Everything Has Changed
2 Outtake - Heart By Heart
Notas iniciais
Eu prometi que teria um Outtake não é? E ele ta aqui êê o/
Gostaria de agradecer e muito todos que comentaram, gostaram, imploraram por uma Outtake. Muito obrigada mesmo *Abraça todas*
Um obrigada especial para Amandinha Cris e MISS Black que recomendaram Everything Has Changed. Amei meninas, de verdade.
Outro Obrigada para Raphaella Paiva que é a melhor amiga, beta, ouvinte e chata de todo o mundo. Te amo RP!
E antes de irem para o capitulo, gostaria de indicar duas estórias completamente maravilhosa escrita pela Raphs. Sim, além de ser a melhor Beta do mundo ela é também a melhor escritora! E não, não é exagero.
Burning Red uma Fanfic maravilhosa. (que tem duas versões Beward e Robsten)
http://fanfiction.com.br/historia/351792/Burning_Red/ageconsent_ok / http://www.fanfiction.net/s/9170740/1/Burning-Red
E Born to Die, uma One I-N-C-R-I-V-E-L que foi baseada na música do mesmo nome da DIVA Lana Del Rey.
http://fanfiction.com.br/historia/369749/Born_To_Die/
Passem lá, leiam, comente e recomendem porque realmente valem (e muito) a leitura de vocês.
Sem mais nem meio mais, vamos lá com HBH!
Heart by Heart
“Não existem outros olhos
Que poderiam me ver por dentro
Ou braços de mais ninguém podem levantar
Me levantar tão alto.
Seu amor me levanta além do tempo
E você conhece meu coração por coração”
A claridade que adentrava o quarto despertou a morena que suspirou e, ao tentar se mexer, sentiu um braço pesado em sua cintura e um conhecido cheiro másculo, tirando um sorriso preguiçoso de seu rosto. Enquanto observava os traços do homem que ressonava tranquilamente ao seu lado, suas mãos alisavam a desordem ruiva que ela tanto amava. E Isabella deixou os acontecimentos que a trouxeram finalmente para aqueles braços preencherem sua mente.
Parada atônita no jardim de sua casa, a única coisa que Isabella conseguia ver era o sorriso torto presente no rosto marcado com um olhar surpreso, ansioso e realizado de Edward. Seria mais uma de suas tantas ilusões? Quantas noites ela chegou a sonhar com o dia que encontraria o homem que mudou sua vida e, então, acordava decepcionada por ser apenas fruto de sua imaginação?
Sua vontade era correr e tocá-lo, sentir a textura única de seus cabelos ruivos, sentir que era real e não uma alucinação – mas o choque a prendia no lugar e ela perdeu a capacidade de pensar em algo que não fosse Edward vindo em sua direção e sua filha agarrada em suas pernas falando algo que estava além de sua capacidade de raciocínio.
“Mamãe, mamãe!” Os gritos constantes de Alice finalmente fizeram a morena desviar seu olhar da imensidão verde de Edward e focalizar em sua menina “Você precisa conhecer o Thomas, mamãe! Lembra que eu disse que tinha um novo aluno na minha sala de aula? Ele é nosso novo vizinho, acredita? Posso ir brincar com ele mamãe, por favor? Posso?” Alice quicava de um lado para outro, desesperada. A pequena morena de olhos azuis marcantes era uma bola de energia e dava trabalho para a tranquila Isabella que nunca conseguia acompanhar o ritmo empolgado e serelepe da menina.
“Calma, Alice. Vamos conversar, sim?” Bella não sabia de onde tirou forças para movimentar seus lábios no rosto marcado em choque, mas conseguiu. E ao terminar de pronunciar as palavras, um grito estridente de comemoração saiu da pequena boca potente de Alice que, como se a mãe tivesse confirmado o seu pedido, saíra em disparada pegando o ruivinho pela mão e correndo pelo enorme jardim aberto.
Suspirando, ela ergueu os olhos e observou Edward parado a sua frente. Perto demais. Perto o bastante para ela sentir seu cheiro característico, e que nunca mudara, de mel, sol e lilás. Suas feições eram exatamente as mesmas e – se não fossem a barba por fazer, o cabelo mais curto do que a costumeira desordem ruiva e os traços mais fortes de seu peito e braços – podia-se dizer que Edward era exatamente o mesmo jovem lindo de sempre. O tempo não lhe fizera mal algum, pelo contrário, o jovem magro de apenas dezesseis anos – última vez que Isabella o vira –, dera lugar a um homem completamente másculo, forte e sexy.
A morena não continha a ansiedade e o amor que emanavam de seus poros. Todos os anos lamentando pela sua decisão incorreta e convivendo dia a dia com as consequências falha de seus atos, fizeram a jovem perder a esperança no futuro que sempre sonhara. Ainda perdida, decorando cada parte do ruivo que tanto amava e desejava ter a chance de ver novamente um dia, ela sentiu uma mão quente tocando as suas. Um delicioso e conhecido choque percorreu seu corpo, fazendo-a finalmente reagir ao jorro de emoções – e um “Edward...” completamente aliviado e cheio de saudades e amor saiu de sua boca.
Como se estivesse esperado sua vida toda por aquilo, o que de fato ocorrera, Edward não hesitou em puxar a morena para os seus braços, fazendo ambos soltarem um suspiro aliviado, como se tivessem passado tempo demais afundando sem oxigênio em um mar e finalmente retornassem à borda.
“Bella!” Era ouvido pelo jovem, naquela voz rouca e desesperada. Ela apertou ainda mais os braços em seu pescoço no mesmo momento em que Edward sentiu o perfume de seus cabelos. Morangos. Os dois estavam em casa, nos braços que lhe pertenciam. No coração que finalmente voltara a pulsar alegre e aliviado em seus peitos.
O mundo parou no instante que ele a pegara em seus braços – uma frase tão clichê que parecia ter vindo de muitos dos livros de romance que pousavam na estante da morena. Mas não havia outra maneira de Bella descrever o momento sem soar clichê.
E sentindo-se confortáveis, sem querer ficar um minuto longe um do outro, ficaram ali parados, curtindo o momento. Minutos passaram. Muitos minutos, talvez horas, que logo foram interrompidos por uma pequena mão puxando a calça de Isabella, fazendo-a voltar pra realidade.
“Mamãe, você ainda não me deixou apresentar o Tom direito!” Alice falava com um biquinho no rosto, arrancando um sorriso de Edward. Tão Bella! “Eu conheci ele ontem, mas ele é o meu melhor amigo. Melhor amigo do mundo inteiro, até o céu e a volta!” A pequena Alice pulava enquanto falava, segurando as mãos do pequeno ruivo corado e que olhava os próprios pés. “Olha, Tom, essa é minha mamãe. Ela é a melhor mãe do mundo inteiro também. Ela faz tortas de morangos maravilhosas!”
Tom, ao mencionar tortas, lançou um olhar arregalado para Bella, fazendo-a rir e ele ganhar uma tonalidade ainda mais vermelha em seu rosto, se possível. “Alice, calma, filha. Você está assustando seu amigo!” A morena ria acostumada com a peraltice de sua menina.
Ela olhou para Edward que observava a cena a sua frente com brilho nos olhos e que, para qualquer um significava fascinação, mas para Bella – que o conhecia como a palma se sua mão – havia muita coisa oculta, coisas que ela tinha medo que escorressem pelas bordas e estragassem toda a sua paz momentânea. Notando o olhar em sua direção, Edward sorriu e se ajoelhou diante de seu tímido garoto.
”Tom, não vai cumprimentar a mamãe da Alice?” O pequeno olhou para a morena que sorria em sua direção e voltou a olhar envergonhado para seu pai. “Vamos lá, garotão, diga olá para a Isabella” Edward, tentando transmitir conforto para seu menino, passou a mão nos delicados fios ruivos que brilhavam ao sol e depositou um singelo beijo nas bochechas quentes do garoto que, sorrindo de canto – um sorriso exatamente igual ao do pai – estendeu as pequenas mãos para a mulher a sua frente.
”Olá, dona Isabella” Uma voz baixa e infantil soou, fazendo Bella – que estava encantada com a troca de pai e filho, e notara o quanto Edward era perfeito também com as crianças – abaixou-se para segurar a pequena mão na sua.
”Thomas, posso lhe fazer uma pergunta?” Perguntou, tentando soar séria. O pequeno ruivo assentiu. “Você me acha velha, pequeno garoto?” Bella tentava esconder o sorriso enquanto observava o olhar do pequeno ficar desesperada.
”Não, dona Isabella. Claro que não!” Ele gaguejava fazendo-a lembrar exatamente seu pai quando ficava nervoso na infância.
”Então, mocinho, nada de dona nem Isabella!” A morena sorriu ao ver o alívio estampado na face infantil no mesmo momento em que ela recebia o melhor sorriso do mundo.
“Tudo bem, Bella!” O pequeno sorriu ainda com sua pequena mão perdida nas delicadas de jovem. “Pode me chamar de Tom. Thomas é só quando papai me dá broncas!” Ele fez todos rirem ao se soltar de Bella e abraçar as pernas de seu pai.
”Mamãe, mamãe! Tom pode brincar lá em casa agorinha? Por favor, mamãe, por favorzinho!” A pequena metralhadora Swan começou, fazendo sua mãe revirar os olhos e a pegar no colo.
”Antes de tudo, garota educada, diga olá para Edward e se apresente!” Ela lançou um olhar reprovador para sua filha que, exatamente como a mãe, revirou os olhos e estendeu suas mãos para o homem sorridente a sua frente.
”Oi, Edward, sou Alice Pace Swan e tenho seis anos” Ela sorria, mostrando suas delicadas covinhas e fazendo Edward se derreter e depositar um beijo em suas delicadas mãozinhas.
“Prazer, princesa Alice” A menina soltou um gritinho estridente ao ser chamada de princesa e depositou um beijo no rosto de Edward.
”Pronto, mamãe. Posso agora brincar com o Tom, por favor?” Bella franziu o cenho sem saber diante da carinha esperançosa de sua menina e um sorriso tímido de Tom, que demonstrava estar exatamente esperando pela resposta positiva. Suspirando, Bella olhou para Edward.
”Edward, tudo bem Tom passar a tarde em casa com Alice?” Para Bella era desesperador interagir com Edward quando ela queria fazer tantas perguntas, pedir tantas desculpas, conversar. Ela tinha medo de virar as costas e ele sumir de sua vida novamente, agora sem ser escolha sua.
Após coçar a garganta, Edward lançou um olhar para seu filho, e seria impossível negar algo para aqueles olhos verdes brilhantes. ”Tudo bem, mas por pouco tempo, certo garotão?” O pequeno ruivo lançou uma deliciosa risada para seu pai e, após abraçar suas pernas, pegou a mão da ansiosa Alice e correram para casa.
Antes de chegar à porta Alice virou as costas e focalizou suas pequenas orbes azuis no homem parado ao lado de Bella. ”Tio Edward, venha conhecer a minha casa e o meu quarto de princesa!” A naturalidade que a pequena chamara Edward deixara ambos chocados. Ele, que estava parado, lançou um olhar para Isabella, sem saber o que fazer ou falar, mas a morena apenas assentiu e pigarreou.
”Tudo bem, Edward. Tenho a impressão de que seu filho, embora esteja desesperado para brincar com Alice, é tímido o bastante para passar a tarde sozinha numa casa estranha” O consentimento de Bella trouxera mais gritos estridentes de Alice e surpreendentemente Tom, fazendo todos rirem. Assentindo e parecendo um tanto deslocado – embora tivesse um sorriso satisfeito no rosto –, Edward adentrou a delicada casa de Bella e deixa seus pensamentos vagarem no tanto que passou para finalmente conseguir encontrar sua morena novamente.
Ele seguia Isabella, que se encaminhava à pequena cozinha, enquanto observava os detalhes da casa. Quadros coloridos davam vida ao ambiente e, no pequeno corredor, ele notara pequenos quadros de fotos que mostrava a evolução da pequena Alice em vários momentos de sua vida.
As crianças corriam pelo jardim dos fundos e só escutavam seus gritos e risadas enquanto atormentava o coitado do Mio – gato rabugento, mas que amava a pequena Alice, assim como todos que tinham a oportunidade de conviver com a espoleta criança.
“Vou fazer um lanche pra gente; as crianças devem estar famintas.” Isabella murmurou enquanto abria a geladeira e tirava vários ingredientes de lá. Sem saber o que fazer, Edward apenas sentou-se no banco alto localizado no balcão central da cozinha de Bella. O clima estava tenso e tanto Edward quando Isabella sabiam que, uma hora ou outra, ele teria que ser quebrado e assuntos que ambos tentavam bloquear viriam à tona. Eles precisariam ter uma conversa o mais rápido possível, mas não era o momento. Não quando a felicidade pelo reencontro preenchia seus poros e as crianças corriam pelo quintal, podendo entrar qualquer hora.
Tentando trazer algum clima mais ameno e quebrar o silêncio do homem sentado a sua frente, Bella coçou a garganta, chamando a atenção do ruivo imerso em pensamentos. ”O que o trouxe a Seattle, Edward?” Ela indagou de uma maneira amena, tentando não soar imprópria ou desconfortável com sua presença.
“Muitas coisas me trouxeram a Seattle, Bella” A morena tentou não demonstrar o que seu nome sendo pronunciado pelos lábios de Edward causava em seu corpo. “Vontade de sair de Nova Iorque, fazer Tom ter uma vida menos corriqueira. Embora Seattle também seja uma cidade grande, é bem mais calma em tantos aspectos, além de eu ter conseguido um ótimo emprego por aqui.” Edward sorriu e Isabella ainda conhecia cada uma de suas expressões – ela sabia que ele estava escondendo algo, mas não era hora de questionamentos, não desse tipo.
“Que ótimo, Edward. Eu...” Bella limpou a garganta e, respirando fundo, continuou: “Eu estou feliz por você ter vindo morar aqui” Ela falou de uma maneira tão baixa que, se Edward não tivesse visto suas bochechas coradas, poderia dizer que ela não tinha expressado seus sentimentos sinceros com sua chegada.
“Obrigado, Bella. Também estou muito feliz de ter vindo” Ao pronunciar tais palavras, o olhar de ambos se cruzaram e eles se perdem em sua bolha – seu mundo, suas saudades, seus amores. “Bella, nós precisamos conversar” A voz séria de Edward quebrou o clima que se instalou na cozinha.
”Agora não, Edward.” Foi a única coisa que a jovem pronunciou de maneira dolorosa e desesperada, olhando para a porta dos fundos e tentando enxergar as crianças para quebrar o olhar impenetrável de Edward. Seu tom e expressão dolorida fizeram o homem recuar e apenas assentir. Ele teria sua oportunidade mais cedo ou mais tarde.
Enquanto fazia suco e terminava de preparar os sanduíches, Bella fez perguntas aleatórias sobre os pais de Edward, dando um fim definitivo ao clima desagradável e iniciando uma conversa amigável, na medida do possível. A morena descobrira que Carlisle e Esme estavam mais juntos do que nunca. Os pais de Edward se mudaram para Nova Iorque com o filho quando ele começou a cursar a Juilliard – fazendo Isabella descobrir que ele realmente seguira seu sonho e que sua escolha, afinal de contas, não foi de um todo errada. Após um tempo, o casal Cullen retornou a Forks, já que Esme não se acostumara com a vida agitada de NYC e Carlisle sentia falta do seu emprego no hospital. A vinda de Edward para Seattle fez o casal ficar em êxtase com a proximidade que poderiam ter do filho e neto.
Bella ouvia tudo atentamente, sorrindo com lembranças de Esme e Carlisle, e não deixara passar o fato de que Edward em instante algum mencionou o nome da mãe de Thomas – e aquilo a angustiava. Quando em, algum momento da conversa, o ruivo mencionou o quanto Esme o ajudou a criar Tom – já que era quase impossível fazer sozinho –, ela respirou aliviada com a falta de uma figura feminina na vida de Edward, mesmo que isso a fizesse querer saber ainda mais o que acontecera com o homem a sua frente.
Com as conversas aleatórias, o clima tenso sumiu completamente enquanto Bella contava que o velho Charlie casara novamente e resolvera mudar definitivamente para Seattle, pois nunca conseguiria viver sem sua menina e neta. Charlie morava a poucos quilômetros dali e dividia a casa com a delicada esposa Sue e uma gata, a qual Charlie odiava mais que tudo nesse mundo. Os casos de amor e ódio entre Charlie e o bichano renderam boas gargalhadas do ruivo para o completo fascino de Isabella.
Logo as crianças entraram, suadas e sujas de grama, lavando as mãos – após um grito de Bella –, para atacar todos os sanduíches que estavam à mesa, sendo observado pelos pais silenciosos, perdidos em seus próprios pensamentos.
Em algum momento, quando as crianças contavam o dia da escola e as atividades que tiveram, o telefone tocara e Alice correra já sabendo que era seu avô. Uma vez que Charlie prometera que, na sexta, a pequena iria dormir em sua casa para, no sábado cedinho, irem numa jornada de pescaria num lago na saída da cidade, a menina não falava de outra coisa. A mãe apenas rolava os olhos para a sua filha que, como uma adulta responsável, traçava planos com seu avô. Ela falou tanto do pequeno e novo amigo Thomas que o chefe também o chamara para um passeio com o “vovô Charlie”, fazendo o pequeno ruivo sorrir de orelha a orelha e olhar para seu pai com olhos esperançosos e desesperados.
”De jeito nenhum, Thomas...” Edward estava sério – ele nunca se afastara de seu filho, ainda mais para jornadas perigosas em lagos de Seattle. O olhar de decepção do pequeno foi tão dolorido para Bella que observava a cena que, quando pequenas lágrimas tímidas desceram pelo rosto de Alice e Tom, ela resolveu interferir.
”Edward, não tem problema algum. Alice vem falando tanto para meu pai do seu novo ‘melhor amigo de dois dias’ que papai está eufórico para conhecê-lo.” O olhar castanho de Bella prendia Edward, que já não tinha mais nenhum argumento. “E você conhece meu pai, Edward. Ele cuidaria de Thomas como sua própria vida, e eu prometo que sábado à tarde ele já estará são e salvo em casa”.
Após suspirar, Edward assentiu, fazendo seu pequeno menino abraçá-lo com sua vida e uma Alice abusada pular no colo do homem e enchê-lo de beijos, fazendo-o gargalhar. Um tímido Thomas abraçou as pernas de Bella e a agradeceu pelo apoio, causando-a um desejo insano de esmagar o menino em seus braços.
Acertaram todos os detalhes do dia seguinte – as crianças chegariam da escola e o “vovô Charlie” já estaria os esperando a fim de partirem para a festa do pijama na casa Swan e pescar na manhã seguinte. A tarde chegava ao fim e o chamado de Edward para o pequeno Tom ir embora também, deixando uma Alice emburrada e um ruivinho decepcionado. Logo as crianças correram para frente da casa em busca do peludo Mio enquanto os pais, parados à porta, trocavam olhares que diziam muito ao mesmo tempo em que os lábios nada conseguiam pronunciar. Edward apenas matava a saudade do rosto corado de sua eterna menina à medida que ela observava em silêncio o pequeno e encantador Thomas sorrir para sua pequena.
”Obrigado pela tarde maravilhosa, Bella.” O ruivo adulto quebrara o silêncio “Obrigado pelo lanche maravilhoso também. É bom saber que seus dotes culinários apenas melhoraram com o tempo” O sorriso de Edward era torto, para o completo desespero e amor de Bella.
“Er, não foi nada, Edward. Adorei passar a tarde com vocês também” Bella tentava controlar o rubor de suas bochechas, falhando miseravelmente. Ela já estava pronta para chamar a Alice e entrar quando sentiu as mãos quentes de Edward entre as suas, e o famoso choque atingir seu corpo todo.
“Bella, amanhã as crianças vão dormir fora e estava pensando... Você gostaria de jantar comigo?” O pedido rápido e direto pegou a morena completamente de surpresa.
”Edward, acho melhor não e...” Os dedos dele a silenciaram e, pela primeira vez desde que chegaram à porta, Isabella focou nos olhos verdes de Edward, onde se perderam por alguns minutos.
”Não, Isabella, nós precisamos. Você me deve isso. Por favor, saia comigo amanhã à noite?” O olhar esperançoso dele preso ao seu, os lábios repuxados em um meio sorriso e as mãos prendendo as suas em um aperto foram o bastante para Bella abaixar a guarda e ver que eles realmente precisavam disso.
Ela tinha desculpas para pedir – dez anos de consequências por uma escolha errônea tinha que ser compensada –, e um jantar e conversa com o homem que ela sempre amou, e mais machucou na vida, era o mínimo que ela poderia fazer. Ela precisava pelo menos uma vez na vida tentar fazer a coisa certa e queria, do fundo do seu coração quebrado, que desse certo.
“Sim, Edward, eu aceito jantar com você” Ela lançou um pequeno sorriso, e o que recebera em troca foi o bastante para ela ter a certeza que fez o certo. Pegando-a completamente de surpresa, os lábios de Edward estavam nos seus e ela sentiu o mundo fugir de seus pés. Tão rápido quanto respirar, os lábios se foram e, quando a jovem voltou a si, teve tempo de apenas ver as costas de Edward se afastando enquanto segurava as pequenas mãos de Thomas – que acenava e gritava um delicado “Tchau, Tia Bella”.
A morena seguiu o resto da noite agindo mecanicamente, mal prestara atenção nas palavras/gritos de Alice que comentava sobre o quanto seria perfeito o dia seguinte na casa do avô com seu amigo, ou o quanto ela bagunçou no banho e que não fazia ideia da história que lera para sua menina até que a sua bolinha de energia pegou ao sono ao seu lado na cama. Alice nunca dormia em seu quarto – ela era a pequena companheira de Bella, e dormir longe uma da outra era difícil nas vezes em que a pequena ia passar a noite na casa do avô.
Isabella mal pregara os olhos durante a noite, sua mente correndo no dia surreal que tivera. Passara a manhã toda sentindo seu coração aos pedaços com lembranças e saudades do seu passado, que surpreendentemente estivera a sua espera no jardim de sua casa, recuperando um pouco de vida e esperança que ela tinha em algum lugar do seu coração. Como se ver aqueles olhos que tanto lhe causavam calmaria e desejo não fossem o bastante, ela passara a tarde acompanhada do homem que lhe despertava seus melhores pensamentos da juventude e, para completar a perfeição da peça que o destino lhe causou, ela teria um encontro com o homem que sempre amou em toda a vida.
A manhã chegara e Isabella foi desperta por uma Alice pulando na cama com o gordo Mio no colo enquanto gritava que estava na hora da escola. Após beijar a mãe e correr para seu quarto se arrumar, a morena correu para a pequena cozinha a fim de preparar o leite com panquecas para sua pequena peralta. Enquanto a menina gritava entre garfadas de seu café da manhã frases desesperadas, como: “Oh meu Deus, hoje vou dormir na casa do vovô com o Tom”, a morena lembrou de diminuir a dose diária de açúcar na refeição da menina para o bem dos professores que passariam metade do dia com sua garota.
Com a pressa de deixar a casa organizada antes de se trancar no escritório e terminar seu trabalho – porque a sua noite seria cheio de emoções –, Bella ficou olhando da janela sua pequena entrando no ônibus, tendo só o vislumbre da cabeça ruiva de Thomas e, por sorte -– ou azar –, ela não viu Edward, e isso dava tempo de sobra para ela se preocupar com a noite que teria com o ruivo.
E sua manhã voou. Entre limpar a casa e tratar do Mio, Bella se via em seu escritório com todos os artigos, revisando-os. Trabalhar em casa foi a maior escolha quando ela procurou um emprego, querendo passar todo seu tempo possível com sua pequena garotinha. Ao lembrar da sua razão de existência, procurou pelo relógio para observar se Alice já estaria chegando e, antes de localizá-lo, seus olhos focaram num quadro que decorava a mesa de seu pequeno escritório.
Ela sorriu enquanto o pegava e analisava de perto. Garrett sorridente enquanto segurava uma Alice bebê bochechuda e risonha fez a saudade de Bella apertar. Seu amor por Garrett nunca passou de respeito e carinho pela pessoa que ele fora, e ela sentia tanta falta do maravilhoso pai e amigo que ele foi à vida dela e Alice... Toda noite, Isabella lembrava a filha do amor incondicional que o pai tinha por ela e passava horas contando histórias de quando ela era apenas um bebê.
Isabella estava tão entretida em seu mundo que não percebeu que perdera o horário e, quando duas batidas tímidas soaram na porta de seu escritório e ela correu para abrir, sentiu todo o ar fugir de seus pulmões. Parado em seu corredor, em toda sua sensualidade máscula, estava Edward, todo maravilhoso com os cabelos revoltos e mãos no bolso, parecendo meio deslocado.
”Oi, Bella, desculpe-me por aparecer sem avisar, muito menos entrar em sua casa, mas eu percebi que você não foi encontrar Alice e vim conferir se você estava em casa. A pequena insistiu que eu entrasse, então...” Ele tinha a cabeça baixa enquanto argumentava com a morena.
“Oh, Edward. Problema algum!” Ela sorriu enquanto caminhava para sua sala, sendo seguida de perto por Edward. E, ao sentar-se no sofá percebendo o jovem fazendo o mesmo com a poltrona lateral, viu o pequeno Tom sentado enquanto a olhava com enormes olhos verdes e sorridentes.
“Olá, Tom, já veio fazer companhia para Alice?”
“Sim, Tia Bella, papai até já arrumou minhas coisas” Ele sorriu e Isabella se derreteu, sabendo que tudo que a fazia lembrar Edward seria seu ponto fraco. “Vou lá no quarto ver se ela precisa de ajuda, com licença, tia Bella” E caminhando com as mãos nos bolsos, Tom logo desapareceu da sala, deixando Bella e Edward babando pela educação e delicadeza única que o pequeno garoto tinha.
“Preciso correr para o quarto observar Alice. Do jeito que ela está silenciosa, no mínimo está colocando todas as roupas na pequena mala. Ela esquece que é só uma noite e prepara tudo para um mês” Bella murmurou, arrancando risos de Edward. Alice era única, ninguém sabia quem ela teria puxado em suas peraltices e desespero por roupas. Garrett e Bella sempre foram tão calmos enquanto a pequena era completamente o oposto de ambos.
O olhar de Edward correu pela pequena sala da morena, percebendo quadros que decoravam todo o local. Sua visita do dia seguinte não deixou notar detalhes, e um quadro em especial chamou sua atenção. Uma Alice muito pequena, com meses de vida, estava dormindo no colo de um homem sorridente que pelas feições, principalmente os olhos, deixando claro que era a figura paterna da casa. Do outro lado, abraçada ao estranho, estava Bella, que olhava para a menina nos braços do homem com um enorme sorriso que mal cabia em seu rosto. Edward sentiu-se desconfortável e curioso ao mesmo tempo. Bella, que percebera seu olhar, soltou um suspiro.
”Oh, esse é Garrett. Ele é o pai da Alice” Bella sorriu saudosa, como sempre fazia ao lembrar ou mencionar seu ex-marido falecido.
”Alice puxou muita coisa dele, Bella” Edward exclamou ainda observando a foto antes de lançar um olhar levemente perturbado “Eu não sabia que você era casada”. A morena o olhou com um caroço em sua garganta, engolindo o soluço antes que ele pudesse sequer aparecer. E com somente um suspiro, ela respondeu.
"Viúva"
“Oh, perdoe-me Bella” A vergonha e alívio disputaram espaço em seu ser no mesmo momento em que a vontade de abraçar e confortar a mulher a sua frente apareceu com força. A jovem apenas balançou a cabeça e esforçou-se em lançar um sorriso tímido para Edward. “Eu apenas passei aqui para confirmar o nosso jantar hoje.” O ruivo parecia estar em dúvida “Ele ainda está em pé, certo?”.
”Ah, claro que sim, Edward.” Isabella sorriu tímida ao imaginar o jantar, e um sorriso perfeito foi estampado no rosto do belo homem.
“Ok, vou só me despedir de Tom e nos vemos mais tarde, sim?” Edward – mal contendo a animação e desespero pra ter a noite com Isabella, poder ouvir suas explicações e também poder explicar-se – levantou-se com o consentimento de Bella e se encaminhou para quarto rosa de princesa.
Após muitos abraços, murmúrios e palavras indicando ao pequeno ruivo para se comportar, Edward saiu do quarto – não sem antes beijar uma Alice abusada que se jogou nos braços do homem. ”Passo pra te pegar às sete, Bella. Tudo bem para você?” O ruivo indagou enquanto se despedia da morena na sala.
”Soa perfeito para mim. Até à noite, Edward” Murmurou, tentando demonstrar confiança e ansiedade. Após receber um sorriso delicioso do ruivo, ele deixou sua casa caminhando elegantemente pelo jardim e Bella suspirou, talvez esperando mais um surpreso beijo delicioso de Edward, e brigou com seu próprio pensamento enquanto voltava para o quarto a fim de ajudar sua pequena bagunceira com suas coisas.
Alice gritou desesperada de um lado para o outro quando sua mãe desfez três malas e arrumou algumas coisas em apenas uma mochila. Enquanto Bella rolava os olhos e a menina argumentava que precisava de roupas para frio, calor, outono, primavera, passeio e dormir, Tom apenas gargalhava.
Quando, minutos mais tarde, a campainha soou, a pequena correu tropeçando no coitado gato que se encontrava deitado no corredor. Bella que terminava de fechar a mochila da pequena e arrumava a nécessaire com suas coisas de higiene pessoal, escutou um ensurdecedor “Vovô!” sendo pronunciado no melhor agudo de Alice, e saiu acompanhada por um Tom tímido de encontro ao seu velho pai.
“Olha só se não é a minha neta preferida!” Exclamou Charlie em sua voz rouca enquanto Alice se pendurava em seu colo.
”Alice é a sua única neta!” Bella sorriu enquanto seu pai passava Alice para um braço e abria o outro para acolher sua menina. “Oi, papai, senti saudades” Murmurou, enroscando-se no corpo gordo e macio de seu pai.
“Eu também, Bells” Charlie lançou um olhar para o pequeno ruivo parado, parecendo descolado no meio da sala, e lançou um olhar chocado e questionador para Bella, que logo entendeu a agonia de seu pai.
“Pai, esse é Tom. Seu novo companheiro na pescaria!” Tom sorriu tímido, mas deu um passo à frente e estendeu a pequena mão, sendo apertada pela de Charlie que sorria em meio a olhares questionadores.
“Olá, garoto! Pronto para uma aventura com o Chefe Swan”?
“Estou sim, chefe” O pequeno sorriu, acentuando as discretas sardas de seu rosto.
“Bella, estou ficando louco ou esse garotinho é idêntico ao...” Charlie não terminou seu raciocínio, com medo de que a menção do homem que a filha sempre amou causasse desconforto.
“Edward.” A voz segura pegou seu pai de surpresa. “Sim, Thomas é filho de Edward, papai” O olhar do chefe parecia que saltaria da órbita e sua boca se escancarou, mas o olhar no rosto da jovem deixou claro que não era o momento certo para explicações – não com uma Alice desesperada por atenção do avô e pressa de partir para sua pequena aventura.
“Alice, vai pegar suas coisas que o vovô ainda tem que passar no mercado. Se eu esquecer os ingredientes do jantar, vovó Sue me mata!” Charlie soltou a pequena que grudou na mão de Tom e o arrastou para seu quarto – o menino apenas gargalhava. Ele e Alice viviam em um mundo único deles e isso não preocuparia Bella, não por ora. Alice sempre fora sozinha e Tom apareceu em um momento ótimo, dando a chance de a pequena peralta dividir suas descobertas infantis com alguém de sua idade.
“Bella, agora me explique: o que o filho de Edward Cullen faz na sua casa?” Charlie não aguentou sua curiosidade e viu a deixa perfeita para saciá-la.
“Edward é meu novo vizinho, papai. Num momento eu esperava Alice descer do ônibus escolar como qualquer outro dia, em outro eu via Edward na minha frente com o ruivo mais lindo que eu vi na minha vida.” Suspirou; seus olhos beirando as lágrimas “Logo descobri que ele se mudara para cá a trabalho e, como se não bastasse, Thomas, seu maravilhoso filho, é agora o melhor amigo de Alice”. Bella deitou sua cabeça nos ombros de seu pai em busca de conforto.
“Isso é o que eu chamo de destino!” Exclamou o chefe Swan, pensando no quanto isso seria conveniente.
Rapidamente, passos fizeram-se presentes e Bella correu para abraçar e beijar seus pequenos. Tom, em tão pouco tempo, tomara um espaço enorme em seu coração e ela sabia que não mais conseguiria viver sem suas bochechas coradas e sorriso sincero. Alice grudou em sua mãe e, após dizer incontáveis “Eu te amo” e “Tente não sentir minha falta”, ela se encaminhou para a porta, onde seu avô os esperava.
“Vamos, garotos. Vovó Sue tem um bolo enorme de chocolate esperando vocês” Charlie disse, pegando a mão dos pequenos.
“Oh meu Deus, o paraíso!” O grito de Alice foi a última coisa que Bella escutou e, fechou a porta rindo e observando o ambiente silencioso, suspirou. Sempre sentiria falta de sua companheira, por mais breve que fosse a separação.
Uma olhada no relógio fez com que Bella corresse para o banho – ela teria que começar a se arrumar para sua noite com Edward, e isso fez borboletas tomarem conta de seu estômago e seu coração disparar no peito. Aquela noite ditaria o futuro dela com Edward, para o bem ou para o mal, se é que eles teriam um futuro. Empurrando seus pensamentos para longe entrou no banho a fim de se dedicar ao preparativo.
De banho tomado, Bella partiu para seu armário onde observou por uns cinco minutos até escolher um vestido curto – já que fazia calor em Seattle – num tom creme e delicado que realçava suas curvas. Secou seus cabelos, deixando os cachos caírem em suas costas. No rosto optou apenas por um rímel e batom claro e, enquanto calçava seus saltos pretos que acentuavam suas pernas nuas, escutou a campainha tocar. Pegando a pequena bolsa clara em cima da cama e se equilibrando nos sapatos, ela correu para abrir a porta – tentando controlar seu coração desesperado e falhando miseravelmente.
Respirando fundo uma ou cinco vezes, Bella abriu a porta e perdeu qualquer chance de tentar se manter calma. Vestindo uma calça jeans escura e camisa azul com os primeiros botões abertos, Edward lançava-lhe o melhor sorriso torto que tinha, e seus cabelos bagunçados eram um convite para Bella colocar suas mãos; ela teve que usar todo seu autocontrole para não se perder na maravilhosa desordem ruiva. Por trás do sorriso torto, Bella percebera que Edward estava tão nervoso quanto ela.
“Boa noite, Bella” Edward sorriu enquanto olhava a morena da cabeça aos pés “Você está maravilhosa”.
”Obrigada, Edward” O sorriso de prazer da morena era tudo que Edward precisava. “Você também está maravilhoso”
”Obrigado” Após pegar a mão direita da morena e depositar um beijo – cavalheiro como sempre e a fazendo corar – ele estendeu o braço para Bella. “Se me permite, madame”.
”Oh, que educado da sua parte, cavalheiro!” Ambos riram e, com o clima leve que se instalava no local, o ruivo a conduziu para seu carro – o mesmo Volvo prata que, para surpresa da morena, continuava intacto. “O mesmo Volvo, Edward?” Bella indagou com seus olhos brilhando das lembranças passadas enquanto Edward assentiu. ”Não acredito!”
“Algumas coisas nunca mudam com o tempo, Bella” A intensidade do olhar do ruivo em sua direção foi tamanha que a jovem desviou os olhos, quebrando o clima. A jovem adentrou o carro após Edward abrir a porta e permaneceu em silêncio enquanto o ruivo arrancava com o carro.
O caminho foi todo foi feito em um silêncio confortável. O único som no carro era Clair de Lune, fazendo ambos se perderem em pensamentos. Quando Edward estacionou em frente ao restaurante ll Terrazzo Carmine – o preferido de Bella –, ela soltou um sorriso; claro que Edward lembraria que sua comida preferida era italiana. E claro que isso fez com que as borboletas em seu estômago vibrassem.
Segurando os braços que o ruivo lhe oferecera, o casal adentrou o restaurante, sendo recepcionado por um maître que, a pedido de Edward, encaminhou-os a uma mesa afastada que era iluminada por delicadas velas. Puxando a cadeira para Bella, que agradeceu em silêncio, Edward sentou e logo chamou um garçom, pedindo apenas uma dose de vinho para começar a noite – ele sabia que a noite fora planejada para conversas não tão calmas, então o vinho era uma excelente escolha para os jovens começarem a colocar os assuntos delicados para fora.
“Bella, espero que a escolha do restaurante tenha sido ótima pra você” Edward começou leve, com assuntos amenos tentando acalmar a morena corada a sua frente.
”Perfeito, Edward. Terrazzo é meu restaurante favorito” A jovem sorri “Massas definitivamente é uma ótima maneira de chamar minha atenção” Com isso, Edward soltou uma risada e, fascinada com clima leve que se instalou no local, a morena soltou uma delicada gargalhada.
“Como eu senti falta da sua risada, Bella.” Edward trouxe mais seriedade a sua voz “Como eu senti a sua falta” Ele pegou a mão da morena que pousava em cima da mesa.
“Edward, eu...” A morena tentou se pronunciar, mas a mão de Edward soltou a sua e seu indicador pousou em seus lábios, calando-a.
“Não, Bella. Acredito que esse jantar, antes de ser uma oportunidade de ter a sua maravilhosa companhia, foi uma maneira que arrumei para conversarmos. E eu gostaria de começar.” Edward começou e a jovem assentiu. “Se eu não falar agora o que está preso aqui há dez anos, creio que nunca mais serei capaz. Deixe-me dizer tudo e então você terá a sua oportunidade”.
A jovem balançou afirmativamente a cabeça enquanto o garçom se fez presente e servia uma taça de vinho para cada. Após dar um gole, Edward pegou a mão de Isabella e respirou fundo.
”Naquela noite, quando você colocou um final em tudo, meu mundo desabou, Bella.” Ele falava com seriedade e uma pontada de mágoa na voz. “Jamais imaginaria aquilo de você e eu senti mágoa, ódio, raiva, dor, tudo. É impossível de se explicar. Eu me sentia incapaz do seu amor, sentia que eu não mais o tinha e também errei. Errei muito e, se chegamos naquele ponto e estamos assim hoje, foi única e exclusivamente culpa minha.”
”Sua, Edward?” A jovem, que tinha lágrimas nos olhos, indagou surpresa. “Não queira assumir a culpa de um erro que eu cometi!”
“Bella, não interrompa... Por favor, deixe-me continuar” O indicador do ruivo voltou aos lábios de Isabella, que assentiu. “Foi minha culpa sim. Eu era dependente demais de você, de nós. Coloquei meus sonhos de lado para me tornar totalmente dependente de Isabella Swan. Não só eu renunciava a todos os meus sonhos, mas você também. Você não saía, não tinha amigos além de Angela, não conhecia ninguém nem nada do mundo. Eu errei e você errou. Nós dois erramos em achar que o mundo girava apenas ao nosso redor.”
Enquanto Edward falava, lágrimas escorriam de Isabella que não aguentou mais segurar. O jovem estava perdido em sua própria dor e lembranças, suas mãos soltavam apenas para pegar sua dose de vinho ou água.
”Eu fui altruísta o bastante pra deixar você fugir tão fácil, Bella. Eu deveria ter lutado, ter ido atrás e reivindicado você para mim. Eu prometi que seria para sempre e, na nossa primeira crise, eu soltei sua mão e te deixei partir. E depois de tantas noites trancado em casa chorando pela sua falta, eu fugi. Fugi para Nova Iorque, fui seguir o meu sonho. E eu fiz uma promessa a mim mesmo” Edward suspirou enquanto apertava a mão da morena a sua frente.
“Que promessa?” Questionou confusa.
“Eu seria homem o bastante para ter você de volta e, se você me queria cursando a melhor faculdade de música do país e fosse alguém que eu sempre sonhei em ser para você, eu faria.” Ele explicou “Fui embora de Forks prometendo que só voltaria sendo um homem formado e com honra e, aí sim, brigaria pelo seu amor, pegaria o que sempre foi meu. Desde os seis anos de idade você tem sido minha e nunca deixou de ser”.
Edward fez uma pausa na conversa e chamou o garçom para fazer o pedido, a conversa demoraria e, pelo estado de ambos, seria melhor eles colocarem algo sólido no estômago, mesmo que a vontade de comer estivesse evaporada. Após pedirem Ravióli de cogumelo, claro, e mais uma taça de vinho, Edward continuou.
“Quando cheguei a Juilliard, comecei a estudar e teve festas, saídas, novos amigos e consequentemente garotas, mas nenhuma se tornou algo sério” Deu de ombros “Era algo de uma noite, uma saída. Em todas eu procurava você e não achava e, cada vez que eu me deitava com uma garota, eu me amaldiçoava porque, além de estar traído a você, eu estaria traindo a mim.”
Bella apenas ouvia e fungava, hora ou outra dando garfadas em sua comida, e quando a vontade de chorar apertava, bebia goles grandes do seu vinho. Mas permanecia quieta – ela teria sua hora de falar.
”Havia momentos em que eu te odiava, Bella. Quando eu bebia e me sentava sozinho em meu quarto eu pensava: o que você fez com a gente? Mas, mesmo assim, eu continuei. Quando eu passava férias em Forks na esperança de te encontrar e isso não acontecia, eu me sentia mais doente, mais desesperado; até que meus pais, não aguentando mais, foram juntos para Nova York – eles se mudaram de Forks para ficarem perto de mim e me deixar longe de qualquer coisa que lembrasse você. Mero engano. O fato de respirar me lembrava você!” Edward mal continha suas lágrimas e, vergonhosamente, algumas desciam pelo seu rosto.
“Quando fui ajudar meus pais com a mudança, encontrei Angela e foi inevitável não perguntar sobre você. E você imagina o quanto doeu a ouvir dizer que você estava bem em Seattle e namorando? Sério, Bella. Aquilo foi um tapa na minha cara e me senti horrível por mim e feliz por você. Eu era altruísta o bastante em ficar contente com o fato de você estar bem.” Edward falava baixo.
Quem observasse de longe o casal sentado no canto afastado do restaurante, apenas iluminado pela luz das velas, não poderia imaginar que o assunto era tão tenso e dolorido para ambos.
”Então, no meu último ano de faculdade, eu conheci Victória. Ela era ruiva e encantadora. Tão rápido como se tornou minha amiga, nós tivemos um caso. Eu não chegava a mencionar um namoro, só ficávamos quando tínhamos vontade, sem cobrança e sem compromisso. Victória sonhava alto e, como eu cursava para ser músico, seu sonho era ser atriz mundialmente conhecida e essas coisas todas. Em menos de 4 meses desse relacionamento louco que tivemos, em uma noite chuvosa ela bateu em minha porta desesperada com um teste de gravidez positivo em mãos. Não sei dizer quem ficou mais assustado entre nós dois” Parou por um tempo, imerso em pensamentos enquanto Bella apenas ficava quieta, escutando tudo com atenção.
“Depois de você, ter filhos ou formar uma família era algo que fora completamente excluído da minha vida, mas eu também não poderia nunca deixar Victória sozinha nessa. E, assustados com a nossa nova realidade, fomos nos adaptando para sermos pais. Victória não quis sair do conforto de sua mansão, então mantínhamos contato apenas pela criança. Seus pais sempre deixaram claro que eram contra Victória ser mãe e, se não fosse eu pra lutar e desde sempre apoiar e assumir aquela criança, Deus sabe onde ela poderia estar.”
Bella estava chocada, se identificara muito com a história de Victoria em relação à criança, mas a reação dos pais dela a deixou enojada. O primeiro que a apoiou e lhe ajudou com Alice fora Charlie e, mesmo com Garrett sendo um maravilhoso marido e pai para Alice, Isabella não saberia se conseguiria sem o apoio fraterno de seu pai.
”Quando Thomas nasceu, foi o melhor dia da minha vida. Pegá-lo em meus braços e observar o quanto ele era parecido comigo me trouxe toda perspectiva: ele era meu e ninguém o tiraria de mim. Ele ficou com Victória e eu o via nos finais de semana, ou quando quisesse. Quando era o dia que ele ficaria em casa comigo e com meus pais, eu passava noites em claros o observando dormir, na espera de que se ele precisasse de algo, eu estaria ali por ele” Sorria com as lembranças de seu pequeno garoto.
“E assim o tempo foi passado. Eu o via sempre, mas Victória nunca fora tão ligada ao filho. Sua fixação por ser atriz famosa crescia a cada dia e Tom ficava com a babá destinada a seus cuidados. Isso me irritava, mas toda vez que eu tentava lhe dizer algo, ela ficava brava e ameaçava tirar Tom das visitas das quais eu tinha direito. E como tolo, eu fui deixando. Então, quando Tom completou três anos, eu voltei para Forks, Bella. Eu voltei atrás de você!”.
“Você voltou atrás de mim?” O arquejo de Bella soou um pouco alto demais e Edward sorriu em meio às lágrimas, colocando sua mão direita na bochecha corada e molhada de lágrimas de Isabella, acariciando-a.
”Sim, Bella, eu voltei. Tinha esperanças de você ter retornado a Forks e estar pronta pra me receber de volta e, se não, eu estava mais que pronto para lutar por você. Nunca duvidei do seu amor e, depois de todos os anos pensando no nosso relacionamento, eu soube que tudo que você fez foi pro nosso próprio bem, foi por amor. E eu comecei as buscas. Angela não mais morava lá e eu não sabia por onde começar. Estava pronto para vir a Seattle tentar algo quando um telefonema mudou toda minha vida.”
Edward sorriu em meio ao clima tenso – sempre que ele lembrava do seu amor e busca por Bella e do seu pequeno filho do qual tinha muito orgulho, lembranças boas preenchiam sua mente, apagando qualquer parte ruim da tentativa de fazer Victória ser uma ótima mãe pelo seu filho.
“Quando eu retornei a Nova York, após uma ligação de Victória, minha vida mudou completamente. Ela renunciara ao filho. Victória não mais queria o pequeno Thomas e o despejou lá em casa como se fosse apenas um objeto, com as papeladas da guarda total a mim e uma pequena mala de roupinhas. Ela havia conseguido um emprego em Londres e se apaixonado por um produtor milionário, e nenhuma dessas opções aceitavam filhos na bagagem. Seus pais nunca foram uma opção também, visto que nunca quiseram a criança, e eu o peguei com as duas mãos. Thomas era tudo que eu tenho e nunca o trataria como um erro. Depois de você, Bella, Thomas foi a melhor coisa que eu tive na minha vida.” Ele sorriu e Bella apertou sua mão.
“Então logo que eu me instalei em Nova York com Thomas, minha vida ficou corrida. Meus pais voltaram pra Forks – embora Esme não vivesse sem mim e o pequeno, ela sentia falta do verde, e sua saúde estava frágil demais para aguentar a vida da cidade grande. Papai fora chamado para seu cargo de diretor no hospital e não pôde recusar. E eu me vi sozinho, trabalhando em composições e trabalhos em gravadoras e sendo pai. A primeira vez que eu deixei Tom na creche foi o pior dia da minha vida, acho que chorei mais que ele. Mas felizmente eu consegui, acho que sou um bom pai e o olhar do Tom sempre afirma isso”.
Bella sorria – mesmo com o clima tenso que se instalara no local – com a devoção na voz de Edward sempre que mencionava o filho. E o fato de ele ter passado por tudo isso sozinho e nunca virado as costas para seu menino fez seu amor pelo homem a sua frente multiplicar, se possível.
“E, de repente, mais três anos voaram e, toda vez que deitava a minha cabeça no travesseiro, eu pensava em você, Bella. O que você estaria fazendo? Já seria mãe? Estaria casada? Isso me massacrava dia após dia e, mesmo você tendo renunciado a nós dois, eu tinha que te reencontrar. Após tanta mágoa, eu ainda te amava, ainda precisava de você. Pelo menos te ver e dizer que eu te perdoava pelas suas escolhas, mesmo elas tendo me feito sofrer como um inferno! Então, a produtora que eu trabalhava me fez uma proposta de emprego e eu vi a melhor chance até agora de poder procurar você. A gravadora estaria instalando uma filial em Seattle e eu fui convidado a ser quem tomaria conta de tudo isso, e eu agarrei a oportunidade com as duas mãos!” Continuou.
“Então eu me mudei, achei uma casa recém reformada num bairro calmo e seguro da cidade, uma escola maravilhosa para meu filho que poderia pegar o ônibus na porta de casa. Quando Thomas teve seu primeiro dia de aula e chegou em casa falando de uma pequena garota maravilhosa que era sua melhor amiga, eu sorri e lembranças de quando eu tinha uma pequena melhor amiga preencheram minha mente. Até que Tom disse o nome dela, Alice Pace Swan, e eu não poderia imaginar! Não, seria coincidência demais...” Seus olhos lacrimejaram enquanto focava os castanhos de Bella preso aos seus, tão marejados quanto.
“Eu passei o dia todo com o desejo de correr e bater na porta ao lado para ver se era mesmo você ali, do meu lado. Parecia até um sonho e eu dormi me xingando por ser tão louco. Como você, Isabella Swan, a pessoa que eu passei anos amando, pensando, e tantas vezes procurei, estaria ali, do meu lado com tanta facilidade assim? E o outro dia amanheceu e a manhã passou com pensamentos do passado torturando minha mente e um pressentimento gostoso tomando conta.” O sorriso torto lindo abria espaço no rosto encantador de Edward, e Bella chorava, sem conseguir segurar mais os soluços.
”A hora chegara e parei em frente ao meu jardim para esperar meu pequeno Tom, quando uma brisa bateu e eu senti aquele mesmo cheiro de morangos únicos que me atormentou por anos. E qual a surpresa ao virar minha cabeça e ver toda a razão dos meus pensamentos bons e ruins e fruto dos meus maiores desejos parada ali, tão diferente e tão a mesma? Bella, depois de dez anos eu me senti completo e bem. Minha vontade era de correr e te abraçar. Era de dizer que te odiava e te amava. Que jamais iria te questionar e que te perdoaria. Eu queria me ajoelhar e pedir perdão mesmo você achando que seria ridículo. Eu só queria você”.
Bella sorria e as lágrimas caíam livremente pelo seu rosto, sem nenhuma hesitação, enquanto suas mãos apertavam as de Edward.
”Edward, eu...” Tomou uma respiração e pigarreou, tentando clarear sua voz rouca “Tenho tanta coisa pra dizer, tanta coisa para me desculpar e...” Novamente o indicador de Edward estava em seus lábios, silenciando-a.
“Bella, eu acho preferível terminarmos essa conversa em outro lugar, o que acha?” Edward indagou, secando as lágrimas de sua morena. “Vamos pra minha casa, ficaríamos mais confortáveis e poderíamos tomar vinho enquanto você conta sua parte da história.” A jovem assentiu e, após Edward pedir a conta e passar seu cartão, agradeceu ao educado maître e caminhou segurando a mão de Bella na sua, rumo ao carro. A viagem de volta fora tão silenciosa quando a ida – a única mudança eram as mãos do casal entrelaçadas durante todo o percurso.
Edward estacionara seu carro na garagem e, depois de correr para abrir a porta para a jovem, guiou-a para sua casa, fazendo-a sentar em seu confortável sofá enquanto ele corria à cozinha pegar duas taças e um vinho da adega. Enquanto Edward sumia de sua vista, Bella prestava atenção ao seu redor. A sala pequena era toda trabalhada em tons escuros, o sofá grande e preto fazia contraste com as paredes claras. Na estante, várias fotos das fases de Thomas faziam-se presentes e alguns livros decoravam outra parte. Bella sorriu com lágrimas nos olhos quando observou o exemplar de “The Notebook” em meio a outras obras.
“Eu já perdi as contas de quantas vezes eu reli esse livro” A voz rouca de Edward surpreendeu a jovem, que o observou assustada “Desculpe-me, não quis assustá-la”.
“Tudo bem. The Notebook é de longe o meu livro preferido” Sorriu, lembrando que sabia de cor todas as partes do livro “Você sabe disso”.
“Com certeza, eu sei” O sorriso que Isabella recebera aqueceu sua alma, fazendo-a se sentir confortável para a sua parte da conversa que estava prestes a acontecer. Oferecendo-a uma taça de vinho, Edward sentou ao seu lado e Isabella pegou sua mão, apertando-a e tentando se sentir segura.
“Edward, agora é a minha vez de falar e você tem que prometer que não irá me interromper, certo?” A jovem começou com a voz já embargada e, após Edward assentir e beijar suas mãos, ela começou.
Isabella contou tudo, desde o dia em que tomara a decisão de que renunciaria seu amor a Edward para ele poder seguir seu sonho e, cada vez que ela falava o quanto sofreu e o quanto treinou para fazer a maior encenação de sua vida, ele franzia o cenho e resmungava consigo mesmo. Ambos eram tão altruístas que isso resultou em anos separados um do outro.
Após ser interrompida por Edward, que a chamava de absurda e louca, Bella continuou. Contou o quanto ela sofrera todo esse tempo sem Edward, como reverteu essa falta do ruivo em horas de estudos e como conhecera Garrett. Contou o relacionamento breve que eles tiveram até descobrir que estava grávida e como ficaram desesperados e, assim como Edward, batalharam para se adaptar e conviver com a nova realidade. Contou brevemente sobre o casamento e via os olhos de Edward baixos e doloridos e, quando chegara ao acidente, chorou, abraçada ao ruivo, a tragédia que tinha separado da sua vida a única pessoa que lhe tinha aceitado de braços abertos, mesmo amando outro homem e sendo imperfeita.
“Perdoe-me, Edward” A morena chorava descontrolada. “Perdoe-me por ser tão fraca e renunciar tão facilmente ao nosso amor. Perdoe-me por tentar obrigar você a escolher seu futuro quando tudo que eu tinha que fazer era apenas sentar e tentar organizar as coisas de uma maneira confortável para ambos. Perdoe-me”.
Edward, não suportando mais a distância que o separava da morena que necessitava tanto de conforto, puxou-a para seus braços, sussurrando em seu ouvido que tudo ficaria bem.
”Não existe o que perdoar, Bella” Ele sussurrou enquanto as pequenas mãos de Bella o apertavam “Nós dois erramos. Eu fui orgulhoso o bastante para não te questionar, voltar atrás, insistir. Eu quebrei uma promessa de que nunca te deixaria partir. Você é quem tem que me perdoar”.
“Não, Edward. Por favor!” Ele a silenciou com um selinho. E outro. E vários selinhos. E Bella amoleceu em seus braços, aceitando a carícia de Edward que era seu único e melhor conforto.
“Bella, tem noção do que está dizendo? Todos esses erros que ambos cometemos nos trouxeram Alice e Thomas. Poderíamos algum dia nos arrepender disso?” Edward murmurou, fixando seus olhos no mar de chocolate derretidos.
“Jamais, Edward.” Ela disse com os olhos presos aos dele “Mas, por favor, perdoe-me. Eu não poderei mais conviver comigo mesma se você não o fizer”.
“Eu perdoo, minha Bella” Ele sussurrou “Mas somente se você também me perdoar”.
“Sim, eu te perdoo” E com sorrisos satisfeitos, Edward atacou os lábios de Bella, selando o início de uma nova vida.
O que era pra ser um simples beijo para selar o quanto eles estavam bem e renovados, tomou proporções maiores e, logo, Edward prensava o pequeno corpo de Bella no sofá. Ele tentava ir com calma, mas o gemido que Isabella soltou em algum intervalo dos beijos mandou toda sua sanidade para o espaço.
”Bella, se continuarmos com isso eu não conseguirei parar” O sussurro rouco do ruivo deixava claro o desejo desesperador que sentia.
”Quem disse que devemos parar?” Após murmurar com uma voz completamente sexy, um gemido soou da garganta de Edward que, pegando a morena nos braços, foi o mais rápido que conseguia para seu quarto.
Fechando a porta com o pé, Edward jogou o pequeno corpo da mulher delicadamente contra a porta. Bella, que tinha as pernas enlaçadas na cintura de Edward, puxava a cabeleira ruiva com toda força que tinha – mordendo os lábios para o total desespero de Edward. O desejo de ambos era tanto que seria impossível adiar com preliminares e, quando a morena percebera, já se encontrava deitada nos macios lençóis com o corpo quente de Edward cobrindo o seu.
O único som que saia da boca da morena era o nome de Edward, que correspondia com vigor todo o carinho recebido. Logo as roupas do casal eram um amontoado no chão e os beijos molhados de Edward desciam por toda a extensão do corpo de Isabella, que apenas puxava os cabelos do ruivo e se contorcia sob seu toque. Quando os lábios dele fizeram pressão em seu ponto mais necessitado, os gemidos baixos ganharam proporções mais elevadas e o nome de Edward pronunciado por Isabella passara a ser gritado. Sem querer que ela já tivesse sua libertação, Edward voltou com os beijos, dando atenção especial ao mamilo esquerdo com sua língua, enquanto os polegares beliscavam o direito.
Não aguentando mais tanta tortura, Bella, que até então estava entregue aos braços do ruivo, tomara toda sua força em meio ao êxtase e jogou seu corpo contra o dele, ficando por cima e tomando posse da situação. Descia seus lábios pelo peito másculo de Edward, ora beijando ora mordendo e, quando a pequena mão da mulher apertou sua dolorida ereção e a boca ocupou o que sua mão não dava conta, Edward achou que não aguentaria tamanho desejo.
Edward empurrara o corpo da morena, voltando a sua posição inicial e, quando tateou a cômoda do lado em busca de camisinha, lembrou que não tinha o porquê de tê-las em suas coisas, bufando frustrado.
“Bella, por favor, diga-me que você ainda toma as pílulas para o controle” Sua voz soou tão desesperada e esperançosa que Bella não conseguiu deixar de rir e, em vez de responder, apenas entrelaçou suas pernas no quadril do ruivo e o puxou de encontro ao seu, fazendo finalmente o enorme membro de Edward penetrá-la.
Após gemerem juntos, com o alívio que a união trouxe, Edward aumentava a velocidade cada vez mais, não podendo mais adiar qualquer sinal de libertação que seu corpo tanto clamava. Gemidos e sons dos corpos suados se chocando eram as únicas coisas que se ouviam no quarto. E tão longo quanto poderia durar, Isabella enfim chegou ao clímax, gemendo o nome de Edward que logo em seguida fez o mesmo, desabando seu corpo em cima da morena que o abraçou apertado e o beijou, murmurando o quanto o amava.
Juntos, abraçados, trocando beijos, murmúrios e depois dividindo um banho – resultando em mais uma sessão de sexo –, o casal encerrou a noite da melhor forma que poderiam fazer nos braços um do outro.
Na manhã seguinte, algo cutucava Isabella, fazendo-a resmungar e esconder seu rosto no travesseiro. Uma risada gostosa fez-se presente e beijos foram distribuídos em suas costas nuas, fazendo-a sorrir com as lembranças da noite maravilhosa que preencheram sua mente.
“Deixe-me dormir, Edward!” Tentou soar séria, mas a única coisa que conseguiu foi arrancar uma gostosa gargalhada do ruivo que puxou seu edredom, fazendo-a se encolher toda em sua nudez. “Edward!” Gritou, puxando o tecido novamente para se aquecer, fazendo o ruivo cair por cima de seu corpo no processo.
O clima leve que se instalava entre o casal era enorme após a última noite. Tanto a conversa, onde puderam expor tudo que realmente acontecera, e a intimidade que tiveram depois, trouxeram ao casal uma nova esperança, uma nova oportunidade que ambos agarrariam com as duas mãos.
“Vamos lá, preguiçosa! Tem uma mesa de café da manhã prontinha esperando por você” Ele sussurrou, distribuindo beijos em sua bochecha e fazendo-a gemer baixinho e puxá-lo para debaixo do edredom com ela.
“Só fique aqui deitadinho comigo...” Ela respondeu sonolenta, abraçando-o, fazendo o ruivo sorrir e aconchegá-la em seus braços, onde passaram a manhã, abraçados, trocando beijos e carícias, nada além disso. Eles apenas queriam curtir a presença do outro.
“Bella... Como ficamos a partir de agora?” Edward estava receoso quando fizera a pergunta que estava presa em sua garganta desde que acordara para observar a morena ressonando tranquilamente em seus braços. Passou a manhã toda enrolando, mas quando Bella fez menção de levantar para ir ao banheiro e se alimentar, ele viu que teria que saciar sua curiosidade o mais rápido possível.
Na realidade, Edward estava com medo de como seria a partir daquele momento. Colocar tudo em pratos limpos e ter um sexo maravilhoso com o amor de sua vida não deixava claro que eles continuariam de onde pararam e ser novamente um casal. Tinham muitas coisas em jogo – a Bella de dez anos atrás não era a mesma de agora, ela amadurecera, já era viúva e mãe. O fato de ele querer exatamente continuar de onde pararam não fazia a morena desejar o mesmo.
E enquanto Bella olhava nos olhos dele, absorvendo sua pergunta, fez um desespero tomar conta de Edward que, respirando fundo, viu um olhar suave se fazer presente na feição pensativa de Bella – e ele pôde começar a respirar um pouco mais aliviado.
”Bom, poderíamos ir com calma, não acha?” A jovem murmurou fitando-o. Mas, ao ver o olhar de Edward cair, ela correu para se explicar “Tem as crianças, Edward. Embora elas se deem bem com nós dois não sabemos o que isso vai causar na cabecinha delas.” Ela fazia carinho na cabeleira ruiva e bagunçada de Edward. “Vamos fazer programas juntos, levá-los para passear e ver o quão confortável eles ficam com isso”.
O lado mais insano de Bella queria se jogar aos braços de Edward, passar todos os dias, o dia todo com ele recuperando todo o tempo perdido e se redimindo por ter feito as escolhas erradas e afastado o único homem que mais amou na vida. Mas tinha o lado são que a lembrava que eles eram adultos e tinham pessoas dependentes deles para poder agir com tanta impulsividade assim. Eles se amavam e eles tinham a vida inteira pela frente para agirem com responsabilidade e fazerem, pela primeira vez, a coisa certa.
“Ok. Mas poderemos ter sexo bom até elas se acostumarem com a idéia, não é?” A brincadeira de Edward o fez ganhar um tapa no braço e uma gargalhada gostosa sair de Bella, fazendo-o sorrir com a naturalidade que eles estavam agindo um com o outro. Era como se tivessem voltado há dez anos e fossem o mesmo casal de adolescentes apaixonados de antes.
A manhã do casal passou de uma maneira tão calma e natural que por todas aquelas horas esqueceram-se do mundo lá fora. Dividiram mais um banho que não passou de carinhos e mãos bobas, tomaram café da manhã tardio, dividindo olhares e sorrisos amorosos e, quando foram perceber, estavam atrasados para pegar seus pequenos na casa do “vovô Charlie”.
Bella correu para sua casa, colocar uma roupa limpa e, em cinco minutos, Edward estava batendo em sua porta e a morena notara que, embora tenham passado uma noite maravilhosa, ele não conseguia ficar muito tempo longe do seu menino – o que era completamente compreensível visto que ele era pai e mãe do pequeno Tom. Quando Isabella pensava em tudo que Edward passou sozinho para criar Thomas, o amor da jovem, embora parecesse impossível, crescia ainda mais. O ruivo sempre fora tão maduro desde quando tinha apenas seis anos de idade que era quase óbvio que ele se tornaria esse adulto exemplar.
O caminho para a casa de Charlie foi feito com conversas amenas enquanto, no rádio, músicas do passado do casal eram tocadas. Bella, quando não estava ditando o caminho para Edward, contava fatos de Alice quando pequena e do quanto a garotinha encantadora já a colocou em maus lençóis por ser sincera demais. E as peraltices da garota faziam Edward gargalhar enquanto falava o quanto diferente Tom era da garota. O contraste era gritante, visto que o jovem sempre puxara o pai. Tímido, inteligente e reservado, Tom nunca dera trabalho nenhum para Edward. Foi exatamente esse o fato que uniu Alice e Thomas – um completava o que faltava no outro e o relacionamento de irmandade que eles tinham já era palpável, assustando e encantando seus pais.
Edward mal estacionara seu carro em frente a uma delicada casa branca de dois andares, com cercadinhos da mesma cor decorando o redor e um jardim tão verde quanto o da sua casa, quando um grito infantil estridente e familiar se fez presente, e só houve tempo de ver um pequeno borrão marrom pulando no colo de Bella que gargalhou enquanto beijava sua pequena garota.
“Mamãe, mas como eu senti sua falta!” Alice gritava, pulando no colo de Bella que pedia calma antes que ambas rolassem no chão “Senti tanta saudade, mas tanta saudade que acho que meu coração doeu!” Edward gargalhou com o absurdo da garota.
”Quanto exagero, Alice!” Bella rolou os olhos enquanto sorria para o Tom que, assim que enxergou seu pai, correu tão rápido quanto Alice, sendo pego pelo homem que o abraçava. Nenhuma palavra foi necessária para saber que o pequeno ruivo estava aliviado com a presença de seu pai. O amor que exalava dos dois fazia Isabella ter vontade de apertar ambos em seus braços.
“Mas é verdade, mamãe. Que saudade, coisa fofa!” Gritou estridente.
“Tudo bem, na próxima você não dorme mais na casa do vovô e fica com a mamãe, certo?” Bella jogou a frase, observando a reação de Alice em seu colo que franziu o cenho e arregalou os olhos.
”Mamãe, acho que posso dormir na casa do vovô de novo. Eu sobrevivi!” Rolar os olhos e gargalhar era a única coisa que todos conseguiam fazer perto da atrevida Alice. “Oi, tio Edward!” Sorriu, descendo do colo de sua mãe e correndo para abraçar a perna de Edward, que sorriu. Tom, que desceu do colo de seu pai, apenas acenou para a Bella, corando quando ela se abaixou para beijar suas bochechas.
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Após o chefe Swan dizer que todo final de semana com as crianças era agora obrigatório, todos se despediram com a promessa de que, no meio da semana marcariam um jantar.
Edward não estava preparado para se separar de Bella e, como era sábado e tinham o resto do dia pela frente, sugeriu que fossem ao parque que havia perto da residência deles. Com isso, Tom começou a sorrir esperançoso e Alice, como sempre, a berrar, fazendo todos rirem e pararem no tal parque.
Enquanto as crianças corriam de um lado para outro, subindo e descendo, Edward e Bella sentaram em um banco, observando a razão de suas vidas gargalhando e tão soltos.
”Sabe que Thomas nunca foi uma criança que eu poderia dizer normal?” Edward disse em algum momento enquanto notava o quanto seu filho estava feliz, segurando a mão de Alice para descer o escorregador. Bella franziu o cenho e Edward resolveu explicar “Crianças normais brincam, correm, têm um monte de amiguinhos, se sujam. Thomas nunca teve um amigo na escola, Bella” Suspirou e Bella apertou discretamente sua mão encostada no banco. “Ele era tão sozinho que eu sempre me odiei por não ser capaz de ter dado uma mãe descente pra ele, uma mãe de verdade” Edward divagava e ela apenas escutava seu desabafo, solitário. A vontade de colocar pai e filho em seus braços e cuidar para sempre “Mas, então, eu me mudei para Seattle e ele conheceu a Alice. Ele está tão diferente, tão mais feliz, e eu só posso agradecer a você” O olhar verde perdeu-se nos castanhos questionadores e confusos.
“Agradecer a mim?” Isabella imaginava que Edward estava tão intenso com o fato de expor o sofrimento de seu pequeno garoto que achou que ele não falava coisa com coisa.
”Sim, você deu a vida a um ser tão sincero, perfeito e puro que tanto fez bem ao meu menino” Ele sorriu; as mãos ainda sendo apertadas pelas pequenas de Bella “Isso me lembra quando eu era pequeno e sozinho, quando não tinha ninguém na escola infantil e uma delicada morena simpática sentou-se ao meu lado e puxou conversa, dividia lanches e me instruía a falar. Você abriu meu mundo infantil, Bella, e hoje eu vejo sua filha fazendo exatamente o mesmo com o meu filho”
Ela sentiu seus olhos lacrimejarem e sorriu. A jovem estava tão completa com a presença de Edward em sua vida novamente que se sentia completamente frágil. Seus sentimentos todos confusos e a intensidade deles para com o pai e filho ruivo era além do que conseguia suportar.
”Edward, eu...” Sorriu, secando as lágrimas e apenas assentiu “Você que me trouxe a vida mais do que imagina, mas disponha” E ali, de mãos dadas discretamente observaram a interação de seus filhos, deixando as lembranças de suas próprias infâncias preencherem seus pensamentos.
Em algum momento da tarde, Edward e Bella se juntaram às crianças e corriam para a felicidade dos pequenos. Com alegria, Edward notava que tanto Alice quanto Tom pareciam mais que confortáveis com sua interação com Bella. A pequena pulava em seu colo com tanta intimidade que Edward não conseguia resistir a distribuir beijos e abraços à morena idêntica à mãe – a não ser os olhos completamente azuis que a fazia mais perfeita – e observava, num amor contido, seu pequeno Tom no colo de Bella, que gargalhava e dizia para a mulher correr mais, antes que seu pai os pegasse.
Tão feliz quando Edward, Bella sentia-se completamente realizada. Após tantos anos sofrendo pela falta dele e pedindo pela sua presença, não podia sequer imaginar que, não só Edward poderia completar seu coração, como também tinha espaço de sobra – espaço esse que foi completamente preenchido por Tom. Os olhos de Isabella brilhavam com o pensamento de ter isso para sempre. Alice, Tom e Edward, todos ali a sua frente completando definitivamente sua vida.
O dia que começara perfeito para o casal – nos braços um do outro após uma noite completa de amor –, encaminhava-se para o fim perfeito para todos. Sentados na pequena sala da casa de Bella, duas caixas de Pizza estavam jogadas no canto enquanto todos assistiam “Smurfs”. Quando Alice estava desmaiada no colo da mãe e Tom, sonolento entre as pernas do pai, Edward decidiu que era hora de irem embora e, após ajudar a morena a colocar sua pequena bola de energia no delicado quarto rosa de princesa, despediram-se na porta com um singelo selinho depois de notarem que Tom dormia profundamente no colo do pai – com a promessa de que se falariam no dia seguinte.
Bella observou Edward caminhar para sua casa, fechando a porta com um sorriso no rosto. Não poderia imaginar um dia mais perfeito do que aquele e, sentindo-se completamente realizada, entregou-se ao sono dos justos.
E a semana passou. Com o clima leve entre Edward e Bella e a felicidade que instalara em suas vidas, o tempo passava rápido e calmo. No domingo, as crianças brincaram com Mio no quintal dos fundos enquanto seus pais conversavam na sala – e trocavam beijos escondidos como casal de adolescentes com medo de serem pregos no flagra pelo pai da jovem.
A segunda chegou e, como outros dias, as tarefas fizeram presentes. Enquanto as crianças iam para escola, Isabella trancava-se em seu escritório para revisar seus artigos e toda quarta-feira ia para a editora postar sua coluna semanal. Edward passava o dia no estúdio de gravação, compondo e auxiliando jovens músicos, voltando sempre no horário para esperar seu filho voltar da escola. Essa era a hora do dia preferida de Edward e Bella, pois, além de ser a hora que viam seus pequenos filhos depois de horas separados, também era quando se viam e trocavam palavras, sorrisos e olhares cúmplices. Alguns dias, quando o trabalho apertava, a pequena Alice corria pra casa de Edward e, em algumas noites, reuniam-se todos para jantarem ou assistirem filmes. No final de semana, as crianças passaram apenas a tarde de sábado na casa de Charlie e Sue, fazendo seus pais terem um momento a dois muito proveitoso.
Assim, a semana seguinte começou no mesmo ritmo e, cada vez mais, a intimidade de Edward e Bella ficavam mais visíveis para os pequenos que se demonstravam muito confortáveis com a proximidade de seus pais. Na quinta-feira, um telefonema surpreendeu Edward que, sorrindo e entusiasmado, tratou de falar a novidade para Bella.
”Seus pais vão passar o final de semana aqui?” Sorriu quando Edward informou que Esme ligara anunciando a visita ao filho e neto, ficando extremante surpresa quando Edward contou que era vizinho de Isabella.
”Sim, minha mãe ficou extremamente emocionada e ansiosa quando eu disse que te reencontrei” Ele sorriu eufórico com a oportunidade maravilhosa que teria. Seus pais, sempre que o visitava, faziam questão de passarem um dia sozinho com Tom para mimá-lo bastante, e seria a oportunidade perfeita de fazer um programa a sós com Bella visto que, assim que colocarem os olhos na mais nova Swan da casa, Esme trataria de mimá-la tanto quando Tom.
“Oh meu Deus, vou conhecer meus novos vovô e vovó” Alice gritou, escutando a conversa de sua mãe com Edward “Eles podem ser meus avós também, não é? Tom chama vovô Charlie de vovô e eu acho que posso também” Ela disse com um bico ciumento, fazendo Bella lhe dar uma bronca e Edward rir, enchendo-a de cosquinhas e deixando-a sem ar ao confirmando que ela poderia ter quantos avós quisesse.
“Vovó Esme é maravilhosa” Cada vez que Tom pronunciava algo com sua voz delicada e profundamente infantil, arrancava um sorriso carinhoso de Bella. “E o vovô Carlisle sempre nos dá sorvete antes do almoço” Terminou, arrancando gargalhadas do casal a sua frente.
“Eu já amo o vovô! Vai demorar muito para ele chegar?” Alice exclamou, em toda sua ousadia de seis anos de idade, já tomando conta dos avôs de Tom.
Edward não podia conter sua alegria e uma troca de olhar com Isabella deixou claro que ela compartilhava o mesmo pensamento que o seu – mesmo que a morena ficasse extremamente envergonhada com a audácia de sua filha, ela também ficava extremamente feliz com o rumo que as coisas estavam tomando. Se as crianças eram o que os deixavam receosos em oficializar o relacionamento, esse medo não existia mais. Eles já haviam há muito formado uma família e nenhum deles se viam sem as crianças.
Enquanto elas corriam atrás do gato Mio – que já mostrava uma clara preferência pelo Tom, que o acariciava ao invés de esmagá-lo como Alice fazia –, Edward puxou Bella para perto de seu corpo. ”Deliciosa, madame, gostaria de me acompanhar a um jantar sábado à noite?” Soou galante, com um sorriso torto que derrubava todas as barreiras de Isabella.
“Com certeza, nobre cavalheiro” Sorriram com as brincadeiras bobas que faziam quando adolescentes. “Quem ficará com as crianças? Esse final de semana, Sue levará papai para mais uma viagem de lua de mel” Rolou os olhos, mas sorriu ao lembrar do quanto seu pai melhorou ao encontrar sua atual esposa e de como ela fazia bem ao velho chefe.
“Meus pais, claro” Antes que a morena protestasse, Edward a silenciou com um selinho “Toda visita eles monopolizam Tom para passeios de avós e neto, tenho certeza absoluta que não será problema algum. Eles ficam em casa e você me dá asilo aqui” Sorriu malicioso, e a única coisa que a morena fez foi bagunçar os cabelos ruivos de Edward e empurrá-lo ao escutar passinhos se aproximando.
E o dia seguinte chegou junto com Carlisle e Esme que pareciam tão emocionados quanto a morena, que tinha lágrimas nos olhos enquanto abraçava apertado a matriarca Cullen, observando com um sorriso a felicidade estampada no rosto de Carlisle. Eles sempre se deram tão bem, sempre cuidaram de Bella quando era pequena e, após a perda de Renné, Bella adotara Esme como sua segunda mãe.
Quando ela renunciou a Edward dez anos antes, ela não só perdeu seu amor, mas também toda sua família. Agora ela tinha a chance de recuperar todo o tempo perdido e não hesitaria em fazer o máximo que podia para merecer a segunda chance que a vida lhe dera.
Bella viu, com um sorriso enorme e lágrimas nos olhos, o amor e carinho estampado no rosto de Esme quando viu Alice sair do ônibus escolar junto com seu neto. Como todos que tinham a oportunidade de conhecer a pequena Swan, logo se renderam aos seus encantos. A pequena, quando soube quem era o novo casal parado e sorrindo a sua frente, saiu distribuindo beijos, abraços, sorrisos e pulando de colo em colo dizendo o quanto estava feliz por conhecer seus novos avós.
Esme foi irredutível e obrigou todos a jantarem na pequena cozinha da casa de Edward, a fim de cozinhar para seus netos – ela já adotara Alice como sua desde que colocara os olhos na imensidão azul da pequena. Mas foram Bella e Edward o que fez sua felicidade plena; após anos vendo seu filho cada dia mais infeliz com a falta da morena, isso era tudo que ela poderia pedir. Nunca julgou a escolha de Isabella – ela sabia o quanto a menina era altruísta e amava seu filho –, apenas entregou na mão do destino e não poderia estar mais satisfeita por ele ter feito com perfeição seu trabalho.
No sábado, Esme anunciou que era o dia as crianças e proibiu tanto Edward quanto Bella a participarem do passeio. Carlisle pegou uma Alice desesperada em um braço e Tomas ansioso no outro e, com a Esme dizendo que só os devolveriam no dia seguinte e ficaria tudo bem, partiram. Edward apenas olhou para uma Bella incrédula com um olhar que dizia “Eu te avisei”. Logo após, o ruivo disse que tinha trabalhos para adiantar e alguns assuntos para resolver, mas que voltava às sete para buscar a morena para a surpresa da noite.
Aproveitando que passaria seu dia sozinha, e sem nenhum compromisso sério, Bella teve seu dia de beleza. Foi ao shopping renovar seu estoque de lingeries, optando pela maioria em tons azuis – preferidos de Edward –, teve seu horário no salão, onde fez unhas, depilação e hidratação em seus cachos castanhos. Voltando pra casa, só teve tempo de relaxar em seu quente chuveiro e se arrumar para a noite que teria com seu ruivo.
Quando Edward tocara a campainha de sua casa, Isabella o esperava vestindo um curto vestido preto que marcava bem suas curvas, um salto nude que destacava suas pernas e uma maquiagem fraca – para a completa alegria de Edward que achava seu rubor natural a coisa mais linda do mundo.
”Se eu soubesse que estaria tão gostosa assim, teria vindo antes” Edward disse antes de puxar Isabella para seu peito e atacar seus lábios, fazendo-a soltar um doce gemido e agarrar seus cabelos por entre os dedos delicados.
”Se comporte, homem, ou eu te arrasto até minha cama” Isabella murmurou entre beijos, e a mão de Edward desceu até sua bunda, apertando-a para logo em seguida se separar da morena.
“Ideia tentadora, mas eu realmente preparei essa noite com muito carinho para você já querer ir para parte em que se aproveita do meu corpo!” Ele disse com um sorriso torto no rosto, fazendo a morena revirar os olhos e finalmente se encaminhar para o carro.
Edward ficou em silêncio o caminho todo para a frustração de Isabella, que desistira de falar algo após perguntar três vezes para onde iam. Quando ele virou em uma rua pouco movimentada e parou seu carro numa fila de outros automóveis, Isabella enxergou o enorme letreiro acima de sua cabeça e soltou um grito agudo – exatamente como Alice quando ficava animada com algo.
”Drive-in, sério?” Exclamou com um sorriso de orelha a orelha “Eu não fazia ideia de que existia isso ainda. Eu sempre quis vir em um desses. Meu Deus!”.
“Sim, eu sei que é o seu desejo desde a adolescência, então, quando soube que iria inaugurar um desses aqui, não pensei duas vezes!” Bella atacou os lábios de Edward que gargalhou com a empolgação de sua morena. Essa noite teria que ser exatamente do jeito que planejou e a felicidade estampada nos olhos de Isabella deixava claro que não iria ser tão difícil assim.
Compraram pipocas, doces e refrigerantes, e Edward estacionou o carro num lugar com excelente visão – o filme ainda era surpresa e a jovem estava eufórica e ansiosa. Quando a enorme tela se acendeu e o nome enorme do filme apareceu, lágrimas fizeram presentes no rosto da morena.
”The Notebook?! Meu Deus, Edward!” A jovem disse com a voz embargada e Edward a puxou para seu peito, abraçando seu corpo meio de lado enquanto beijava seus lábios molhados pelas lágrimas.
“Sim, pelos velhos tempos” Respondeu simplesmente e. não contendo mais tanto amor, Isabella puxou seu rosto para o seu, atacando seus lábios com tanto desejo e paixão que mal conseguia se segurar. Trocaram alguns carinhos mais intensos, parando apenas com o começo da primeira cena.
Como toda vez que fazia quando assistia The Notebook, Bella chorou para o divertimento de Edward, que apenas fazia consolar sua morena até que o filme chegara ao fim, onde todos os carros foram embora, deixando o espaço vazio e apenas iluminado pelas delicadas luzes do enorme campo. Edward e Bella ficaram ali, abraçados trocando beijos e carinhos, sem nenhuma pressa de ir embora. O ruivo mencionara que eles tinham uma reserva num restaurante italiano, mas a morena negou, querendo apenas ir para sua casa onde poderia entregar-se sem reserva aos braços de Edward, mostrando da melhor forma que poderia o quanto o amava.
“Bella, eu pretendia fazer de uma maneira diferente, mas só o fato de ter você aqui a minha frente, com os olhos transbordando amor e felicidade, já basta pra mim” Edward começou, meio nervoso meio ansioso, e Bella afastou-se de seu peito para poder visualizar melhor os olhos verdes que a encaravam com desejo.
“Fazer o que, Edward?” Indagou curiosa, observando-o lançar um sorriso torto especial – o mesmo sorriso que ele lançara a ela em seu aniversário de 15 anos e a pediu em namoro. Bella sorriu em meio às lembranças, prevendo o que viria a seguir.
“Bella, você é minha melhor amiga, melhor companhia, melhor conselheira...” Repetiu o que dissera há exatamente doze anos, fazendo a jovem sorrir largamente. “Quer ser minha melhor e única namorada?” Gargalhando, a morena se jogou em seus braços dizendo vários “Sim!” e, retribuindo as risadas de Isabella, Edward a agarrou, beijando todo o espaço de seu rosto e pescoço que conseguia alcançar.
“Não acredito que você ainda lembra!” Ela disse enquanto Edward dirigia para sua casa.
“Eu jamais esqueceria do dia que eu fiz a melhor escolha da minha vida.” Edward sorriu “Porque não repetir? Podemos fazer virar uma tradição!” Brincou com a morena, que se aproveitou que o sinal estava vermelho e se inclinou para beijá-lo. Nesse clima completo de paixão e desejo, o casal terminara a noite, amando-se intensamente nos braços um do outro.
Depois de um café da manhã cheio de mimos na cama e enfim coragem para desgrudarem um do outro, o casal seguiu para a casa do ruivo – onde se ouviam risinhos sapecas logo da porta da frente. A primeira que se vez presente, desesperada para contar o dia maravilhoso que tivera com os avós, foi Alice, que estava eufórica com o fato de acrescentar mais pessoas em sua lista familiar. Tão eufórico quanto as crianças, estavam Carlisle e Esme que mal podiam esconder o sorriso no rosto e olhos brilhantes ao verem que finalmente a vida de seu único filho estava nos eixos, rodeada de duas maravilhosas mulheres que o fariam completamente feliz e realizado.
Com muita relutância, o casal Cullen logo teve que partir para a despedida – Carlisle precisava estar no hospital no dia seguinte pela manhã. Esme abraçou, beijou e apertou muito Tom e Alice, que faziam bicos manhosos com a saudade já apertando. Após prometerem que, no feriado de ação de graças, iriam todos a Forks, Esme abraçou demoradamente Bella, dizendo o quanto estava feliz em tê-la em sua vida novamente, e Carlisle, no meio do abraço à morena, apenas agradeceu, virando para se despedir de seu filho e deixando Isabella extremamente confusa. Tão logo quanto surgiu, o casal foi embora e, após trocar um olhar com Edward e observar seus pequenos sentados no sofá tateando a televisão, resolveram dar de vez a notícia.
“Thomas e Alice, podemos conversar com vocês dois por um minutinho?” Edward começou e, segurando a mão de Bella, sentou no sofá à frente das crianças, que observaram curiosas.
“Ixi, lá vem bronca!” Disse Alice com os olhos azulados arregalados.
”Eu não fiz nada, papai, eu juro!” Thomas correu para se explicar, fazendo tanto Edward quanto Bella sorrirem.
“Não, crianças, vocês não aprontaram nada” Bella murmurou, tentando acalmar seus pequenos. “Eu espero que não” Terminou, olhando para Alice e Tom que negaram com a cabeça, murmurando um “ufa”.
“Então, o que queremos falar é que...” Bella sentiu-se incapaz de continuar e olhou para Edward, buscando apoio.
”Bella e eu estamos namorando!” Direto. Claro que Edward seria completamente direto, para o total desespero de Isabella que, pálida, observou a reação das crianças.
Primeiramente, franziram a testa, Alice olhou rapidamente para Bella enquanto Thomas, corado, buscava o olhar de seu pai. A sala ficou completamente em silêncio por alguns segundos ou minutos. Edward, observando Alice, sabia que, claro, ela seria a primeira a quebrar o silêncio desconfortável que instalara na sala.
“Namorados?” Alice disse numa voz completamente baixa para ela. “Namorados de verdade?”
”Sim” Bella respondeu simplesmente, incapaz de criar algo mais elaborado.
”E vocês se beijam na boca?” A pequena continuou, dessa vez olhando para Edward.
“Sim, é o que namorados fazem” Edward respondeu, observando Bella apertar sua mão.
“Vocês se beijam mesmo?” Foi a vez de Tom que, mais vermelho que um tomate, perguntou baixinho – a curiosidade estampada em sua face.
”Sim, gente, nós estamos namorando e nos beijamos.” A paciência de Edward estava esgotando-se assim como o desespero de Bella, que ficava cada vez maior.
Franzindo a testa por mais alguns minutos, Alice olhou para Tom que retribuiu com um olhar e, como se estivessem ensaiados para isso, gritaram completamente sincronizados um “Eca!”. Quebrando o clima da sala Edward, não pôde deixar de gargalhar, sendo acompanhado pela morena ao seu lado que respirava com mais facilidade.
“Não acredito nisso” Alice disse olhando para o pequeno ruivo ao seu lado “Tom, seu papai beija a minha mamãe!” Alice tinha os olhos arregalados. Tom apenas sorriu corado – algo brilhava em seus olhos.
“Vocês vão se casar?” Ele indagou, levantando do sofá e se aproximando de Edward que olhou sorrindo para Bella, observando que ela estava tão pálida quanto há minutos atrás.
“Vamos com calma, sim, amigão?” Edward sorriu para o garoto que assentiu, pulando em seu colo. Antes que Bella pudesse falar algo, um grito estridente se fez presente.
“Meu Deus, Edward e mamãe namorando. Que maravilha!” Alice exclamou pulando no colo de sua mãe “Tom, somos irmãos agora!” Continuou quicando no colo de sua mãe que gargalhou, beijando a bochecha de sua pequena abusada enquanto Thomas sorria completamente igual seu pai. Juntos, ali naquela bolha, perceberam o quanto eram perfeitos unidos.
Passaram o restante do dia juntos, Bella cozinhando cookies e cupcakes com as crianças, que decoravam tudo, enquanto Edward observava de longe com um enorme sorriso no rosto à família a sua frente. A sua família.
Reuniram-se depois na sala, com as guloseimas em mãos para assistirem filmes e jogarem videogame, onde as crianças detonavam seus pais, rindo pelo clima leve toda vez que o casal trocava selinho ou caricias e fazendo barulho de nojo, o que sempre resultava em ataques de cosquinhas. No fim da noite, quando Alice e Thomas dormiram no sofá, após assistirem “Toy Story 3”, Edward ligou seu som e, no pequeno canto da sala que era iluminado pela lareira, puxou a morena para seus braços e balançaram juntos ao som dos clássicos dos anos 80 que tanto marcaram a adolescência de ambos.
E assim, dias passaram e meses corriam. Entre trabalhos, escolas e tarefas do dia a dia, o casal sempre arrumava tempo para passeios em família e passeios em os dois. Toda noite um ia à casa do outro, onde jantavam, assistiam filmes, ajudavam as crianças com os deveres de casa e, quando os pequenos dormiam jogados no sofá da sala, os namorados tiravam um momento para eles se curtirem e demonstrarem o amor que sentiam um pelo outro e aumentava cada vez mais.
Tom, cada dia que passava, ficava mais grudado com Bella, surpreendendo-a em um dia quando ele, por decisão própria, preferiu que ela escolhesse sua roupa de passeio em vez de Edward. Ele estava muito mais confortável com Isabella e a troca de carinho entre os dois ficava cada vez mais intensa para a completa alegria do pai e desespero de Alice – que continuava mais abusada. Pulava no colo de Edward, entrava no meio quando ele estava abraçado a sua mãe e saía dizendo para o mundo e o fundo que eles iriam se casar, que Edward viraria seu papai e ela teria maravilhosos irmãozinhos ruivos e vários cachorros e gatos para fazer companhia ao Mio.
Certo dia, em um passeio ao shopping, Alice surpreendeu todos com sua audácia infantil.
“Bella, enquanto você aguarda as crianças acabarem com o lanche, vou dar um pulo na livraria.” Edward falou enquanto levantava, fazendo Bella assentir e auxiliar Tom com seu enorme copo de suco natural. “Prometi a nova edição de um livro musical para um aluno e vou ver de já chegou” Murmurou, beijando a testa da morena à medida que pedia para as crianças se comportarem.
“Mamãe, tio Edward está demorando e estou cansada de ficar esperando” Alice reclamou depois que passou algum longo tempo. “Vamos encontrar ele?” Falou animada e Bella assentiu, pegando a pequena mão de Tom – não deixando de revirar os olhos para sua filha quando recusou avidamente, pois já se julgava grande demais para andar de mãos dadas com a mamãe.
Quando chegaram à entrada da livraria, Bella bufou contendo o ciúme insano que subiu em seu peito. Edward estava entretido, lendo o verso de um livro qualquer, enquanto a atendente loira e com seus seios completamente falsos dava em cima do ruivo descaradamente. Estava claro que Edward não fazia nem ideia que a ela estava ali o cercando, e apenas respondia suas perguntas acenando a cabeça e murmurando sim e não, perdido em sua leitura. Isabella ficou parada na porta quieta, apenas observando até onde ia a audácia da mulher e qual seria a reação do homem quando caísse em si.
Claro que o plano de Isabella não daria certo, não com a Alice por perto. Observando a cena parada ao lado de Bella, com o mesmo olhar indignado de sua mãe, Alice franziu a testa por alguns minutos até que sorriu e caminhou na direção de Edward e a tal loira – para o completo desespero da morena adulta que não conseguiu segurar a garota a tempo.
“PAPAI!” Gritou em toda sua potente voz, fazendo tanto Edward e a loira quanto Bella darem um pulo e a observarem incrédulos “Eu estava te procurando, poxa!” Puxou as calças de Edward e estendeu os braços. O ruivo a pegou no colo completamente mortificado tanto com o ato da menina quanto com suas palavras. e olhou assustado para a loira sorridente a sua frente – os seios saltando em sua cara.
“Olha que gracinha. Sua filha?” Ronronou com toda sua voz vulgar, enquanto tentava colocar a mão em Alice, fazendo Bella enxergar vermelho e a pequena desviar.
“Er, ela não...” Edward dizia perdido, mas fora interrompido por Alice.
“Claro que sim, ele é meu papai desde que nasci!” Murmurou e Bella não conteve a risada baixa que escapou. Onde Alice queria chegar?
“Que linda!” A loira continuava se insinuando para Edward, que tentava segurar o riso e entender a cena que se passava a sua frente. “E onde está sua mãe?” Sorriu, imaginando que o homem poderia ser divorciado.
“Moça, sabe o que a titia da escola me falou?” Alice indagou sem responder a pergunta da loira que sorriu e perguntou o que a titia da escola poderia ter falado para a pequena jovem. “Mulheres que andam com os peitos pra fora e mostrando toda a perna é completamente mal educado quando não está na praia ou na piscina” Começou, fazendo o sorriso da jovem diminuir, Edward escancarar a boca e Bella prender o riso. Thomas apenas observava, não entendendo nada que se passava à sua frente.
“Ela disse também que é muito feio mulheres quase peladas ficarem perto de homens, ainda mais se ele for casado ou tiver namorada.” Disse focalizando seus olhos completamente azuis e sérios na cara chocada da loira. “Mulheres têm que se dar o respeito perto de homens, crianças e outras mulheres que são educadas.” A loira não sabia onde enfiar a cara e Bella não aguentou mais, querendo apertar suas filha pela tamanha inteligência e senso de proteção.
“Quando eu crescer, quero ser uma mulher muito educada, como minha mamãe. Tente ser educada com todo mundo também. A titia da escola disse que uma boa educação é muito melhor do que mostrar as pernas e os peitos pra todo mundo” Dito isso, Alice pediu para descer do colo de Edward e o puxou pela mão, que deixou-se seguir pela pequena ignorando o livro em cima do balcão e encontrando uma Bella risonha na porta da livraria.
“Viu mamãe? Eu salvei o tio Edward daquela mulher mal educada para você!” Alice disse abraçando as pernas de Bella, que gargalhou. Como poderia brigar com a garota quando ela não fez nada demais a não ser colocar a loira em seu lugar de um jeito completamente infantil e eficaz?
“A mamãe viu, meu amor, muito obrigada!” Abaixou-se e beijou o rosto de uma Alice completamente radiante que exalava um ar de superioridade. “Aprendeu, Edward, como se coloca uma mulher mal educada em seu lugar?” Bella disse, não aguentando mais a gargalhada que estava presa em sua garganta e riu, sendo acompanhada com Tom, que achava tudo muito engraçado, e Alice que parecia extremamente satisfeita.
“Bella, eu sinceramente não sei o que dizer” Edward dividia em seu rosto a expressão risonha e chocada e, após Bella puxar sua mão e lhe dar um selinho, viu que estava tudo bem e sorriu. Como Thomas segurava firmemente a mão de Bella, Edward pegou a mão livre da morena de um lado e carregou a Alice do outro e, assim, todos caminharam juntos para o carro, com a pequena Swan explicando detalhadamente o que a “titia da escola” tinha lhe ensinado.
olhou sorrindo para Bella, observando que ela estava t brilhava em seus olhos. om mais facilidade. e estivessem ensaiados paraOs meses voaram e finalmente chegara a época dos feriados do fim de ano, e o casal já se preparava para a pequena viagem de uma semana que fariam a Forks. Tom estava completamente ansioso para visitar seus avós e Alice, desesperada para conhecer a cidade. Bella tinha contado a ela várias histórias de quando era pequena e sobre a cidade que cresceu junto de Edward, fazendo-a prometer para sua filha que, quando fossem para lá, mostraria todos os lugares de suas histórias.
A viagem de carro – escolha de Edward, que queria proporcionar mais emoção pelo caminho – foi calma, com as crianças fazendo planos no banco traseiro e os adultos apenas curtindo a calma da estrada, deixando as músicas do Beatles soar pelos auto-falantes. Quando “Twist and Shout” começou a tocar, o casal riu de Alice e Tom cantando em plenos pulmões a canção completa.
Com o clima de família leve instalado no carro, chegaram a Forks que, milagrosamente, não chovia e mantinha um clima agradável. Edward mal estacionou seu carro na frente da enorme casa de seus pais quando já avistou sua mãe correndo para abrir a porta traseira e puxar Alice e Tom para seus braços, que gargalhavam e beijavam a avó.
Bella observava com uma emoção contida a alegria de sua menina no colo de Esme, visto que Alice nunca teve nenhum contato com uma figura materna que faria seu papel de avó além de Sue – já que, quando a pequena Swan teve contado com seus verdadeiros avós paternos, ela ainda era uma criança de colo e não se lembrava dos falecidos senhor e senhora Pace. A velha mãe simpática de Garrett, Heidi, não suportou a perda de seu único filho em um acontecimento tão trágico e, após definhar dia após dia, falecera em uma complicação pulmonar. Tão logo quanto sua esposa, Demitri não suportou a solidão e, após um ataque do coração, se foi para a tristeza de Isabella que amava o casal como seus próprios pais.
Os quatro curtiram uma tarde deliciosa na casa de Esme, onde ficariam durante a viagem. A matriarca Cullen cozinhou junto de Bella enquanto Edward brincava com as crianças no enorme quintal e, à noite quando Carlisle chegou do seu plantão no hospital, todos se juntaram em frente da lareira para contarem histórias, piadas e jogarem conversa fora até o cansaço vencer e todos se encaminharem para seus quartos.
O dia seguinte amanheceu tão limpo e agradável quanto o anterior, e o dia se resumiu em levar as crianças num passeio pela cidade. Conheceram o pequeno parque que seus pais brincavam, a escola que estudaram e a antiga casa de Bella – que, com lágrimas nos olhos, lembrou de seus melhores momentos ali com Charlie e Renné. Mais tarde, seguiram para a lanchonete onde tomaram um delicioso lanche, com Edward surpreendendo Bella em um convite para uma noite a dois. As crianças teriam a noite de pizza com a vovó Esme e, aproveitando a oportunidade, o ruivo levaria Isabella para um passeio onde iria fazer a proposta que mudaria a vida do casal para melhor.
Após se arrumar em um vestido curto, com uma jaqueta jeans protegendo-a do frio e uma delicada sapatilha em seus pés, a Swan encaminhou-se para encontrar Edward, que a esperava na sala de Esme tão casual quanto ela, todo charmoso em um jeans e camisa escura que se encontrava com os primeiros botões abertos, além dos cabelos na costumeira desordem.
Entraram no Volvo e Edward pegou um caminho conhecido por Bella – o mesmo caminho que eles pegavam quando eram jovens e queriam sumir um pouco de tudo, o mesmo caminho que dava para o lugar onde eles começaram sua história e também onde a morena colocou um fim. Mas esse fato parecia realmente esquecido, ou melhor, superado por ambos e, todo dia quando acordava e observava Edward dormindo ao seu lado, ela renovava sua promessa de que nunca mais machucaria o coração do seu homem.
Estacionando seu carro, Edward desceu, correndo para abrir a porta para Bella que sorria saudosa, observando o lugar que parecia exatamente a mesma praia calma e deserta de sempre – somente iluminado pelo farol do carro. O ruivo retirou do Volvo um enorme cobertor escuro e, então, ambos caminharam para a areia onde se acomodaram no cobertor.
“Eu sentia mais saudades de Forks do que poderia imaginar” A jovem começou, sentada entre as pernas de Edward e observando o enorme mar a sua frente.
“Eu também, mas todas as vezes que vinha visitar meus pais, o clima era horrível” Edward murmurou “Forks sem você não é a mesma coisa” A morena ergueu a cabeça, capturando os lábios cheios de Edward. “É a primeira vez que volto aqui depois de tudo também.”
“Lembranças ruins?” A morena sussurrou, com um aperto no coração.
“Ainda guardo as melhores, devo dizer” Edward sorriu, agarrando com mais vontade a cintura da morena que se retorceu toda até conseguir passar as pernas ao redor da cintura do ruivo e encaixar-se ali.
“Sempre podemos criar novas lembranças” Bella sorriu maliciosa ao enlaçar os cabelos do ruivo e morder seus lábios, recebendo um delicioso gemido rouco em resposta. O som causou uma corrente deliciosa no casal que iniciou uma batalha em seus lábios com nenhum vencedor ou perdedor. O desejo chegava a ser desesperador e rapidamente as roupas estavam fora de seus corpos e as mãos já não bastavam.
Perdidos em beijos, mordidas e puxadas de cabelo, Bella montou em Edward e, quando os corpos finalmente se encaixaram, um gemido alto de alívio saiu da boca de ambos. Enquanto cavalgava com o auxilio de Edward, que dava uma atenção especial ao seu pescoço, Bella arranhava as costas do ruivo, desesperada por alívio.
“Bella, eu te amo” Edward gemeu entre investidas, completamente perdido no corpo magro da morena.
“Te amo. Te amo” Isabella respondia ofegante, entregue a ele.
”Olhe nos meus olhos, Bella” Sussurrou rouco, sentindo sua libertação chegar “Olhe pra mim, meu amor” Perdendo-se nos olhos verdes de Edward que exalavam desejo e amor, ela gemeu, sentindo finalmente a deliciosa sensação pós-orgasmo apossar seu corpo assim que sentiu o ruivo se perdendo em seu próprio prazer.
Distribuindo vários beijos no rosto e lábios da mulher, Edward observou a pele corada e seus olhos castanhos brilhantes, enxergando tanto amor ali que não pôde mais segurar e finalmente soltou o que esteve guardando há tempo, apenas esperando o momento certo.
”Case-se comigo, Bella?”
Uma deliciosa gargalhada infantil trouxe Isabella à realidade que, ao observar a cena que se desenvolvia a sua frente, sorriu.
“Olha só, Ellie, parece que mamãe voltou do mundo da lua!” Edward sussurrou sentado ao seu lado na cama, com a cara amassada de sono e um maravilhoso sorriso no rosto enquanto carregava a delicada e risonha Ellie. “O que tanto pensava, amor?”
”Em você” Sorriu “Em tudo” Murmurou e Edward lhe lançou um olhar carinhoso – o ruivo perdera a conta de quantas vezes sua mulher se perdia em pensamentos e sorria boba para ele e seus filhos.
Bella se inclinou e depositou um selinho nos deliciosos lábios de Edward, observando sua bebê lançar-lhe um sorriso completamente lindo e banguela. Ellie Cullen era o mais novo membro da família; seus poucos cabelos eram completamente avermelhados, para o total encanto de Isabella, e seus olhos tinham a maravilhosa coloração castanha de sua mãe, fazendo a alegria completa de Edward. Em seus quatro meses, Ellie era o bebê mais lindo e amoroso que chegara para completar a felicidade predominante naquela família. Thomas, Alice e Ellie eram o paraíso pessoal de Edward e Bella.
“Ah, gente, vocês não vão sair da cama hoje não?” Alice sempre seria Alice, não importando os dois anos que passaram e o fato de que ela teria amadurecido. “Tenho fome!”
Atrás da pequena, como um fiel escudeiro em toda sua beleza de oito anos, estava Tom sorridente e corado de sono. Imitando Alice, empoleirou-se na cama dos pais, beijando-os e sorrindo para a Ellie, que sempre que via os irmãos gritava animada com a farra que teria.
“Bom dia, mamãe” Sussurrou o ruivinho para Bella, que sempre ficava emocionada com a palavra mágica que o garoto passou a pronunciar desde o dia de seu casamento. Victória tinha realmente sumido no mundo para a completa tristeza de Isabella que, como mãe, achava completamente impossível viver sem os olhares e carinhos daquelas três crianças que eram todo o seu mundo.
“Bom dia, meu amor” Sorriu “Bom dia para você também, Alice.” A pequena morena rolou seus olhos azuis, exatamente como a mãe, e jogou-lhe um beijo.
“Liga a TV aí, papai, vamos assistir um desenho!” ela falou, deitando a cabeça no peito nu de Edward que sorriu, beijando a cabeça da pequena abusada. A emoção continuava no olhar de Edward quando Alice o chamava de pai ou fazia presentes em seu dia ou corria para seus braços quando tinha medo de alguma coisa.
Garrett sempre teve e terá um lugar único no coração de Alice – que fazia questão de manter uma foto, em seu quarto, de quando era bebê e estava no colo do seu pai. Edward jamais substituiria Garrett na vida de Alice, ele apenas complementou seu pequeno coração com o amor que só ele, como pai, seria capaz de lhe dar.
“Oi, Ellie. Oi, bebê gostoso!” Gritou Alice e Ellie correspondeu em seu mais potente grito agudo. Alice era o amor de sua vida. Se a bebê via em Alice alguém para bagunçar, em Tom ela tinha o seu conforto. O celular da Bella era lotado de fotos onde Ellie, após chorar minutos incontáveis por manha, rendia-se ao sono no colo do irmão ruivo.
“Pelo jeito, vamos acampar no quarto hoje...” Edward sorriu e lançou um olhar para Bella, que segurava Ellie em seus braços e olhava toda a cena com um sorriso completamente satisfeito.
Quando os olhos do casal se encontraram, não foram necessárias palavras – tudo o que passaram desde quando eram apenas crianças estava estampado exatamente ali, com intensidade em seus olhares. O destino fez com que eles se separassem uma vez, fez com que eles crescessem e amadurecessem, descobrissem um mundo além do que estavam acostumados a pensar.
E, em seus olhos, estava estampado o amor. Amor que nem mesmo uma decisão pôde separar, mostrando que o destino faz as escolhas certas, no momento certo, nos corações certos.
“Eu te amo, Edward” Bella sussurrou deitando sua cabeça no ombro do ruivo, que sorriu e passou os braços ao seu redor, observando Tom, Ellie e Alice esparramados a sua frente.
”Mais do que minha própria vida, Bella”.
“Então, agora encontramos nosso caminho
para encontrarmos um ao outro;
Então, agora encontrei meu caminho para você.”
Notas finais
Gostaram do desenrolar da história deles?
Comentem e deixe-me saber se vocês gostaram ou até odiaram!
Até a próxima galera!
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