Notas iniciais
Olá pessoas... Vou chegar com calma para não me apedrejarem. Peço mil desculpas por essa demora mas eu realmente não estava conseguindo escrever nada que desse pro gasto. Queria pedir desculpas também por demorar tanto a responder as reviews tão lindas e carinhosas que tenho recebido. Muito obrigada mesmo por cada palavra que vocês tiram um tempinho pra deixar e fazer minha pessoa feliz. Continuem mandando e deixando meu mundo mais colorido ♥ E meu agradecimento em especial, vai para linda da Emillandia que quase me causou um infarto com a recomendação linda que ela deixou. Muitíssimo obrigada, querida ♥ Já pedi desculpas, já agradeci, então bora ler esse capítulo custoso, pessoas.

Um mês havia se passado. Muitas fraldas foram trocadas, muitas horas de sono foram privadas e o cansaço por ter que cuidar de dois pequenos seres totalmente dependentes era claro no rosto de Regina. Charming, por mais presente que fosse, não era o responsável pela amamentação dos bebês e se beneficiava do fato muitas vezes. Vez ou outra o príncipe ficava dormindo enquanto a morena ficava responsável por Benjamin e Helena.

Por mais que tivesse pessoas que lhe davam certa assistência com os bebês, Regina dificilmente os deixava sob outros cuidados. O medo e insegurança provocados pelo “pequeno incidente” com Snow ainda a assombravam. Ela tentava os esconder a todo custo, mas em seu interior uma batalha de sentimentos era travada. A alegria por cuidar de Ben e Helena era colocada contra o medo de que algo acontecesse com eles novamente e isso realmente era algo que a incomodava.

Quando o vento frio adentrou pela janela entreaberta e começou a tremular a cortina permitindo que a claridade do dia que havia começado fizesse contato com seus olhos, o príncipe suspirou profundamente. Sonolento e com os olhos ainda fechados, ele virou para seu lado e passou sua mão no lado da cama que sua esposa ocupava. Nada.

Sabendo exatamente onde ela estava, o loiro rapidamente se levantou e foi em direção ao quarto de seus filhos. Chegando ao cômodo, a cena observada não poderia colocar um sorriso maior em seu rosto. Ver Regina sentada calmamente na poltrona branca amamentando Helena era algo que realmente o deixava feliz.

Ele entrou no quarto em passos lentos, passando pelo berço de Benjamin, que dormia tranquilamente e se aproximando da morena, depositou um beijo carinhoso no topo de sua cabeça antes de passar a mão pelos poucos cabelos castanho da pequena confortavelmente deitada no colo de Regina.

– Bom dia – o príncipe sussurrou não querendo acabar com a calma instaurada no quarto.

– Bom dia princesa – a morena disse em um tom baixo passando os olhos rapidamente pela silhueta do homem ao seu lado.

– Sempre bem humorada – ele retrucou sem se importar com a provocação e mantendo um sorriso bobo no rosto.

– Como eu poderia estar diferente? Estou com tantas olheiras que se eu retirasse o couro branco da Snow e colocasse em meu rosto elas ainda estariam visíveis. Sem mencionar os trajes luxuosos que tenho usado – a rainha explicou de forma calma.

– Você continua linda – afirmou o loiro se agachando para ficar no mesmo nível da morena.

– Eu sei. Mas essas olheiras não são legais – ela disse com um sorriso de canto de boca estampando seu rosto.

– É claro que são. Você parece uma panda. Do mal, mas ainda sim, uma linda panda – ele disse e por um momento sentiu sua espinha arrepiar com o olhar quase mortal direcionada à ele.

– Sério?

– Vamos lá... Pandas são tão fofinhos – o loiro disse com a voz de bebê que tanto aumentava o desejo de Regina de cortar sua garganta.

– Pare com essa voz. Você parece ridículo – ela afirmou enquanto continuava a amamentar Helena.

– Ouch... Você magoou meus sentimentos agora – o arrependimento se fez presente no momento em que ele deixou um biquinho tomar conta de sua boca e a reação da morena não foi um sorriso brincalhão.

– Pare. Por favor – Regina quase sibilou o pedido enquanto se virava para a bebê que parecia estar satisfeito ao soltar seu peito.

– Tudo bem, então. Eu não achei que você ficaria tão rabugenta por algumas olheiras. Me desculpe – o príncipe afirmou se mudando para sair do quarto.

– Não, príncipe, espere – ela o chamou e assim que ele se virou, a morena completou – Pode me ajudar com a Helena?

– Claro – Charming afirmou se aproximando da morena e pegando a pequena com cuidado e a colocando para arrotar.

Um silêncio incômodo assolou o quarto. Regina continuava sentada na poltrona, suspirando profundamente enquanto mantinha sua cabeça abaixada.

Charming ninava a pequena em seus braços, que tinha seus grandes olhos azuis conectados aos de seu pai. A capacidade possuída por Benjamin e Helena de deixar tamanha cara de bobo no rosto do príncipe era incrível. Observar as feições delicadas da pequena em seus braços o fazia esquecer tudo. Qualquer conflito que ele tivesse com a esposa ou problema com relação ao reino eram deixados de lado. Tudo se resumia à pequena de olhos azuis.

Depois de mais alguns minutos, Helena acabou por adormecer. Delicadamente, Charming a deitou no berço e após depositar um beijo no topo de sua cabeça, ele se virou para a morena quase adormecida.

Ele a estudou por alguns rápidos segundos, antes que ela percebesse e o encarasse com um olhar que dizia tudo e nada ao mesmo tempo.

– Você está bem? – se apoiando em um joelho a fim de ficar na altura da morena, o príncipe perguntou em voz baixa, como se não quisesse a assustar.

– Sim – ela afirmou sem credibilidade nenhuma em sua voz.

– Você está bem? – ele repetiu a pergunta, apoiando uma de suas mãos no joelho de Regina.

– Eu já disse que sim – a morena afirmou novamente.

– Mas ainda não disse o porquê de estar mentindo para mim – o príncipe disse, sem acusações, mas sim com genuína preocupação.

– Eu não estou... – antes que pudesse contar outra mentira, ela foi cortada por Charming.

– Você está mentindo e se não me disser o que está acontecendo, eu não tenho como ajudar – o príncipe afirmou agora segurando a mão da morena.

– Eu não posso te dizer – ela disse e percebendo a decepção que se fez presente no rosto do loiro à sua frente, ela continuou – Não aqui.

– Tudo bem. Vamos para o nosso quarto, então – o príncipe afirmou, estendendo a mão para a morena e a ajudando a se levantar.

O pequeno trajeto até seu quarto foi feito em total silêncio. O calor da mão de Regina contra a do príncipe era o suficiente para eles. O modo como ele se demonstrava preocupado com ela era algo que nunca cansaria a morena. A incessante vontade de cuidar dela e dos pequenos, era confortante, ainda que não fosse de tudo eficiente na calma da tempestade de medo e insegurança que se instaurara em sua mente.

Chegando ao quarto, Charming logo fechou a porta e conduziu Regina até a cama que dividiam, onde ela se sentou com as mãos entre as pernas. A diferença de um dia para outro era notável. As feições que aparentavam somente cansaço, agora pareciam ter tomado novas formas. Decifrar Regina era uma missão quase impossível, mas a partir do momento em que sua armadura parecia começar a se desfazer esse era o momento de entrar no mundo de inseguranças que a morena muitas vezes habitava solitária.

– Pronto. O que está errado com você, Regina? – ele perguntou depois de se sentar ao lado de Regina.

– Eu estou... Preocupada. O tempo todo – a morena afirmou sem fazer contato com os olhos do príncipe.

– Com o que, pequena? Nossos filhos estão bem, você está bem, Henry está bem... Estamos todos bem – ele afirmou se sentando ao lado da morena e colocando sua mão reconfortante na base de suas costas.

– Mas por quanto tempo? Eu não consigo nem dormir por medo de deixar o Benjamin e a Helena sozinhos novamente e eles serem tirados de mim. Medo de voltar àquele quarto e não ver aqueles dois lindos bebês chorões. Eu vivo com medo o tempo todo. E eu sei que você está ao meu lado, mas isso não ajuda. Essa insegurança, esse medo... Eu só estou cansada de me sentir assim o tempo todo – algumas lágrimas conseguiram ser mais fortes que a vontade de se manter inteira de Regina e agora percorriam por seu rosto.

– Oh, Regina... Eu não tinha ideia que você estava se sentindo assim, pequena. Achei que você só estava cansada por causa dos bebês. Me desculpe por ser tão idiota – o príncipe afirmou secando as lágrimas do rosto da morena com pequenos beijos.

– Isso não é sua culpa. Eu vi o quanto você se culpou por tudo que aconteceu comigo, o Ben e a Helena e não queria te preocupar mais. Você tem feito o seu melhor para nos manter bem e se eu despejasse toda essa porcaria de medos e inseguranças que eu estou sentindo não seria justo – ela disse desanimada.

– Injusto é você se sentir dessa maneira e eu não perceber. Eu sou seu marido, Regina e eu não só quero, como preciso saber se você está bem. Eu quero ouvir seus medos e tentar acalmá-los. Quero saber quando você estiver com uma dor ainda que seja de dente e tentar colocar um fim a ela. Quero segurar sua mão quando você estiver se sentindo insegura. Quero te abraçar quando você não estiver se sentindo bem. Quero exercer meu papel de marido, companheiro e estar sempre ao seu lado. Você não pode agir como se você estivesse sozinha, porque não está. Eu estou aqui por você. Sempre – os olhos apaixonados do príncipe não deixavam margem de dúvidas quanto à veracidade de cada palavra dita para a morena.

– Eu sei, príncipe – a morena colocou suas duas mãos em cada lado da cabeça de Charming deixando suas bocas à uma distância milimétrica – Eu sei – ela afirmou em um sussurro antes de selar seus lábios nos do príncipe rapidamente.

– Se tiver alguma coisa que eu possa fazer para diminuir essa tempestade que agora eu sei estar instaurada aqui – o príncipe disse apontando para a cabeça da morena – Não tenha medo de me dizer, tudo bem?

– Para falar a verdade, tem uma coisa que você pode fazer – Regina disse um pouco receosa.

– Qualquer coisa, pequena – o príncipe afirmou.

– Me deixe falar com Snow – ela pediu.

– Tudo bem. Eu vou me trocar e te acompanho até a cela em que ela está – quando ia se levantando para fazer o que acabou de dizer, o príncipe sentiu a mão de Regina agarrar seu pulso.

– Não. Eu quero falar com ela sozinha e longe daquela cela – a morena explicou provocando um olhar confuso em Charming.

– Eu sinto muito, Regina, mas eu seria louco se permitisse isso.

– Não, você seria o marido que há poucos minutos quase me fez chorar com um lindo discurso – ela afirmou e antes que o príncipe argumentasse ela continuou – Eu não sou uma criança e sei exatamente o que eu quero.

– Eu sei, mas depois de tudo que aconteceu não há nenhuma chance de eu permitir que você fique sozinha com ela – ele disse.

– Eu não sei se você se lembra, mas eu também sou a Rainha desse reino e os guardas desse castelo vão me obedecer tanto ou até mais do que a você. Eu sinto que a única forma de me livrar desse peso em meus ombros é conversar com a pessoa que os provocou em primeiro lugar e eu vou fazer isso – a morena afirmou.

– Você é mesmo uma mula empacada, não é? – o príncipe falou com um sorriso no rosto.

– A mais linda de todas, você disse uma vez – percebendo que havia convencido Charming, a morena também deixou um sorriso habitar seu rosto.

– Eu disse. E sei que essa mula linda não vai desistir enquanto não fazer o que quer e da forma que deseja – ele disse pegando na mão da morena.

– Parece que você conhece, nem que seja um pouco, a mulher com quem você se casou.

– Talvez. Como você quer fazer isso? – o príncipe perguntou.

– Eu quero que você peça à Emma, Henry ou qualquer outra pessoa que realmente se importe com Snow que vá se despedir dela... – antes que pudesse terminar, a morena foi interrompida por Charming.

– Se despedir? Você não está planejando matar ela ou coisa do tipo, está? – o loiro questionou surpreso com o pedido da rainha.

– Vou fingir que você não disse isso, príncipe. É claro que eu não vou matar ela. Algum tempo atrás eu adoraria ter o prazer de rasgar a garganta dela com minhas próprias unhas e... – o olhar assustado do príncipe fez com que ela parasse de dizer seus desejos mais macabros com relação a duende de pele clara e continuou – Mas hoje, eu jamais faria isso. Eu não posso e não vou arriscar perder o que eu conquistei. É uma despedida temporária. Confie em mim.

– Eu confio. O que mais você deseja majestade?

– Quero que você mande preparar dois cavalos e uma pequena mala para Snow, somente com itens indispensáveis – ela explicou para a surpresa do príncipe.

– Tudo bem. E você vai me contar o que vai fazer? – Charming perguntou.

– Eu vou dar uma segunda chance a ela. Longe daqui e dos nossos filhos – a morena afirmou.

– Vou pedir para que preparem tudo que você pediu e enquanto isso tome um banho e descanse um pouco. Eu prometo que vou tomar conta do Benjamin e da Helena – o príncipe disse se levantando para sair do quarto.

– Obrigada, príncipe – a morena agradeceu com um sorriso sincero no rosto.

– Eu estou fazendo meu trabalho, pequena – ele afirmou dando um beijo no topo da cabeça da morena e se retirando do quarto.

***

Quase ao meio dia, Charming havia providenciado tudo que Regina pediu. Ainda que confusos, Emma e Henry foram se despedir de Snow e a bagagem da mulher estava pronta também.

Mesmo não sendo totalmente a favor do plano da morena, o príncipe acabou concordando com seus pedidos. Ele queria que ela ficasse bem e uma prova concreta de sua confiança poderia ajudar nesse caso.

Por mais amor que ele sentira por Snow, em um passado não tão distante assim, seus sentimentos foram diminuindo de intensidade a cada atitude descompensada e palavras descuidadas da mulher. A admiração que sempre sentira por Snow, agora era convertida em repúdio por tudo que ela havia feito. Tudo que ele podia fazer era a manter segura da ira que vários habitantes demonstravam, após saber de tudo que ela havia feito. Ele queria mais que tudo, deixar Snow em seu passado e agora isso estava prestes a se tornar realidade.

Ele deixou o quarto de seus filhos e foi em direção ao seu próprio.

Regina estava terminando de se arrumar em frente à penteadeira, quando viu o loiro se posicionar ao seu lado e estender-lhe a mão.

– Está tudo preparado. Você realmente quer fazer isso? – o príncipe perguntou enquanto a morena se levantava e ficava à sua frente, usando uma de suas roupas de montaria.

– Eu preciso – ela disse com a voz firme, com os dedos entrelaçados aos do príncipe.

– Não faça nenhuma besteira – o loiro afirmou encostando sua testa à de Regina.

– Vou fazer meu melhor.

–Vamos, então? – o príncipe perguntou agora segurando a cintura da morena.

– Sim – ela sussurrou, se aproximando mais do loiro antes de continuar – Mas, antes...

Regina lentamente pegou os lábios do príncipe nos seus, saboreando cada pedaço de sua boca. Suas mãos encontraram a nuca de Charming, onde ela deixou seus dedos brincarem com seus cabelos enquanto aprofundava o beijo.

O loiro mudou suas mãos, para encontrar a base dos cabelos da rainha e trazê-la mais contra seu corpo. Era impressionante como a sensação de seus lábios unidos, trabalhando em sintonia e suas línguas em uma batalha onde ambos eram vencedores o fazia feliz. Eles fariam isso o dia todo. Sério.

Mas antes que aquele beijo os levasse a uma direção diferente da planejada, Regina separou o beijo. Mantendo sua boca a uma distância em que o hálito do príncipe ainda pudesse ser sentido, ela suspirou pesadamente.

– Acho que é melhor eu ir logo – ela afirmou com a voz descompassada mantendo suas mãos nos lados da cabeça do loiro.

– Certo. Está tudo preparado lá embaixo e eu vou cuidar do Ben e da Helena enquanto você estiver fora. Só não demore muito porque eu adoro ficar com eles, mas ainda não sou capaz de lactar, então... – o príncipe brincou provocando uma risada tímida na morena.

– Eu vou. Vejo depois, príncipe. E mais uma vez, obrigada – ela afirmou, dando um selinho no loiro e saindo do quarto.

Regina passou rapidamente no quarto de Ben e Helena, onde eles continuavam a dormir calmamente. Deu um beijo em cada um dos pequenos e desceu até os estábulos do castelo, onde os dois cavalos estavam selados e Snow já a aguardava.

– Regina – o cumprimento foi feito com o mesmo sorriso falso de sempre.

– Snow – a morena a cumprimentou de volta.

– Então, você veio aqui para cumprir sua palavra? – ela perguntou sem sair de seu lugar.

– Do que você está falando? – Regina questionou confusa.

– Você disse que me mataria se eu fizesse algo contra seus filhos e eu meio que fiz – a mulher disse com uma expressão que em outros momentos a morena realmente a mataria.

– Não. Por mais que eu queira, eu vim aqui para outra coisa – a morena explicou tentando controlar seus impulsos não muito cordiais.

– Porque você veio aqui então, majestade? – ela perguntou fazendo reverência diante à morena.

– Conversar, mas não aqui. Suba no seu cavalo e me siga – Regina afirmou montando no animal preparado ao seu lado.

– E o que te faz pensar que eu vou fazer o que você quer? – Snow perguntou novamente, um pouco relutante quanto a seguir a ordem dada pela morena.

– Porque você sempre teve uma peculiar curiosidade e não saber o que eu tenho pra lhe dizer vai lhe provocar bons momentos de conspirações malucas sentada na sua cela – a morena explicou já saindo do estábulo.

Snow acabou não dizer mais nada. Ela simplesmente subiu no cavalo preparado para ela e começou a seguir Regina.

As duas mulheres cavalgaram por alguns bons minutos em um silêncio desconfortável. O vento frio que acompanhava o dia de temperaturas amenas fazia contato com suas peles e por mais incômodo que fosse, era também libertador.

Snow por ter passado seus últimos dias em uma cela gélida e sem muita iluminação e Regina pela sensação de liberdade que cavalgar provocava.

Elas cavalgaram por mais algum tempo, até que Regina começou a puxar as rédeas do animal em que estava e parar perto de uma ponte. Snow, ainda que um pouco confusa com o lugar, fez o mesmo.

– Então, o que de tão importante você tem para me dizer? – a mulher perguntou não querendo prolongar a curiosidade que a preenchia.

– Bem, eu te trouxe para lhe oferecer uma chance de começar de novo – a morena explicou para o espanto de Snow.

– Oh, sério?

– Sim.

– E porque você faria isso? – Snow questionou sem se aproximar da rainha.

– Porque todo mundo merece uma segunda chance, incluindo você – Regina afirmou.

– E você teve que me trazer até esse lugar ermo, sem ninguém por perto por que...

– Eu não sei se você percebeu, mas nós estamos em um dos limites desse reino, Snow. Tudo que você encontrará depois dessa ponte são terras novas, um lugar para você começar de novo – a morena explicou.

– Você está me expulsando desse reino – ela disse com certa arrogância em sua voz.

– Não, eu estou lhe oferecendo uma nova oportunidade. Caso você não esteja ciente da sua situação, as pessoas daqui não estão muito felizes com suas atitudes, querida. Parece que ter roubado meus filhos e quase causado minha morte não fez muito bem para a sua publicidade. O quão estranho é isso? – a morena afirmou acompanhada de seu querido amigo sarcasmo.

– Ainda sim, você deve estar louca pra se ver livre de mim – Snow a provocou.

– Mais que tudo. Eu preciso de você longe de mim e da minha família para que eu não passe grande parte do meu dia pensando em um milhão de possibilidades de te matar, porque acredite em mim, eu quero tanto te ver morta que eu estou tento que usar de um grande autocontrole para não fazer isso agora mesmo.

– E porque você não me mata de uma vez? – ela perguntou abrindo os braços em sinal de rendição.

– Porque eu não posso arriscar perder minha família e tudo que eu conquistei só para lhe ver morta. Você não vale a pena – a morena afirmou sorrindo.

– Você poderia mandar outra pessoa fazer o serviço sujo.

– Eu não poderia. Só aceite a oportunidade que eu estou lhe dando, Snow. Deixe esse reino e vá para outro lugar. Quando a poeira abaixar você pode até voltar, não sei, mas agora sua melhor chance é sair daqui.

– E o que? Deixar você sair como a mocinha dessa história? Como a mulher que em um ato altruísta deu liberdade à ex-rainha louca? É isso que você quer? – Snow indagou à morena, se aproximando dela.

– O que eu quero é garantir a segurança da minha família. Não há nada para você aqui, Snow, só vá – Regina afirmou sem se mover ou demonstrar qualquer reação com a aproximação da mulher.

– Você está certa. Não há nada para mim aqui e sabe por quê? Porque você tirou tudo que eu tinha! – ela terminou de dizer quase aos berros – Tudo!

– Não seja ridícula, Snow. Você deveria perder a mania de culpar os outros pelas suas atitudes e passar a assumir sua responsabilidade. Cresça, querida – a morena disse aumentando seu tom de voz.

– Eu só estou dizendo a verdade. Se você não fosse uma puta suja e rancorosa e fosse atrás do meu marido nada disso teria acontecido. Você estaria sozinha naquela maldita casinha e eu estaria onde eu pertenço, sentada no meu trono ao lado do Charming, meu marido!

– Você usa a palavra “meu” com muita frequência, não acha? E eu não corri atrás do seu marido. Ele veio até mim porque não aguentava mais você. Ele cansou de comer comida sem sal e veio procurar um tempero mais quente, mais gostoso – a rainha afirmou passando a mão por seu corpo.

– Sabe, você até que é engraçada, Regina. Além de mentirosa, claro.

– Se você vai acreditar ou não, é problema seu, mas tudo que aconteceu entre mim e o “seu” marido foi da forma mais natural possível. Eu nunca tive a intenção de me apaixonar por ele e ser correspondida. A culpa não foi minha se você não soube valorizar o homem maravilhoso que ele é – Regina a provocou novamente.

– Com você praticamente se jogando no colo dele, ficou um pouco difícil dar a atenção que ele merece – ela retribuiu.

– Me joguei tanto no colo dele, que você só descobriu sobre nós quando eu estava grávida. E preciso lembrar que você o traiu e até engravidou daquela florzinha que tentou me matar?

– Você gosta de falar sobre o passado, não é? Que tal relembrarmos sobre a forma como você tentou matar o homem com que você atualmente dorme repetidamente? E como matou até seu pai, por uma vingança idiota. Você é e sempre será a vilã dessa história, Regina.

– Eu tinha meus motivos, Snow. Você alega que eu tirei o homem que você ama quando você fez exatamente o mesmo uma vez, então estamos quites.

– Deus, Regina. Eu era uma criança! Nunca poderia imaginar o que aconteceria. Além do mais, nós duas sabemos que a Cora ora ou outra iria os encontrar e o destino do Daniel não seria muito diferente.

– Você provavelmente está certa, mas ainda sim, você me tirou Daniel. Tirou horas, minutos e segundos em que eu poderia ter sentido seus braços ao redor do meu corpo, seus olhos preenchidos de amor e admiração direcionados a mim, seus lábios delicadamente contra os meus, sua respiração calma quando estávamos abraçados, seu coração batendo descompassado em seu peito... Eu poderia até ter o perdido depois, mas você me tirou a oportunidade de criar novas memórias ao seu lado. Você tirou a chance de criar um pequeno infinito de felicidade ao lado do homem que eu amava. Você e sua língua me tiraram momentos que eu nunca recuperarei – a morena afirmou usando todas suas forças para não deixar que nenhuma lágrima escapasse.

– Eu sinto muito que você se sinta dessa maneira, mas eu repito, eu era só uma criança. Jamais poderia imaginar o que iria acontecer.

– Que seja. Eu não vim aqui para falar sobre o Daniel. Você vai ou não aceitar essa chance?

– Eu tenho outra opção?

– Você pode sempre voltar para a cela do castelo, mas acho que essa opção pode ser um pouco melhor.

– Talvez. Posso fazer uma pergunta antes de ir?

– Faça.

– Você acha que nossa história poderia ter sido diferente?

– Provavelmente. Mas, de qualquer jeito, nós nunca vamos descobrir isso, certo?

– Eu acho que nós poderíamos ter sido boas amigas.

– Talvez.

–Tenho direito a mais uma pergunta?

– Claro.

– Quais os nomes dos seus filhos?

– Helena e Benjamin.

– Boa escolha. São lindos nomes.

– É, são lindos.

Snow pegou sua mala e começou a atravessar a ponte. As águas agitadas do rio e o chacoalhar das árvores formavam uma melodia natural. O vento gelado em contato com seu rosto transmitia uma calma sem igual. Ela parou por um momento em seu trajeto e se virou para observar o rio que corria deixando o som da água preencher seus ouvidos enquanto suspirava longamente. Tudo o que desejava era que aquele momento fosse eterno. Aquela calma.

Ela encarou o local por mais algum tempo enquanto abria e fechava seus olhos vagarosamente.

– Regina – ela chamou a morena que se preparava para voltar ao castelo com os dois cavalos.

– O que? – a rainha se virou e pôde observar Snow parada se aproximando da beira da ponte.

– Pode me fazer um último favor antes de eu ir? – a mulher perguntou deixando uma lágrima solitária escorrer por seu rosto.

– Diga.

– Não conte a ninguém que eu fui fraca – Snow disse com um sorriso em seu rosto.

– Fraca? Do que você está falando? – a morena perguntou surpresa.

– Só não diga que eu fui fraca. Pode fazer isso por mim? – ela questionou a morena que começou a andar em sua direção.

– Sim. Eu prometo – Regina afirmou.

– Obrigada – ela agradeceu antes de se aproximar perigosamente da borda da ponte.

– Snow, não faça isso – a morena disse com quase pânico em sua voz ao perceber a intenção de Snow.

– Você vai conseguir o que tanto quer, Regina. E eu... Eu vou ser livre – a mulher disse abrindo seus braços e sentindo o vento cortante aumentar sua intensidade.

– Não seja louca, Snow. Desça daí – a rainha disse tentando se aproximar mais.

– Eu sou louca, certo? Louca... – ela afirmou com um sorriso em seu rosto.

– Por favor, Snow, desça daí – a morena disse quase em tom de súplica.

– Não. Aqui está calmo e eu quero isso. Essa calma – Snow disse seguido de um longo suspiro.

– Snow...

– Está tão calmo...

– Snow..

– Tão calmo...

– Snow.

– Adeus, Regina – a mulher afirmou enquanto se virava e deixava seu corpo cair. Com um sorriso genuíno em seu rosto e seus braços abertos, Snow simplesmente se entregou enquanto a morena se aproximava da ponte e observava o pequeno trajeto feito pelo corpo da mulher até que ele atingisse o fundo pedregoso do rio.

Regina permaneceu incrédula com a cena que acabara de presenciar, enquanto mantinha seus olhos fixos na água. A mulher que ela tanto havia tentado matar durante anos, agora estava de fato, morta.

Não havia o que dizer ou fazer, então a morena se virou e montou em seu cavalo rapidamente.

Em pouco tempo, ela estava de volta ao castelo. Seu rosto estava pálido e ela podia sentir seu estômago embrulhar com tudo que havia presenciando. A morena foi em direção ao quarto de seus filhos sem trocar uma palavra com qualquer pessoa que fosse.

Assim que chegou ao quarto, Regina pôde observar Charming ao lado do berço de Benjamin. O príncipe se virou em direção à porta e antes que pudesse dizer qualquer coisa, a morena foi em sua direção e enterrou sua cabeça em seu peito. Ele a segurou firmemente em seus braços por alguns momentos, antes de se distanciar o suficiente para observar o rosto atônito da morena.

– O que aconteceu, Regina? – ele indagou enquanto a rainha voltava a se apoiar contra seu peito e agora, deixava algumas lágrimas escaparem.

– Só fique aqui comigo por um momento ou dois – a morena afirmou se apertando ainda mais contra o corpo do príncipe.

– Tudo bem – Charming disse colocando seus braços ao redor do corpo de sua mulher e inspirar o perfume de seus cabelos, enquanto passava sua mão reconfortantemente ao longo da espinha da morena.

– Só fique aqui comigo – ela sussurrou novamente.

E durante um bom tempo foi isso que ele fez. Regina apenas respirava calmamente enquanto sentia as mãos do príncipe a segurando, ouvindo seu coração pulsar de forma descompassada, sentindo sua respiração contra seus cabelos e por vezes sentindo seus lábios se encontrando rapidamente. Ela ficou ali apenas vivendo seu pequeno infinito de felicidade, acalmando seu coração e criando novos momentos ao lado do homem que amava.

Notas finais
Confesso que fiquei bem insegura quanto à postagem desse capítulo, então quem puder deixar uma review vai fazer um bem muito grande a minha pessoa. Espero não ter desapontado vocês :s Beijos na alma e vou tentar não demorar muito para postar o próximo capítulo. Té mais pessoas *-*