Existência Corrompida
4 Abrindo os olhos e quebrando fronteiras
–O que esta acontecendo? Onde eu estou? Por que essa luz esta tão forte? -Snap pensa enquanto abre os olhos em uma sala de paredes brancas.
–Finalmente você esta de volta! -Enfatiza uma garota sentada numa poltrona ao lado da cama onde Snap está deitado.
Snap senta na cama e pega seus óculos que estavam em cima de uma escrivaninha com flores.
–Quem é você? Não me lembro de te conhecer...
–Prazer! Eu sou a Wendy, estou internada nesse hospital durante um tempo e resolvi passar aqui de vez em quando... Seu rosto me parece familiar então venho te ver.
–Hospital?! O que aconteceu comigo? -Diz Snap aumentando o tom de sua voz
–Bom, eu não sei... Desculpe-me... Tudo o que sei é que de vez em quando uma mulher de cabelo vermelho vem te trazer flores, ela se parecia um pouco contigo! -Diz Wendy enquanto levanta da poltrona e se aproxima do rosto de Snap. –Gostei dos seus olhos, porque eles são dessa cor?
–Não sei... São assim desde que me conheço por gente. –Diz Snap rindo e levantando da cama, ele se vira de costas pra Wendy e caminha até a porta.
–Se eu fosse você não sairia daqui assim... -Diz Wendy com um olhar de constrangimento.
–Qual o problema de eu sair daqui garota? -Snap desafia Wendy com tom repreensivo.
–Pelo menos coloque uma roupa... Essa roupa daqui é aberta atrás... -Diz Wendy desviando o olhar.
–Ah não acredito! Por que você não me avisou antes? -Snap pula em cima da cama e se esconde embaixo dos cobertores.
Wendy ri escondendo o rosto e volta a olhar para Snap sorrindo.
–Ok, por que você esta internada mesmo? -Snap está vermelho e apresentando um interesse meio forçado.
–Não quero falar sobre isso... De qualquer modo você não entenderia... -Wendy levanta e vai em direção a porta. –Tenha uma boa estadia Snap! Até mais!
–Hey como você sabe meu nome? -Pergunta Snap sem esperança de que a garota volte e te de uma resposta, pois ela já se afastou demais para que ela ouvisse sua voz.
O quarto fica em silencio depois que Wendy vai embora, Snap começa a se perguntar por que de estar em um quarto de hospital e quando tempo ele poderia ter ficado inconsciente.
Uma mulher de cabelos vermelhos e olhos verdes entra na sala, mas a cor de seu cabelo não é o simples vermelho como pessoas ruivas normais, mas sim um vermelho vivo parecendo até ser tingido, ela se senta na cama e começa a arrumar o cabelo castanho e comprido de Snap.
–Mãe... O que aconteceu comigo? -Pergunta Snap suavemente.
–Olá filho, está um dia bonito e claro não é? Poderíamos conversar sobre isso depois... -Diz Violet L. A.
–Mas mãe eu quero saber o que aconteceu... E na escola todos já sabem que estou aqui? -Pergunta Snap com uma expressão de insatisfação
–Sim... Eu não dei o endereço do hospital, mas eles sabem que você esta internado. -Violet desvia os olhos da direção de seu filho e levanta da beirada da cama para pegar a sua bolsa. –Aqui filho o seu celular, para que você possa se comunicar com seus amigos e também ouvir musica você não passa um minuto sem os fones de ouvido...
–Obrigado, o que aconteceu comigo? O que eu tenho? –Diz Snap olhando fixamente nos olhos de sua mãe.
–Você não se lembra mesmo do que aconteceu aquela noite?
–Não...
–Tudo bem então filho... Eu explicarei, eu entrei no quarto e você estava desmaiado pálido e tremendo, então eu chamei uma ambulância e levaram você até o hospital mais próximo, chegando ao hospital disseram que por pouco poderia ter sido pior, você teve um ataque cardíaco... Passou por um transplante cardíaco, pois segundo os médicos o seu coração não poderia agüentar um segundo ataque. -Violet descreve o que aconteceu com angustia em suas palavras.
Snap enfia sua mão direita por dentro da roupa azul de hospital e encosta-a em seu peito.
–Em quanto tempo eu sairei daqui? -Snap demonstra indiferença ao fato de ter passado por sérios problemas de saúde.
–Segundo o Dr.Christiaan você terá alta em alguns dias, não vai demorar muito, porem terá de ficar em alerta e tomar cuidados especiais, teremos que voltar aqui quase sempre e você terá um acompanhamento médico.
Snap suspira e olha para sua mãe como se ignorasse a sua situação atual.
–Eu posso usar roupas normais? Essa roupa me incomoda...
–Ah sim elas estão dentro desse armário ao lado da escrivaninha, filho eu terei que sair, eu volto em uma hora, ok? -Violet se levanta pega sua bolsa beija o rosto de seu filho e sai da sala.
Olhando para o teto Snap começa a ter o que parecem ser alucinações, luzes coloridas invadem o quarto.
–Fique calmo! Isso deve ser efeito dos remédios... -Diz Snap apertando os olhos com as pontas dos dedos e esfregando o rosto com as costas das mãos.
A porta do quarto se fecha e então as luzes coloridas que rodopiam em sua volta ficam mais rápidas e então param repentinamente.
–Buon giorno il mio caro amico
Uma voz invade o ambiente e um homem de terno branco aparece em frente à cama em que Snap está deitado.
–Mephisto? -Exclama Snap indignado.
–Vim ver como você esta, como andas após seu transplante cardíaco? Além do mais de nada por isso. -Mephisto sorri enquanto se senta na poltrona ao lado da cama.
–Mas o que? Isso é culpa sua? -Os olhos de Snap começam a brilhar em fúria.
–Mas é claro que é! Se não fosse por mim você poderia sofrer sérios problemas no futuro, eu apenas adiantei as coisas para que não nos preocupássemos, afinal o problema cardíaco na sua família é hereditário... Não é?
–Agora eu quero descansar... -Snap vira o rosto para a janela do seu lado esquerdo.
–Não será tão fácil assim se livrar de mim caro amiguinho. –Mephisto fala e gesticula com as mãos. –E a propósito, como andas a família?
–Vá direto ao ponto... -Snap diz ainda sem olhar para Mephisto.
–Seu pai, você não sabe nada sobre ele? -Mephisto se empolga e seu terno toma a cor roxa como num passe de mágica.
–Não... E prefiro não saber, em sua vida ele não foi muito presente... -Snap olha para baixo e seu cabelo despenca em frente ao seu rosto.
–Bom você tem certeza que não quer saber? Que pena... -Mephisto fala com um tom sádico.
–Já deu seu tempo aqui, correto? O que você quer comigo? -Snap tira a franja da frente de seus olhos e encara os olhos reptilianos de Mephisto.
–três bien Snap, eu quero que você continue com seus estudos mágicos e que passe seus conhecimentos aos próximos, aqui fique com isso.
Mephisto entrega um grande livro preto sem nome e um lápis vermelho para Snap.
–Você fará disso seu diário mágico, você anotará as suas experiências aqui, todas... Sem exceção de uma entendeu?
Mephisto desaparece e o ambiente fica calmo novamente, Snap simplesmente guarda o livro e o lápis na segunda gaveta da escrivaninha e pega num sono.
Fale com o autor