Everything Is Changed
12 Eu te amo
Notas iniciais
Eu abraçava a cintura de Kelsey, enquanto esperávamos de pé no saguão do aeroporto. Lúcia e Edmundo vinham nos visitar e eu mal podia esperar para vê-los. Talvez me fizesse esquecer tudo o que aconteceu nos últimos dias.
Kelsey já tinha percebido que eu estava estranho e vinha me perguntando o que acontecera. E eu fugia das perguntas sempre que possível. Susana não falava comigo desde que voltamos de LA e eu sabia que era por causa de Estela. Mas ela tinha que entender que não havia jeito. Eu dizia a mim mesmo que era porque eu comecei a gostar de verdade da Kelsey, mas lá no fundo sabia que era medo de dar errado de novo.
— Pedro. – chamou minha namorada – Estou te chamando há cinco minutos. Eles acabaram de desembarcar. Pela milésima vez, o que há com você?
— Nada Kels, só cansado. – menti – Fiquei até tarde estudando ontem.
— Sim, sei. – ela comentou – Bom, não importa, vamos.
Segurei firme a mão dela e fomos andando até a sala de desembarque. Chegando lá, meus irmãos já me esperavam e Lúcia abriu um enorme sorriso ao me ver. Ela veio correndo e se atirou nos meus braços, dando-me um abraço apertado. Por cima do ombro dela, vi Edmundo chegar meio de cara fechada.
Quando nos separamos, Lúcia sorria, alegre.
— Eu estava morrendo de saudade maninho. – ela afirmou – E esta é?
— Eu sou a Kelsey, namorada do seu irmão. – apresentou-se Kelsey, estendendo a mão.
Lúcia a apertou, meio desconfiada, mas logo disfarçou e abriu um sorriso, chamando Edmundo com a mão. Ele se aproximou devagar e me deu um meio abraço.
— O que há com você Ed? – perguntei
— Ele só está assim porque tinha uma festa no colégio hoje e ele queria ver a garota de quem ele gosta. – respondeu Lúcia, antes que ele pudesse falar – Ele acha que ela pode acabar ficando com um dos outros garotos, embora eu duvide.
— Ah não fica assim, Ed – falei – Se ela for uma garota que vale a pena, não vai ficar com ninguém porque estará pensando em você.
— É claro que ela tá – disse Lúcia, revirando os olhos – estamos no mesmo time de vôlei e ela só sabe conversar comigo sobre o Ed.
Nós demos risada e Edmundo bufou, ficando vermelho, mas com um pequeno sorriso no rosto. Era bom vê-los felizes assim. Eu fui ajudar Lúcia com as malas e ela me cutucou.
— Precisamos ter uma conversa. – ela sussurrou
— Uau, minha irmãzinha me chamando para uma conversa. – brinquei – Devo ficar com medo?
— Deve. Porque quem está agindo como criança é você. – ela retrucou
Fiquei em silêncio e Kelsey veio até meu lado, segurando minha mão. Eu nem precisava mais perguntar, eu sabia que Susana havia comentado com Lúcia e agora as duas iriam pegar no meu pé.
Nós colocamos as coisas no carro e eu dei a partida. Kelsey ligou o rádio e nós fomos cantando até o nosso prédio. Eu ficava feliz por ver eles se dando bem, mas percebia que Lúcia não ia muito com a cara da Kelsey e eu ia cobrar respeito da minha irmã mais nova.
Assim que chegamos, subimos direto para a cobertura, onde ficava nosso apê. Olhei pra o lado oposto, em direção a porta de Estela e me perguntei se ela estaria ali dentro e o que ela estaria fazendo. Se estaria como da última vez que entrei no quarto dela em LA.
Flashback on:
Eu acordei com uma dor de cabeça enorme, piorando por causa da luz do sol que entrava pela sacada. Esfreguei os olhos e levantei devagar, saindo em direção ao banheiro para escovar os dentes. Assim que olhei para os lados, vi Estela entrar correndo no próprio quarto, somente de lingerie e esqueci completamente o que iria fazer. Aquele corpo não saia da minha cabeça desde o dia anterior, depois da festa.
Fui até o quarto e abri a porta com cuidado, fechando-a devagar e trancando. Nesse momento ela saiu do closet segurando uma calça e uma blusa, que caíram no chão assim que ela me viu.
— Pedro. – ela murmurou – O que faz aqui?
Andei até ela devagar, que recuou até encostar na parede, onde encostei meu corpo no dela. Segurei seu rosto com as duas mãos. Ela colocou as mãos no meu peito e eu pensei que iria me empurrar, mas ela não o fez. Pelo contrário, foi subindo até chegar ao meu pescoço, onde fez carinho de leve na nuca, sem tirar os olhos dos meus.
Puxei seu rosto de encontro ao meu e a beijei, devagar, passando minha língua pelos seus lábios e mordendo o inferior. Senti ela arfar e me abraçar pela cintura. Aprofundei o beijo e passei minhas mãos pelas suas coxas, entrelaçando-as na minha cintura e erguendo seu corpo. Levei-a até a cama e nós nos deitamos, sem parar o beijo. Ela beijou meu pescoço demoradamente, arranhando meu peito.
Ela me fez ficar em pé e segurou minha cintura, sorrindo com malícia. Abaixou minha bermuda e cueca, beijando a ponta do meu membro logo depois. Não aguentei e joguei-a na cama, deitando por cima e procurando fecho de seu sutiã. Não demorou para eu achar e tirar aquela peça inútil.
Em seguida tirei sua calcinha e levei até meu rosto, sentindo o cheiro de sua excitação. Ouvi ela gemer baixinho. Joguei a peça longe e abracei seu corpo, beijando-a de uma maneira sensual enquanto a penetrava devagar. Não demorou para chegarmos ao prazer juntos e eu a abracei, sem querer sair dali nunca mais.
Imediatamente me repreendi. Não deveria estar mais pensando nela. Eu coloquei um ponto final nas coisas, então deveria seguir eu próprio exemplo.
Lúcia abriu a porta para entrarmos e foi logo gritando o nome da Susana. Eu comecei a levar as malas para dentro enquanto ouvia os gritos de felicidade de minha irmã e Lúcia paparicando meu futuro sobrinho que estava para nascer. Mas a principal surpresa (ou nem tanto), foi a exclamação que veio depois
— Estela! – ouvi Lúcia gritar – É tão bom ver você.
— Também é ótimo ver vocês dois. – respondeu a morena – Mas infelizmente não poderei ficar. Tenho um monte de coisa pra resolver em casa antes de ir trabalhar. Nos vemos durante a semana ainda, e talvez a gente pegue um avião juntos para ir à New York.
— Você vai para NY? – questionou Lúcia
— Vou sim. – ela respondeu – Estou em processo de transferência para Darmouth.
Deixei uma mala cair e Kelsey me encarou. Abaixei a cabeça, incapaz de acreditar naquilo. Estela ia embora? Talvez para sempre desta vez? Por que aquela ideia parecia inconcebível? Balancei a cabeça e tentei espantar a vontade de largar tudo ali e abraçar Estela o mais forte que conseguisse, implorando para que ela ficasse comigo, mas não o fiz.
Estela passou por mim sem me olhar, enquanto acenava para Susana e os demais. Eu fiquei observando ela ir embora, até que Kelsey soltou a minha mão e foi em direção a cozinha. Suspirei. Ótimo, agora havia magoado as duas. Mas, novamente fui um idiota e não fui atrás de minha namorada, mas sim da morena que eu sabia que amava.
— Estela, espera. – chamei
Ela virou-se devagar, me olhando com dureza.
— O que foi, Pevensie?
— Você vai mesmo embora?
— Eu vou sim. Nada mais me prende aqui. Eu vou continuar tendo contato com a Susana, mas não é necessário que eu esteja aqui. Nunca deveria ter vindo, para começar. Você deve estar bem feliz.
— Não, claro que não. Eu....
— Você o que, hein? – ela me interrompeu – Não diga mais nada Pevensie, disse tudo o que deveria no avião. Me esquece.
Ela entrou no próprio apartamento e bateu a porta. Passei a mão pelos cabelos, sem saber o que fazer. Senti alguém esbarrar em mim indo embora. Era Kelsey. Corri atrás dela e segurei seu braço.
— Ei, aonde vai? – questionei
— Embora, Pedro. – ela respondeu, irritada – Chega. Não vou ser feita de idiota. Você não me ama, então chega. Acabou. Cansei de ser humilhada.
Ela puxou o braço e entrou no elevador. Fiquei lá parado, sem saber o que fazer, completamente sem rumo.
— ~ -
Entrei em casa desolado. Susana e Lúcia conversavam baixinho no sofá. Eu iria subir direto para o meu quarto, mas a voz delas me deteve.
— Pedro. – chamaram juntas – Venha aqui.
Caminhei até elas e me sentei no sofá, encarando minhas irmãs. Elas me estudaram por alguns segundos e depois se entreolharam.
— O que você está fazendo? – questionou Susana
— É, vai deixar a Estela ir embora? – completou Lúcia
— Olha, sabemos que você sofreu um monte quando vocês dois terminaram, mas agora é diferente. Ela está mais madura, assim como você e o amor de vocês só aumentou. – argumentou Susana – Não a deixe ir de novo. Lute pelo seu amor.
Ponderei por alguns segundos. O que eu tinha a perder? Ela já estava a ponto de ir embora, o que poderia ser pior do que isso?
— Vocês tem razão. – admiti – Mas acho que preciso esclarecer as coisas com a Kelsey antes disso.
— Sim, precisa. – concordou Susana – Ela pode ser uma chata, mas merece pelo menos uma explicação.
Assenti e saí correndo, indo logo para o carro. Quando me dei conta, estava sorrindo feito bobo. Eu lutaria pela mulher da minha vida e esperava que ela ainda quisesse estar comigo da mesma maneira que eu desejava.
Cheguei à casa de Kelsey e toquei a campainha umas 20 vezes até ela aparecer, com cara de quem iria me matar.
— O que você quer?
— Só queria explicar umas coisas para você, porque você merece isso.
— Olha Pedro, eu já sei, ok? Você escolheu a Estela. Você a ama e eu não vou ficar no seu caminho. – ela disse – Mas me faça um favor, não olhe mais na minha cara, porque eu te odeio. Te odeio por fazer eu me apaixonar por você e depois me largar. Então vai embora, atrás da vadia que você tanto ama.
Kelsey fechou a porta na minha cara e eu fiquei sem saber o que dizer. Ela parecia estar nutrindo um ódio mortal e eu esperava que isso passasse.
Voltei correndo para o meu carro e acelerei em direção ao meu prédio. Mas, para o meu azar, o trânsito estava congestionado e eu estava ficando impaciente e confuso, pois aquilo não era normal. Saí do carro e fui conversar com outro motorista que estava parado ali perto.
— O que aconteceu aqui cara? – questionei
— Não tenho certeza, mas parece que foi uma batida. Um caminhão sem freio bateu em um porshe, pelo que estão comentando. – ele respondeu
Um porshe. Uma sensação ruim me atingiu. Um frio no estômago. Corri até o início da fila e não pude acreditar.
O carro azul que antes era belo, agora estava desfigurado e virado de cabeça para baixo. O caminhão estava com o lado direito destruído e o motorista encarava tudo em choque. Os bombeiros corriam com uma maca para dentro de uma ambulância, e havia uma mancha de sangue no chão, próximo ao carro.
Passei pela fita de isolamento e corri até lá. Cheguei perto da ambulância, onde eles colocavam a maca. Ela estava deitada ali, com um corte profundo na cabeça, mas acordada. Seus olhos encontraram os meus e eu vi seus lábios desenharem as palavras.
— Eu te amo.
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