Everything Sucks?
3 Iris
Notas iniciais
Mundo, porque você tem que ser tão cruel comigo? Tudo estava tão confuso, tão confuso!
Ficar parada olhando para a parede desbotada do meu quarto não me adiantou em nada, nada! Nenhuma coisa parecia fazer sentido, parecia ter válido a pena. Um suspiro de frustração me escapou enquanto eu lembrava que tinha uma pia bem cheia de louça me esperando. Torcia pelo menos para o meu pai ter desentupido aquela droga!
Pisar duro é algo que fazemos sem perceber quando estamos zangados, né? Eu não percebia, mas dessa vez me peguei no flagra. Passos duros, pesados e bravos.
Fui até a pia esperando aliviar um pouco do meu estresse com a louça. Olhando para a pilha, seria possível aliviar o estresse do ano. Coloquei o escorredor e comecei.
Graças a deus aquela viagem terminou ontem e hoje de manhã estávamos em casa, eu não aguentava mais nada lá! Nada! Primeiro Kate me diz que me acha perfeita, depois dormimos abraçadas e em seguida ela me troca pelo Luke? Sério? Na minha cara assim? Luke agora é a sua NY?
Aquela tinta azul me deixou cheia de espinha, a droga da minha menstruação chegou quando estávamos no ônibus e eu ainda tive que olhar para Kate como se nada tivesse acontecido. Bom, pelo menos a pia estava boa.
Continuei esfregando e lavando os copos. Como um homem sozinho sujar tantos copos assim? Ele só pode ter trazido aqueles amigos nojentos aqui. Um dia toda essa droga seria só uma lembrança.
Um dia eu estaria em Hollywood em algum evento de lançamento do filme que me renderia um Oscar.
Era tão mais tranquilo encenar. Eu não era eu, era qualquer coisa menos eu e isso me salvava. Viver uma outra vida, mesmo que seja ficção, é maravilhoso e um estepe e tanto quando se tem toda essa droga girando em torno de você, e essa com certeza foi a melhor parte da viajem, as partes que eu atuava.
Mas isso não fazia com que eu nunca mais precisasse viver no mundo real, e quando ele me sugava para a vida eu só conseguia pensar na bagunça que estava minha mente.
Eu sou uma artista, acho que isso não me deixa com a mente mais fechada do mundo, mas ainda sim eu não entendia como aquilo aconteceu. Quando eu comecei a sentir qualquer-droga-que-eu-esteja-sentindo pela Kate? Desde quando Oliver perdeu a graça? Ou será que começou depois daquela zoação do banheiro? Talvez tenha sido depois que a garrafa dela parou em mim, mas ela acabou tendo sete minutos no paraíso com Luke. Eu não sei! Eu quis beijar ela, e quis que ela me beijasse. Fiquei arrepiada e satisfeita quando ela disse que eu era perfeita, e a idéia de ter ela comigo de novo, me confortando, me deixava tranqüila. E quando Tyler me afirmou que ela gostava de mim, isso foi incrédulo. A minha frustração foi bem descarregada quando eu peguei a panela que eu precisaria esfregar já que o senhor meu pai não foi capaz de colocar de molho. Caralho, ela sentia algo por mim ou ela estava com o Luke, os dois não davam!
Pois amanhã eu tiraria toda essa porcaria a limpo.
A primeira coisa que fiz ao chegar na escola foi encurralar Tyler na biblioteca.
— O que Kate te disse sobre mim? – perguntei sem rodeios enquanto puxava uma cadeira na sua frente.
Ele ergueu os olhos do livro e me encarou.
— Quem é você e o que você fez com a Emaline?
Não respondi e continuei encarando eles. Bom, eu dei adeus ao bom tempo que eu passava com o babyliss para me deixar com cachos e coloquei uma roupa que me deixasse mais confortável.
Depois daquele dia onde meu pai chegou e me xingou por eu ter ido viajar e não ter deixado dinheiro para ele, mesmo eu tendo deixado comida o suficiente – eu me tranquei no quarto quando ele saiu pra encher a cara e chorei tudo o que eu não chorava a anos. Foi desesperador, às vezes eu pensava que morreria com falta de ar já que as fungadas não me davam espaço para respirar. Depois disso decidi que eu merecia ser como eu sou, mesmo que isso me deixasse frágil às vezes. Não era justo.
— Bom – ele começou quando percebeu que eu estava com pressa – ela ta confusa, ela me contou que sente algo por você, e que não ligava de sentir já que nunca rolaria alguma coisa entre vocês. Não conte ao Luke ok? Ela não se sentiu a vontade pra contar pra ele. A questão é, ela sente algo por você, e você humilhou ela, acho que entende o seu ponto de vista, né?
Bufei enquanto me jogava na cadeira. Deve ser por isso que ela voltou para o Luke, deve ter pensado que eu estava brincando com ela, que vou espalhar pra todo mundo hoje.
— Tem algo pra me contar? Eu sou expert em resolver problemas dos outros – Tyler disse todo orgulhoso, exibindo aquele sorriso que faz qualquer um ficar menos triste.
Bom, não havia muito a perder mesmo, e se Kate confiou nele para contar isso, então eu posso também. Contei toda a historia, exatamente sem tirar nem por.
— E depois disso ela me dispensa e sai com o Luke. Me dispensa! Eu não sou dispensável.
Tyler me encarou por alguns segundos enquanto eu imaginada que ele bolava um plano ou algo assim, mas só depois que ele caiu na gargalhada foi que eu percebi que ele estava segurando o riso.
— Do que caralhos você ta rindo?!
Ele deve ter notado minha alteração pois se apressou em responder.
— Ela e o Luke não voltaram! Eles nunca voltariam porque a menina é louca por você! Meu Deus Emaline, você precisa ser menos desconfiada. Kate não é o Oliver – aquilo era verdade, não era justo com ela a comparação que eu estava fazendo, até porque mesmo quando eu estava sendo uma idiota, ela foi legal comigo.
Fiquei alguns segundos quieta observando Tyler. Ele parecia quebrar a cabeça com aquela equação de matemática. Eu estava mesmo devendo uma para ele. Puxei seu caderno e comecei a resolver os problemas.
— É melhor não se acostumar esquisito.
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