Everything Has Changed
6 Capitulo 05
Notas iniciais
Jasper PDV
Perdido em pensamentos, jogado na cama e ouvindo música eu passei à tarde, as letras estavam me atingindo em cheio. Eu estava péssimo com a ideia de Alice se tornar freira. Quem faz isso em pleno século XXI? Ela estava louca?
—Jasper você não pode passar o resto dia trancado. –reclamou Emm na porta do meu quarto.
—posso sim, me deixa. –falei mal humorado.
—Jéssica ligou. –falou me fazendo sentar.
—o que ela queria?
—saber por que você nunca ligou.
—não devo satisfações a ela já tem um bom tempo.
—Jass...
—me deixa Emm. –falei me cobrindo por completo. Pude ouvir Emm suspirar e fechar a porta.
Os dias não estavam sendo fáceis, eu queria entender o que estava acontecendo com Alice, saber por que ela não sustentava mais aquele sorriso luminoso e cheio de vida, saber por que seus olhos estavam em tempestades e seu coração tão fechado e amargurado. Eu queria ouvir por que ela estava rodeada por muros, mas eu tinha medo da resposta.
Logo a noite chegou, tomei um banho e decidi por as cartas na mesa, Alice não podia se isolar de mim. Não com a nossa história. Ela era minha amiga de infância, eu sabia tudo sobre ela. Desci as escadas correndo e fui pra cozinha comer alguma coisa, não seria legal desmaiar de fome durante uma conversa com Alice. Fiz um sanduiche e comi com suco de laranja.
—Vai sair filho? –indagou meu pai entrando de roupão na cozinha.
—Sim, vou à casa da Alice. Tenho que conversar com ela.
—Boa sorte.
Sai de casa rapidamente atravessei a fina garoa que caia e corri para a porta dos Brandon. Alice deveria estar dormindo, o que ela amava fazer sempre que o tempo ficava assim. Bati na porta e fui atendido por Lottie com um sorriso, e não pude deixar de sorrir também.
—Jasper meu bem entre. –ela disse me dando passagem.
—obrigado. Alice está? Quero falar com ela.
—claro, pode subir ela está com Bella no quarto.
Subi lentamente as escadas pensando em como ficaria caso ela me rejeitasse novamente. Pensei em desistir varias vezes, mas isso não seria possível. Parado em frente à porta do quarto, dela eu hesitei antes de bater. Uma garota de cabelos castanhos e sorriso doce abriu a porta.
—desculpe, acho que errei. –me desculpei sem jeito.
—oh não, aqui é o quarto de Alice. –falou sorrindo. –quer falar com ela?
—se ela não me por pra correr. –respondi sem esperanças e ela deu uma risadinha.
—espere dois minutos, já venho. –ela fechou a porta e me deixou ali no corredor perdido em pensamentos. Em menos de dois minutos ela voltava com um sorrisinho suspeito no rosto. –pode entrar, fique o tempo necessário.
—obrigado senhorita Swan.
—por favor, só Bella.
—certo Bella. –falei entrando lentamente e trancando a porta. Alice estava sentada, de costas pra porta, em sua escrivaninha de cerejeira, que ela tinha ganhado do avô aos oito anos, ela amava aquela escrivaninha.
—nossa Bella você está com dor de barriga? Para quieta... Jasper? –ela fala se virando.
—oi. –falo timidamente. –tudo bem?
—hã, oi e sim está tudo bem. –ela responde com uma sobrancelha erguida. –o que você quer?
—conversar com você. –falo encostando-me a porta e olhado ao redor, tudo ainda era como eu me lembrava. A cama branca com luzes ao redor, a penteadeira feita por ela em um dia de tedio, os enfeites nas paredes, quadros, e luminárias feitas de barbantes, todos feitos por ela. O tapete felpudo azul céu ainda está recobrindo todo o chão do quarto e o criado mudo branco tem uma foto dela com as amigas. Antes era uma foto nossa de criança vestidos de noivinhos.
—sobre? –ela pergunta me tirando dos meus devaneios.
—a gente. –falo em encarar ela, me sinto triste em saber que não somos mais os mesmos.
—não existe mais a gente tem muito tempo Jasper. –ela responde cheia de magoa. –mas mesmo assim, sente e vamos conversar.
—Alice... –tento falar e ela me interrompe.
—O que você quer saber? Como eu fiquei depois que você foi embora e nunca mais deu noticia? Como eu me senti quando minha vó morreu e eu não tinha ninguém em quem me apoiar por que você não falava mais comigo? Ou sobre o tempo que passei me perguntando o que eu tinha feito de errado pra você me odiar tanto a ponto de não me procurar de jeito nenhum, sendo que seu pai sempre ligava aqui em casa? Vamos Jasper fale, esclareça o que aconteceu. –ela cuspiu com os olhos marejados.
—eu fui um idiota, fiquei esse tempo todo imaginando que você já tinha me esquecido, já tinha arrumado vários amigos e um namorado, que não precisava mais de mim. –falei meio desesperado. –olha só pra mim. Sou patético! Não me destaco em nada, não sou bom em fazer amigos, por milagre tenho Emmett e Edward ao meu lado. Sempre pensei que você merecia coisa melhor.
—você pensou? E quem você acha que é pra decidir isso por mim? Essa é a minha vida Jasper! Eu decido o que é melhor pra mim, e na época era você. E seu eu quisesse o carinha do drive trugh do McDonalds você não poderia dizer se ele era ou não bom pra mim. O que você tem na cabeça?
—eu tenho você! Todos esses anos, em todas as noites e dias, em cada feriado, ação de graças, natal, festa de aniversario, ano novo... Sempre era você me assombrando, ate nos meus sonhos!
—para com isso! Para de mentir pra mim! –ela gritou em plenos pulmões. –você nunca ligou pra mim nenhuma vez, nem pra saber se eu ainda estava viva! Você não se importa comigo, nunca se importou!
—Alice para de falar besteira, você está se escutando? Você está falando merda! –falei agitando os braços no ar. –é claro que me importei, e eu sabia como você estava meu pai sempre me contava.
—então por que você não falava comigo? –ela gritou chorando. As pessoas da casa com certeza ouviram dessa vez. A porta se abriu violentamente e Rosálie entrou com uma cara assassina.
—sai daqui Hale. –ela falou seca.
—não. –me impus.
—Rose deixa eles. –falou Bella aparecendo preocupada.
—não, você não ouviu a Alice gritando? Ele é um...
—Rose cala a boca, vamos deixar eles se resolverem. –falou Bella puxando a irmã.
—só saio daqui com ele. –ela falou me encarando.
—Rose nos deixe sozinhos. –pediu Alice sem encarar ninguém. –preciso resolver isso logo e seguir em frente, essa conversa já foi adiada demais.
Rosálie me encarou por alguns segundos e saiu do quarto se soltando da irmã e batendo a porta.
—Alice... –falei me aproximando e ela deu um passo pra trás. (ponham a musica agora)
—não Jasper, isso já foi demais pra mim. –ela disse soluçando. –eu te amei todos esses anos, sofri em silêncio, me senti culpada e sei lá mais o que! –ela começou dizer e andar de um lado pro outro.
—desculpa ta?! –falei andando na direção dela.
—isso não tem desculpa! Eu me senti um lixo esses anos todos, e você estava sei lá aonde aproveitando sua vida e eu estava aqui mofando em Forks! Sentindo sua falta, que nem se importou em me procurar.
—eu sempre pensei em você Alice, mesmo na distancia. –falei me aproximando e ela explodiu numa gargalhada sarcástica. Nunca vi Alice agir assim.
—você pensou em mim todo esse tempo? Serio Jasper? Bela forma de demonstrar que se importava comigo, cortando toda forma de comunicação entre a gente nos primeiros meses, me fazendo sentir um lixo! Mas você se importa? Claro que não! Estou cansada de aguentar isso sozinha, estou cansada de te esperar mesmo depois desses anos. Sabe o que eu pensei no inicio, quando você não falou mais comigo? Que você tinha perdido o celular, sido assaltado e perdido todos os contatos aqui de Forks, mas pra minha surpresa isso não aconteceu.
—Alice me deixa explicar. –pedi quase chorando. Odeio me sentir como um garoto de doze anos ao lado dela. Odeio me sentir impotente diante da sua raiva, mas ela não sabe pelo que passei.
—vai se ferrar Jasper! Some daqui, vai embora se você não tem nada útil a dizer. Vai pro inferno porra!–ela falou gritando e chorando. –eu nunca fui importante pra você, e os seus meses de silêncio me confirmaram isso. Vai embora, me deixa seguir em frente.
—você acha que foi fácil pra mim? –perguntei perdendo o controle, gritando de um lado pro outro que nem ela minutos antes. –você não sabe de nada! Não sabe pelo que eu passei.
—pelo que você passou? Ah faça-me o favor! –ela rebateu de modo sarcástico. –eu fiquei te esperando esses anos todos, você nem me deu uma explicação.
—você quer uma explicação? Certo, vou te dar uma explicação. –gritei fazendo ela se assustar, mas nesse momento eu estava pouco me importando. –eu te amo, porra! Sempre amei! Eu não queria que você sofresse nem se preocupasse comigo. Os primeiros dias foram os piores, eu não comia, não dormia, eu só queria você comigo! Na primeira semana te mandei um e-mail falando isso, na semana seguinte te enviei um cartão postal das cataratas do Niágara, depois do jardim botânico de Montreal, mas você nunca me respondeu. Em todos eu escrevi meu numero, endereço e e-mail pra caso você tenha perdido. E não tive nenhuma resposta em quatro malditos anos!
—mentira! Você não mandou nada disso. –ela gritou irritada.
—eu mandei! Toda semana mandava um cartão pra você, de todos os lugares que você dizia querer conhecer! No mês seguinte eu sofri um acidente, fiquei dez meses em coma e ao acordar descobri que poderia ficar para o resto da vida numa porra de cadeira de rodas. Minha vida virou um inferno! Eu não tinha amigos, meu pai se desdobrava pra trabalhar e me dar atenção, eu não tinha uma mãe, e eu não tinha você! –gritei. –conheci Edward e Emmett no hospital, os pais deles cuidaram do meu caso e por milagre voltei a andar. Mais você se importa? Claro que não! Está aí preocupada com o próprio umbigo como sempre fez!
—Jasper...
—e eu continuei te amando, esperando pelo menos uma mensagem sua! É tão difícil entender que eu te amo, porra! –falei indo pra porta.
—aonde você vai? –ela gritou em meio aos soluços.
—vou me ferrar com a porra do meu amor por você, lá no inferno! Não foi isso que você me mandou fazer?
Desci as escadas correndo e lutando contra as lagrimas que ameaçavam cair, não queria que ninguém me visse chorar. Encontrei Devon ao pé da escada e passei correndo sem dar ouvidos aos seus chamados. Atravessei a rua e entrei em casa, Ed, Emm e meu pai estavam na sala.
—Jasper o que aconteceu? –perguntou ele preocupado, não respondi e subi às escadas a procura da minha chave. Desci correndo pra garagem e sai pisando fundo no acelerador. Tudo que eu menos precisava era do olhar de pena deles.
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