Notas iniciais
Oi, oi! Segundo capítulo escrito por mim (MandsR) através dos olhos de Melina. Espero que gostem!!!

Respiro fundo e olho em volta.

Nossa casa era bonita. Eu e Amely tínhamos a decorado. Era espaçosa o bastante para caber uma família inteira ali. Mas éramos apenas nós duas.

Ela localizava-se no interior de uma enorme árvore. Era afastada das outras casas por certos motivos – muitos lipphaus achavam que éramos perigosas e não nos queriam perto de seus filhos influenciando-os a usar “magia negra” -, mas esse “isolamento” a deixava mais bonita e misteriosa.

Seu interior tinha um tom amadeirado claro, diferente do de fora, que era desgastado, escuro e cheio de lascas. O lugar era iluminado apenas por tochas de luz branca.

Logo na entrada via-se alguns móveis, alinhados perfeitamente: duas cômodas junto a um sofá e um grande televisor, este originado por imagens feitas de vento sul e pó de cifra – mistura feita de dente de leão, saliva de dragão, tinta de diversas cores, e, claro, no final é só balançar o dedo mínimo e dizer “fúcsia” – e “sustentado” nas laterais por grandes e densos troncos de árvore. Um largo tronco usado como mesa, ficava na cozinha, prateleira com louças de barro e porcelana, armários com comida e cadeiras de madeira também a decoravam. Bem no fundo, perto da escada que subia até o segundo andar e visível apenas da cozinha, ficava o banheiro.

Para chegar ao nosso quarto, subíamos a escada de pedras... Pedras que se alojaram dentro de um tronco de árvore através de magia.

Chegando ao último degrau, você veria mais móveis alinhados: duas grandes camas ao fundo, um espelho alto e largo, que se localizava atrás das camas com se fosse uma cabeceira, duas penteadeiras, uma em cada canto do quarto, com pequenos troncos que usávamos com bancos e entre as camas e as penteadeiras portas de correr – uma em cada lado também – que davam para os armários – sim, tudo aqui é em dobro.

O chão do quarto, assim como o do restante da casa, era coberto de folhas, com um caminho de pedra que se desviava para as penteadeiras, armários e ia até as camas. E o teto, bem, não tínhamos um. A copa da árvore era aberta, então conseguíamos ver toda a imensidão do céu.

– Mel?

Amely me chama, tirando-me de meus pensamentos e puxando-me para a realidade.

– Sim? – pergunto, olhando em volta e percebendo que estávamos em nosso quarto. – Como cheguei aqui em cima?

– Andando? – ela diz, ironicamente.

Reviro os olhos e caminho até meu... Meu suposto armário de roupas.

–Ando meio distraída ultimamente. –digo.

Amy dá de ombros, caminha até sua penteadeira e escova seus curtos cabelos que chegavam apenas até os ombros.

Paro em frente à porta, balanço o dedo mínimo e sussurro “Aperto Adesso”. A porta se destranca e desliza para o lado, deixando clara a visão do meu armário. Diferente do armário de Amy, que era cheio de roupas, dentro do meu se detinham livros de magia, pequenos potes com poções, ervas e todos os utensílios de magia que se poça imaginar. Claro, também tinha um pequeno espaço para roupas.

Pego minha capa, alguns livros e ervas, que ponho dentro de minha trouxa, e saio de mansinho, tentando não chamar atenção de Amy.

Pisando delicadamente, desço as escadas e logo chego à porta. A abro sem fazer ruído algum e, antes de fecha-la, paro e começo a murmurar o feitiço de aprisionamento “boccato”.

Não era minha intensão aprisionar Amely e sim, detê-la. Ela conseguiria desfazer facilmente o feitiço, mas, quando o percebesse, eu já estaria longe, no mundo humano.

Coloco minha capa e rumo a caminho do Lago dos Sonhos, lugar que estava sempre deserto – diziam que se você caísse no lago ao anoitecer entraria em sono profundo, mas a as pessoas encaravam isso como não podendo nem de dia chegar perto do mesmo.

Ando por tempo indistinto até que ouço um barulho de folhas secas serem achatadas. Olho em volta, ainda andando, mas não vejo nada além de um pequeno veado ainda aprendendo a andar.

Ouço passarinhos cantando e chamando outros para se acolherem em galhos de árvores, enquanto alguns texugos e raposas já ronronavam em suas tocas.

O inverno definitivamente já estava chegando e, com isso, os animais começam a se entocar. Infelizmente eu não ficaria tempo suficiente para vê-los voltar à ativa.

Outro barulho tira-me de meus pensamentos. Um galho se quebrando, e mais folhas sendo achatadas. Aos poucos o barulho ficava mais alto.

Corro. Corro em direção ao lago. Já estava escurecendo, quem quer que fosse não chegaria muito perto.

Os passos me acompanham, no mesmo ritmo acelerado. Eu estava quase no lago, mas eles não paravam, até que me vem uma ideia.

Paro abruptamente e me viro.

– Impedito! – grito o feitiço, fazendo com que uma pessoa encapuzada e indistinta caia no chão e permaneça imóvel. — Immobilizzare Piante!

Assim que grito o segundo feitiço, árvores irrompem do chão e se enroscam na pessoa caída, imobilizando.

Chego mais perto. A pessoa já estava completamente suspensa e imobilizada pelos galhos de árvore. Chego tão perto que consigo ouvir sua respiração ofegante e pesada.

Levanto minha mão e puxo o capuz para trás, me surpreendendo com o que vejo.

– Amy? O que você está fazendo aqui?

– Estou dando uma voltinha. O que você acha? – ela enruga os lábios, franzindo os olhos. – E o que você está fazendo aqui?

– Dando uma voltinha... – digo, fazendo com que ela solte um longo suspiro de rendimento.

– Tudo bem. Vi você pegando os livros e fazendo o feitiço de aprisionamento, então deduzi que você viria até o lago e lhe segui.

Vi em seus olhos que estava falando a verdade.

– E por que você começou a correr atrás de mim? – perguntei, desconfiada.

– Por que eu ouvi passos, alguém estava nos seguindo. Então, eu deduzi, novamente, que se eu corresse você também correria. Agora tire-me daqui, Mel. Vamos.

Tirei-a com um simples estalo de dedos, e fomos andamos juntas até o lago.

Paro e me sento no lugar de sempre, no meio de um círculo de pedras onde fazíamos nossos feitiços. Amely senta-se a minha frente.

– Tem certeza de que você quer fazer isso comigo? – pergunto.

– Tenho.

Tiro os livros da mochila e dou-os para Amely folheá-los e por na página certa enquanto organizo as ervas.

Com tudo organizado damos as mãos e começamos a ler as linhas escritas a tinta.

“Questo incantesimo ha preso la nostra alimentazione, senza alcun prezzo da pagare. Questo incantesimo nostre persone potranno godere ...”

Antes de terminarmos Amy interrompe o feitiço puxando suas mãos.

– Melina... – sua voz falha e seus olhos se fixam em um ponto acima de minha cabeça.

– Amely, por que você parou? Estávamos conseguindo...

De repente, sinto algo em meu rosto, gelado e sufocante. Arregalo os olhos que em segundos ficaram com a visão turva. A última coisa que pude ver era a expressão de horror no rosto de minha irmã.

– Mel! Isso é disarmare...!

Mas antes mesmo que Amy terminasse de falar, eu já estava caindo no sono.

Notas finais
Na capa do capítulo tem algumas fotos da Mel... "Deste feitiço nossa fonte de energia iremos tirar, sem preço a pagar. Deste feitiço nosso povo irá desfrutar..." By: MandsR.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.