Everything Is Changed

6 A vida é muito curta pra esperar


Notas iniciais
Olha o capitulo novoo Pov Estela

Pra quem pensou: “meu, agora vai. Agora eles voltam.” Bom, sinto muito, mas você errou. O “beijo” que eu e o Pedro trocamos não mudou nada na nossa relação. Não sei explicar o porque, mas ele simplesmente parou de olhar na minha cara e de dirigir a palavra a mim.

Quando eu tentei falar com ele, Pedro simplesmente deu uma desculpa qualquer e saiu. Isso me entristeceu. O que diabos eu havia feito para ele? E já fazia uma semana desde o acontecimento e uma semana que ele não falava mais comigo.

Por isso, resolvi ir atrás de Susana, para ver se conseguia alguma explicação. Quando eu fui tocar a campainha, Pedro abriu a porta, saindo de casa. Ele simplesmente me olhou com frieza e passou por mim, sem olhar para trás.

– Entra, Estela. – chamou Susana – Aconteceu alguma coisa?

– Eu queria perguntar se você sabe porque o Pedro está me evitando. – contei

– Ora, pensei que fosse óbvio. – ela respondeu – É por causa do lance na festa, anteontem.

Ah não! O Pedro estava realmente com raiva de mim por eu estar saindo com outro garoto que por acaso ele não gostava? A cena da festa voltou imediatamente à minha mente:

Flashback on:

Era sábado de noite. Eu estava pronta pra ir a uma festa que o pessoal da faculdade organizou. Há dois dias eu havia sem querer dado um selinho no Pedro, mas, depois de muito pensar, decidi esquecer aquilo e agir como se nada tivesse acontecido. Por isso, eu esperava conseguir pegar alguém hoje na festa, portanto, caprichei no visual. (roupa Estela: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=139964811&.locale=pt-br ).

Chegando na boate onde era a festa, eu não vi ninguém conhecido. Fui me misturando ao pessoal, sem saber muito o que fazer. Até que trombei com alguém. Era Ethan, um garoto que fazia Direito comigo. Por algum motivo que eu não conheço, nem Pedro, nem Susana, nem Caspian gostavam dele.

– Sozinha Estela? – ele perguntou, chegando mais perto

– Sim. – admiti

– Então me faça companhia. Eu te pago uma bebida, ok? – ele ofereceu, sorrindo.

– Hum, acho que não tem problema. – cedi – Mas só um copo.

Andamos até o bar e eu pude sentir alguém me encarar. Não me dei ao trabalho de olhar e esse foi o meu maior erro. Eu e Ethan ficamos conversando sobre coisas aleatórias, até que ele me chamou pra dançar.

Fomos para a pista de dança, onde agora casais dançavam uma música lenta. Fiquei meio em dúvida sobre dançar ou não assim com ele, mas uma cena me fez ter motivos para aceitar. Pedro dançava agarrado com uma garota qualquer que parecia uma puta. A raiva me subiu a cabeça.

Encostei meu corpo no de Ethan e nós ficamos dançando assim por algum tempo. Até que a música acabou e ele olhou em meus olhos, beijando-me em seguida. Era um beijo bom, mas faltava algo. Quando nos separamos, pude ouvir Pedro passar por nós, bufando.

– Estela. – chamou Ethan – Eu sei que pode parecer meio precipitado da minha parte, mas eu queria saber se você sairia comigo amanhã?

– Pode ser, Ethan. – respondi – Você me pega às seis, pode ser?

– Sim, claro. – ele responde, sorrindo.

Flashback off

A partir daquela noite, nós saímos juntos todos os dias. Mas não estávamos namorando. Éramos...ficantes. Susana ainda me encarava, esperando uma resposta. Respirei fundo.

– Ele não pode controlar a minha vida. – falei – Somos amigos. E amigos não controlam com quem os outros saem ou deixam de sair.

– Estela, eu não preciso dizer que ele quer ser bem mais do que um amigo. – colocou Susana.

– Então ele tem que tentar me conquistar aos poucos! – me exaltei – E não tentar me prender a ele.

– Mas Estela, você tem que ver pelo lado dele. – começou Susana – Você está saindo justo com o garoto que Pedro mais odeia na faculdade. Ethan já deu em cima de mim, de Caroline e várias outras garotas.

– Comigo ele está sendo um cavalheiro. – rebati – Eu gosto dele e ponto.

– Tudo bem. Você é quem sabe. – disse Susana, dando de ombros.

Eu bufei e resolvi mudar de assunto.

– E você e o Caspian? Como está indo? – perguntei

– Ah, está indo bem até. – ela falou – Exceto pelo fato de que ele vai passar uma semana na Califórnia com a família e não me contou.

– Sério? Quando ele vai?

– Amanhã. – ela respondeu emburrada.

– Nossa, que droga. – eu falei – Se bem que eu não tenho muita moral para falar algo dele.

– Mas você estava tentando dar um jeito para evitar uma discussão. – ela rebateu – Ele simplesmente chegou e falou isso pra mim.

– Relaxa, é só uma semana. – procurei tranqüiliza-la.

– Mudando de assunto, eu queria saber... – ela começou – Só um instante.

E saiu correndo, na direção do banheiro. Fui atrás dela, para ajudá-la. Encontrei Susana debruçada sobre o vaso sanitário, vomitando. Me aproximei e segurei seus cabelos. Em alguns minutos, ela se recuperou e levantou. Ajudei-a a andar até o quarto e fui buscar um copo de água.

– Desculpe, Estela. – ela pediu depois de melhorar um pouco – Não era pra isso ter acontecido. Está cada vez pior. Não sei o que é.

– Será que é algo que você comeu? – sugeri – Ou será que...?

– Não. Não pode ser. – ela disse, colocando a cabeça nas mãos. – Estela, minha menstruação está atrasada.

– Tem certeza? – questionei – Conte de novo.

Esperei ela fazer as contas mentalmente, rezando pra ela estar errada, mas a sua expressão ao terminar não era nada animadora.

– Estela, eu posso estar grávida. – ela murmurou.

– Espere aqui. Eu vou até a farmácia comprar um teste. – decidi. – Vai ficar bem sozinha?

– Vou. Mas volte logo. – ela pediu

– Sim, prometo que não demoro.

Saí correndo, só parando para pegar minha bolsa. Isso só podia ser brincadeira! Justo no dia em que Caspian está para viajar Susana descobre isso. Não que fosse uma coisa ruim, mas ia comprometer minimamente o futuro dela.

Comprei rapidamente o teste e encontrei Caroline saindo do mercado ao lado. Ela me viu e veio andando até onde eu estava.

– Estela? Está tudo bem? – ela perguntou

– Vem comigo. Eu explico no caminho. – respondi.

Contei tudo o que aconteceu na casa da Susana e ela ficou séria.

– Pedro vai surtar quando descobrir. – ela disse

– Meu, nem pensei nisso. – lembrei – Mas agora que você falou, sim. Ele vai ter uma reação bem exagerada.

Subimos rapidamente até o apartamento e fomos direto até Susana. Ela pegou o teste sem dizer nada, com as mãos trêmulas e entrou no banheiro. Ficamos esperando até que ela voltou, com a expressão indecifrável.

– Deu positivo. – ela falou – Eu estou grávida.

Eu estava pronta para abraçá-la quando o grito de incredulidade do Pedro me impediu.

– O QUÊ? AQUELE DESGRAÇADO DO CASPIAN ENGRAVIDOU VOCÊ?

– Pedro, calma...- começou Caroline

– NÃO! COMO EU POSSO TER CALMA! O QUE VAI SER DA MINHA IRMÃ AGORA?

– Pedro. – chamei – Não adianta isso. A Susana precisa do seu apoio, seu estúpido.

– CALA A BOCA, ESTELA. – ele berrou novamente — PRA VOCÊ É FÁCIL FALAR. QUEREM SABER, EU NÃO VOU FICAR AQUI. FIQUE AQUI CHORANDO SOZINHA AGORA, SUA BURRA!

E saiu, batendo a porta. Susana irrompeu em lágrimas. Me aproximei e abracei-a. Caroline fez o mesmo. Até o celular de Susana tocou. Peguei-o e atendi.

– Alô? – falei

– Oi, é você Susie? – reconheci a voz de Caspian

– Não. Aqui é a Estela. A Susana está no banho. – menti

– Só queria avisar que meu vôo foi adiantado. Vou embarcar daqui a pouco. – ele contou

– O quê? Caspian, qual o seu problema? – falei – A Susana vai surtar!

– Não tenho culpa! Eu sei que ela vai ficar chateada, mas diz pra ela que eu a amo. Tenho que ir, tchau.

E desligou. Me virei para Susana, que me encarava com expectativa. Não sabia o que falar. Respirei fundo.

– O que ele disse? – perguntou Susana

– Ele disse que o vôo dele foi adiantado. – contei – Ele está embarcando agora.

– Por que tudo tem que dar errado?! – ela perguntou chorando compulsivamente.

– Calma, Su. – disse Caroline – Estamos aqui pra tudo que você precisar. Até o Caspian voltar, não deixaremos você sozinha.

– Obrigada Estela, Carol. – ela falou soluçando – Agora eu acho que vou lavar meu rosto.

Enquanto Susana ia ao banheiro, Carol disse que tinha que ir encontrar o Igor, mas que qualquer coisa era pra chamá-la.Assenti e ela foi embora. Quando Susana voltou, nós duas ficamos conversando sobre assuntos aleatórios do tempo em que não nos vimos. Minha única preocupação era mantê-la ocupada.

– ~-

Depois que a Susana conseguiu dormir, eu peguei minhas coisas para ir pra casa. Eu não fazia a menor idéia de onde o Pedro havia se metido, mas ficar puto com algo e, por causa disso, sumir, foi uma atitude infantil pra caramba. Então, quase morri de susto quando abri a porta e dei de cara com um Pedro cheirando a álcool.

Seus olhos estavam vermelhos e ele tinha um olho roxo. Ele veio cambaleando até onde eu estava e quase caiu, se eu não tivesse o segurado.

– Estava com tanta saudade de abraçar você, Nutella. – ele resmungou – Me abraça, vai.

– Não Pedro. Você está bêbado. – respondi – Vamos lá dar um jeito em você.

Enquanto eu o ajudava a andar até o banheiro, notei marcas de batom no seu pescoço. Revirei os olhos. Primeiro o idiota vai pra farra e se diverte com um bando de biscates, daí sobra pra mim cuidar do bebezão.

Entrei no banheiro e joguei ele de roupa e tudo de baixo do chuveiro. Depois, ajudei-o a se trocar e coloquei-o na cama. Quando eu estava saindo, ouvi novamente a voz dele:

– Estela? – ele chamou – Eu te amo, ta?

Não sabia o que responder. Aquela fala me pegou completamente de surpresa. E o pior era: ele não ia lembrar que disse isso amanhã.

– Eu também te amo, Superman. – respondi

Ele assentiu e em seguida desabou no travesseiro. Respirei fundo e saí, com suas palavras ainda martelando na minha cabeça.

“Eu te amo, ta?”

“Eu te amo, tá?”

Entrei em casa com o coração disparado. Me odiava por ainda ter esse tipo de reação por causa desse tipo de fala dele. Eu queria desesperadamente esquecê-lo e parar de sofrer, mas não fazia idéia de como. O lance com o Ethan não era nada. Eu nunca o amaria do mesmo jeito que amo o Pedro.

Apoiei minhas costas na porta e fui deslizando até sentar no chão. De repente, apareceu Ben, de pijama. Ele viu meu estado e veio sentar do meu lado.

– É ele de novo, Estela? – ele perguntou

– Sim. Eu não sei mais o que fazer, Ben! – me lamentei – Eu não consigo seguir em frente. Sabe o que ele disse hoje?

Ben fez que não com a cabeça.

– Ele estava bêbado, mas disse que me ama. – contei – O que eu faço com isso?

– Ora, lute pelo seu amor. – ele disse – Já que não consegue esquecê-lo e ele ainda disse isso, reconquiste-o. Até porque, quando estamos bêbados,falamos tudo o que não temos coragem de falar quando estamos sóbrios.

– Não sei não, Ben.

– Estela, vocês estão nessa indecisão desde que se reencontraram. Os dois já tentaram com outras pessoas e não deu certo. Não acha que é hora de acabar com essa baboseira e se entregarem logo de uma vez?

– Não é tão simples! – protestei

– Então me explique qual é a complicação.

– É...- tentei, mas não encontrei nenhum bom argumento.

– Estela, tente. – ele disse com a voz firme – A vida é muito curta pra ficarmos esperando os outros.

Notas finais
Que tal?