Excluídos
6 Capítulo 6- Um copo de Coca Cola
-Seria uma honra! — Sorri sem graça respondendo aquela pergunta.
(Silêncio)
-O que você quer ser quando se graduar? — Questionei.
No grupo dos excluídos, nós sempre fazemos planos pro futuro e ficamos almejando eles com todas as forças do pensamento.
-Sempre tive o sonho de ser médica. Sei lá, a ideia de salvar as pessoas, ser importante pra alguém me enche os olhos. — Sussurrou, parecia que isso era a coisa mais importante que ela queria. — Então, podemos ir?
Fiz que sim com a cabeça. Saímos da sorveteria, ela me deu outro abraço que correspondi sem hesitar. Fui pra casa e contei a história. "Eu sabia que ela tinha algum problema demasiadamente grande." Ela respondeu. Concordei e fui para o quarto. Um dos momentos preferidos do meu dia é o banho. É a hora que eu mais penso, canto e fico sozinha. A proposito, meu encontro com Oliver é amanhã; estou nervosa demais, parece que meu coração vai ser engolido pela agonia.
Depois de muito pensar sobre a criação do mundo, ou cantar canções que ninguém mais ouve, exceto eu, sai do banho. Não sei se sou uma aberração nesse mundo, mas quando tenho um compromisso muito importante, eu não consigo dormir na noite anterior. Quero dizer, não consigo ter uma longa noite de sono como um cidadão sã. Fico tentando imaginar como vai ser, o que eu posso dizer; o que eu não posso dizer de jeito nenhum. Nunca tive um encontro com um menino. Acho que vai ser uma experiência e tanto.
Ao som de Everybody talks, eu fui andando à escola. Eu ando olhando o caminho, mas pra falar a verdade, eu estou dançando na minha cabeça. No meu mundo paralelo, eu danço na rua; as pessoas dançam também, todos vivem felizes, sem morte ou doença — Parece um pouco com High School Music, mas sinceramente, eu não assisto isso há anos- todos apenas amam um aos outros no meu mundo. Uma vez, eu quase fui atropelada quando estava no refrão de Just Dance (Lady Gaga), um vexame e tanto.
Cheguei na entrada da escola, e meus amigos estavam me esperando lá.
-Heey, Lau! — Disse John- Como foi sua noite?
-Heey, John! Ah, minha noite foi ótima, mas não dormi muito. Estou muito ansiosa para o encontro com Oliver.
-Aé, o encontro, já tinha até me esquecido do encontro com o menino saradão lá... Boa sorte -Falou John entrando na escola na nossa frente.
-O que deu no John?- Cochichou o Chris no meu ouvido. — Por quê ele está assim com você?
-Não faço a minima ideia, Chris! — Pausa — Ah, você me ajuda a escolher a roupa para eu usar no encontro de hoje como Oliver?
-Mas é claro. — Respondeu empolgado.
-Eu quero ajuda-la também, Lau! — Retrucou a Angel. — Posso?
-Claro que pode. — Respondi rindo.
Chegamos à sala pra aula de biologia, a última da semana, graças ao bom Deus. Essa professora é insuportável. Hoje é um dia ótimo, nem ela, nem ninguém vai acabar com o meu dia.
-Vejo que hoje a margarida sorridente está mais sorridente do que nunca... — Resmungou a Rose.
-Mas é claro. Ao contrário de outras pessoas, eu tenho um encontro com um homem. — Falei e berrei quando disse a palavra homem.
Todos riram, e ela ficou me encarando com uma cara de ódio. Achei que ia ser queimada com todo aquele lazer que ela estava me lançando pelos olhos. Olhos de demônio, credo.
-Não se esqueça que você ainda está no começo do primeiro ano do ensino médio, garota. — Ameaçou ela.
-Não vou me esquecer. Pode ter certeza que vou fazer meus dias aqui cada vez melhor, não há demônio pra me tirar do meu ótimo humor.
-Já chega, mocinha. — Gritou ela. Eu continuava sorrindo. — Espero que fique calada até o final da aula, ou vou ter que tomar providencias com a senhora.
-Sem o "senhora", por favor! Não sou velha ainda. — Retruquei.
Ela apenas me encarou e mandou os alunos abrir os livros. Olhei para o outro lado da sala procurando Rachel, ela olhou pra mim e sorriu. Sorri de volta. No intervalo, não fui ao refeitório, mas pude ver Rachel conversando com as "amigas". Ela olhou pra mim, e sorriu, as outras meninas brigaram com ela por esse ato. Achei meio bizarro.
-O que você e Rachel conversaram ontem? Ela não te suporta! — Disse Angel.
-Ah, nada de mais, apenas nos acertamos pelo acontecido no refeitório.
-Hum... — Disse Chris pensando.- Vocês não acham estranho o John não está aqui com a gente?
-Verdade, cadê ele? — Questionei.
-Não faço a minima ideia. — Disse Angel.
Saímos da escola e fomos pra minha casa. Hora de escolher as roupas para o ENCONTRO! Estou animadíssima. Ficamos ouvindo músicas altas no meu quarto, rimos e ficamos olhando as roupas. Minha mãe entra no quarto e diz:
-Uma outra amiga de vocês está ai na porta.
-Quem é, mãe?
-Não sei, Laura. venha ver.
Era a Rachel. Falei pra ela entrar, e fomos para o meu quarto. Ela estava meio tímida quando viu que meus amigos — Que ela cansou de humilhar também- estavam lá.
-Você chegou na hora certa, Rachel. Estamos escolhendo a roupa para o meu encontro de hoje com o Oliver.
-Ah, o encontro... — Disse ela olhando pro chão e mexendo no cabelo. — Estou atrapalhando?
O Chris ia afirmar quando eu o interrompi e disse "Não." Ela se sentou na cama do lado deles, e acho que foi bem divertido. Apesar de tudo, eles conseguiram ser amigos, pelo menos na minha frente. A Rachel me ajudou escolher a roupa, achei magnifica.
- Pena que vai ser o Oliver... — Balbuciou Rachel.
-Como assim? Questionei.
-É... Como assim, Rachel? Perguntou Chris.
-Ah, não é nada. Apenas o acho um garoto legal. — Disse ela forçando um sorriso. — Bem, já vou indo, a proposito, boa sorte lá.
Afirmei com a cabeça e ela se foi.
-Ainda acho ela meio estranha... — falou a Angel.
-Impressão sua, ela está tentando ser simpática! — Disse me olhando no espelho com a roupa.
-Acho que já vamos indo também. Boa sorte com o gato. — Disse Chris.
-Obrigado! — Sussurrei abraçando os.
Depois disso, foi tudo muito corrido para o processo Arrumação Para Festa Do Oliver. Cheguei a casa do Oliver e toquei a campainha. Achei estranho, estava muito silencioso lá.
-Heey — Falei quando o vi na porta.
-Ah, Laura. Que bom que veio, entre, seja bem vinda. — Disse sendo super simpático.
-Obrigado.
-A proposito, você está mais linda que nunca hoje, Lau. Posso te chamar assim? — Perguntou intrigado.
- Muito obrigado, você também está lindo. Eu amo esse apelido, pode me chamar como quiser. — Disse sorrindo. — Não vem mais ninguém? — Perguntei vendo que não tinha ninguém em casa.
-Ah, não, somos só nós hoje. — falou tímido com um sorriso sem graça. — Venha comigo na sala, aluguei uns filmes ótimos, acho que você vai amar.
-Eu amo filmes! — falei seguindo ele em direção a enorme sala. — Qual é o filme que alugou?
- Crepúsculo.
-Ah, deve ser muito legal. Amo romances, mas eles me deixam um tanto iludida. — Menti, não queria dizer que já tinha visto o filme com meus amigos.
-Eu também amo romance. — Sussurrou me encarando.
(Silêncio)
Fiquei um pouco vermelha com tudo aquilo, eu não sabia o que deveria fazer. Sentei no sofá enquanto ele foi buscar o refrigerante e a pipoca. Ele chegou e me entregou o copo cheio de Coca Cola e um pote com pipoca. O filme começou e eu estava ficando com um pouco de sono. Ele colocou a mão sobre a minha mão no sofá e sorriu pra mim. Fiz o mesmo. Não sei o que aconteceu depois. Eu apaguei, literalmente. Quando acordei, já era onze horas, fiquei assustada e disse que tinha que ir embora. O filme já havia acabado e ele estava vendo futebol.
-Tudo bem, te cuida, Lau.- Disse ele me levando até a porta.
Óbvio que tinha algo de errado que eu não conseguia entender. Por quê eu tinha adormecido? Fui pra casa, e escutei um belo sermão da minha mãe. O sermão foi de como a rua é perigosa pra meninas de quinze/dezesseis anos andarem sozinhas. Pedi desculpas e ela me perguntou como foi. "Foi ótimo, mãe" Mesmo não sabendo o que aconteceu lá nas duas horas de filme, eu menti.
Um dia é perfeito, o outro, péssimo. Tudo aquilo não havia passado de uma brincadeira idiota dos meninos do futebol com a menina ruiva, "amiga" da Rachel. O Oliver teve a estupidez de tirar a minha roupa quando eu tinha dormido, quero dizer, ele colocou algo no meu refrigerante. Tirou apenas minha blusa, e tirou uma foto minha de sutiã, foto que estava passando de celular à celular na escola.
-Está em ótima forma, hein Laura?! — Debochou a Rose, professora.
Chris e Angel me abraçaram e sussurraram "Vai ficar tudo bem, Lau."
-Não, não vai ficar nada bem. Eu não vou deixar isso assim. — Falei deixando uma lágrima escorrer pelo meu rosto.
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