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10 Capítulo 10- Anjo Protetor


Saí do hospital no mesmo dia. Não conseguia me comunicar com ninguém, fiquei no meu quarto, quieta. Era como se o mundo não pudesse me atingir ali. A imagem do John não saia da minha cabeça. No dia seguinte, eu me levantei e fui pra aula, ainda arrasada. Pode parecer um pouco egoísta, mas a vida pra uns acabam, e pra outros continuam.

Decidi ir a aula de preto, usei o vestido que comprei com Rachel, todo preto. Sabia que o dia não seria nada fácil, mas realmente, foi pior do que eu imaginava. Toda a escola já estava sabendo de como John morreu, e de tudo mais no futebol dos meninos. Fui para o meu armário pegar o material da primeira aula, química orgânica. Todos apenas me encaravam calados.

Na porta do meu armário estava escrito em letras maiúsculas "ASSASSINA." O meu celular estava na minha mão, mas depois do que vi ele caiu no chão. Não esperava que a ignorância das pessoas naquela escola ia chegar à tanto, mas será que eles estavam certos? De certa forma, eu matei o John. Matei ele por dentro, da pior maneira que alguém pode morrer.

A Rose chegou e me viu chorando olhando o que haviam escrito no meu armário.

-Calma, deixa eu ajuda-la. -Disse ela calmamente pegando meu celular no chão. -Está tudo bem, Laura? Vem cá na minha sala, vamos conversar um pouco...

-Aham... -Concordei com ela e segui para a sua sala.

Ela foi no bebedouro e pegou um copo com água e me entregou.

-Eu sei que tudo isso é muito difícil; não tem como explicar uma perda dessa magnitude, mas você deve seguir em frente. Não se deixe abalar por aquilo que escreveram lá, não é a verdade. Você não poderia ter feito nada.

-Poderia sim. Eu poderia ter namorado com ele, por apenas dois anos faze-lo feliz perto de mim. Como pude ser tão egoísta? — Protestei falando rápido, as palavras estavam embaraçadas.

-Ah, se fosse fácil assim. — Disse a Rose se sentando mais confortavelmente na cadeira na minha frente. — Você não gostava dele, ou gostava? Questionou.

-Não... Mas eu poderia ter tentado gostar dele...

-Não, não podia não. Você queria mentir e engana-lo pelos dois últimos anos da vida dele? Eu aposto que não. Você fez o que pode. E o caso dele estava se agravando cada vez mais; aos poucos ele ia perder o cabelo, ia sofrer mais, assim pelo menos foi mais fácil pra ele... Eu me lembro dele com aquele cabelo estilo "Justin Bieber", a pele clara me perguntando sobre sexo. Ah... — Suspirou. — Foi aqui nessa sala mesmo. — Ela deu um sorriso torto e continuou. — Eu sei o que é passar por isso.

-John era uma pessoa incrível, um tipo de pessoa que se te visse mal, ele ia querer te ajudar. Porém, ele não sabia se auto ajudar... — Fiz uma pausa. — Você já passou por isso, Rose?

A Rose olhou pra baixo, depois de um tempo em silencio começou:

- Já... Há um tempo atrás com minha irmã, ele tinha câncer nos pulmões; ela estava morrendo, aos poucos... Eu só podia ficar do lado dela vendo a doença toma-la por completo.

-Eu sinto muito.

-Não sente não, ninguém sente; só eu pude sentir o que é ver minha irmã passando por fases horríveis de saúde. Deus está escolhendo quem deve ir pro reino dos céus, e o John e minha irmã foram escolhidos primeiro. — O sinal da primeira aula soou. — Qual sua próxima aula?

- Química orgânica.

-Vá indo pra sala que eu tiro aquele recado inútil do seu armário e pego seu material. Tudo bem? — Falou se levantando da cadeira.

-Tudo bem... — Disse e fui indo em direção a porta, quando estava prestes a sair eu a encarei. — Ah, muito obrigada, Rose. — Falei dando um sorriso.

Quando entrei na sala, todos se calaram. O professor pronunciou palavras de apoio como "Sinto muito, Laura." E a aula continuou normalmente. Agora, a Rachel se sentava atrás de mim, onde o John sempre se sentou.

Sai para o refeitório e me sentei na mesa com meus amigos. Fiquei durante um tempo calada, mas depois entrei no assunto sobre livros com a Angel.

-Laura? — Disse o Peter, o quarterback do time de futebol se sentando do meu lado. — Tudo bem? — Completou dando um sorriso lindo com os dentes branquíssimos.

-Ah, Peter, tudo indo e você, como está indo as coisas?

-Bem, agora está tudo perfeito. — Fez uma pausa e recomeçou. — Fiquei sabendo sobre o John, queria me desculpar com você pelo beijo; não sabia do que estava acontecendo entre vocês dois.

-Ah, tudo bem. — Disse sorrindo de volta. — Eu não deveria ter dito que gostava dele, não era a verdade; ele era um irmão pra mim.

-Então, você não gostava dele? — Perguntou o Peter abrindo um sorriso maior que o de antes.

-Não como meu namorado.

-Ah, sei como é. Às vezes queremos fazer o bem, mas não sabemos que o que estamos fazendo não é o bem, e sim o mal. — Era exatamente o que eu achava, não sabia que tudo aquilo poderia acontecer. Peter foi comer um cupcake e sujou a ponta do nariz, achei engraçado.

-Er... está um pouco sujo aqui... — Falei levando a minha mão e limpando o.

Ele riu de leve e agradeceu. Logo depois, uma bolinha de papel caiu na mesa. Sabia que era pra mim, então peguei o e vi escrito:

Pensei que eu fosse insensível, mas devo admitir que você é mais. Como consegue pegar o quarterback mesmo depois de ter traído e visto o suicídio do seu ex-namorado??

By: Sarah.

Peter viu o bilhete e se levantou com raiva. Uma discussão começou entre Sarah e Peter. Fui lá ajuda-lo, não queria vê-lo levar uma suspensão por minha causa.

-Já chega. — Berrei no meio do refeitório. — Obrigado, Peter, obrigado mesmo, sei que está sendo o máximo gentil que consegue e eu acho super fofo. — Ele deu um sorriso e ficou me olhando com um olhar de Me Abraça. — Sarah, não é porque o meu melhor amigo se matou que eu vou ceder as suas implicâncias.

-Ah, e você vai fazer o que, Laura? Me matar assim como fez com o John? — Berrou de volta Sarah.

A diretora ouviu a Sarah e a levou para a direção. Resultado: Ela foi suspensa por dois dias. Depois, o Peter veio na minha direção, me abraçou e disse:

- Pode deixar, eu não vou deixar ninguém ferir você, Lau.