Notas iniciais
Hello Guys?! Estão bem hoje? Fico feliz por você ter continuado aqui, acompanhando a história :)

— O que aconteceu mãe? — perguntei já com medo.

— O seu pai — ela parou e suspirou — Bem, senta aqui — disse com a voz de choro — Ele...

Eu já imaginava o que era, mas queria ter certeza. Segurei as lágrimas e prestei atenção na minha mãe.

— Fala logo!

— Ele sofreu um acidente e... — parou de falar quando teve uma crise de choro.

— Espera... Ele morreu ? — eu perguntei com a esperança de ele só esteja machucado. Mas minha mãe apenas assentiu com a cabeça. — Não! — parei de tentar segurar as lágrimas, e cai no choro- É mentira né? — perguntei chorando.

— Por que eu mentiria assim ? — ela falava do mesmo jeito que eu.

Só a abracei forte e senti a minha blusa ficar molhada com as lágrimas.

—O que a gente faz agora ? -disse soluçando.

Houve um silêncio. Só escutava o choro. Eu precisava ser forte para pelo menos mostrar a minha mãe que ela também poderia. A dor de perder o meu pai era grande, meu coração estava apertado. Eu queria acreditar que tudo aquilo era mais uma brincadeira, falar para o meu pai que ele já podia parar de brincar desse jeito.

Respirei fundo, e olhei para minha mãe que já havia me soltado.

— A gente vai superar isso, ok ? — disse secando as minhas lágrimas. — Só não pensa no pior.

Ela apenas me olhava chorando, como se tentasse achar algo bom naquilo tudo. E realmente, não tinha nada.

— Agora, bebe uma água para se acalmar um pouco. Vamos resolver tudo isso. -prossegui.

Mesmo assim não obtive respostas. Mas pelo menos, ela fez o que eu pedi.
Perdi a fome e subi para o meu quarto, logo peguei um álbum meu e do meu pai. Quando comecei a ver, sem perceber eu já estava chorando em cima das fotografias. O que vou fazer sem um pai do meu lado? Eu realmente não sei, só sei que eu estou tentando ser forte pra não mostrar medo para minha mãe. Uma das coisas que eu detesto é demonstrar medo e fraqueza. Eu tento ser forte a todo momento, tento sempre dar o melhor de mim, passar confiança para as pessoas. Eu sempre me deixo em segundo lugar para ajudar alguém que eu amo, eu....

— Kimberly — sai do meus pensamentos quando escutei a voz da minha mãe.

— Oi mãe?

A olhei. Ela ainda estava cabisbaixa, com a ponta do nariz vermelho e os olhos enchados de tanto chorar.

— Eu já sei o que vamos fazer. — disse, e sentou na minha cama. Sentei também de frente para ela.

— O que ? — tentei parecer animada. Bati palmas e dei um sorriso.

Minha mãe deu uma risada fraca, e prosseguiu.

— Vamos para cidade da sua avó, Holmes Chapel.

— Isso fica aonde?

— É logo aqui do lado. Lá é bom, e vamos estar em família.

— Tá, mas e o meu emprego?

— Você fala com o seu empresário, qualquer coisa eu arrumo outro pra você, certo? Vamos daqui a uma ou duas semanas, ainda temos que organizar tudo, o funeral do seu pai principalmente. — suspirou, fazendo uma cara de cansada.

Aquilo me fez rir um pouco, não estava conseguindo pegar tantas informações tão rápido.

— Mãe, não precisa ter pressa — falei, balançando a cabeça.

— Precisa sim, eu não vou aguentar ficar morando na mesma casa que seu pai morava e dormir na mesma cama- ela respirou fundo- É muito para mim.

— Se acha melhor assim, quem sou eu para falar que não — dei um sorriso forçado.

— Ótimo — ela também sorriu- Ah! Pode ir arrumando as suas coisas a partir de hoje mesmo, por que eu sei que você tem muita roupa.

Verdade, eu tinha muitas roupas. Muita mesmo, a agência fornecia roupas todo o mês, e como eu trabalho desde pequena imagina quanta roupa eu tenho.

— E eu já estou te tirando da escola hoje, ok ? — continuou minha mãe.

— Ok! Mas que ok, óbvio. Sem escola — dei um sorriso mesmo, aqueles de ponta a ponta. Sem escola! Quem não queria isso?

— É mocinha, mas lá em Holmes Chapel você vai voltar a estudar logo, estamos no início do ano ainda. — disse ela, com um ar de superioridade.

Fiz uma cara de tédio

— Droga! — resmunguei.

— "Droga" nada — ela falou rindo — Vai arrumar suas coisas.

— Droga duplo! — dei uma risada, deitando na cama.

— Preguiçosa, vamos. — Ela me lançou um olhar de repreensão, mas com um tom de brincadeira. Saiu do quarto fechando a porta, minha mãe sabe o quanto me irrita deixar porta aberta.

Comecei a arrumar as minhas coisas e sabe, eu acho melhor mesmo irmos para Holmes Chapel. Lá eu vou reconstruir a minha vida, perto da minha família. Eu só espero que ninguém na nova cidade seja igual aqui; interesseiros.