Assim que meu ultimo paciente saiu, arrumei minhas coisas e fui direto para casa. Não consegui segurar as lagrimas, chorei o caminho todo, nem sei como consegui chegar inteira, fui tão irresponsável em dirigir nesse estado, eu sei bem quais poderiam ser as consequências, ainda bem que essa cidade é tranquila e nem tem muito trânsito. Esperei me acalmar antes de entrar em casa, por precaução do caso de um dos meus irmãos me verem entrar.

James e as crianças estavam na sala vendo televisão. Assim que passei pela porta da frente pude ouvir o barulho de algum desenho animado qualquer.

- Bella? – Chamou James.

- Oi. – Eu disse ao aparecer no canto. Tentei controlar minha voz, para ela não sair tremida.

- Você está bem? – James estava estendido no sofá, com os pés descalços no braço do móvel, Jane, Jacob e Alec estavam esparramados no chão ao lado do sofá.

- Quer assistir com a gente? – Convidou Alec.

- Desculpe pequeno, mas estou cansada, eu vou dormir. – Acenei para eles. – Tchau.

- Boa noite e parabéns. – Desejou Jane, correndo até mim, me dando um beijo. Alec e Jake a imitaram.

- Obrigada. – Murmurei.

- Continuem assistindo o desenho, eu já volto. – Ouvi James falar, enquanto subia a escada.

Corri para o banheiro do meu quarto. Tomei um banho longo, escovei os dentes e voltei para meu quarto, já com meu pijama de flanela mais quentinho.

James estava sentado no meio da cama, brincando ocasionalmente com uma almofada.

- Oi. – Disse James. Ele parecia chateado.

Fui para cama, tirei a almofada da mão dele e deitei em seu colo.

- Oi. – Eu me aninhei em seu peito.

- O que aconteceu? – Perguntou ele.

- Nada. – Menti.

- Não me faça de bobo, sei que é mentira. Conte-me! – Pediu ele, acariciando meu cabelo.

- Acho que estou apaixonada. – Murmurei.

- Acha? – Disse ele, depois franziu o cenho. – Eu tenho certeza que você está apaixonada pelo Edward.

- O que? – Perguntei perplexa. Como ele já sabia se eu só notei hoje?

- Sério que ainda não tinha se dado conta? Você fica olhando para ele como uma tonta, só falta babar em cima dele. – Ele riu.

Realmente, eu sou uma boba, uma tonta, como James disse, me apaixonei por um cara impossível e nem percebi. As lagrimas encheram meus olhos e as enxuguei antes que elas pudessem cair.

- Ele te fez alguma coisa? – Perguntou James, angustiado.

- Não, depois da festa surpresa, ele me procurou. Ele percebeu meu incomodo, nós conversamos e… — Engasguei. – Ele deixou escapar que está apaixonado.

- Onde está o problema? Eu não consigo te entender, achei que o sonho de todas as mulheres fosse ser correspondida. Ele está apaixonado por você e…

- Não, não é por mim. Eu não sou correspondida. Ele me pediu ajuda para conquistar a mulher. – Expliquei.

- Idiota! – Esbravejou.

- Mas, mesmo que fosse por mim, seria impossível. Não daria certo. – Constatei.

- Por que não?

- As crianças nunca aceitariam.

- Não podemos deixa-los controlar nossas vidas.

- Eu sei, mas não quero magoa-los e sei que você sente o mesmo.

- Está tarde. – Observou James, mudando de assunto. – Vou colocar os pestinhas para dormir e já volto.

Ele me levantou da cama e puxou o cobertor. Deitou-me com a cabeça no travesseiro e prendeu o cobertor em volta de mim. Abriu a porta e três fofoqueirinhos caíram no chão.

- É feio escutar atrás da porta. – Brigou James.

- Nós ficamos preocupados com a mamãe, ela chegou tão triste. – Falou Jake.

- Desculpe. – Pediu Alec.

- Tudo bem, mas não façam isso de novo.

- Tá bom, papai. – Jane sorriu. Ela correu para dentro do meu quarto e subiu na cama. – Mamãe, eu quero que você seja feliz. Você e o papai. A gente pode abrir uma exceção para o Edward, ele é legal.

- Mas antes ele tem que passar no nosso teste. – Murmurou Jacob, deitando-se do meu lado.

- Esqueçam isso. – Pedi. – Vocês dois estão esperando o que para se unirem a nós? Um convite formal?

Alec e James riram e deitaram na cama também. Ficamos todos abraçados e em silêncio por um momento. Quando ouvi a respiração dos pequenos mais leve, notei que apenas James e eu ainda estávamos acordados.

- Obrigada. – Sussurrei.

- Pelo que?

- Por ser meu irmão e ser tão legal comigo e as crianças.

- Não há de quê. – Ele riu baixinho.

- No que está pensando? – Perguntei, num sussurro, depois de um tempo.

Ele hesitou por um segundo antes de responder.

- Estava pensando no passado.

Senti um arrepio gelado percorrer minha espinha.

- Pare com isso. – Ordenei.

- Sim, senhorita. – Ele concordou.

- É melhor dormirmos.

- Boa noite.

Sentia-me exausta. Fora um longo dia em muitos aspectos, e, no entanto, não senti alivio com seu fim. Senti que o dia seguinte seria pior, afinal, sairia com Edward para lhe dar dicas de como conquistar outra que não eu.

Estava meio adormecida quando pensei em Edward ao lado de outra mulher. Estremeci em minha inconsciência, como se já estivesse tendo um pesadelo.

Pela manhã, eu me sentia absolutamente horrível, não tinha dormido muito bem. Pela primeira vez tive pesadelos enquanto dormia com meus irmãos.

James percebeu que eu precisava de alguns minutos sozinha, então levou as crianças para tomar café na cozinha, enquanto eu me arrumava. Pouco antes de terminar de me vestir ouvi a campainha.

Desci as escadas rapidamente e encontrei as crianças sentadas com os braços cruzados e expressões zangadas no rosto. James estava de pé com um olhar malévolo na direção de Edward, que parecia espantado e preocupado ao mesmo tempo.

- Aconteceu alguma coisa? – Indaguei.

- Não aconteceu nada. Edward veio te buscar. – James bufou.

- Então tá. Já vamos. Comportem-se. – Falei e as crianças assentiram.

Edward me levou até a pequena praça da cidade e sentamos em um dos bancos, em silêncio, apenas observando as pessoas.

- Jane me disse que eu te deixei triste. – Ele comentou de repente.

- Ela é uma fofoqueira intrometida. – Resmunguei.

- Então é verdade?

- Sim… quer dizer, não. – Embolei-me.

- Decida-se.

- Não foi exatamente você, não realmente.

- Foi nossa conversa?

- Falando disso, você queria algumas dicas, não? – Tentei mudar de assunto.

- Alec me disse outra coisa. – Ele não permitiu.

- Tenho até medo de perguntar. – Fiz beicinho.

- Ele disse que você está apaixonada por mim. É verdade?

É hoje que eu mato meus irmãos. Eu não sabia o que dizer, mas já que ele quer a verdade então lá vai.

- Quer saber? Sim, eu te amo, mas não se preocupe, não vou fazer nada para te prejudicar, quero que você seja feliz, por mais que me doa. Se você não consegue mais confiar em mim, eu entendo, só que… — Tagarelei com lagrimas nos olhos.

- Você é tão absurda. – Ele disse e aproximou o rosto do meu. Eu fiquei estática.

Sem hesitar, ele simplesmente se inclinou e me beijou bem na boca. Meu coração estava quase estourando dentro do peito de tão acelerado que batia.

- Edward. – Falei com a voz instável. – Não…

- A mulher por quem me apaixonei é você. Eu também te amo. – Declarou ele.

E, assim que tudo ficou bem claro, ele me beijou com força.

Como na primeira vez, há alguns segundos, eu senti aquele beijo descer pela minha coluna como uma montanha russa, sentia uma corrente elétrica percorrer todo meu corpo. Agora, eu estava toda colada ao corpo dele e podia sentir todos os botões da camisa de Edward, bem como seus músculos sob o pano. O calor dele me atravessou como vapor de um vulcão em erupção, desde os dedos do pé, passando pelas pernas e parando em todos os pontos mais eróticos.

Estava com dificuldade em raciocinar, mas quando alguém beijava de forma tão intrusiva e profunda como Edward me beijava, ficava complicado pensar. Edward me quer.

Eu me senti feliz, desejada. A língua dele pediu passagem e eu, de bom grado, cedi. As mãos deles começaram o que parecia uma investigação minuciosa, subindo por baixo da minha blusa. Uma das mãos estava quase em meu seio. Meus joelhos estavam enfraquecidos e eu só não cai, pois estava sentada.

Escutamos um pigarro e nos afastamos ofegantes.

- Tem crianças por perto. – Alice riu.

Edward e eu ficamos constrangidos. Durante o beijo nem me lembrei de que ainda estávamos na praça.

- O que você quer? – Reclamou Edward, frustrado.

- Nada, só atrapalhar mesmo, ou talvez manda-los procurar um quarto. – Brincou ela, me deixando ainda mais envergonhada.

- O que você veio fazer aqui? – Questionou Edward.

- Trazer a Julie para tomar sol.

- P-posso… posso conhece-la? – Gaguejou Edward.

- Você quer conhecer a Julie? – Alice ficou surpresa e eu orgulhosa.

- Quero. – Disse ele, com firmeza.

- Ela está ali com o Jasper, vou chama-los. Avisou ela, Alice saiu saltitando até o marido.

- Tem certeza? – Indaguei, abaixando a voz.

- Tenho, eu pensei muito no que você falou e vi que tinha razão, chega de sofrer. Mas não quero passar por isso sozinho.

- Você não está sozinho, estou com você para o que precisar. Estou orgulhosa de você. – Sorri.

- Obrigado. Pode me acompanhar até a casa dos meus pais hoje?

- Posso.

Antes que disséssemos mais alguma coisa, Alice voltou, dessa vez acompanhada pelo marido e a filha.

- Olha quem finalmente quer conhecer você, princesinha, é o tio Edward. – Disse Alice com voz infantil para a garotinha.

Julie olhou ao redor e sorriu quando me viu, soltando uma risadinha em seguida.

- Ela é linda. – Disse Edward, emocionado.

- Quer segura-la? – Ofereceu Jasper.

- Quero. Aceitou Edward. – Oi, pequena.

Edward beijou a testa da sobrinha e ficou admirando e brincando com a menina. A cena foi tão doce, ele estava tão carinhoso com a Julie.

- Não sei o que aconteceu, mas você fez um milagre. Parece que meu irmão voltou ao normal.

- Eu não fiz nada. – Murmurei sem graça.

Ah, fez sim. Aproposito, eu adorei saber que somos cunhadas, mas bem que podia ter me contado antes.

- Nós… quero dizer eu… nós não…

- Vocês estão namorando, não estão?

- Não, acho que não.

- Como assim acha que não? E o beijo?

- Nós estávamos conversando e de repente nos beijamos.

- Entendi, você verá que vão se acertar rapidinho.

- Ma…mama. – Balbuciou Julie.

- OMG! Eu não acredito. Ela disse mama, mesmo? Ela falou. – Alice sorriu radiante.

- Ela nunca tinha falado antes?

- Não. Essa foi a primeira palavra. – Contou Alice, pegando a filha e a rodopiando. A menina soltou uma gargalhada.

- Agora tem que falar papai. – Murmurou Jasper, beijando o rosto da filha, com os olhos marejados de emoção.

- A mamãe vai pirar quando souber. – Falou Alice.

- Vocês vão lá agora?

- Vamos, o Emmett e a Rosalie estão lá, então contaremos a novidade de uma só vez.

- Posso ir junto?

- Que pergunta boba, claro que pode, é a casa dos seus pais também, esqueceu? – Alice revirou os olhos, rindo.

Alice, Jasper e Julie foram com o carro do Jasper e Edward e eu, no de Edward. Edward dirigiu o caminho todo apenas com uma mão, a outra estava agarrada a minha.