O pai entra no quarto da filha . A menina está deitada na cama olhando para o teto , falando com as paredes . Ele suspira . Por que ela era assim tão diferente ?

- Filha ... –ele começa dando outro suspiro . Agora a criança tinha inventado de mexer as mãos como se fizesse carinho no ar . Ela tinha uma imaginação ...

- Sim pai ? – responde, sem parar sua conversa com o amigo invisível .

- Acho que talvez você deva começar a tentar fazer amizades ... – ele diz em uma quase súplica. A criança não parece prestar atenção .

- Eu sou diferente . –ela diz simplesmente . Fácil assim . O céu é azul . Eu sou diferente .

- Isso não explica o fato de você não convidar ninguém para vir aqui ! –o pai ralha . Por que era tão difícil ?

- E o que explica o fato de existirmos ? O que explica o fato de falarmos ? O que explica o fato de vermos ? De pensarmos ? – ela fala rápido .

- Filha , não fale coisas que ... – ele tenta . Ela está definitivamente maluca .

- Você tem o pé muito no chão ! Se eu te falasse que existem criaturas em forma de bola que são invisíveis e dão coceira no nariz , você acreditaria ? Não , porque você não as vê ! Se hoje acham que o universo tem somente a Terra como planeta habitado , daqui a cem anos considerarão isso absurdo porque terão descoberto setenta novos planetas cheios de extra- terrestres ! Como você pode saber se existe um bicho-papão ou não ?

Ele sai do quarto abismado . Talvez um psicólogo resolvesse isso . Antes do mesmo ir embora , a garota vê seu pai mexer o nariz . Ele olha para os lados , agita as mãos como que para espantar algo e finalmente o coça .

“ Que estranho ... “ – ela pensa curiosa – “ Ele esqueceu de olhar embaixo . Eles sempre se escondem embaixo do nariz . Como alguém pode ser tão tolo a ponto de não olhar para baixo ? “

Notas finais
Mereço comentários? :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!