Everything has changed
5 Capítulo 5
— Eu sabia! Eu não disse Jane? Eu te disse! – Camilo cutucou a esposa, sorrindo de orelha a orelha.
— Ele realmente me disse! – Jane explicou para um Darcy sorridente e para uma Elisabeta confusa.
Não é possível que Jane tinha acreditado na patifaria que Darcy acabara de contar. Sim, eles estavam passando mais tempo juntos, mas Jane estava acreditando em namoro! Elisa estava assustada.
— Estou muito feliz por você, minha irmã! Camilo me disse que as implicâncias de vocês dois eram apenas joguinhos de sedução, coisas que vocês usam pra apimentar o relacionamento, mas eu acho que era mais que isso. E eu falei pra Elisa… – ela olhou pra Darcy – que ela ia perceber que você não era um mau caráter como ela imaginava e a danadinha já tinha percebido tudinho e estava fazendo drama comigo! – Jane não parava de falar e Elisabeta estava olhando catatônica pra Darcy, que já tinha ganhado a aposta e por isso se aproximou da Benedito e colocou a mão nos seus ombros. Ela amoleceu ao sentir suas mãos e olhou pra ele pronta para mandar que ele a soltasse, mas ele deu um leve aperto, como se soubesse o que ela ia fazer.
— Ah Jane… – Darcy suspirou. – Fico extremamente feliz em saber que você vai ser minha cunhada duas vezes, não é meu amor? – ele cutucou Elisa.
— Er… o que? Começamos a namorar tem uma semana Darcy, é um pouco cedo pra falar de casamento! – Elisa tentou se recompor.
— Cedo nada – ele sorriu pra Jane. – Eu sei desde que eu a vi naquela alfaiataria. – ele beijou a testa dela, sorridente. Darcy estava gostando um pouco demais de ter ganhado a aposta.
— Ah, tão romântico! – Camilo disse. – Eu nunca vi meu amigo assim. Vocês dois são ótimas pessoas e eu fico muito feliz que se encontraram, mesmo que tenha demorado mais do que eu previ.
— É, você perdeu essa aposta. – ela disse com um sorriso nos olhos.
— Que aposta? – Elisabeta quis saber. Será que todas as pessoas estavam assim, tão investidas em apostas? Meu Deus, ela pensou.
— Camilo me disse que vocês iam se acertar logo depois do nosso casamento e eu disse que ia demorar mais tempo. Ganhei. Seis meses de casamento não é logo depois.
— Ganhou o que? – ela estava indignada que tinha perdido a própria aposta.
— Meu amor e carinho e alguma coisa que ela escolher. – Elisa viu a irmã ficando rosa.
— Meu Deus, chega desse assunto. – ela implorou pra Jane.
— Elisa, você é tão esperta! Estava outro dia mesmo fingindo estar desesperada pois não tinha quem levar no casamento de Mariana! Mamãe vai ficar encantada com a surpresa! – Jane estava muito empolgada. Elisa não conseguia emular sentimentos de felicidade apropriados pra alguém que tinha acabado de anunciar um namoro. – E ela sempre falou tão bem de você Darcy. Disse que você é lindo e alto e muito charmoso. Ela tentou de todas as formas convencer Elisa, mas ela disse que mamãe não entendia! E agora ela vai ficar se gabando pois juntou vocês na cabeça dela muito antes que eu mesma pudesse ter pensado nisso. – ela finalizou.
— Meu Deus, chega desse assunto, por favor! – Elisa se repetiu. – Nós vamos… er – ela pausou, se virando pra Darcy e se soltando de suas mãos, sem saber o que fazer pra que Jane parasse de revelar assuntos de família, mas sem querer forçar Darcy pra fora da sala. Ele pareceu perceber que ela precisava de ajuda.
— Nós vamos pra biblioteca. Elisa quer me mostrar o livro que estava lendo outro dia. – Darcy acenou pra Jane e Camilo, que não deram atenção, pois já estavam perdidos em seu próprio mundo, provavelmente decidindo o prêmio da aposta perdida.
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— Você combinou com Jane? Por favor, me conte agora! – Elisabeta acusou assim que Darcy fechou a porta da biblioteca.
— Claro que não! Achei que você confiava em mim. – ele respondeu, um pouco ofendido.
— É óbvio que Jane sabe que estamos fingindo e está armando uma arapuca pra nos pegar no pulo. – Elisabeta estava andando de um lado pra outro da sala, enquanto Darcy se escorou num dos sofás. – Temos que tomar muito cuidado perto dos dois.
Ele levantou num pulo e colocou a mão de novo nos ombros dela.
— Elisabeta. Olha pra mim. – ele levantou o queixo de Elisabeta. – Você conhece Jane. Ela não está armando nada. Ela está genuinamente feliz por nós.
— Não faz sentido Darcy. – Elisa estava ainda um pouco catatônica com a ideia da irmã apostando sobre seu futuro amoroso. – Eu sempre digo pra Jane que eu te odeio!
— Você disse que já tínhamos superado isso. – as mãos de Darcy desceram para os braços de Elisabeta. Ela não parecia registrar que eles estavam sozinhos e que ele não precisava ficar encostando nela. – E lógico que faz sentido, Jane observou a nossa química natural.
— Eu passei meses me sentindo assim, não dá pra superar de uma hora pra outra! – ela estava a ponto de gritar de frustração. – Que química natural? Meu Deus, você está ainda mais louco que ela!
— Você sabe o que dizem, Elisa… existe uma linha tênue que separa o ódio do amor. – ele passou a mão pelos cabelos dela, mas Elisabeta tratou de sair de perto de Darcy.
— Para de flertar comigo! O assunto é sério!
— Elisabeta, Jane achar que estamos namorando é ótimo e está de acordo com o plano lembra? Se ela desconfiasse, seria um problema pra nós, mas ela acredita. Isso é bom.
— Você tem razão, claro. Só estou incomodada com a facilidade com que Jane acreditou. Parece que ela não levou em consideração nenhuma das conversas que tivemos! – ela voltou a andar em círculos pela biblioteca, mas Darcy segurou sua mão.
— Ei! Elisa. Isso é uma coisa boa. Não pense demais sobre tudo. Deixa acontecer. – disse sorrindo e ela queria muito acreditar, mas sua cabeça estava um turbilhão de emoções.
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Depois de passar o dia com Darcy, estabelecendo regras para o relacionamento falso deles que acabara de ser oficializado, inventando histórias de como eles começaram a se interessar um pelo outro (“Não Darcy, eu não vou falar algo absurdo como ‘foi o charme natural dele que me encantou’, eu tenho o mínimo de noção!”), Elisabeta estava finalmente deitada em sua cama, se perguntando se o trabalho de fingir pra mãe que tinha um pretendente só pra evitar discussões desnecessárias realmente valeria a pena.
A fala de Jane ecoava na sua cabeça. Elisa nunca tinha contado pra ninguém do beijo de Darcy e ninguém tinha entendido porque ela tinha ficado mais irritada com o alerta dele que a própria Jane (“Elisa, nós realmente não tínhamos muitas condições e eu realmente poderia ter aplicado o golpe do baú. Darcy não estava de todo errado”). A acusação tinha doído pois Elisa tinha tomado como um ataque pessoal e ela não acreditava que ele podia acusá-la daquela forma, não depois daquele beijo. A irmã tinha conseguido seguir em frente, mas Elisa tinha se fechado. O fato de Jane ter acreditado tão veementemente no “namoro” dos dois a deixou ponderando se ela ainda não estava fechada para novas chances, para segundas chances.
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