Notas iniciais
Espero q curtam, bjsss

– Você tem certeza que não quer ir procurar por ela? — Ingrid diz pela milésima vez aquela noite.

– Eu já disse que não. — Respondo secamente. — Regina tem que aprender a lidar com as consequências de seus atos.

– Você fala como se ela tivesse matado alguém.

Eu dou risada.

– Vamos focar apenas nas coisas boas, ok? — Acaricio sua bochecha. Nós duas estávamos na praça de alimentação tomando sorvete, depois de termos comprado algumas roupas com o cartão que minha mãe havia emprestado.

– Ela é sua irmã, Emma. — Ingrid me tira de meus pensamentos.

– Ela não é filha de meus pais para ser minha irmã.

A loira revira os olhos.

– Você me entendeu, né.

– Eu te entendi, bestona. — Passo a colher de sorvete na pontinha de seu nariz, deixando ele sujo.

Ela me olha sem entender e eu dou risada com sua cara. Não demora muito para que ela faça o mesmo comigo. Limpo com um guardanapo e sorrio, entrelaçando nossas mãos livres.

– O que está rolando entre a gente? — Ela pergunta do nada.

Eu, sinceramente, não saberia responder a aquela pergunta. Nunca havia me sentido atraída por uma garota antes, então aquilo tudo estava sendo bem diferente para mim.

– Não sei… Apenas sei que está bom demais para eu querer parar. — Sorrio para a loira e ela se inclina para frente, selando nossos lábios de forma apaixonada.

O clima dentro do carro era dos piores.

Henry e Violet estavam absortos em seu próprio mundo apaixonado, enquanto eu, Ingrid e Regina estávamos silenciosas. Deixo Violet em sua casa e meu irmão, num ato de cavalheirismo, leva a garota até a porta e dá um beijo casto em sua bochecha.

Secretamente, acho aquilo a coisa mais fofa do mundo, porém evito falar para que ele não fique se achando a última coca-cola do deserto. Henry volta para o carro e eu dou a partida, seguindo para a casa de Ingrid.

Ao chegarmos lá, desço do carro junto a ela e a levo até a portaria do prédio, da mesma forma que meu irmão fez com a namoradinha.

– Obrigada pela noite, Emma. — Ela diz, segurando minhas mãos.

– Eu que agradeço. — Sorrio genuinamente.

Ficamos nos encarando por algum tempo e eu, sabendo que a intercambista estaria olhando, me inclino e junto nossos lábios num beijo calmo. Quando nos separamos, Ingrid me olha com um brilho diferente nos olhos e eu sorrio, recebendo um largo sorriso em resposta.

Aperto sua mão com leveza e ela demora de soltar a minha, algo que eu realmente não queria que ela fizesse. Finalmente ela solta e eu volto para o carro.

– Emma, Emma. — Henry provoca assim que eu dou partida no veículo. Fico corada, sabendo que ele tinha visto tudo. Minha família não era homofóbica, nem nada do tipo, mas, até algum tempo atrás, nem eu sabia que gostava de mulheres.

– Cala a boca, idiota. — Respondo.

Ele e Regina continuavam no fundo do carro, sendo que a morena não abriu a boca para dizer uma palavra sequer.

– Cuidado para não pegar mononucleose. — Ela diz baixo, mas eu acabo ouvindo.

– Cuidado você, até onde eu sei o número de bocas que o Robin beijou é maior do que a quantidade de grãos de areia na praia. — Posso ver, através do espelho, que ela revira os olhos e suspira alto.

Aquela briga entre nós estava bem longe de terminar.

– Emma? — Henry, já de pijama, entra em meu quarto. Tiro os fones de ouvido e pauso o filme que estava assistindo no Netflix.

– Diga, garoto.

– O que está acontecendo entre você e Regina? — pergunta, sentando ao meu lado na cama.

– Ela fez uma besteira enorme e agora não quer assumir a besteira que fez.

– O que ela fez?

– A gente foi para uma festa, lembra? — Ele faz que sim com a cabeça. — Então, nessa festa um idiota tentou agarrar ela.

– Sério?

– Sério. — Me ajeito melhor na cama. — Enfim, eu acabei indo lá defender ela e dei uns murros no cara.

Henry se limita a dar risada e balançar a cabeça, ele já sabia do meu temperamento estourado.

– E foi por isso que você entrou pro clube da luta?

– Foi. — Faço uma pausa. — Enfim, acontece que ela está namorando o idiota que tentou agarrar ela.

– O Robin?

– Isso. — Fecho minhas mãos. — Eu estou com tanta raiva dela, você não tem noção.

– Isso me parece ciúme.

– Ciúme? — coloco a mão sobre o peito. — Eu não sinto ciúme não.

– Emma, quem está namorando com o cara é ela. — Ele diz. — Se ela quer ser feita de idiota, deixa ela.

– Não dá, simplesmente não dá. — Falo. — Henry, Regina é linda, engraçada, educada, inteligente… E fica com um cara que quase estuprou ela? Honestamente né….

– Olhando por esse lado, eu também acho que é burrice, mas… — Dá de ombros. — Vocês não são amigas?

– Não.

– Ah, para com isso. — Ele me empurra com o ombro. — Vocês são amigas.

– Eu conheço ela há dois meses, ninguém faz amizade em tão pouco tempo.

– Você está com ciúme, isso é tão óbvio. — Ele dá risada. — Ai, Emma… vai conversar com ela, vai.

– Eu não vou. Ela fez a escolha dela, eu estou fazendo a minha.

– Pensa como se fosse ela… Imagina você estar num país completamente desconhecido, numa casa que não é a sua e aí, a sua única amiga — ele enfatiza o única e eu contenho a vontade de rolar os olhos. — fica te julgando porque você gosta de um cara.

– Eu não julgo ela por gostar de um cara. Eu julgo ela por gostar do Robin! — Passa as mãos pelo cabelo que insistia em cair pelo meu rosto. — Olha, ela poderia até gostar do Archie, o maluco que come cabelo, que para mim estaria tudo certo. Mas o Robin? Sério?

– Coração não escolhe direito, né… Olha você e a Rainha de Gelo.

É a minha vez de dar risada.

– A gente não tem nada sério.

– Não foi o que pareceu. — Ele diz. — Se bem que… — leva a mão ao queixo e faz uma cara pensativa. — Acho que você estava tentando fazer ciúme na Regina.

Jogo um travesseiro nele, na tentativa de encerrar o assunto. Henry começa a rir e, em pouco tempo, nós dois estamos brincando de guerra de travesseiros. A porta se abre exatamente no momento em que um dos travesseiros voa, acertando minha mãe em cheio.

Ela pega o travesseiro do chão e eu já sei que nós dois estamos completamente encrencados.

– Quem foi a alma abençoada que jogou esse travesseiro em mim? — pergunta. Automaticamente, eu e meu irmão apontamos um para o outro. Ela ri. — Vou jogar ele nos dois, pra vocês aprenderem a ser mais unidos. — Mary Margareth parte para cima da gente com o travesseiro, batendo em nós dois, que tentávamos nos defender sem sucesso.

– Mãe, para, por favor. — Henry pede. Meu pai aparece na porta.

– Gente, eu estou ouvindo vocês lá de baixo, o que está – Ele para abruptamente quando vê a situação: Eu e Henry encolhidos na cama com Mary golpeando a gente com o travesseiro.

– Eles dois me acertaram com um travesseiro… — Responde minha mãe ofegante.

– Sério? — David entra no quarto e se abaixa para pegar uma almofada no chão. — Acho que vou entrar nesse castigo também.

Diferentemente do que esperávamos, meu pai ataca minha mãe com a almofada e o olhar de fúria dela é uma das melhores coisas que eu já vi na vida. Estávamos os quatro em cima da minha cama de casal, pulando e jogando travesseiros um no outro.

– O que está… — Regina pergunta, e nós começamos a rir. Eu acho que nunca ri tanto na minha vida quanto eu ri percebendo que eu, meu irmão e meus pais estávamos nos comportando como crianças. — Gente, eu achei que vocês estivessem se matando. — A intercambista diz, com uma expressão divertida no rosto.

– Eu ainda não matei ninguém, mas sei de certas pessoas que vão ter que dormir no sofá. — Mary aponta para meu pai e ele faz uma cara de espantada.

– Quem começou isso vai ficar de castigo também. — Brinca ele. — Qual de vocês dois foi?

Mais uma vez, eu e Henry apontamos um para o outro.

– Foi ele. — digo.

– Foi ela. — ele diz.

– Vocês tem que começar a defender um ao outro, viu? — Mary brinca, já próxima à porta. Meu pai segue ela. — Vão dormir, crianças.

– Eu não quero ir dormir agora, amanhã não tem aula. — Henry diz de forma infantil.

– Tá, qualquer coisa, apenas não faça barulho. — Minha mãe dá de ombros. Eu levanto e começo a arrumar a bagunça que havíamos feito no quarto. Silenciosamente, Regina entra e começa a arrumar também, nós teríamos que dormir juntas naquela noite, uma tempestade se aproximava e a temperatura ameaçava chegar a números negativos.

– Boa noite, Emma. — diz Henry. — Boa noite, brasileira.

Regina olha para ele com um sorriso fraco.

– Boa noite, querido.

– Boa noite, idiota. — Murmuro. — Faz a bagunça e larga tudo aqui para eu arrumar.

– Nós. — Ela diz.

– Nós o quê?

– Nós arrumarmos.

– Qualquer coisa. — Dou de ombros.

Pego o último travesseiro do chão e coloco na cama.

– Você vai ficar nessa hostilidade comigo mesmo?

– Eu não estou sendo hostil.

– Você não está sendo hostil? — Estávamos uma de frente para outra, porém em lados opostos da cama.

– Não, estou apenas dando o tratamento que você merece.

– Eu mereço que tipo de tratamento? — Ela se embola nas palavras, já havia percebido isso. Quando Regina fica nervosa, ela se embola no inglês e fala tudo errado. — Emma, eu gosto dele! Você deveria entender, você é minha amiga.

– Eu entenderia qualquer pessoa, Regina… Qualquer pessoa. — Passo as mãos pelo cabelo. — Mas, sério, o Robin? O que você viu nele?

– Ele é educado, gentil, inteligente, me trata bem… — Enumera as qualidades do namorado nos dedos.

– Se for assim você se apaixonaria por mim, porque né… — Reviro os olhos. — E, a diferença entre eu e ele, é que eu não tentei te estuprar.

– Ele estava bêbado!

– Não me importa… Eu poderia ter me machucado lá, só para te defender. Imagina o que o povo daquele colégio deve falar de mim, a idiota que defendeu a intercambista.

– Eles nem sabem que você existe. — Ela é fria, e aquelas palavras me machucam.

Eu não existia. Ando até o interruptor e desligo a luz, nos deixando completamente no escuro.

– Obrigada por me lembrar disso. — Me jogo na cama e fico na borda, o mais distante dela possível.

Sinto que ela deita ao meu lado, e algumas lágrimas insistem em sair. Eu era ninguém mesmo, eu não existia.

– Emma, me desculpa. — Ela diz, num fio de voz. Continuo calada. — Eu não quis dizer dessa forma.

– Regina, cala a boca, por favor. — Uso meu resto de paciência.

– Apenas… Olha para mim. — Ela tenta tocar meu ombro e eu desvio. — Emma, por favor.

– O que é que você quer de mim, hein? — Viro para ela. — Já não foi suficiente mudar a minha vida por completo desde o dia que chegou, quer fazer o quê mais? Me enlouquecer?

Ela abre a boca para falar algo, mas as palavras morrem em sua boca. Faço menção de me virar novamente e ela fala.

– Calma. — Respira fundo. — me desculpa.

– Tá desculpada. — Digo. — Posso dormir?

– Você quer que eu vá embora? — Pergunta, num fio de voz.

– Que pergunta é essa?

– Você sabe, eu posso pedir para me mudarem de casa. Eu posso alegar qualquer coisa, ninguém precisa saber que você me odeia.

Eu engulo em seco.

– Regina, eu não te odeio.

– Me odeia sim. — Ela soluça e então percebo que ela está chorando. — Eu fiz a minha irmã do intercâmbio me odiar. — Regina sussurra e senta na cama, colocando o rosto entre as mãos.

Eu não sei o que fazer. Uma parte de mim dizia para eu abraçá-la e pedir desculpa, porém a outra parte gritava que era bem feito e ela precisava aprender a não ser inconsequente. Ligo o abajur do meu lado e sento na cama, em silêncio. Coloco a mão em suas costas e afago levemente.

– Eu vou dormir com o Henry, fique à vontade. — Levanto e ando em direção à saída do quarto, ainda ouvindo seu choro.

– Emma, espera… — Eu posso ouvir seu chamado.

Paro com a mão na porta e olho por sobre o meu ombro. Ela me encara com pesar e eu me arrependo por alguns segundos de estar sendo tão dura com ela.

– Boa noite, Regina. — Digo e saio, andando silenciosamente para o quarto do meu irmão.

Notas finais
Eita... gostaram? Espero q tenham gostado, falem comigo suas duvidas, seus anseios, qualquer coisa. Leiam minha fic nova: True Love Waits. Eee falem comigo no tt - @aboutswen Vejo vcs na próxima