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3 Capítulo 3- Banho de lama


-E aí, preparados pra mais um jogo dos meninos? — Perguntei encontrando meus amigos.

-Sempre! — Responderam Chris e Angel juntos.

-Nunca.- Logo depois John disse.

Rimos um pouco; logo depois fomos achar um lugar na arquibancada. As meninas incríveis de quem eu as vezes me refiro estavam lá na frente. Pessoas como nós, temos que ficar mais atrás na arquibancada. Não sei o porque, deve ser para não assustar os jogadores. Ainda estou pensando no assunto. Em outra oportunidade, explico melhor isso, talvez.

Não sei se ainda me especifiquei à isso aqui, mas a doença que pode levar a morte de John em dois anos é o tão comentado câncer. Não gosto muito de falar sobe isso; algo me diz que ficar falando muito disso atrai. Não que eu tenha pena; tenho solidariedade, afinal ninguém quer ser lembrado a cada minuto que vai morrer. Deve ser um saco ver pessoas se lamentando toda hora com você.

Como sempre o John se sentou do meu lado, e ficou rindo dos nossos "ataques" hormonais. Algumas vezes, eu fico meio sem graça; ele fica me encarando por algum tempo e depois disfarça. Ele havia comentado comigo que leu um livro há pouco tempo e se lembrou de mim. O nome do livro é Querido John, dizem ser uma obra magnífica; eu especificamente ainda não li. Eu só sei que se trata de um romance entre Savannah, e obviamente, John. Qualquer dia desses, eu crio coragem e leio.

Romances muitas vezes tem uma capacidade enorme de me iludir, e ilusão de mais não é boa coisa. Prefiro livros mais realistas como crônicas ou diários. Minha autora favorita é a Martha Medeiros; muitos ainda não conhecem sua elegancia, deve ser porque ela é do sul da América, Brasil pra ser mais exata. Um dia vou conhecê-la, porque ela sabe muito sobre mim sem ao menos me conhecer. O mais importante no livro não é um personagem impactante, mas uma conexão verdadeira com o leitor.

Fiquei pensando em livros e quinze minutos do jogo já se passaram. Jogo empatado. Olhei pro meu lado, e John estava me encarando, fiquei sem graça; apenas sorri.

-Agora, vai! — Uma menina atrás de mim gritou.

Quando olhei pra trás senti meu corpo sento empapado de uma coisa gosmenta. Dez dólares pra quem adivinha. Era a menina nojenta do intervalo; ela havia jogado lama em mim. Meu rosto e minha blusa estavam cheios de lama. Meus olhos enxeram de lágrimas, eu não queria derrama-las. Já era humilhação demais tudo aqui. Olhei pros lados, todos da arquibancada rindo da minha cara. Os únicos que não riram foram meus amigos; eles estavam lá, tão perplexos como eu.

-Ah, a filhinha da mamãe vai chorar. Como pode você ter dinheiro e mesmo assim ser feia, garota? — Disse a menina ruiva ao lado dela.

Limpei meus olhos, John veio com seu casaco e limpou meu rosto. Por mais que aquilo tenha me feito ficar péssima, me sentir um lixo. Eu não consegui ficar com raiva dela. Por que é tão difícil ficar com raiva de pessoas bonitas? É como se elas viessem com um Passe-Livre pra fazer de tudo nesse mundo e não ser odiada.

Eu apenas mantive minha cabeça erguida e pensei: Ela não é digna de seu pranto. Acabei de secar meu rosto com o casaco do John. Fui ao banheiro com Chris. Lavei meu rosto e tirei a blusa, Chris me emprestou seu casaco pra mim não ficar despida.

-Nada vai estragar essa noite e nenhum dos meu gloriosos dias. — Repeti pra mim mesma.

-Isso mesmo, linda. — Concordou Chris me abraçando.

Voltamos para o jogo. A garota ficou meio impressionada em me ver voltar. No final do jogo, um dos meninos- um dos mais gatos de todo o jogo- veio falar comigo. Todos ficaram bem surpresos.

-Er, vai fazer algo na sexta? — Me perguntou.

-Não. Não vou. — Minha voz falhou no primeiro não.

-Vai lá em casa, vai rolar uma festa lá e tal... Bem, é só isso, te cuida.

Oh meu Deus, um garoto veio falar comigo mesmo naquele estado deplorável. Minhas mãos suaram, meu coração bateu mais rápido e tudo passou bem mais devagar. Depois, meus amigos me perguntaram o que ele havia me falado; contei tudo. Eles ficaram felizes por mim.

-Awn, ele é muito fofo. — Disse Angel.

-Isso bem que podia acontecer comigo também. Boa sorte com o gato, eu super pegava. — Disse o Chris rindo.

-É... Boa sorte lá, Lau. — Disse o John andando na nossa frente.