Notas iniciais
Gente estou até surpresa por terminar mais um capítulo hoje. Me sinto emocionada. Espero que gostem do Pov da nossa querida Nutella de novo e tenham paciência com ela, por favor. Beijoss

Meu pai me contava sobre o pedido de casamento que Charles fez à minha mãe enquanto colocava um buquê novo de flores no vaso. Eu ainda estava meio zonza com tudo o que estava acontecendo.

Aparentemente, eu fiquei em coma por dois meses e perdi a memória sobre os últimos dois anos da minha vida, então dizer que eu estava confusa era subestimar a situação. Primeiro, a última coisa que eu lembrava era de ser uma quarta-feira à noite e escapar do internato junto à minha amiga, Mykayla, indo para uma festa no centro de Londres.

Então imagine o quão bizarro foi descobrir uma série de coisas que tinham acontecido e eu não lembrava:

Minha mãe me expulsou de casa depois daquilo.

Eu vim morar nos EUA, em Los Angeles, com o meu pai.

Fiz três novos amigos no novo colégio.

Namorei um cara por quase um ano.

Brigamos e eu fui estudar em Oxford.

Fui expulsa de lá, e sofri um acidente de carro, mas me recuperei.

Minha mãe estava mais carinhosa comigo.

Voltei aos EUA e fui estudar em Yale.

Reencontrei os meus amigos, incluindo meu ex-namorado.

Ben virou gay.

Tentei namorar outro cara para esquecê-lo.

Não deu certo.

Sofri um novo acidente.

É, qualquer um ficaria zonzo com tudo isso. Mas, estranhamente, era o que menos me preocupava. Eu não conseguia não me sentir culpada por ver aquele loiro lindo, de olhos azuis maravilhosos, me encarar com tristeza.

Pedro Pevensie vinha me visitar todos os dias, sempre trazendo flores e perguntando como eu estava. Eu gostava muito da companhia dele, mas Pedro nunca ficava mais de dez minutos. Isso me deixava meio triste, mas eu não poderia culpá-lo. Pelo que meu pai me falou, ele foi meu namorado quando vim a primeira vez para os Estados Unidos e nós éramos apaixonados um pelo outro.

Eu escutava tudo com atenção, sempre revirando minha memória atrás de um sinal de lembrança destes detalhes. Nada.

O máximo que eu já consegui foi me recordar da minha amiga Susana, do dia em que a conheci na escola. O resto, ainda era como nada em minha cabeça. Isso me deixava com raiva, porque eu parecia uma estranha para eles. Ninguém sabia como conversar comigo, parecendo que eu tinha algum problema mental. Bom, eu tinha, mas enfim, não era retardada.

— Estela? – chamou meu pai – Tudo bem, filhota?

— Está sim. – respondi, sorrindo – Eu só estava pensando. Não consigo me conformar que eu não lembro de nada. Como isso é possível?

— Charles já explicou, querida. – começou meu pai – Foi a concussão que você sofreu por causa do acidente...

— Sim, eu sei, pai. – interrompi – Mas gostaria de saber o porquê de ter sido tanta coisa. E coisas importantes, por sinal. Amigos, um cara por quem eu era apaixonada....

— Pedro não culpa você.

— Eu sei que não. Mas eu sim. Já viu como ele me olha? – questionei – Eu não quero vê-lo desse jeito, pai. Me machuca ver que eu estou machucando ele. Mas o que eu posso fazer se eu não lembro?

— Ninguém pode fazer nada, filha. – respondeu meu pai, vindo me abraçar – Escute, se concentre em ficar forte e boa para poder ir pra casa. Estamos combinados?

— Tudo bem, pai. Mas logo eu quero começar a tratar essa memória.

— Vamos com calma. Charles disse que temos que fazer tudo com muito cuidado.

Eu assenti. Eu não queria ir com calma. Precisava de respostas e precisava lembrar das pessoas que estavam a minha volta. O telefone do meu pai tocou e ele saiu para atender, enquanto eu continuava a praticar o que Charles havia ensinado, de tentar buscar na memória qualquer detalhe que pudesse puxar uma lembrança.

Meus devaneios foram interrompidos com batidas na porta. Uma fresta se abriu e Susana colocou a cabeça para dentro, sorrindo, cautelosa. Ela entrou e fechou a porta. Sua barriga já estava meio grande, mas ela continuava linda.

— Oi Estela. – ela cumprimentou – Como você está hoje?

— Oi, Su. – respondi – Fisicamente estou ótima. Mas mentalmente a cada dia mais confusa. Eu já tive sonhos que talvez possam ser flashes de memórias, mas não sei ao certo.

— Você sonhou com algum de nós?

— Sim. Com você, com o Caspian, com a sua mãe e o Pedro. Principalmente ele.

— Quer me perguntar algo? – ela questionou e eu assenti – Pode falar.

— Você teve algum relacionamento com o meu primo, Michael Yew?

Susana sorriu e assentiu. Eu sorri também. Era um excelente sinal.

— Nós nos tornamos melhores amigos no último ano do colegial. – começou a contar – O conheci quando tinha terminado com o Caspian, uma vez, e quase tivemos um relacionamento amoroso, mas no fim vimos que era só amizade. Hoje ele está na Universidade da Pensilvânia, namorando uma ex-colega nossa, Katherine Davison.

Com as palavras dela, mais alguns flashes de memória surgiam. Aos poucos eu ia montando um quebra cabeça daquela cena na minha cabeça. Eu sorri.

— Lembrei de algumas cenas. – afirmei

— Que bom que está ajudando. – disse Susana – Mas lembre-se que o Charles pediu para não forçar. Vá com calma, mocinha.

Nós rimos juntas e eu decidi obedecer. Por hora. Estendi a mão para ela e ela segurou. Em seguida sentou na beirada da cama e me deixou acariciar a sua barriga. Eu mal podia esperar para ver aquele pequeno ser que crescia ali.

— Já pensaram em nomes? – perguntei

— Já sim. – o sorriso dela aumentou – Pensamos em Joaquim, ou então Phillip.

— Gosto de Joaquim. – afirmei.

— Também prefiro.

Nós rimos juntas e começamos a conversar sobre bebês. O tempo passava rápido quando eu estava com a Susana e nem percebi que ficamos quase uma hora conversando sobre assuntos diversos.

— Estela, preciso ir. – ela comentou – Os pais do Caspian vem hoje me ver pela primeira vez e eu estou muito nervosa.

— Vai ficar tudo bem. – garanti – Obrigada por tudo, Su. Eu amo você, mesmo que não lembre de tudo, eu sinto isso.

— Eu também amo você, minha amiga. O que importa é que você está bem.

Ela me abraçou com cuidado e saiu, acenando. Eu fechei os olhos e sorri, repassando o que havia lembrado até então. Eu estava tão calma que acabei adormecendo e só acordei com batidas na porta.

Meu coração deu uma guinada quando Pedro colocou a cabeça para dentro do quarto. Senti um impulso de arrumar meu cabelo, mas me repreendi. O que estava acontecendo comigo? Ele sorriu, hesitante, e eu retribuí. Ele entrou e fechou a porta com uma das mãos, pois segurava um pequeno embrulho na outra. Aquilo atiçou minha curiosidade.

— Oi. – ele disse, simplesmente – Como se sente?

— Estou bem, pronta pra sair daqui.

— Fico feliz por isso, você não imagina o quanto. – disse o loiro

Ficamos em silêncio por alguns instantes e ele passava a mão pelos cabelos, bagunçando-os. Aquilo era tão familiar! Eu sorri, incapaz de conter minha curiosidade.

— O que tem no pacote?

Pedro sorriu lindamente e meu coração bateu tão forte que eu pensei que ele iria ouví-lo. Ele estendeu o embrulho na minha direção. Eu peguei com cuidado e desembrulhei, encontrando uma caixinha com um delicado colar. Nele, estava um delicado pingente com uma concha azul. Fiquei maravilhada com o presente.

— Você sempre adorou mar e a cor azul. – ele comentou — Quando vi esse colar, imediatamente pensei em você.

Fiquei sem palavras para aquilo. Era de uma doçura sem tamanho. Eu olhei em seus olhos novamente e percebi o sentimento evidenciado ali. Seu olhar era tão intenso que, se eu estivesse de pé, com certeza estaria com as pernas bambas.

— Obrigada, Pedro. É lindo. – agradeci – Pode me ajudar a colocá-lo?

Ele assentiu e ajudou a prendê-lo em vota do meu pescoço, ajeitando delicadamente o pingente depois. Segurei a mão dele quando ele terminou e os flashes de sonhos que eu tive com ele na noite passada vieram à minha mente. Eu corei por ter sido um sonho meio...quente.

— Pedro, – chamei – eu posso perguntar uma coisa?

— Claro.

— É um tanto constrangedor, então não ria. – pedi e ele deu um sorrisinho de canto – Eu sonhei com você essa noite e Charles disse que estes sonhos podem ser flashes de coisas que eu vivi. Então eu vou perguntar: nós já...hum...transamos em uma festa, alguma vez?

Pedro engasgou com o ar e ficou em silêncio por um momento. Deduzi que eu estava ficando louca e aquilo nunca aconteceu. Abaixei a cabeça, envergonhada.

— Me desculpe...eu...não sei porque sonhei isso... – tentei falar

— Aconteceu. – ele soltou – Nós fizemos isso uma vez e...hum...não faz tanto tempo.

Fiquei boquiaberta. Então era verdade? Eu não sabia se ficava feliz, envergonhada, ou ainda mais confusa depois daquela revelação. Meu pai me contou que nós não estávamos mais juntos há meses, então como há pouco tempo transamos em uma festa?

— Mas ninguém sabe. – ele completou – Foi...não sei...uma recaída, talvez?

— Eu não faço ideia.

Ele assentiu, me olhando nos olhos. Era impossível não lembrar do sonho, com ele em cima de mim e os olhos azuis, em um tom escuro, pegando fogo, demonstrando um misto de excitação e amor.

— Estela – ele chamou – Me promete uma coisa?

— Diga.

— Promete que vai me perguntar sempre? – ele questionou – Eu...eu quero te ajudar a lembrar de mim. Não se se você vai acreditar mas, o que eu sinto por você é forte e eu quero lutar por você.

— Eu prometo.

Notas finais
E então? Acham que ela vai recuperar totalmente a memória e ficar com Pedro? Acham que, se ela lembrar de tudo, vai perdoar ele?