Everything Has Changed
23 Esqueceu-se do passado?
Notas iniciais

Capítulo 23 — Esqueceu-se do passado?
Eu e Matt pegamos a pizza e fomos até a sala de cinema. Contínuamos assistindo ao filme, rimos muito e por um segundo até esqueci o que tinha acontecido mais cedo. Mas os planos não saíam da minha mente, tudo borbulhava como se tivesse uma engrenagem no meu cérebro.
– Charlie, quer me contar o que você vai fazer. — Matt pediu e eu fiz que não.
O filme acabou e já estava tarde, Scott continuava dormindo na minha casa, enquanto os pais dele arrumavam um lugar para ele ficar por aqui, já que eles estavam viajando quando ele decidiu voltar pra cá e Scott não tinha mais as chaves de casa. Ele pediu meu carro emprestado para levar Candy e Matt em casa, e eu é claro emprestei na maior boa vontade.
Eu nem conseguia acreditar que Matt, Scott e Candy realmente tinham conseguido me animar. Mas nada ia tirar da minha cabeça meu plano para o Cody deixar de me amar. Derek!
Tirei as coisas da sala de cinema e as levei até a cozinha, subi até meu quarto, peguei meu celular e coloquei para carregar enquanto mexia nele, mandei uma mensagem para o Derek.
Eu sabia que usá-lo desse jeito não era certo, ainda mais para o Cody me esquecer, mas não era só por isso, eu também o esqueceria. Sabia que estando com Derek ao meu lado eu deixaria de pensar em Cody, tive certeza disso naquele dia em baixo da árvore do colégio, em que matamos o primeiro tempo.
" Se puder, venha pra cá. — C.E."
Mandei a mensagem e não tive resposta, o que achei estranho porque Derek sempre me respondia rápido, mas relevei. Achei melhor ir para o banho ao invés de ficar que nem idiota esperando ele responder.
Quando sai do banho dei de cara com Scott, que fazia sinal de negação com a cabeça.
– O que foi? — perguntei e ele continuou e não me respondeu. Não gosto de ficar no vácuo não. — Scott! — gritei, mas ele não respondeu, entrou no banheiro e fechou a porta.
Não entendi nada, depois iria atrás para saber o que aconteceu com ele. Entrei no meu quarto e levei um susto, e então a expressão de Scott fez sentido.
– O que aconteceu? — Derek perguntou, levantando-se da minha cama.
– Quer me matar de susto? — perguntei, nervosa e ele riu.
– Não deveria ter se assustado, foi você quem me chamou. — ele argumentou e eu não pude deixar de sorrir.
– Mas era pra avisar antes, seu maluco. — resmunguei.
– Só sabe reclamar. — ele falou e eu voltei a sorrir. — Afinal, o que aconteceu para me chamar a essa hora da noite?
– Sei que você não tem nada melhor pra fazer, se não nem estaria aqui. — zombei e ele rolou os olhos.
– Nada que eu estivesse fazendo seria melhor do que te ver, ainda mais de toalha. — ele falou e eu me lembrei que ainda não tinha me vestido.
Lhe dei um tapa enquanto ia até meu ármario. Ele riu e ficou me encarando.
– Não vai me responder o porque me chamou?
– Você vai dormir aqui, tá bom? — falei e ele riu.
– Oi?
– Oi, tudo bem? — zombei.
– Como assim dormir aqui? Eu não trouxe nada.
– Você mora praticamente aqui do lado. Deixe de reclamar. Se não quiser, tudo bem, ligo pra outra pessoa. — brinquei e ele fez cara de bravo.
– Nem pense nisso, é lógico que eu quero.
Peguei minhas roupas e fui até meu banheiro me trocar, quando sai vi Derek mexendo no meu celular.
– O que quer ai seu futriqueiro? — brinquei e ele riu.
– Tem algo aqui que eu não possa ver? — ele perguntou e eu fiz que sim. — O que? — ele gritou, surpreso.
– Não vou te contar, não confio em você com segredos. — falei e ele arregalou os olhos. — Podemos deitar? — perguntei e ele fez que sim.
Tirou a calça e deitou-se ao meu lado, ainda de camiseta. Sua camiseta tinha mangas longas e estava muito frio, coloquei a coberta sobre ele pois a camiseta era fina.
– Queria te perguntar algo. — ele disse e eu o olhei confusa.
– O que foi? — perguntei.
– Sem ficar paranóico nem nada, eu prometo. — ele falou e eu ri. — Você está saindo com mais alguém?
– Se com sair você quer dizer se divertir e sair de casa pra fazer algo, sim. Eu e Candy vamos muito ao cinema, minha irmã não me arrasta mais pras compras porque não nos falamos mais desde o que aconteceu com o Matt. Eu e Matt saímos bastante também, mas quase sempre junto com Scott e Candy, porque eu ainda tô meio... sei lá com ele. — respondi e ele riu.
– Não me enrola, Chars. Você sabe do que eu estou falando. Você e Matthew já se beijaram? — ele perguntou e eu fiz que não.
– Não, nós somos só amigos Derek, vê se entende.
– Tudo bem, tudo bem, só perguntei. — ele falou levantando sua mão livre no ar. Enquanto eu estava deitada sobre seu outro braço. — E você e aquele tal de Daniel?
– Nossa, faz tempo que não nos falamos, desde que descobri que ele e Matt são irmãos, e todas as coisas ruins também, nós não temos nos falado. — falei e ele sorriu.
– Mais uma pergunta.
– Sim...
– Você e Cody tem alguma coisa juntos? — ele falou e eu arregalei os olhos. — Sei que parece loucura, mas eu venho percebendo algo diferente entre vocês dois desde aquele dia em que ele pegou a gente se beijando.
– Não precisa se preocupar com isso Derek, nunca, eu e Cody somos irmãos. Não tem nada a ver. — falei, mentindo tanto pra mim, quanto pra ele.
Nós continuamos deitados, conversando sobre as aulas, sobre músicas e filmes novos e até sobre a Joyce.
– Acredita que uma vez ela vomitou em mim? Como se não bastasse eu ter que carregá-la pra casa, ela vomitou em mim me deixando fedendo a gozo, porque é só isso e vodka que descem pela garganta dela né. — ele zombou e eu morri de rir.
Era estranho vê-lo zoar a ex- namorada. Porque pra mim, ele realmente gostava dela.
– Confesso que adoro isso, mas não entendo. Vocês namoraram durante um bom tempo e agora fala assim dela, na boa.
– Eu nunca gostei dela, Charlie. Ninguém suporta ela. Quando eu namorava ela e ela saía andando com as amigas meu amigos alopravam ela, e eu achava graça. Ela é insuportável.
– Porque ficou com ela tanto tempo, então? — perguntei na lata e ele começou a rir.
– Já que estamos sendo sinceros, era bom ter alguém quando eu precisasse, quando nenhuma outra garota estivesse com tempo ou quando eu estivesse com preguiça de ir procurar outra pessoa, ela era como o step do carro. E ela sempre queria, então era fácil, até naqueles dias ela queria. — ele falou e eu o encarei perplexa.
Joyce era louca e Derek safado, todos já sabíamos disso, mas ela sabia disso e mesmo assim continuou com ele durante todo aquele tempo. Porque era impossível ela não saber que ele a traía.
– Ela sabia? — perguntei e ele fez que sim.
– E nunca abriu a boca pra falar nada, até que eu te chamei pra sair. Ai ela surtou, porque eu nunca chamava garotas pra sair, nem ela.
– Afinal de contas, porque foi que decidiu me chamar pra sair? — perguntei e ele voltou a rir.
– Já te disse, queria saber como era ser diferente e fico feliz por ter feito isso, apesar de toda essa loucura, esse tem sido o melhor ano da minha vida. O meio do ano já está quase ai e cada dia que eu passo ao seu lado eu fico mais feliz.
– Ela é o step do sexo e eu o da felicidade? — perguntei e ele riu fazendo que não.
– Deixa de ser besta que não tem nada a ver. — ele respondeu e eu não acreditei. — Charlie, preciso te contar algo.
– O que? — perguntei curiosa.
– Não é sobre nós e nem era pra eu te contar.
– É sobre quem?
– Você tem que tirar a Kath de perto do Dylan. — ele falou e eu o encarei sem entender. — Ele não quer nada com ela, assim que eles transarem ele cai fora.
– Como sabe disso? — perguntei.
– Porque ele me disse.
Saiu do quarto correndo atrás de Kath, não estava falando com ela, mas não podia deixar que isso acontecesse, tinha que tentar afastá-la dele. Mas Kath não estava em casa.
Mandei mensagem, liguei e nada. Fiquei sentada preocupada, mas imaginei que ela podia estar na casa de alguma amiga.
– Se acalma ruiva, ela vai ficar bem, é sua irmã, ela sabe se cuidar. — ele tentou me acalmar e eu sorri.
Voltei a me deitar e me aconcheguei em seus braços, e ficamos conversando até pegar no sono.
Meados de novembro e a neve começava a cair, todos se escondendo em suas casas por conta do frio. Nunca cheguei a entender isso direito, quando está calor as pessoas se escondem do calor, quando está frio se escondem do frio, só o que as pessoas fazem é reclamar, não vou dizer que sou muito diferente, mas eu não me escondo de nenhum tipo de clima. Eu simplesmente vivo, frio ou calor, eu faço o que eu quiser, quando quiser.
Naquele dia eu acordei disposta. O dia anterior tinha sido incrível, olhei para o lado e ele estava ali, me abraçando como se estivesse com medo de que eu fosse embora.
Fale com o autor