Everything Is Changed
10 Played it to the beat
Notas iniciais
Assim que chegamos em Los Angeles, encontramos minha mãe e Arthur nos esperando. Quando ela nos viu, correu e abraçou a mim e Susana. Mamãe já sabia da gravidez de minha irmã e estava dando todo o apoio. Arthur abraçou Estela e Caspian abraçou minha mãe também, meio envergonhado.
— Que bom ver vocês. – disse mamãe – Eu estava morrendo de saudades dos meus bebês!
— Mãe. – protestei
Arthur riu e abraçou-a pelos ombros.
— Helena, amor, eles não são mais bebês. – ele disse
— Eles sempre serão os meus bebês. – retrucou minha mãe, fazendo bico.
Nós todos rimos e Arthur fez sinal para que fossemos embora. Andamos até o estacionamento, onde sua Mercedes estava estacionada. Só então nos demos conta de que só haviam cinco lugares e nós éramos seis.
— Eu vou no colo do Caspian. – propôs Susana
— Mas é claro que não, mocinha. – bronqueou dona Helena – Na sua situação é muito perigoso.
Discutimos mais alguns minutos até que Estela se dispôs a sentar no colo de alguém. Acabou sendo o meu. Ótimo, já não estava difícil o suficiente. Como ser forte e resistir a ela desse jeito? Não tinha resposta para aquilo. Desde o momento que eu me toquei que viajaríamos juntos, sem nossos namorados, eu imaginei que seria complicado. Tive certeza no avião.
Como eu fui estúpido. O que deu em mim para dizer que ainda a amava? Outra pergunta sem resposta. O fato era, desde lá, ela não me olhava nos olhos. Eu estraguei qualquer chance de uma viagem sem tensão entre nós dois.
O trajeto até a casa de Arthur foi silencioso, o que fez o tempo passar dolorosamente devagar, principalmente porque eu estava com uma garota irritantemente gostosa sentada no meu colo. Quando Arthur parou o carro, Estela quase voou porta afora. Eu a entendia. Era provocar demais.
Eu saí logo depois e olhei para cima, meus olhos parando na sacada da minha antiga casa, logo em frente a de Estela. Eu sorri ao lembrar das vezes que pulei por aquele espaço para vê-la. Pelo canto do olho, vi que ela encarava o mesmo lugar e em seguida olhou para mim e engoliu em seco. Essa viagem não iria prestar.
Arthur pegou a mala de Estela e foi com ela para o seu quarto. Eu, minha mãe, Caspian e Susana fomos para o outro lado. Ela mostrou o quarto de Susana e Caspian primeiro e em seguida o meu. Enquanto eu abria a mala e estendia meu smoking, minha mãe começou a falar.
— Desculpe, filho. – ela começou, arrependida – Eu não sabia que as coisas ainda estavam tão tensas entre você e a Estela.
— Não estão tensas. – menti
— Filho, você nunca conseguiu mentir para mim. Vocês ainda gostam um do outro, por que negar?
— Porque já deu errado uma vez, mãe. Nós dois nos magoamos. Não quero maia fazê-la sofrer. Por isso, começamos a sair com outras pessoas e estamos nos tornando amigos. Só isso.
— Bom, tudo bem. – cedeu minha mãe – Mas um dia vai cair a ficha de que o sentimento que dura tanto tempo, é pra sempre. Experiência própria.
Ela saiu, me deixando só com meus pensamentos. Será que era verdade? Será que no fim nós iríamos acabar cedendo a isso? Será que valia a pena nos dar uma nova chance? Eram tantas perguntas que eu não conseguia responder que eu já estava enlouquecendo.
Eu gostava de Kelsey e da companhia dela, é claro, mas não se comparava a felicidade que eu sentia enquanto namorava a Estela. Só que eu não podia pensar assim. Estela namorava o Ethan agora e parecia convicta de que era o certo a se fazer. Porém, eu sabia que ela se sentia atraída por mim, assim como eu por ela, e justamente por isso, eu estava com medo dessa viagem.
— ~-
No início da tarde do dia seguinte, minha mãe e Arthur foram ao aeroporto buscar Edmundo e Lúcia, Caspian e Susana haviam ido caminhar, portanto Estela e eu estávamos sozinhos na casa. Resolvo me trancar no meu, pois não correria o risco de ceder à tentação. Só que estava muito quente ali e eu não achava o controle de jeito nenhum. Saí do quarto e bati na porta de Estela. Nenhuma resposta.
Abri a porta e chamei novamente, nada. Olhei em volta, sem saber o que fazer. Meus olhos focaram em um detalhe no criado-mudo ao lado da cama. A nossa foto juntos de quase dois anos atrás continuava ali. Fiquei observando nossos rostos por algum tempo e constatei o quanto aquela época fora boa. Suspirei e resolvi sair dali, mas ouvi um barulho no andar de baixo, alguém pulando na piscina. Só podia ser ela.
Desci as escadas e fui até o jardim, onde eram a piscina e área de festas. Estela nadava na piscina e eu, como o idiota que sou, fiquei ali parado, olhando. Se é que era possível, seu corpo havia ficado ainda mais definido e curvilíneo. Sem me notar, ela saiu pela borda oposta e caminhou até a espreguiçadeira, onde estava seu roupão. Comecei a ir até ela.
Ela fez o mesmo, sem olhar pra frente e acabamos esbarrando. Ela me encarou surpresa quando eu a segurei pela cintura, para que não caíssemos.
— Pedro. – ela murmurou – Que susto.
Nem sabia mais o que estava fazendo, só sabia que nos aproximávamos cada vez mais a respiração dela já se misturava com a minha. Quando nossos lábios se tocaram levemente, ouvimos uma voz vinda de dentro da casa:
— Pedro, Estela, chegamos. – era minha mãe.
Nos afastamos de supetão e caminhamos até a sala, onde Estela saiu correndo escada a cima, sem dizer nada. O pai dela trazia as malas de Lúcia e Edmundo e minha mãe conversava com eles. Eu sorri e Lúcia correu para me abraçar.
— Que saudade, Pedro. – ela disse
— Também senti saudades baixinha. – respondi – E aí, Ed?
— Fala Pedro.
Edmundo me deu um meio abraço e Lúcia pigarreou, erguendo uma sobrancelha.
— O que estavam fazendo sozinhos lá na piscina? – ela perguntou
— Nada. Só estávamos conversando. – menti
— Hum, sei. – ela comentou, descrente e Edmundo riu.
— Lúcia, eu tenho namorada, lembra? – ressaltei
— Isso não te impediu da primeira vez. – ela retrucou
Bufei, derrotado e Edmundo gargalhou. Lúcia mandou um beijinho no ar e em seguida subiu. Me joguei no sofá, ainda pensando no episódio da piscina. Eu quis tanto beijá-la! Mas ainda bem que eles chegaram, senão nós nos arrependeríamos depois porque não era certo.
Resolvi subir para o meu quarto para ajudar Ed com as malas, e acabei esbarrando com Estela no caminho. Ela ficou vermelha ao olhar para mim.
— Desculpe. – ela murmurou
— Tudo bem. – respondi
Ela suspirou e cruzou os braços na frente do corpo.
— Olha, acho melhor esquecermos o que houve antes lá fora. – ela sugeriu
— É, acho melhor. – concordei – E não vamos deixar acontecer de novo.
— Isso. Certo. Anh, eu tenho que ir.
Ela passou rápido por mim e eu a observei ir. Eu não queria esquecer. Nunca quis. Mas era o que ela queria e eu não iria correr atrás dela. Engoli a decepção e entrei no meu quarto, pegando celular e ligando para Kelsey.
—~-
Mais tarde, eu, Arthur, Caspian e Edmundo estávamos na limusine que nos levaria a festa. Ainda tínhamos que passar no salão e pegar as garotas, que haviam ido se arrumar horas antes. A minha conversa com Kelsey ajudou um pouco a parar de pensar no episódio do quase beijo, mas não o bastante para me fazer relaxar.
A limusine parou em frente ao salão e nós entramos, sentando nos sofás da sala de espera, enquanto elas não desciam. Caspian veio conversar comigo.
— Você e a Estela estão muito estranhos. – ele comentou – Certeza que não tem nada acontecendo entre vocês de novo?
— Não aconteceu nada, Caspian. – respondi – Não temos nada. Você está vendo coisas.
— Tudo bem, se você diz. – ele deu de ombros – Mas cá entre nós, vocês podiam aproveitar essa viagem. É LA, cara. O que acontecer aqui, ficará aqui.
— Não, Caspian. Nada vai acontecer. – eu disse, convicto.
Ele deu novamente de ombros e ficou quieto. Era melhor, porque eu não podia pensar assim. Antes que Caspian desse mais uma ideia idiota, Lúcia apareceu e ela estava linda ( roupa Lúcia: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=195042459 ), sendo seguida por Susana, que mesmo com os primeiros sinais da gravidez, estava radiante (roupa Susana: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=195042798 ). Por último, vieram minha mãe e Estela. Minha mãe estava deslumbrante, e eu me senti orgulhoso da mão que eu tinha ( roupa Helena: http://www.polyvore.com/he/set?id=195046119 ). Então olhei para Estela e engoli em seco. Ela não estava só linda. Estava sexy, mas não no sentido vulgar, no sentido de estar provocante na medida certa. Eu não conseguia tirar os olhos dela ( roupa Estela: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=194815692 ). Ela percebeu que eu a encarava fixamente e corou, abaixando a cabeça.
— Estão todas maravilhosas! – disse Arthur, beijando a mão de minha mãe. – Bom, lá na festa, teremos que entrar em pares, portanto já vamos deixar tudo combinado.
— Eu e você, Arthur, Caspian e Susana, Lúcia e Pedro... – começou minha mãe.
— Mãe. – chamou Lúcia – Sem querer ser chata nem nada, mas eu acho que ficaria melhor se Pedro entrasse com Estela. As roupas deles até combinam.
Olhei para o meu terno e em seguida para Estela. Lúcia estava certa. Meu terno cinza escuro, com a camisa e gravata pretas, combinavam perfeitamente com o vestido dela. Nos encaramos por alguns segundos, até que Estela deu de ombros.
— Por mim tudo bem. – ela disse
— Eu também concordo. – disse rápido
Nossos pais nos encaram, alternando o olhar de um para o outro. Eu esperava que não estivesse demonstrando todo o nervosismo que sentia. Por fim, minha mãe suspirou.
— Tudo bem, se vocês dizem que não há problema. – ela cedeu – Então recapitulando. Eu e Arthur, Caspian e Susana, Edmundo e Lúcia, Pedro e Estela.
— Ok.- respondemos em uníssono.
Entramos de volta na limusine e seguimos para o local da premiação. Era um luxuoso hotel, com um letreiro enorme no topo. Estava escrito: Jacobi’s Plaza Hotel. Que ótimo. Era o hotel da família da Daisy. Fazia tanto tempo que não a via, que nem me preocupei muito, mas pude ouvir Estela bufar de irritação ao meu lado.
— O que foi filha? – questionou Arthur
— Hotel dos Jacobi pai? Sério? – ela disse
— Eu não escolho o lugar. – ele retrucou – Mas tente se controlar, não fique provocando briguinhas de colegial.
— Não é comigo que devia se preocupar. – respondeu Estela.
Tentei não rir com aquilo. Estela nunca gostara de Daisy, pois a maluca sempre tentou nos separar, dando em cima de mim. Isso seria muito engraçado.
Assim que chegamos, Arthur e minha mãe desceram primeiro, já sendo bombardeados com dezenas de flashes dos fotógrafos. Em seguida foram Lúcia e Edmundo, pois minha irmã mais nova adorava aquilo. Caspian saiu primeiro e estendeu a mão para Susana, para ajuda-la a sair.
Estendi meu braço para Estela e sorri, do jeito que ela dizia que me deixava metido. Ela negou com a cabeça, sorrindo também, mas encaixou seu braço no meu.
— Pode tirar esse sorrisinho da cara, Pevensie. – ela mandou – Eu sei o que está pensando.
— Eu? Não estou pensando nada. – respondi de forma inocente
— Eu sei que acha que eu não gosto da Daisy por ciúmes de você.
— Isso é você quem está sugerindo. – retruquei – Eu não disse nada.
Ela me beliscou com a mão, me olhando com advertência. Estela estava certa. Estávamos nos encaminhando para um assunto proibido. Entramos no salão de festas do hotel, que estava lotado com os membros da elite americana. Procurei o pai de Estela com o olhar e o encontrei em uma mesa. Caminhamos até lá.
— Isso vai ser tão divertido. – comentou Estela, sarcástica, e eu ri.
Lúcia viu nossa cena e me encarou maliciosa. Ignorei. Não era nada de mais. Sentamos junto deles na mesa e ficamos conversando, esperando o tempo passar. Por um instante eu vi Daisy, de braço dado com um cara ruivo, que tinha uma faixa cheia de medalhas no peito.
— Não acredito nisso! – exclamou Susana
— O que foi, Susie? – questionou Caspian
— Aquela ali é a Daisy? De braço dado com o príncipe Harry da Inglaterra?
Estela se virou naquela direção e fechou a cara. Em seguida voltou-se de frente para nós novamente. Seus olhos demonstravam irritação.
— É sim. – ela resmungou – Eu não consigo acreditar nisso. Era uma vadia de primeira e consegue namorar um príncipe!
— Mas ele é muito feio. – comentou Lúcia – Se fosse para namorar um príncipe assim eu preferiria namorar um barman.
— Lúcia – chamei – Que comentário bosta foi esse?
— Ah Pedro, pare de ser chato. – ela reclamou e Susana fez “shiu” para nós.
A premiação havia começado e todos prestavam atenção no locutor. Demorou até que a categoria em que o pai de Estela estava concorrendo, mas ele acabou sendo o grande vencedor da noite, como o homem do ano, no mundo dos negócios.
— Agora temos que comemorar. – disse Arthur, ao voltar para a mesa com o prêmio – Vamos ficar para a festa.
— Festa? – questionou Susana – Olha, eu estou meio cansada, posso ir pra casa com Caspian?
— É claro, minha querida. – respondeu mamãe – Podemos pedir para o motorista levá-los, não é Arthur?
— Sim, podemos. – respondeu Arthur – Vamos até lá. Alguém mais quer ir?
Lúcia e Edmundo resolveram ir também, então senti que deveria ficar. Aquela noite era muito importante para mamãe e Arthur, então não podíamos deixa-los ali, com se não ligássemos para isso. Estela deve ter pensado o mesmo, pois também não se manifestou.
Ficamos então, eu, minha mãe e Estela conversando na mesa, enquanto Arthur ia levar os outros até o carro. Quando ele voltou, sentou-se conosco e participou da conversa. Mas começavam a chegar amigos deles e a conversa se tornava cada vez mais chata. Observei a outra sala, onde a festa de verdade acontecia.
— Ei – Estela chamou cutucando meu braço – Podíamos ir até lá. Aqui está um tédio mesmo.
— É, você tem razão. – concordei e sorri – Vamos nos divertir um pouco.
Nós andamos rápido até a festa e nos sentamos juntos no bar. Imediatamente percebi os olhares que os homens dirigiam à Estela e fiquei com raiva. Um deles se aproximou, mas mudou de ideia ao ver meu olhar.
— Um cosmopolitan, por favor. – Estela pediu
— O mesmo para mim. – pedi também
Quando as bebidas chegaram, nos brindamos e bebemos um pouco. Não queria me exceder na bebida, pois não podia perder o controle perto dela. Estela observava as pessoas na pista, dançando. Quando o DJ colocou um ritmo caribenho, Estela arregalou os olhos.
— Eu amo esse tipo de música. – ela comentou – Eu sei que estamos nos evitando, mas é só uma dança, por favor.
Ponderei por alguns instantes. Ela estava certa, que mal faria uma dança? Estendi minha mão e ela segurou, sorrindo. Fomos juntos para a pista e eu a conduzi na dança. O ritmo era contagiante, tornando o momento divertido e diminuindo a tensão. Nós dois riamos juntos e nos deixávamos levar pelo ritmo da música.
Quando estava acabando, ela girou para longe, mas ainda segurando sua mão. Puxei-a de volta e ela girou de encontro ao meu corpo, ficando próxima demais. Ficamos alguns segundos nos encarando, com os rostos a centímetros de distância. Eu estava travando uma batalha em minha cabeça sobre o que fazer naquele momento, quando ela quebrou o contato visual, olhando em volta.
Assim que achou o que procurava, me puxou pela mão naquela direção. Era uma espécie de sala de espera, com um enorme sofá vermelho. Estela me empurrou lá dentro e trancou a porta, vindo na minha direção em seguida.
Ela me puxou pela gola do paletó e colou seus lábios nos meus. A sensação única de beijá-la de novo, minou qualquer resistência minha e eu a abracei pela cintura, aprofundando o beijo. Ela começou a abaixar meu paletó e eu o tirei de vez, jogando em algum lugar. Voltei a beijá-la, mais ávido do que antes e senti seu corpo tremer levemente.
Estela virou de costas para que eu tirasse seu vestido. Abri rapidamente o zíper e depositei um beijo em sua nuca, sentindo ela suspirar. Ela tirou o vestido por completo e eu encarei sua lingerie preta de renda, engolindo em seco. Como alguém podia ser tão sexy?
Ela voltou a me beijar, empurrando-me na direção do sofá. Eu ouvia a música da festa, que não podia ser mais irônica. Sentei-me no sofá e ela sentou no meu colo. Minhas mãos passeavam por sua coxa e ela abria lentamente os botões da minha camisa.
We could've had it all
Rolling in the deep
Tirei o resto daquela lingerie torturante e a deitei, ficando por cima e tirando minha roupa também. Comecei a beijar seu pescoço enquanto ela segurava meu cabelo e suspirava deliciosamente. Quando investi contra seu corpo, ela arqueou as costas e entrelaçou as pernas no me quadril. Eu não tinha paciência pra ir devagar. Foi rápido, forte e intenso.
Chegamos ao clímax juntos, respirando com dificuldade. Não havia espaço para culpa em mim, tudo que eu sentia era o mais profundo prazer. Coisa que só Estela me fazia sentir. Ela ainda beijava delicadamente meu ombro, fazendo carinho nas minhas costas. E isso era tudo que importava.
Could've had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
But you played it,you played it, you played it
You played it to the beat
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