Everything Is Changed
24 Eu sei o que eles querem
Notas iniciais
Irado era pouco para descrever o estado em que Arthur Cambridge se encontrava. Ele estava completamente fora de si, xingando as próximas 20 gerações da família Lancaster, se é que eles chegariam a viver para continuar a linhagem, levando em conta a raiva do meu sogro.
24 horas depois que Lúcia foi devolvida à nossa família e que Estela estava com eles, recebemos o primeiro contato dos Lancaster. Ethan gravou um vídeo, deitando-se ao lado dela, que estava desacordada. O vídeo não tinha mais de 30 segundos, mas o olhar de Ethan foi o suficiente para me deixar amedrontado, e tirar a sanidade de Arthur. Junto ao vídeo, um bilhete: o pai de Estela tinha 48 horas para passar todos os seus bens para o nome de Ethan, já que James permanecia escondido.
Arthur ligou imediatamente para o seu advogado e continuava com ele no telefone há, pelo menos, meia hora. Eu não sabia descrever o quanto estava desorientado, por não saber o que faríamos para recuperar a minha noiva. Suspirei. Estela foi estúpida, não devia ter feito isso sem nos consultar, mesmo que Lúcia agora esteja em segurança, sendo bem cuidada no hospital.
De repente, Arthur desligou o celular e sentou-se no sofá, exausto. Andei até ele.
— Não vamos conseguir. — murmurou meu sogro — Meu advogado disse que precisaríamos de, pelo menos, uma semana para fazer toda a transferência.
— Mas o que podemos fazer então? — questionei — Precisamos de mais tempo.
— Eu sei disso, rapaz. — ele respondeu — Por isso vou tentar contatar James. Vou propor uma troca neste tempo. Ele vai me levar no lugar da minha filha.
— O senhor tem certeza disso?
— Absoluta. — garantiu — Nada é mais valioso para mim do que a minha filha.
Assenti e ele levantou-se novamente, discando um outro número. Na mesma hora, eu recebi uma mensagem de Paul, me chamando para ir até o apartamento de Estela. Dei a desculpa de que iria comprar algo para comer e saí de lá, indo encontrar os amigos da minha namorada.
Ao entrar no apartamento dela, vi Mikayla digitando freneticamente no notebook, enquanto Paul analisava uma imagem em seu computador.
— Alguma novidade? — perguntei.
Paul tirou os fones de ouvido e veio até onde eu estava.
— Acho que conseguimos uma possível localização de onde eles podem estar mantendo a Estela. — contou — Graças ao Elliot.
Controlei-me para não socar a mesa ao ouvir o nome do irmão de Estela. Ele tinha traído a nossa confiança e trazido Ethan ao encontro de Estela. Tudo isso porque decidiu que queria chegar mais perto do pai dele.
— Como assim, Paul?
— Ele está do nosso lado. — afirmou — Agora tudo faz sentido. Ele levou um dos celulares descartáveis que compramos e escondeu. Agora, jogou ao lado de fora de uma casa, a uns 30 quilômetros daqui. Ele queria que a gente conseguisse rastreá-los.
Engoli tudo o que eu disse. Eles tinham planejado tudo para que Ethan não desconfiasse e Estela continuasse tendo um aliado no meio do ninho das cobras. E percebi que sempre deveria a Elliot por isso.
Paul sentou-se novamente de frente para o computador e me chamou com a mão. Na tela, havia um ponto vermelho piscando, quase nos limites de New Haven. Era lá que o celular estava.
— Eu já procurei a casa. — informou Paul — O mais estranho é que ela está ocupada. Há alguém vivendo ali, ou pelo menos fingindo isso.
— Alguma ideia de quem pode ser?
— Ainda não, mas Mikayla está trabalhando nisso.
— E como eu posso ajudar?
— Tente conversar com a sua irmã, descobrir se ela sabe de algo que pode nos ajudar, como a estrutura interna da casa, ou quantas pessoas Ethan tem ali. Isso pode ajudar pra elaborarmos um plano.
— Beleza! Vou ao hospital conversar com ela, e logo devo estar de volta.
Paul assentiu e vi Mikayla dar um tchauzinho com a mão. Sai do apartamento e mandei uma mensagem para Arthur, avisando que iria ao hospital. Chegando lá, fui até o quarto da minha irmã, que estava acompanhada por minha mãe. As duas sorriram ao me ver.
— E aí, Lu, como você está? – perguntei.
— Ainda me sinto fraca. – admitiu – Pedro, vocês já sabem algo da Estela?
— Ainda não. – menti – Só recebemos um vídeo dela, desacordada em uma cama. Arthur está louco tentando negociar.
Minha mãe me encarava, triste. Eu sabia o quanto ela amava Arthur e o quanto era difícil vê-lo nessa situação. Ainda mais tendo a filha de volta, enquanto ele perdia a própria.
— Deve ser o mesmo local que me mantinham. – comentou Lúcia – Eu não saí nenhuma vez daquele quarto, mas sempre que podia tentava prestar atenção na conversa. Tinha pelo menos 10 pessoas diferentes.
— Filha – interveio minha mãe – você precisa descansar. Não deve ficar pensando nisso.
— Mas eu quero ajudar, mãe. A Estela precisa de nós! Imagina o que ela deve estar passando.
Helena ficou em silêncio, pois sabia que estava sendo egoísta. De repente, ela saiu do quarto, provavelmente indo tentar falar com Arthur, que precisava do apoio dela. Quando ela fechou a porta, decidi abrir o jogo com Lúcia, então sentei ao seu lado.
— Nós descobrimos onde ela pode estar. – contei.
Lucia me olhou espantada e eu continuei:
— A Estela tem um irmão que está nos ajudando, fingindo que está apoiando Ethan e James. Ele jogou um celular descartável perto da casa e conseguimos rastreá-lo. Vamos logo descobrir se eles são os responsáveis pelo local.
— Mas como você tá fazendo tudo isso, Pedro? – ela questionou e eu sorri amarelo.
— Estou tendo ajuda de amigos da Estela.
Contei a ela toda a história desde o seu desaparecimento. Ao fim da minha narrativa, Lúcia estava boquiaberta. Eu a entendia, afinal, parecia coisa de filme. Minha irmã me surpreendeu mais uma vez, segurando minha mão, para me passar confiança.
— Nós vamos encontrar a Estela, sei disso. – garantiu.
— Ela estava se culpando muito pelo que aconteceu a você.
— Ela não podia saber e nem evitar o que houve. Eu também fui boba por ir sozinha com alguém que mal conhecia. A Estela é maravilhosa, não tem culpa de nada do que aconteceu.
— Por isso temos que encontrá-la.
Lúcia assentiu e eu decidi que era hora de ir embora quando vi meu pai entrar no quarto. Ele mal me olhava, ainda bravo por eu ter ficado ao lado de Arthur. Não me importei porque era mais do que defender minha namorada, mas sim defender uma pessoa inocente.
— Vou indo nessa, Lúcia. Te mantenho atualizada.
Lúcia concordou e eu fui em direção às porta, mas meu pai segurou meu braço, impedindo minha saída.
— Pedro, meu filho, acho que precisamos conversar. – ele disse – Somos uma família e temos que ficar unidos.
— Estela também é minha família. E você foi a favor de entregá-la como um pedaço de carne. – eu retruquei – Parte da culpa de ela estar lá é sua.
— Apenas quero o melhor para os meus filhos.
— Não, você quer o melhor para si mesmo.
Puxei meu braço e sai do quarto, ignorando quando ele chamou meu nome. Não perdoaria meu pai tão fácil, não depois de ouvir tudo o que ele disse sobre Estela. Ela havia cometido seus erros, mas também cometi, assim como todos os outros. Eu a amava mais do que tudo e justo agora que mais precisava do meu pai, ele agia desta forma.
Uma lembrança veio à minha mente e agradeci meu pai por torná-la real. Nosso primeiro beijo havia sido após a decisão dele de ir embora com Lúcia e Edmundo. Estela me dera força, mesmo “me odiando” na época. Eu jamais esqueceria aquele beijo.
Passei no mercado e depois voltei para o nosso prédio. Passei antes no meu apartamento, encontrando minha mãe sozinha.
— Arthur saiu. – ela noticiou – Foi encontrar um antigo conhecido. Estou com medo do que ele está planejando.
Sentei ao seu lado e segurei suas mãos. Minha mãe era uma das pessoas mais fortes que eu conhecia. Passou poucas e boas na mão do meu pai, mas aguentou tudo por nós. Ela merecia a chance de viver uma vida de rainha, com o cara certo pra ela, que sempre a amou e a quis ao seu lado.
— Não se preocupe, mãe. Ele logo voltará.
Ela balançou a cabeça, concordando, mas não disse mais nada. Eu decidi, naquela hora, que era de contar uma coisa.
— Mãe, lembra do conselho que me deu em Los Angeles? – perguntei – Sobre a minha relação com a Estela?
— Claro que lembro.
— Resolvi segui-lo. – contei – E mais do que isso, eu pedi a Estela em casamento e ela aceitou.
Minha mãe cobriu a boca com as mãos, feliz. Depois me abraçou, tão forte que quase me esmagou. Mas não demorou a me soltar, segurando meu rosto com as mãos.
— Ah, meu menino! Eu sinto tanto! Vamos trazê-la de volta. Eu tenho fé que tudo dará certo, vocês já passaram por tanta coisa.
— Eu espero que sim, mãe. Não sei se suportaria perdê-la.
Ela fez um carinho no meu rosto e minha atenção foi tomada pelo apito do meu celular. Era uma mensagem de Paul, me chamando urgente. Tentei disfarçar.
— Eu acho que vou dormir no apartamento dela hoje. Quero me sentir mais próximo.
— É claro, Pedro. – ela concordou – Tire seu espaço.
Eu dei um beijo em sua bochecha e fui para o apartamento de Estela. Chegando lá, vi Paul e Mikayla observando algo na tela do notebook. Fui para o lado deles.
— O que descobriram?
— Achei quem está alugando a casa. – afirmou Mikayla – Está registrado para uma empresa, mas procurei a dona e é esta moça aqui.
Olhei para a foto e não acreditei no que estava vendo. Era Britney Carlson. Nova esposa do meu pai. O que diabos isso significa?
— É a mulher do meu pai.
— Do seu pai? – questionou Paul – Você tem certeza?
— Tenho cara. Ela tá envolvida nisso. Mas por quê? E será que está escondendo do meu pai?
Paul deu de ombros, sem saber o que dizer.
— Vou procurar mais sobre ela. Algo não está se encaixando.
Mikayla pegou o notebook e começou a trabalhar novamente. Eu subi para o quarto da Estela e me sentei na cama, pensando em tudo o que estava acontecendo. Era muito difícil que meu pai não soubesse, pois os dois moravam juntos e tal. Mas então como ele deixou isso acontecer com a Lúcia?
Fiquei algumas horas ali deitado, apenas pensando em Estela. Até que Paul me chamou novamente, pois Mikayla tinha novidades.
— Achei algo bem suspeito. – ela informou quando descemos – O nome Britney Carlson não é o verdadeiro dela.
— Como pode não ser? – questionei.
— Porque Britney Carlson morreu há dez anos e era a dona do império Carlson, uma grife de roupas mega famosa.
— Então com quem meu pai se casou?
— Com essa aqui. – ela virou o eletrônico para mim – Rachel Carlson, neta dela. Pesquisei a fundo mais sobre ela e achei que ela estudou no mesmo local que seus pais e o pai da Estela. No mesmo ano. Não pode ser coincidência.
De fato, era coincidência demais. E também, por que ela usaria um nome falso? Algo estava muito errado naquela história toda e precisávamos descobrir o que era.
— Vou falar com minha mãe. – informei e eles assentiram.
Voltei ao nosso apartamento e vi que Arthur também estava de volta. Os dois discutiam algo na sala, mas pararam ao me ver e meu padrasto/sogro veio até mim.
— Pedro – ele disse – quero que me prometa que vai cuidar da Estela e da sua mãe.
— Mas por que está dizendo isso?
— Ele acha que pode se entregar no lugar da Estela e salvá-la. – interveio minha mãe – Mas James Lancaster vai matar os dois, isso sim.
Me arrepiei com aquilo. Era muito provável que minha mãe estivesse certa. Mas podíamos evitar isso. Enquanto os dois voltavam a discutir, resolvi abrir o jogo.
— Eu sei onde a Estela está.
Arthur parou na mesma hora, estarrecido, bem como minha mãe. Expliquei, nervoso, toda a história desde que Lúcia desapareceu e minha mãe parecia querer me bater. Contei também sobre Elliot e como ele estava com a minha noiva.
— Esse Elliot, — começou Arthur – quem é seu pai?
— James Lancaster. – respondi.
— Então como podemos saber se ele realmente está do nosso lado?
— Foi ele que fez com que os encontrassemos. – respondi – Sabemos onde e quem está alugando a casa.
— E quem é? O nome pode nos ajudar a chegar nesse desgraçado!
— Quem está alugando a casa é Rachel Carlson.
— Meu Deus! Eu sei o que eles querem.
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