade de mudar toda e qualquer pessoa. De causar coisas impossíveis. Esse é o amor. Entretanto, pense... Qual seria o oposto do amor?

O ódio é um sentimento com as mesmas características não é verdade? Quantos filmes você já assistiu, quantos livros você já leu, quantos animes você acompanhava, quantas séries você procurava, em que o vilão não era tão irracional assim? Que ele fazia tantas coisas, mas sempre com alguma lógica?

O sorriso foi construído naquela face. Não era mais ela. Caminhei lentamente à porta. Sem olhar para trás. Tranquei. Em seguida a porta se balançava em batidas e desespero. Lágrimas no meu rosto? Não. Só esperava que ela tivesse ido para um lugar melhor. Merecia. No meu rosto havia outra expressão.

Saí do local e logo avistei o carro do meu pai a metros de distância. Sempre levara minha mãe ao trabalho de manhã cedo. Do retrovisor do próprio carro, avistei-o no banco da frente, do volante. Um smile negro. Preferi sair logo dali. Estava cheio de culpa dentro de mim. Não pude os proteger. Mas ainda sim havia pessoas que eu devia. Sempre pensei que se acontecesse algo do tipo no meu mundo, eu iria numa loja de importados em que vendiam alguns itens de caça, armas, bestas, coisas do gênero. Pelas ruas me deparava com seres totalmente possuídos. Você pode até me perguntar, cara, é um apocalipse zumbi, por que você não está vendo nenhum, nem está passando por dificuldades de locomoção? E eu sei? Possivelmente, um tipo diferente. Acontecera de dentro das residências para fora. Também vira lojas entreabertas no centro. Com amasso no seu portão. Dentro das grades encadeadas da câmara de vereadores vários presos. Espalhados pela rua corpos expostos em processos de demonificação. Cheguei à loja, estava aberta forçadamente. Pelo visto, há outros sobreviventes além de mim. O que me lembrava da única pessoa que possivelmente ainda estaria ali por mim. Tentei achar algo que me ajudaria no processo, mas a maioria dos itens não estava mais ali. Percebo uma caixa de madeira que alguém tentara abrir nas pressas mas não conseguira, por causa de pregos que a trancavam. Tentei ver o que tinha ali dentro e achei ter visto uma bainha. Logo procurei quebrar aquela caixa com algumas chaves de fenda que estavam espalhadas no chão de cerâmica marrom. Consegui, enfim, ver o que aquela caixa escondia. Eram duas Katanas, de qualidade baixa obviamente, mas katanas e um pequeno punhal. No mesmo momento que empunhei-o, ouvira barulhos e um corpo avançando para cima de mim. Era uma moça. Era. Agora era uma moça de olhos vibrantes, aura negra e sorriso miserável. Ao meu ver, os corpos possessos usam o máximo dos mesmos. A velocidade, força e resistência em seus máximos para o corpo. Tentara me morder com toda força. Meus braços estavam sendo perfurados por suas unhas, quando me defendi da tentativa. Mas dessa vez... Após todos os eventos passados... Minha hesitação não era mais a mesma. A empurrei contra a parede e perfurei-a no tórax. As chamas negras emanaram se extinguindo, mas ainda sobrara um resto de forças. Caída, ainda me perseguia arrastando-se. Deixei. Ainda me sobrara um pouco de limites.

13h41. 58%.

Aquelas katanas me lembravam a pessoa que estava indo ver neste momento. Fui diretamente dali para sua residência, evitando as avenidas. Ao dobrar a esquina, vi seres. Muitos. Em frente à sua casa. Cerca de dezessete. Seu muro era pequeno, então alguns estavam dentro da área da frente da casa. Acelerei a moto o máximo que pude antes de me jogar dela. Alguns foram atirados para fora. Outros me perseguiram. Efetuei alguns golpes na linha da cintura para baixo, debilitando movimentos de uns três. Pulei o murinho e derrubei da escadinha que levava à primeira porta da casa, de alumínio. Estava entreaberta com uma poltrona bloqueando a passagem. Empurrei a porta o máximo que pude, antes que sofrera algum dano de quem estava logo atrás de mim. Gritei seu nome. Enquanto cinco logo me alcançariam. Ouvi passos correndo dentro da casa, com olhos vermelhos, de sofrimento. Puxara a poltrona o que me possibilitou entrar rapidamente, sendo minha camisa rasgada a puxadas. Todo material que eu tivera obtido estava na minha mochila, com as Katanas fora, amarradas à minha cintura, por causa do seus comprimentos. Sim. Ele estava bem. O quarto de sua mãe estava fechado. De lá eu ouvira alguns barulhos estranhos, mas familiares. Ele praticamente só tivera sua mãe de família. O sofrimento era estampado. Não sabia o que fazer.

Puxei-o pelo pescoço, dei-lhe um abraço. Afinal éramos irmãos cara. Amizade de tempos, irmãos. Perguntei o que acontecera com sua mãe. Infelizmente, pouco tempo após sair de casa, voltara com marcas no ombro e braços. Ele a tentara socorrer em seu quarto, mas seus olhos começaram a tremer e ao mesmo tempo sofrera algo interno em sua alma. Foi aí que vira chamas negras advindas do ser. Ele sabia mais ou menos o que estava acontecendo. Saiu em lágrimas e gritos do quarto, trancando-o. Falei que infelizmente era isso. O pedi para sobreviver comigo. No momento, nós estávamos em sentimento mútuo. A raiva contra as causas desses eventos... Pedi para arrumar tudo que podia e seria necessário para uma viagem a outro estado, ele entendera no mesmo instante do que se tratava. Em dias passados, nós comentamos a arma essencial para uma situação dessas. Ele adorava a ideia de Katanas. Mostrei uma a ele, ele deu um sorriso curto, batemos os punhos como irmãos e fomos em direção àqueles.

54%. 14h11.