Everything Has A Reason
13 Nobody Fall In Love So Quickly.
Notas iniciais
Kurt estava preocupado com Brittany, era óbvio. Mas Blaine também faria um procedimento médico mesmo sendo apenas uma transfusão de sangue. Claro que aquilo seria muito mais simples comparado à garota loira, mas mesmo assim, Kurt sentia seu coração apertar.
– Kurt? – Sra. Lopez estalava os dedos no rosto do castanho.
– Oh, sim? – O garoto respondeu ainda meio aéreo.
– Nós duas vamos comer algo, mas a enfermeira veio avisar que Blaine precisa de alguém para ficar na sala com ele enquanto ele faz a doação. Para o caso de efeitos colaterais como tonturas, náuseas, dores de cabeça e fraqueza. Vocês são amigos, você pode ficar com ele não é? Logo nós voltamos e, por favor, nos dê noticia caso aconteça algo. – A mulher morena terminou de falar e beijou a testa de Kurt, saindo de braços dados com a Sra. Pierce.
O castanho não tinha gostado muito daquela ideia, até por que, por mais que ele e o moreno tivessem tido uma noite maravilhosamente perfeita, Blaine era seu amigo e Kurt não o via como alguém, além disso. Mas fazendo o que lhe foi pedido, ele se informou na recepção e rumou ao quarto 205 onde Blaine estava sendo preparado.
Blaine suava frio. Tudo bem que estava fazendo aquilo para ajudar sua amiga, mas ele tinha verdadeiro pânico de agulhas e hospitais. Claro que ele não voltaria atrás na sua decisão, jamais. O moreno preferiu deitar-se na maca (com medo de desmaiar de nervosismo durante o processo) e aguardou o médico. Mas, para sua surpresa quem adentrou o quarto foi Kurt. E por milésimos de segundos, o moreno se permitiu iludir-se e pensar que Kurt estava ali para declarar-se.
– Oi... – O castanho sorria timidamente, um sorriso que derretia o coração do menor. Mas ele não se deixaria envolver novamente por Kurt. Nunca mais.
– O que você faz aqui? – Blaine perguntou frio.
– Uau... Por que tanta hostilidade? – Sua noite foi ótima demais para você estar com esse humor. – Kurt pensou em responder, mas aquela não lhe parecia uma boa hora. – O médico disse que era necessário algum acompanhante com você durante o processo.
– Mas por que não a Sra. Lopez ou a Sra. Pierce? – O moreno parecia querer expulsar Kurt dali. O que não deixava de ser verdade já que ele acreditava que se passasse mais tempo perto do castanho, ele cederia novamente. Maldito coração idiota.
– Elas foram comer alguma coisa. – Kurt sentava-se na cadeira bem ao lado do moreno. – Relaxa Blaine, vai ser rápido.
Blaine remexeu-se inquieto na cama. Ele não queria ficar perto de Kurt. Ele ainda estava sentindo repulsa pelo o que havia ouvido ainda cedo. Mas o moreno não sentia raiva de Kurt. Ele sentia raiva de si mesmo, por ter sido burro ao ponto de passar uma noite perfeita com o cara maravilhoso por quem ele se apaixonou e acreditar tolamente que era correspondido.
– Que seja. – O moreno murmurou mais para si do que para Kurt que agora o analisava com o olhar.
Para Kurt, Blaine estava estranho demais. Eles haviam se divertido muito na noite passada para o moreno o estar tratando assim. A não ser que... Não! Blaine não havia se apaixonado por ele. Era muita pretensão de Kurt achar isso, e mesmo que o moreno estivesse ele não era correspondido. Enquanto Blaine olhava para a parede, Kurt jogava Hay Day¹ no seu celular, até o médico chegar.
– Bom, vamos começar? – Ele perguntou sorrindo para Blaine.
Enquanto o médico se preparava, Kurt percebeu que o moreno perdia a cor, suava frio, que sua respiração era cada vez mais irregular e que seus lábios estavam secos.
– Blaine? – Kurt o chamou colocando sua mão na cama, logo sentindo outra mão suada e gelada procurando a sua e a apertando fortemente. – Você está bem?
– E-eu só estou um pouco nervoso. – O moreno não tirava os olhos das mãos do médico e Kurt viu o garoto empalidecer ainda mais quando o outro homem veio em sua direção com a agulha pronta para ser introduzida em Blaine.
– Ei, olhe para mim. Está tudo bem. Vai ficar tudo bem. – Kurt apertou a mão do moreno que agora se perdia nos olhos azuis dele. Droga, por que Kurt tinha que ser tão perfeito a ponto de fazer o coração do moreno querer sair pela boca?
Uma única lágrima escorreu do rosto do moreno quando sentiu a picada da agulha. Mas logo aquele pequeno incomodo passou e agora Blaine e Kurt esperavam pacientemente a transfusão se completar.
Depois de duas horas o sangue já havia sido transferido para Brittany que reagia bem à transfusão. Finalmente Santana saiu do quarto da loira onde havia passado dois dias. A única coisa que a Latina conseguiu fazer foi jogar-se nos braços de Blaine e agradecer eternamente por ele ter salvo a vida de sua esposa. As Sras. Lopez e Pierce choravam agradecidas e no calor do momento Blaine abraçou Kurt fortemente onde foi retribuído com a mesma intensidade.
Um mês depois.
– E essa é a sua casa Valerie. Junto com os seus amigos. – Brittany sussurrou para o pequeno bebe em seus braços adentrando o seu apartamento. – Finalmente me casa.
Todos os seus amigos do Coral, junto com Blaine, Kurt e Santana estavam ali para festejar a volta delas para casa. O jantar foi bem agradável com todos contando suas vidas e as novidades. Eles mantinham contato, e quando ficaram sabendo do estado de Brittany, todos ficaram preocupados e não perderiam a volta de Britt e Valerie para casa, a ideia do jantar fora de Santana e apenas Mr. Schue não tinha comparecido.
Kurt mesmo dando atenção aos demais, tentava a todo custo falar com Blaine. Ele e o moreno mal tinham se falado durante aquele mês e o castanho tinha a nítida sensação que o outro o evitava sempre que podia.
Kurt já tinha se apegado ao moreno como amigo e sentia falta principalmente de seus abraços acolhedores e de suas conversas sem sentido. Agora Santana e Brittany mal lhe davam atenção, o que o castanho entendia perfeitamente já que com a chegada do bebê as coisas ficaram ainda mais sérias e responsáveis.
Em um certo momento, Blaine resolveu sentar-se na sala e Quinn que fez menção de sentar-se ao lado dele foi quase arremessada para o outro lado por Kurt, que jogou-se ao lado do menor.
– Então... Gostou da lasanha? Eu quem fiz. – Kurt resolveu se pronunciar depois de um tempo lançando um sorriso meigo para o moreno que sentiu seu peito aquecer com aquele sorriso. O moreno sentia tanta vontade de beijar Kurt novamente. Ele não havia esquecido nenhum detalhe daquela noite juntos, ele revivia aquilo todos os dias antes de dormir e no fim, pegava no sono chorando.
Mas sempre que Blaine sentia que se deixaria envolver por Kurt novamente, ele o tratava friamente.
– Estava maravilhosa Kurt. Parabéns. Agora, se me der licença, vou falar com Santana um instante. – O moreno falou rapidamente e sem emoção levantando-se quando Kurt, mais rápido, o segurou pela mão.
– Blaine? Por que está sendo assim comigo? – O olhar de Kurt denunciava a tristeza que estava sentindo.
– Assim como? – Blaine se fez de desentendido, mas sentia o nó na sua garganta aumentando ainda mais. Por que Kurt fazia aquilo com ele? Por que o torturar ainda mais? O moreno já havia entendido que havia sido apenas uma diversão para o castanho. Ele já podia parar com o teatro.
– Você sabe... Frio... Você não gosta mais de mim? – Kurt continuava com aquele olhar para Blaine. O castanho, agora confuso, percebeu que o outro tinha os olhos marejados e tentava disfarçar.
– Gosto... E muito... – Ele sussurrou automaticamente, mas logo reagiu. – Preciso ir Kurt. A gente se vê depois.
EHAR
– Pronto. Pode falar o que é tão urgente assim? – Santana falou fechando a porta do seu quarto e trancando-a enquanto via Blaine olhando para as suas mãos. – Me conte B, o que aconteceu? – A latina já estava sentada ao lado dele fazendo carinho em seus cachos. Não foi preciso muito mais do que isso para o moreno perder de vez o controle e deitando a cabeça nas pernas da amiga, permitiu-se chorar como uma criança. – Blaine, querido me fale o que aconteceu para você estar assim? – Santana sussurrou-lhe e o moreno mesmo fungando contou tudo. O quão apaixonado estava, a noite que teve com Kurt, o quão frio ele havia sido e até sobre Adam.
– Mas eu sabia que ele faria isso! Blaine eu te avisei tanto! – A latina caminhava nervosamente pelo quarto parecendo um leão enjaulado.
– E-eu tentei Sant... N-não tenho culpa de q-que ele é perfeito... – O moreno tentava se defender enquanto secava suas lagrimas com as mangas da sua camisa.
– Você sabia como Kurt era eu te avisei sobre como ele não se apega a ninguém. Eu sabia que daria nisso. Mas pode deixar que eu conversarei com ele. – A latina, dizendo isso saiu do quarto deixando um moreno choroso e sonolento deitado em sua cama.
– Hummel, por favor, me acompanhe até o seu apartamento. Agora. – Santana disse gravemente e Kurt que conversava apenas com Brittany, mesmo assustando-se com o tom de voz da amiga, a seguiu.
A latina entrou no apartamento do garoto primeiro logo vendo Kurt adentrar o local.
– Queria falar comigo Sant? – Ele perguntou ingenuamente.
– Eu vou falar tudo apenas uma vez: Afaste-se de Blaine. Você sabe que eu te amo e eu o amo também. E isso é o melhor para vocês dois. – Santana estava séria.
– Como é? – Kurt tinha sua sobrancelha arqueada ao perguntar isso.
– Qual parte do: fique longe de Blaine você não entendeu? Você não vê o que faz com as pessoas? Primeiro Adam, agora ele. Mas eu tenho uma novidade para você: Ele não é Adam. Ele é diferente de Adam, Blaine tem sentimentos tão intensos quanto uma criança Kurt. Os sentimentos dele são os mais puros e verdadeiros possíveis. Eu o conheço à anos, assim como te conheço o suficiente para ter autoridade de te dizer tudo isso. E se você não consegue deixar de ser essa pessoa fria, ninfomaníaca que só sabe seduzir seus amigos suficientemente gostosos ao seu ver e leva-los pra sua cama apenas para te satisfazer sem se importar com o que eles sentem tratando-os como lixo na manhã seguinte, então você não merece um amigo como Blaine. Ou até quem sabe algo mais, se você parasse de ser tão medíocre e medroso o que eu acho que realmente não vai acontecer. – A latina cuspiu tudo o que precisava. – Kurt, eu te amo. Deus, só eu sei o quanto eu me importo com você, mas você precisa pensar no que faz e arcar com as consequências. – Ela parecia um pouco mais calma agora.
– Primeiro: Ele me beijou. Segundo: Ele é grande o suficiente para saber o que está fazendo e se responsabilizar por isso Santana. Do jeito que você fala, faz parecer que eu o estuprei ou algo assim. Vejo que ele te contou tudo. Não demorou muito não é mesmo? – Kurt tinha a voz carregada de ironia, sarcasmo e ciúmes.
– Sim, ele me contou, pois sou a única amiga dele por aqui. E você é o ser mais burro — e tarado — diga-se de passagem, que eu conheço. Se conhecesse Blaine, saberia que ele não é igual a você, saberia que ele te beijou e foi pra cama com você, que ele se entregou a você apenas por que você significa muito mais que um amigo para ele. Já disse, para o seu bem, para o bem dele e para o bem de nós todos como amigos: Mantenha-se longe dele até ele ter “se curado de você.” – E terminando de dizer aquilo, a garota saiu do apartamento rapidamente.
Kurt jogou-se pesadamente no sofá pensando em tudo o que Santana tinha dito. Então Blaine dava uma de mocinha indefesa e fazia Kurt e Santana brigarem? Será que a latina falava sério sobre Blaine gostar dele de outra maneira? Se fosse verdade, aquilo explicaria muita coisa.
Mas em tão pouco tempo? Claro que não. Ninguém se apaixona em tão pouco tempo.
Mas como ele saberia se nunca havia se apaixonado por alguém?
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