Evocação
3 Uma Amizade repentina
Notas iniciais
Nadya ainda não conseguia entender o que estava acontecendo, ela achava que David iria agir de outra maneira quando ela contasse que iria ter que sair da cidade para estudar, mas não, ele agiu completamente diferente.
Nadya e David namoravam cerca de dois anos. Ele era o namorado que toda garota sempre sonhou em ter: cavalheiro, simpático, romântico e amigo, sempre escutava atentamente tudo que ela contava e dava os melhores conselhos, até que tudo mudou: ele completou dezoito anos, e mudou do vinho para um copo com água de esgoto. Saía com os amigos e sumia durante os fins de semana, começou tratá-la com ignorância, e o pior de tudo: ficou com a única garota que ela considerava como amiga.
Ela terminou com ele. Não terminou antes, pois achava que era uma fase e ele logo mudaria, mas o fato de ele ter traído ela foi inconcebível. Mas o pior de tudo ainda estava para acontecer: ela estava com um amigo em frente de casa conversando, e ele apareceu e com seu carro novo atropelou o garoto.
Após atropelá-lo, ele saiu do carro e ainda a ameaçou: Se eu ver qualquer garoto perto de você, vai acontecer pior que o que fiz com ele. Você, mesmo não querendo, ainda é a minha namorada!
Ao contar para ele que estava indo embora, outra reação que ela nunca esperou, ele aceitou numa boa, e que só tinha um pedido a fazer: ela não podia contar para ninguém que eles haviam terminado. Um pedido estranho, mas que não mudaria em nada.
E agora também não importava mais, ela já estava em São Paulo estudando, as aulas de letras já tinham começado há três dias. E agora estava à procura de um emprego para ajudar a pagar a mensalidade da república onde estava morando.
Como toda manhã, ela estava fazendo seus exercícios em um parque perto de onde estava morando. Um garoto, de uma beleza fora do comum estava parado mais à frente ao lado da pista. Seu coração acelerou ao vê-lo olhando diretamente pra ela, seus olhares se cruzaram. E por pura curiosidade, ela virou o rosto para trás, tentando verificar se ele viria atrás dela, mas ficou decepcionada ao vê-lo indo embora. Ao olhar para frente, ela já estava derrubando uma garota que estava correndo em um ritmo mais leve.
– Desculpe-me, eu me distraí olhando para trás. – Nadya desculpa-se, ajudando a garota a se levantar.
– Tudo bem, essas coisas acontecem – responde a garota, com um sorriso. – eu estava quase parando de correr, estou fora de forma.
Nadya analisou as palavras da garota, analisando seu corpo bem definido. Seios fartos, cintura fina e pernas de se invejar. O rosto dela que mais chama atenção. É como se Nadya estivesse se olhando no espelho, ela possui olhos castanhos escuros, lábios finos e nariz pequeno e os cabelos negros lisos. A única diferença entre as duas é uma pinta que Nadya tem na bochecha direita. Como se a garota tivesse feito a mesma analise que Nadya, ela exclamou:
– Nossa! Parece que estou me olhando no espelho. – Ela coloca a mão direita sobre a boca, estupefata. – Tudo bem, Talvez um de nossos pais tenha pulado a cerca.
– Resta-nos a dúvida de qual deles foi... – responde Nadya, brincando com o fato de elas serem muito parecidas.
Nadya diminuiu seu ritmo de corrida para acompanhar a garota, e conversar com ela.
– Qual seu nome? – Perguntou a Garota, que estava um pouco ofegante.
– Nadya e o seu?
– Rebecca. Podemos parar um pouco, não estou aguentando correr mais.
– Tudo bem. – Elas seguiram caminhando até um banco que ficava perto da pista de corridas.
– Pelo seu sotaque, percebo que você não é daqui. De onde você veio?
– Eu vim de Sorocaba, ganhei uma bolsa de estudos na USP, comecei essa semana.
– Nossa que Legal, eu tentei entrar na USP, mas infelizmente não consegui. Então decidi estudar na UNIP. – Respondeu Rebecca, já descansada da corrida.
– Você está cursando o quê? – Pergunta Nadya, curiosa para saber mais sobre a garota.
– Psicologia. E você?
– Estou cursando Letras.
Perderam a noção do tempo ali conversando.
– Desculpe, mas agora preciso ir agora. Além de estudar, estou procurando um emprego.
– Por que não disse antes? Meu pai tem uma agência de marketing, e está à procura de uma secretária. Posso falar com ele se você quiser.
– Claro que eu quero. Muito obrigada. Obrigada mesmo!
– Me passa o seu número, que assim que ele chegar em casa eu falo com ele.
A duas se despediram, e Nadya seguiu para república, feliz da vida. Além de ter arrumado uma amiga, talvez conseguisse um emprego nos primeiros dias. Quando telefonasse avisando sua mãe das novidades, ela ficaria ainda mais feliz que ela.
O que Nadya não sabia era que depois de poucos dias, toda essa sorte não serviria de nada.
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