Everything Is Changed

2 New Haven que se prepare.


Notas iniciais
Gente olha quem voltou? Espero que estejam tão ansiosos quanto eu para a continuidade dessa fic. E, não esqueçam de comentar, pra eu saber se está bom ou não. Beijos. Pov Estela

Ainda me sentia tonta. O encontro com Pedro realmente me abalou mais do que eu esperava que acontecesse. Ver os olhos azuis que eu tanto amava, me olharem com raiva e repulsa me dilacerava. E o pior era saber que iria vê-lo todo santo dia. Acho que meu pai fizera de propósito. E, sim. Meu pai me deu o apartamento de presente.

Olhei novamente as marcas no meu antebraço. Marcas do ano anterior. Se eu culpava o Pedro por meu sofrimento e minha burrice pra me cortar? Não. Já cheguei a culpar, mas percebi que não valia a pena e que a escolha foi minha. Porém, infelizmente isso não amenizava minha dor.

A hipótese de repetir minha atitude infantil de me cortar, chegou a passar novamente pela minha cabeça, mas logo a descartei. Ben exigiu isso de mim depois de tudo que aconteceu no último ano. Por isso abandonei definitivamente a idéia e me desfiz rapidamente das lâminas, só para garantir. Isso me deu ânimo renovado. A partir de hoje, minha vida seria completamente diferente. Estava na hora de começar a ser adulta.

– ~-

– Então seja muito bem vinda, Srta. Cambridge. – disse a gerente da livraria. – Espero que goste do emprego.

– Vou gostar. – garanti à ela – Sempre amei esse tipo de lugar.

– Já vi que nos daremos bem. – ela comentou – Você começa amanhã.

– Tudo bem. – respondi prontamente.

Logo que saí da livraria, recebi uma ligação do Ben.

– Estela, estou chegando em New Haven em 10 minutos. – ele disse de cara. – Como é mesmo o seu endereço?

–Então era sério? – perguntei – Achei que estivesse brincando.

– Claro que não né? – ele disse – Imagina se eu ia deixar você sozinha. Além disso, Yale tem um dos melhores cursos de Artes Cênicas do mundo.

– Tudo bem. – respondi rindo. – Só que seu quarto ainda não está pronto.

– Sem problema. Até depois, Estrela. – ele disse e desligou.

Eu ri. Seria tão bom ter o Ben morando comigo. E,antes que pergunte algo sobre talvez rolar alguma coisa entre a gente, vou logo dizendo. Ele joga no outro time. Ben virou gay, mas continuava sendo a pessoa mais importante da minha vida naquele momento.

Peguei meu carro e dirigi até meu apartamento para arrumar a casa para a chegada do Ben. Quando estava abrindo a porta, ouvi alguém chamar meu nome. Me virei e dei de cara com Susana e Caspian.

– Estela! – ela disse – Que bom ver você!

– Susana. – respondi – É bom ver vocês também.

Ela deu um passo a frente e me abraçou. Isso me surpreendeu. Não esperava que ela quisesse ser minha amiga depois de tudo. Mas fiquei feliz com sua atitude e retribuí o abraço. Talvez, fosse a chance para um novo começo.

– Senti sua falta, sua louca. – Susana disse quando nos separamos. – Fiquei com medo de a nossa amizade ter acabado de vez.

– Eu também tive esse medo Su. – falei abaixando a cabeça. – Tive medo de você não querer mais a minha amizade depois do que eu fiz.

– Todos cometem erros, Estela. A função dos amigos é saber perdoar. – ela disse

– Obrigada, Su! – disse abraçando-a de novo.

– Disponha, Estelitcha. Estamos ai pra isso.

– Bom,tenho que ir agora. Ben está vindo pra cá e eu tenho que arrumar a casa.

– Tudo bem. Eu te ligo ainda. – ela disse

– Ok, tchau. – eu disse e entrei no meu apartamento.

Essa conversa com Susana aumentou ainda mais a minha esperança de ter a chance de ter uma vida feliz novamente. Eu não precisava do Pedro. Eu teria amigos que me ajudariam a superar meus problemas. E, talvez, um dia, eu encontrasse uma pessoa que me amasse novamente.

–~-

Naquela noite, acordei com um barulho do lado de fora do apartamento. Levantei da cama e fui ver o que era. Pode me chamar de ridícula, mas peguei uma faca na cozinha, vai que era um ladrão? Abri a porta com cautela erguendo a faca. Mal pude acreditar na cena que vi.

Pedro se agarrava com uma garota loira. Ele beijava o pescoço dela e subia o vestido. Ela apenas suspirava e gemia. Sorri em escárnio. E ele ainda se achava no direito de falar algo ruim de mim. Podia apostar que era apenas mais uma garota qualquer, que ele a jogaria fora no dia seguinte. Como eu havia me apaixonado por aquilo? E por quê diabos eu não conseguia esquecê-lo? Pigarreei alto e os dois se soltaram, olhando pra mim. Por um momento, Pedro parecia arrependido ,mas logo a expressão de raiva voltou.

– O que foi, Cambridge? – ele questionou – Perdeu algo aqui?

– Desculpe incomodar. – eu disse, irônica – Mas vocês estão se comendo na frente da minha porta, e não consigo dormir com os gemidos da cadela aí. Não custa nada entrar na sua própria casa, Pevensie.

– Não, obrigado. – ele disse transbordando sarcasmo – Estamos bem aqui.

Fuzilei-o com o olhar. Patético.

– Se não entrar, vou reclamar com o síndico. E, você sabe que eu posso ser bastante persuasiva quando quero.

Ele bufou e revirou os olhos. Em seguida, pegou a mão da vadia dessa noite e entrou na sua casa, batendo a porta em seguida. Fiz a mesma coisa, mas, diferente dele, eu havia feito isso com lágrimas nos olhos.

Ben apareceu na porta, somente com uma bermuda e com a cara de sono. Sua expressão, antes confusa, passou a ser preocupada assim que viu meu estado.

– Star, o que foi? – ele questionou, vindo logo me abraçar

– Ah, Ben! – falei, soluçando – Por que eu sou tão idiota, hein?

– Você não é idiota, Estela Cambridge. Nunca mais diga isso. – ele me repreendeu

– Então por que eu não consigo parar de gostar dele? Por quê eu ainda me magôo com o que ele diz?

– Quando você ama alguém de verdade, não para de gostar da pessoa de uma hora pra outra. – ele disse – Tem que dar tempo ao tempo. E dar ao seu coração uma nova chance. Sabe, sair. Conhecer outras pessoas.

– Sabe que a última coisa que eu preciso é problemas com festas e coisas desse tipo.

– E quem disse que festa significa problema? – ele retrucou – É só estar com as pessoas certas.

Eu ainda não queria ceder. Pra mim, não valia a pena sair e me divertir, tentando voltar a ser o que era. Até porque a antiga Estela nunca mais ia voltar.

– Vamos fazer assim: quando começarem as aulas, você vai tratar de fazer novos amigos. –ele propôs – E nem me venha com reclamações. Você é uma pessoa tão incrível Estela. Não vale a pena você se auto excluir por causa de um amor de colegial. Temos tanta vida pela frente.

Pensei por um momento e percebi que ele tinha razão. Eu só ia superar o Pedro se me permitisse fazer isso. E o único modo era conhecer pessoas novas. Chega de pensar em quem não me quer mais.Pedro ia se arrepender por ter me tratado assim. Ele vai ver o que perdeu. Quando as aulas começassem Estela Cambridge estaria de volta, só que um pouco menos ingênua. New Haven que se prepare.

Notas finais
E então?