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19 Capítulo 19- Um falso amigo
O que vocês fizeram foi de uma tremenda irresponsabilidade. Vocês deveriam ter pensado em todas as consequências desse ato antes. E agora, o que será feito? Óbvio, que você terá que arrumar um trabalho assim que a criança nascer. Assumir as responsabilidades como um pai de família.
Foi isso o que os pais do Peter disseram a dela. O mais inacreditável é que o Peter não desanima, ele está amando toda essa ideia de gravidez. A Angel voltou do banheiro com uma afeição tensa.
-Vocês não vão acreditar! — Afirmou a Angel ainda com uma afeição estranha. — Uma menina me disse que a Rachel está usando drogas, a viram com uns rapazes drogados e usando junto com eles.
-Onde ela está? Você sabe? — Perguntei ficando aflita com a situação.
-Não, ela não está mais animada como antes, não está falando como antes, simplesmente parou com os antigos hábitos.
-Eu tive um caso desse na minha família. — Falou o Peter me mantendo dentro dos seus braços. — Meu primo com quinze anos começou a usar drogas. No começo, ele dizia que não era nada demais, usava para socializar. Com o tempo, ele passou a ir usando drogas mais pesadas, a partir daí não pudemos fazer mais nada. Ele roubava os pais e saia em busca de drogas para "socializar". Com um tempo, a família foi levando o para reuniões de narcóticos anônimos; mas já era tarde demais. Ele morreu aos dezenove anos de overdose. Ele era um garoto incrível, sempre jogava video-game comigo quando era mais jovem. Coitado de Mattews, teve um final tão inesperado.
-Verdade, drogas não escolhe sexo, cor, idade, não escolhe nada. Qualquer um pode ser vítima das drogas, basta experimentar e a partir daí a corda já está no pescoço. Temos que ser rápidos o suficiente para tira-la o mais depressa que pudermos. — Falei sobre o que achava das drogas.
-Mas não podemos deixar a Rachel com essa corda no pescoço. Ela é nossa amiga, não merece isso. A pergunta é "O que vamos fazer?"
-Ainda não sei. — Falei tentando achar uma solução para ajudar a Rachel.
-Tive uma ideia! Eu acho que não podemos falar sobre isso diretamente com ela. Provavelmente, ela respondiria que não temos nada a ver com a vida dela.
-Você tem razão, mas então, qual a ideia? — Perguntei encarando, corei um pouco com o contado direto com aqueles olhos claros.
-Vem comigo que eu te falo. — Foi o que fizemos.
O plano era legal, já que não iriamos falar com a Rachel diretamente. Fomos explicar para a direção da escola que nos ouviu muito bem e ainda concordou. O que iriamos fazer era bem simples. Iriamos fazer uma palestra para os alunos da escola para conscientizá-los sobre o uso das drogas. Na mesma tarde, toda a escola foi reunida na quadra. Ninguém sabia de nada, exceto a gente.
Começou sem ninguém no palco improvisado. Estávamos no meio das pessoas, com microfones.
-Não vou mais aceitar que tire meus amigos, parentes e nem ninguém de perto de mim mais. — Começou o Peter dando passos em direção ao palco, ainda no meio dos alunos. Eu ainda não conseguia ver a Rachel na multidão.
-Não quero mais sentir seu cheiro quando passo pelas ruas desertas na penumbra da noite. — Completei também indo em direção ao palco. — Não quero ceder aos teus falsos encantos.
-Não vamos permitir que pessoas inocentes sejam pegas por você. Estamos aqui para avisa-los que isso é um erro, não é para socializar, não é para ser popular, não é para tentar tirar de cena a dor da realidade. Afinal, é você quem trás a infelicidade de muitas famílias que amam seu filho doente. — Disse a Angel também indo em direção ao palco.
Aos poucos chegamos ao palco. Ninguém parecia entender à quem nos referíamos.
-Você tem nome, tem cheiro, tem consequências, mas avisa que vai destruir a vítima, afinal você chega como um amigo protetor. — Continuou o Peter do meu lado no palco agora.
-Os seus nomes são maconha, cocaína, ecstasy, crack ou tantos outros que são ditos por ai.
-Vocês não são nossos amigos, vocês destroem nossas amizades e nossa família. As vítimas desses assassinos estão cada vem maiores. Não entre nessa. Droga não é legal. Usar droga é ILEGAL. -Completou a Angel segurando nossas mãos.
No final, as pessoas estavam chocadas. Um longo silencio se seguiu antes dos aplausos. O diretor veio logo em seguida contando que drogas são ruins e concordando com tudo o que dissemos.
Na saída da escola, a Rachel vem correndo na nossa direção e nos abraça. Ela assumiu que está usando drogas e que não consegue mais parar. Ficamos sem reação. Na verdade, não sabíamos o que fazer. Estávamos com uma vítima das drogas nos braços, mas o que realmente deveríamos fazer?
Fomos com ela até um grupo de narcóticos anônimos; ela não tinha aceitado a ideia no começo, mas depois cedeu. Mesmo com o passar dos dias, e as visitas dela semanais, ainda não estávamos satisfeitos com tudo aquilo. Rachel ainda tinha suas fugas para usar as drogas.
De um lado, a Rachel com as drogas. De outro, eu com um tumor; e o Chris ainda abalado com Daniel morando em sua casa. Tantos problemas, tão poucas soluções ou as tão aguardadas curas. Temos celulares que fazem de tudo, estamos criando robores, estamos conhecendo outras galaxias, mas e os seres humanos morrendo e sofrendo? Será que não está na hora de olharmos mais para a nossa especie e deixar de lado os fúteis robores? Tanto dinheiro é perdido em pesquisas para futilidades; se todos se preocupassem com o câncer, aids, tumores e drogas, acho que já poderíamos ter um avanço bem maior na medicina.
Chega de culparmos o governo, a medicina, ou até os cientistas. Vamos fazer o que pudermos para nos protegermos, não só nos mesmos, mas as pessoas próximas também. O Chris veio conversa com a gente. No fim, acabamos no assunto "Gravidez".
-Eu olho para vocês; eu vejo uma família completa. Uma criança sendo gerada com as genéticas de vocês, um fruto do amor de vocês. — Fez uma pausa, olhou para o Daniel que o encarava sem entender aonde ele queria chegar. — Já nós não podemos fazer o mesmo. Não podemos gerar nosso próprio fruto de amor.
-Nem sempre. Uma família é construída com amor. Vocês dois se amam. -Fiz uma pausa e segurei a mão do Peter. — Adoção, barriga de aluguei tantos recursos que hoje temos para ajuda-los. Porém, uma família não precisa de um bebê para estar completa.
-Isso é fácil de dizer quando se é capaz de dar ao seu amor uma criança com o seu sorriso ou seus olhos. -Essa conversa estava deixando o Chris bem chateado, o Daniel tentou ajuda-lo, mas foi em vão. — Adoção é muito complicado, não para nós, mas para nossa família. Barriga de aluguei ainda é um assunto muito delicado na nossa sociedade. — Ele abaixou o rosto, viu que não adiantaria todas aquelas palavras e completou. — Me desculpe, mas tenho que ir. Até mais, felicidades pra vocês.- Então, os dois se foram andando pela rua de mão dada, TODOS que passavam olhavam para eles como se aquilo fosse um erro.
-Obrigado. — Sussurrei ainda pensando no assunto posto em questão.
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