Notas iniciais
Bom, galera, aí está mais um capítulo. Alguns me perguntaram se eu ainda colocaria o bônus Suspian e eu disse que sim, mas ainda não agora, talvez o próximo. Enfim, espero que estejam gostando. Beijos! Pov Estela

O tempo passava relativamente rápido em New Haven. Aos poucos, minha vida ia assumindo uma rotina. De manhã, eu tomava meu café da manhã com Ben e então íamos juntos para Yale. A tarde, cumpria meu expediente na livraria, e a noite saía com Ethan.

Porém como tudo que é bom dura pouco, não tardou para problemas aparecerem. Ben e Ethan também não se entendiam. No começo, os dois até se davam bem e tal, e Ben estava feliz por eu ter alguém. Mas, em uma noite, Ethan inventou de me buscar no prédio completamente chapado, deixando Ben puto da vida.

Desde lá, os dois não se entendiam. Sempre que Ethan chegava perto, Ben ia embora. Isso estava me deixando louca. Qual era o problema deles? Não podiam ser civilizados? Além disso, eu tentava ficar o máximo possível com Susana, para ajuda-la e, por causa dessa ajuda, eu sempre acabava vendo Pedro e Kelsey juntos.

Há quase três semanas eles estavam namorando e eu tentava esconder meu ciúme. E me xingava por isso. Eu devia esquecê-lo, e não ficar me remoendo por ele namorar outra. Balancei minha cabeça em negação, buscando afastar esse tipo de pensamento.

Foi quando meu celular tocou. Olhei a tela e sorri ao ver minha foto junto com meu pai. Atendi.

— Fala coroa. – cumprimentei, brincando

— Coroa você vai ver. – ele respondeu – Como está filha?

— Estou bem, pai. E vocês aí?

— Estamos muito bem. Quem sabe logo logo você não ganha um irmãozinho?

— Que nojo, pai. Guarde esse tipo de detalhe pra vocês. – retruquei e ouvi sua risada – Mande um beijo para Helena.

— Eu mando. – ele hesitou – Estela...estive falando com sua mãe. Ela me contou que está namorando.

— É, acho que estou.

— Bom, quero conhecê-lo. – ele decretou – E já tenho a oportunidade perfeita. Haverá uma premiação aqui, em uma semana, e quero que todos venham, inclusive os filhos da Helena. Aproveite e traga seu namorado.

— Eu vou falar com ele, pai. – prometi

Ótimo.Vocês vem na terça, dia da premiação e vão embora quinta de manhã, para podermos passar um tempo juntos, tudo bem? – murmurei um “aham” - A propósito, fico feliz que você e sua mãe estejam se entendendo.

— Eu também. Dona Marcela mudou muito. Charles fez bem pra ela.

— É verdade. Isso é muito bom. Tenho que desligar agora. Amo você, querida.

— Também amo você, pai.

Então era isso. Em uma semana, iríamos voltar para Los Angeles. Eu mal podia acreditar. Voltar para o lugar no qual eu conheci Pedro, é o que eu menos precisava nesse momento. Bufei, irritada, e peguei meu casaco. Eu tinha que avisar aos outros. Torcendo para encontrar somente Susana, eu toquei a campainha dos meus vizinhos da frente.

Foi ela que abriu a porta, com cara de sono. Quando me viu, abriu um sorriso e me abraçou, puxando-me para dentro. Nos sentamos no sofá da sala e ela me encarou, com expectativa.

— Vim apenas dar uma notícia pra vocês. – falei – Meu pai ligou. Ele nos convidou para uma premiação dele na semana que vem, em LA.

— “Nós” quem? – questionou Susana.

— Todos nós. – suspirei – Eu, Ethan, você Caspian, Pedro, Kelsey. E acho que Lúcia e Edmundo também vão.

— Bom, isso é...ótimo. – ela respondeu com cautela – É quase uma reunião familiar.

— Acho que essa é a intenção. – concordei – Pelo que eu entendi, meu pai e Helena estão querendo que sejamos uma família.

— Isso é bom. – decretou Susana – Gosto da ideia.

Então Pedro chegou, provavelmente de um encontro com Kelsey. Me segurei para não revirar os olhos diante de tal pensamento. Ele ficou surpreso ao me ver, mas sorriu.

— Oi Su, Estela. – ele cumprimentou

— Oi. – respondi

— Vem aqui, Pedro. – chamou Susana – Temos novidades.

Ele assentiu e se sentou no sofá ao meu lado. Me encostei na parte de trás para não ficar entre os dois. Pedro nos encarava, confuso.

— O que foi? – ele perguntou

— O pai da Estela nos chamou para ir a Los Angeles. – contou Susana. – Ele tem uma premiação e quer que a gente vá. Todos nós, com namorados inclusos.

— Isso é...ótimo. – ele disse – Quando vamos?

— Meu pai disse para irmos na terça e voltarmos pra cá na quinta. – respondi – Parece que ele quer que passemos um tempo juntos, como família.

Pedro fez uma careta.

— Eu não sei se vai dar. – ele falou – Kelsey acabou de me chamar para ir a festa de aniversário da tia-avó dela. Evento de família.

— Pedro. – meteu-se Susana – A mamãe vai ficar chateada se você não for.

Ele suspirou e me encarou. Dei de ombros. Não tinha nada a ver com aquilo. Ele que devia saber o que preferia. Mas, não vou mentir e dizer que ficaria feliz se ele ficasse aqui com Kelsey. Não ia mesmo.

— Tudo bem. – ele cedeu – A Kels vai entender.

Baixei minha cabeça e revirei os olhos imperceptivelmente. Kels. Que nojo. Apelidos carinhosos me davam nojo. Por sorte, Pedro não notou meu movimento.

— Bom, vou indo. – eu disse, me levantando – Tenho que ir até o Ethan ainda. Nos vemos amanhã.

— Tchau, se cuide, Estela. – respondeu Susana, me abraçando.

Acenei para Pedro, que retribuiu, e fui embora, indo direto para a garagem, pegar meu carro e ir até a casa do Ethan.

Ele morava na periferia da cidade, mas sua casa era bem grande, até. Eu não sabia de onde ele tinha tanto dinheiro, mas suspeitava que fosse uma mesada do pai dele. Nunca soube de nada muito íntimo da vida de Ethan, portanto não sabia se ele morava com o pai ou não, ou como a mãe dele morreu.

Esse era o grande problema de namorar o Ethan. Ele não falava sobre si, parecendo um desconhecido. Eu já contara tudo a ele, mas ele nunca fez o mesmo comigo, o que era muito estranho. Eu sequer sabia onde ele trabalhava!

Estacionei na frente da casa e pude ver o irmão da Kelsey saindo em disparada. Ethan estava parado em frente ao portão, parecendo incomodado. Saí do carro e fui até ele, que ficou surpreso ao me ver.

— Estela, amor – ele disse – O que faz aqui?

— Eu preciso falar com você. – respondi e lhe dei um selinho – Hora ruim?

— Não, não. – ele falou, rápido – Apenas uns probleminhas no trabalho, nada de mais. O que quer falar comigo?

— Podemos entrar? – perguntei – Está meio frio aqui fora.

— Claro, venha.

Entramos na casa dele. Por dentro, estava tudo escuro, exceto pela luz do quarto dele no andar de cima. Eu odiava admitir, mas o lugar era meio sinistro. Nos sentamos na bancada da cozinha, com as mãos dele na minha perna.

— Meu pai me ligou hoje e disse que quer conhece-lo. – contei – Ele nos chamou para uma premiação em Los Angeles, na semana que vem.

— Me desculpe, amor. – ele respondeu, abaixando a cabeça – Não poderei ir. Meu pai me pediu para ir a Chicago resolver uns problemas.

— Chicago?

— Sim, meu pai mora lá. Eu...sou emancipado, Estela.

— Ah, ok. Você nunca me contou isso.

— Não achei importante. – ele disse, dando de ombros.

— Bom, então acho que tenho que ir. Está tarde.

— Verdade. É perigos andar por aí sozinha de noite, mesmo de carro.

Assenti e dei um beijo nele, me levantando em seguida. Saí da casa dele e entrei no meu carro, acelerando rumo ao prédio. Saber que o Ethan não iria me deixou apreensiva sobre a viagem. Era fato consumado que havia uma tensão entre mim e Pedro, portanto viajar para LA com ele, sem nossos namorados, era motivo de preocupação.

— ~ -

A semana passou incrivelmente rápido. Quando me dei conta, já era terça de manhã e tínhamos que ir pegar o avião. Ethan havia passado o máximo de tempo possível do meu lado, inclusive indo me ajudar a escolher um vestido para a festa. Ele não gostou da minha escolha, pois disse que atrairia muitos olhares para a garota dele. Isso me irritou. Desde quando eu sou propriedade dele? Desentendimentos a parte, ele fora para Chicago no dia anterior, me prometendo que ligaria todos os dias. Mentira, ele nunca lembrava.

Então eu, Pedro, Susana e Caspian, fomos de táxi até o aeroporto e agora esperávamos a chamada para o embarque. Minha amiga tentava manter a conversa, mas estava difícil, pois todos sentiam a tensão no ar. Pedro e eu nos encarávamos a todo momento, temerosos sobre o que essa viagem iria nos trazer.

Já no avião, se possível, a tensão aumentou, já que Susana e Caspian sentaram juntos, sobramos eu e Pedro. No começo, o silêncio reinou. Mas após algum tempo, ele suspirou, virando de frente para mim.

— Esse silêncio está me cansando. – ele comentou – Por que o Ethan não veio?

— Ele disse que tinha que resolver umas coisas com o pai dele em Chicago. – respondi – E a Kelsey, ficou de boa com isso tudo?

— Ela ficou meio chateada, mas entendeu. – ele me disse – Só estamos há três semanas juntos, então não é o fim do mundo ficarmos alguns dias longe um do outro.

— Vocês estão indo bem? – questionei

— Sei lá, eu acho que sim. Não sei dizer ao certo.

— Comigo também acontece isso. – confessei – Mas estamos indo bem.

— Que bom. – ele respondeu, ríspido – Se não se importa, acho que vou dormir agora.

Assenti e ele pegou seu celular no bolso, colocando os fones de ouvido e fechando os olhos em seguida. Como eu não estava na janela, não tinha nada mais interessante para fazer, resolvi dormir também. Coloquei minha música no máximo e adormeci logo depois.

Acordei com a comissária de bordo avisando que iríamos pousar em instantes. Então me dei conta de que estava com a cabeça apoiada em algo. Olhei pelo canto do olho e notei que meu encosto era Pedro. E mais ainda, nossas mãos estavam entrelaçadas. Não tive forças para sair daquela situação. Parecia tão certo aquilo!

Senti que Pedro se mexia e fechei os olhos, fingindo que dormia. Senti que ele acordou e sua mão ficou tensa junta a minha. Mas assim como eu, ele não soltou, fazendo meu coração disparar. Com a outra mão, ele fez um carinho no meu rosto.

— Se você soubesse o quanto eu ainda te amo... – ele sussurrou

Fiquei tensa com essa declaração, mas não abri os olhos. Ele tirou a mão do meu rosto, mas não soltou a minha. Ao contrário, fez carinho com o polegar. Abri devagar os olhos, fingindo acordar somente agora. Ele logo soltou minha mão.

— Desculpe. – ele disse, passando a mão no cabelo – Acordei agorinha também. Não tinha notado nossa situação.

— Está tudo bem. – eu respondi – Foi apenas um lapso, não é?

— Sim, apenas isso. – ele concordou, em tom melancólico.

Me senti culpada na mesma hora e logo me repreendi por isso. Suspirei, me perguntando como resistiríamos a essa viagem

Notas finais
E então? O que acham que vai rolar nessa viagem?