Exorcistas: Cidade Das Trevas
4 Capítulo 3 - Yoshihiko
Notas iniciais
Depois de hoje, vou dar uma pausa na escrita, preciso fazer algumas outras coisas pendentes, mas não vai demorar pra sair o cap. 4, prometo! :D
Espero que curtam esse cap.

– Kuso! Corre atrás desse maldito, Matsuo!
Yoshihiko estava quase no limite de velocidade da sua moto e que o permitia enxergar algo. Kazuo tentava seguir o garoto no mesmo ritmo. Eles estavam atrás de dois homens que mostravam sinais de possessão que haviam assaltado um banco há pouco.
– Porcaria. – Yoshihiko falava para si e logo gritava para o colega que o acompanhava – Vamos precisar pegar um atalho. Me segue, Kazuo!
Logo estavam dobrando na próxima esquina em alta velocidade. Yoshihiko trabalhava com eletrônica, entendia bem de tudo. Automóveis, PCs, robôs. Era obrigado a se esforçar nos estudos desde sempre. Além disso, amava motocicletas. Sempre que alguém precisava de alguma informação sobre tal, bastava chamar Yoshihiko.
Enquanto aprendia sobre motocicletas e eletrônica, Yoshihiko também foi enviado à igreja. Sua mãe havia exercido o cargo de exorcista, porém, ao ir embora para o Brasil, abandonou o mesmo. Yoshihiko prometeu a ela que iria substituí-la, mesmo que não fosse bom com essas coisas. Ele estava errado. Logo se tornou um dos mais requisitados no ramo.
Enfim, Yoshihiko e Kazuo saíram em uma rua e deram de frente com os dois assaltantes. Ambos puxaram suas pistolas .45 que continham balas de sal, atiraram no pneu da moto que fez com que os dois meliantes deslizassem até caírem, à seguir, começaram a recitar algumas linhas do Rituale Romanum.
“Regna terrae, cantate deo, psallite domínio, tribuite virtutem deo...”
Ao ouvirem essas palavras, os rapazes começaram a se debater como se estivessem sendo queimados por dentro. Enquanto um deles se retorcia em dor, o outro olhava para Yoshihiko, rindo, conforme continuava o ritual.
– Acha que vai se safar dessa, filho da puta? Eu espero que você esteja preparado pro que acontecerá logo logo. Ninguém mandou aquela piranha voltar a exercer sua função. Ela vai se foder. E vai ser rápido, eu prometo. – o homem abria a boca e Yoshihiko notava a fumaça densa e negra saindo da boca dele.
A mesma coisa acontecia com o outro homem, porém, ao chegarem perto do corpo, o homem estava com alguma espuma branca em volta da boca, morto. Yoshihiko guardava sua arma e Kazuo vinha logo atrás dele.
– Parece que esses malditos ainda tem uma afeição pela Sra. Matsuo, hein, Yoshi? – cutucava o garoto com o cotovelo.
– Não sei, Kazuo. Algo naquela voz me fez sentir estranho. – Yoshihiko estremeceu ao pensar no que poderia acontecer.
– Que tal dar uma ligada para seus pais? – fazia mímica de ligação.
– Farei isso logo, primeiro precisamos resolver isso aqui. – Yoshihiko agachou-se para fechar os olhos do sujeito que estava morto, enquanto fechava-o, fazia um sinal da cruz – Espero que descanse em paz.
A ambulância chegava e logo colocaram o corpo do rapaz em uma maca, fechado em um daqueles sacos para pessoas falecidas. O outro já estava consciente.
– Minha cabeça dói, o que houve? – o homem olhava para os dois exorcistas que estavam parados, conversando.
– O senhor estava poss...
A polícia chegou ao local indo em cima do homem, algemando-o. Lá ninguém ligava se estava possuído. Se roubou, tem que ir preso, os dois exorcistas entendiam isso. Voltavam para suas motos enquanto olhavam o homem indo até o carro da polícia.
Yoshihiko ainda estava pensativo sobre o que o demônio havia falado mais cedo para ele. Ao chegar à igreja, contou ao padre que havia acontecido, com Kazuo como testemunha.
– Você não acha que precisa olhar isso de perto, Yoshi-kun? – o padre falava de forma calma para o garoto.
– Mas, padre. – olhava para o homem com preocupação – Eu não posso deixar tudo e ir embora para o outro lado do mundo. Prometi para minha mãe que seguiria a risca o legado dela.
– Você não está indo embora, meu jovem. Pense nisso como uma missão do outro lado do mundo, com direito à visita aos familiares. – o padre estava com um sorriso – Você também precisa de um descanso. Sei que não é fácil servir a igreja por 18 anos sem tirar férias. Dessa vez, eu exijo que você pare um pouco, Yoshihiko.
– Mas, pa...
– Sem mais, garoto. Você será enviado ao Brasil.
Yoshi dava um sorrisinho e pensava no quão bom seria ver sua família mais uma vez. Ou não. Estava um tanto preocupado com a situação perto de onde eles residiam. Também estava preocupado com o estado mental de seu pai que, segundo sua mãe, estava traumatizado.
– Eu cuidarei de tudo, apenas vá para casa e arrume suas coisas. Seu voo será de madrugada.
– Sim, senhor. – segurava a mão do padre e dava um beijo nas costas dela – A sua benção, padre.
– Que Deus te abençoe, meu filho. Tenho certeza que você se sairá bem lá. Mande lembranças à Kyoko e ao seu pai também.
Yoshihiko se dirigiu à porta da igreja e, ao sair, notou uma garota, trajando um sobretudo. Ela não era asiática. Enquanto dirigiu-se à moto, notou que ela o olhava com uma cara de quem precisava lhe falar algo. Ele suspirou, puxou um cigarro do seu paletó e foi até a moça, falando em um português com sotaque característico japonês.
– Então? Deseja falar comigo, moça? – acendia o cigarro após falar isso.
– Matsuo, eu me chamo Clarice Pratagy. Fui enviada ao Japão pela Capital Paralela. Você deve estar se perguntando por que vim atrás de você. A resposta é simples. Tem a ver com sua família.
– O que houve? – ele parecia estar calmo, apesar da preocupação. O cigarro parecia lhe acalmar – Aconteceu algo de ruim com eles?
– Recebemos um depoimento do seu pai recentemente sobre um caso que ocorreu em Belém recentemente. Sabemos que ele não reside lá, porém, estava presente no ocorrido e aquilo o traumatizou de forma que precisou ir à Capital Paralela para depor e nos mandar atrás de você.
– Então eles estão bem? Isso em deixa melhor.
– O Sr. Vargas ordenou que viesse comigo. Você trabalhará na empresa a partir de hoje. Estamos protegendo sua família para que nada aconteça a eles. Já tivemos problemas com outro exorcista que trabalhava conosco. Descobrimos que sua mãe estava pesquisando sobre o que havia acontecido, não sabíamos que ela foi uma das melhores exorcistas que esse mundo já havia visto.
– Fico feliz em saber que minha mãe é reconhecida por isso. Mas por que ela está fazendo pesquisas sobre isso? Ela já se retirou do cargo, eu estou no lugar dela.
– Após conversarmos com seu pai, ela foi até nós e nos contou algumas coisas sobre ele, que estava bastante perturbado, que às vezes estava no 2° andar de casa, sentado no parapeito. A D. Kyoko disse que ele tentou se suicidar duas vezes se jogando do prédio, mas sobreviveu em ambas e pretendia fazer isso pela 3° vez.
Yoshihiko não estava chocado, não se dava muito bem com seu pai enquanto moraram juntos, o Sr. Matsuo nunca ligava para as coisas que o garoto fazia, sempre era insensível quando Yoshihiko vinha feliz para lhe mostrar algo, especialmente sobre motocicletas.
– Bem, eu já recebi a missão de ir para o Burajiru de qualquer forma. – o cigarro já estava no fim, jogou-o na neve e pisou para apagar.
– Tenho certeza que se dará bem com as pessoas na Capital Paralela. O mais importante é que também se dê bem com os outros dois que encontrará por lá. – nessa hora, a moça tirou do sobretudo um envelope com duas fotos – Estes são Luca Carminati e Jade Chevalier.
– Que moça bonita. – sorria ao olhar para Jade, mas sabia que apanharia ao se aproximar da loira.
– O pai dela foi quem perdemos nessa missão, precisamos resolver isso o quanto antes, Matsuo. Que tal você ir para casa e arrumar suas coisas?
Kazuo se aproximava de ambos, não falava português, porém, entendia um pouco por conta da família de Yoshihiko.
– Orá, mosha. – falava num português arrastado e logo olhava para Yoshihiko – Você vai precisar de uma carona para o aeroporto, onii-san?
Yoshihiko assentiu e voltou a falar com a moça.
– Se me der licença, preciso partir e me preparar, senhorita.
– Me encontre no aeroporto às 19hs, sem atrasos.
– Estarei lá. – chegou até sua moto, subiu nela e parou para pensar um pouco – “Por que isso tudo está acontecendo? No que diabos minha mãe se meteu?” – deu partida na moto e começou o caminho para casa.
Pouco antes de partir, Kazuo chegou à casa do jovem exorcista e buzinou. Desta vez, estava de carro. Yoshihiko estava limpando sua moto e ao ouvir a buzina, foi caminhando até a porta, fez um sinal como quem fala “já estou indo”, pegou suas malas e chaves.
– Sayounara. – falou aquilo antes de entrar no carro.
– Está pronto, nii-san? – Kazuo estava um pouco triste ao ver seu amigo partir.
– Você disse que eu não iria embora, padre. Sei que não voltarei ao Nihon. – falou aquilo dando uma risada baixa — Eu quero que você cuide de tudo, Kazuo. – entregou-lhe as chaves de casa – especialmente do meu amor. – também lhe deu a chave da moto – É hora de começar uma nova vida, pelo visto. – falou isso olhando o céu que estava mais estrelado que o normal àquela noite.
Notas finais
Kuso! - Merda!
-kun - sufixo utilizado para o sexo masculino
Burajiru - Brasil
Onii-san/nii-san - Irmãozão
Sayounara - Adeus.
Nihon - Japão
Até o próximo cap. :D
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