Olhei para a espada em minha mão direita e para a varinha em minha mão esquerda. Para lutar, eu tive que aprender a usar ambas. Mas quem usa uma espada no mundo mágico certo? Para isso existe varinha.

Não para mim. Minha espada era necessária, na luta em que eu enfrentaria a pessoa que eu deveria odiar, mas que eu tanto amava.

Tanta dor. Tanta alegria. Tanta tristeza e tanta felicidade. A primeira pessoa em quem confiei a mim e a quem eu amava. A mesma pessoa que era responsável agora em destruir o mundo bruxo e o mundo trouxa. A pessoa que prometeu me proteger e me amar acima de tudo. E por isso esteve adiando tanto essa luta. Deveríamos lutar. Afinal de contas, eu sou a herdeira da lua, a herdeira de Merlim. A responsável por trazer a luz para as trevas.

Escuto um som. Sinto o tão conhecido formigamento. É ele. Minhas mãos tremem, mas não posso fraquejar.

— Olá querida! — escuto a tão amada voz com aquele mesmo tom zombeteiro. Viro e respondo.

— Caius.

Esse olhar, cinzento mas com um contorno azul, como um lago no inverno. Esse olhar que sempre me permitiu ver a minha alma e a dele. Mas agora não via nada. Eu fechei os meus assim como ele deve ter fechado os deles. Nos fitávamos mas não víamos nada.

— Porque não volta para casa? Fique com sua irmã e terá paz enquanto eu viver. Eu lhe prometi isso. Não que precise de proteção. — deu um sorriso torto- Sei que é mais do que capaz de se cuidar sozinha, afinal, foi o que me trouxe até aqui. Você está dando muitos problemas. — Ele falou com um suspiro.

— Minha irmã não estará segura em um mundo como esse. Não agora. E eu não posso abandonar a todos. Sou a única que pode tocá-lo.

— Suponho que também não queira se casar comigo. — passou a mão pelos cabelos e suspirou novamente. — Bem, não posso fazer nada, a não ser, te matar. Mas ainda cumprirei minha promessa. Sua irmã continuará bem. — ele saca a espada e eu faço o mesmo.

— Você é um homem bom. Então porque? Eu te conheço e sei que não quer estar aqui.

— Bem querida. As pessoas mudam. E você sabe disso melhor que ninguém. — ele sorri e então eu vejo que está na hora.

A batalha começou. A minha batalha. Entre salvar o mundo e salvar o meu amor. Eu sabia o único resultado possível assim como ele.

Trazê-lo das trevas para a luz. Ou morrer tentando.

Notas finais
Gostaram? Comentem!