Notas iniciais
É um capítulo que se tornou um dos meus favoritos. Ele é simples, mas ao mesmo tempo legal e verdadeiro. Gostei mesmo e espero que vocês gostem. Se quiserem mais um capítulo hoje, é só falar :) Não se esqueçam de comentar e divulgar para os amigos, tios e cachorrinhos, papagaios, rs Xx

O final de semana chegou e ao contrário das minhas primas, eu não estava animada. Tudo o que eu queria fazer era ficar trancada no meu quarto para chorar minhas lágrimas em paz e escutar minha trilha sonora dos Beatles. Realmente estava contando com isso, mas, infelizmente Mel não compartilhava da mesma opinião. Do outro lado da porta, eu a escutei batendo fortemente. Suspirei e coloquei meu travesseiro em meu rosto apertando-o para abafar um grito que eu queria soltar.


– Nina! Eu sei que você está aí! Vamos. Abre a porta!

– ME DEIXA, MEL!

–Eu não vou sair daqui até você abrir essa porta!


Pulei da cama cansada e completamente sem animo para continuar aquela discussão tão vil. Destranquei a porta do meu quarto e voltei para a cama me cobrindo com a coberta até a cabeça.


– Aleluia! – Mel abriu a porta. – Ei, que quarto escuro é esse?

– É de noite. Está escuro.

– Já se passaram das dez da manhã.


Mel retirou as cortinas da janela e a abriu. Logo uma luz brilhante do sol atravessou o quarto, mesmo de baixo da coberta eu pisquei um pouco os olhos para me adaptar a nova iluminação do quarto. Resmunguei algumas palavras em tom baixo. Depois de tanto analisar o meu quarto, Mel se sentou na beirada da cama e puxou meu cobertor.


– Como você está se sentindo?

– Acho que... – Suspirei longamente e então olhei nos olhos castanhos da minha prima. – Perdida.

– Sei que está doendo, Nina, mas não vai ser sentir assim para sempre.

– Eu preciso ficar sozinha. – Anunciei.

– Não, esta tem sido sua resposta há dias. E acho que não é isso que você precisa. – Mel pegou em minhas mãos e me abraçou. – Você precisa sair desse quarto e tomar um banho. A vida continua.

– Sair? Sair para onde?

– Eu e a Susana iremos procurar locais para o casamento, você pode vim conosco.

– Não acho que serei uma boa companhia.

– Sem esse chororô, por favor! – Mel olhou o relógio. – Você tem exatamente trinta minutos para se arrumar.


A loira sorriu carinhosamente para mim e deixou meu quarto. Eu não queria sair, contudo, eu duvidava que a Mel fosse aceitar isso. Tomei um banho demorado, sem mesmo me importar com o horário. Aproveitei para lavar meu cabelo e tentar esquecer o que tanto me perturbava. Onde ele estaria agora? Droga! Porque eu não conseguia de parar de pensar nele? Quero dizer, eu deveria tentar esquecê-lo, mas não estava nem me esforçando. Vesti minha calça jeans favorita e minha blusa preta de manga. Visando melhorar minha aparência, tratei de utilizar um pouco de maquiagem em meu rosto.

Quando eu terminei, me olhei no espelho. Minha aparência parecia boa, meu cabelo estava bonito e bem comprido por causa de estar molhado. Eu já não percebia minhas olheiras ou meus olhos inchados, e apesar deu não estar sorrindo, do jeito que eu estava parecendo, era bem capaz que ninguém suspeitasse que na verdade eu estava em frangalhos. Não queria que os outros me olhassem com aquele olhar de pena. “Eu iria sorrir e seria um sorriso convincente. Um sorriso que falasse: Sim, eu estou bem. Muito melhor.” Me lembrei da frase de The Vampire Diaries, logo na primeira temporada quando Elena perdia os pais. Eu precisava assistir a terceira temporada.

Desci as escadas e me de parei com Mel e Susana olhando alguma lista que minha prima mostrava alegremente. Se eu estivesse certa, seria os locais a onde nós iríamos procurar para fazer o casamento. Como Steve e minha tia já haviam se casado na igreja, eles teriam que fazer sua cerimônia matrimonial em outro lugar. Não que isso fosse problema para a Mel, porque eu tenho certeza que ela já tinha pensado em mais de dez decorações e lugares diferentes.


– Estou pronta. – Falei assim que cheguei perto delas.

– Minha querida! Como você está? – O tom preocupado de tia Susana fez meu estômago embrulhar.

– Eu estou bem. – Então olhei para Mel. – Muito melhor.

– Bom, tenho uma longa lista de lugares para visitar é melhor irmos aos apressando.

– Certo, certo. Nina, fiz um sanduiche para você, soube que não comeu hoje. Tá ali em cima da mesa.

– Obrigada tia, mas estou sem fome.

– Não seja boba, pegue o lanche sei que logo ficará com fome.


Seguindo as ordens de minha tia, eu peguei o sanduiche que estava embrulhado e o coloquei na minha bolsa de lado marrom. Sai de casa em direção ao carro e me sentei no banco de trás. Mel e Susana começaram a conversar sobre os possíveis lugares e as possíveis decorações. O casamento seria em outubro, e apesar de eu achar que daria tempo de planejar um casamento legal, havia contradições. Mel falava que levava tempo para conseguir arranjar um Buffet digno para servir no casamento, que os melhores locais já estariam fechados, que os vestidos de noiva e daminhas eram complicados. Ok, depois de perceber que eu definitivamente não conseguia me animar com aquela conversa, eu simplesmente fiquei quieta e apenas falava quando me perguntavam algo.

Luce não tinha vindo conosco e eu nem precisava perguntar por quê. O fato de ela ter aceitado o casamento não significa que ela iria participar de tudo e ficar feliz de uma hora para a outra. Levaria tempo para que ela demonstrasse alguma emoção. Até lá, era melhor que não aborrecêssemos minha prima com os preparativos. Visitamos quase cinco lugares diferentes. O primeiro era perto do centro, contudo, Mel achou o lugar muito pequeno – mesmo Susana lembrando-a de que o casamento seria para os mais íntimos –, minha prima analisou também que as paredes estavam um pouco gastas com tintura velha, e se escolhessem ali, certamente teriam que pintar o que Susana disse que estava fora de cogitação.

Todos os outros quatro lugares tinham algum tipo de defeito. Ou eles eram espaçosos demais, ou tinham um jardim horrível. Alguns não tinham espaço coberto, enquanto outros eram cobertos demais. Outras tinham marcas no assoalho, e as paredes pareciam sujas. Ainda tinha algumas que eram perfeitas, porém caras demais. Estava realmente difícil encontrar um bom e não tão caro lugar naquela lista que a Mel fazia. Eu estava quase sugerindo que elas construíssem um lugar para fazer essa cerimônia e terminar de vez com aquilo. Nosso carro estacionou em mais um lugar. Dessa vez, pelo tempo de viagem era longe do centro Londrino.


– Wow! – Foi o que Mel disse do lugar assim que desceu do carro. – Imagine fazer seu casamento aqui!

– Realmente é lindo, mas será que não é tão caro? – Tia Susana perguntava.

– Vamos entrar e ver como é por dentro. Estou pressentindo que nossas buscas acabaram!


Aquela animação da Mel me deixava com um pouco de inveja, eu deveria melhorar a minha cara nesse programa. Mas como eu poderia fazer isso quando eu não conseguia esquecer quem estava me provocando àquelas sensações? Ignorei meus pensamentos por um minuto e foquei na casa de eventos que Mel tinha nos levado dessa vez. No momento em que fiz isso, tive que dar meu braço a torcer. O lugar era incrível. A entrada tinha um belo jardim com flores brancas discretas e delicadas, havia um caminho de pedras claras e largas que davam para a entrada do local. Da onde eu estava vendo ele era bem espaçoso e verde, digo, tinha uma imensa aérea verde. Aos poucos eu fui adentrando o lugar e logo uma enorme sala apareceu, tinha portas que iam do chão até o teto, era bem iluminado e não tinha nenhuma mancha nas paredes. Uma das portas levava ao lado de fora, e ao atravessá-la, eu me lembrei de instantaneamente de uma casa no campo.

Não sei o que me levou a fazer exatamente o que eu fiz, mas quando dei por mim, eu estava sentada na grama baixa. Eu encarava aquela área verde e o sol já entardecendo. Ficaria muito bonito se tia Susana se casasse quando o sol se pusesse, pareceriam aqueles finais felizes dos finais que a Broadway faria. Um casamento com uma festa, um beijo de um casal apaixonado e aquela sensação de “para sempre” no encerramento. Os filmes de romances só serviam para iludir as pessoas. Talvez o final feliz seja apenas seguirmos em frente mesmo depois de tudo que aconteceu conosco. Minha barriga roncou bem na hora deste pensamento, lembrei-me que tia Susana tinha feito que eu levasse aqueles sanduiches que ela mesma havia preparado. Acabei abrindo a minha bolsa e pegando-os, não me importei em comer ali mesmo junto com meus pensamentos.


– O que você achou do lugar?


Tomei um pouco de susto e me virei, tia Susana aparecia sorrindo para mim. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, aquela luz de final de dia fazia seu cabelo parecer mais clara e seu olhar estava brilhando. Naquele momento, se perguntassem qual era a idade dela eu diria uns vinte e cinco. Sem brincadeira.


– É um lugar incrível. – Falei ao terminar de engolir um pedaço de sanduiche.

– Também achei. Posso me sentar com você? – Como dei de ombros, ela se sentou. – Mel está querendo fazer meu casamento ao ar livre, mas como será em outubro, tenho medo que alguma chuva possa atrapalhar.

– É só cobrir a área, quero dizer, podemos pegar aquelas tendas que vemos em filmes e colocar aqui fora.

– Uma ótima ideia! Acho que finalmente vamos parar de procurar o lugar. Mel está conversando com o dono para agendar a data. Pelo menos, menos uma preocupação.


Eu nada disse, apenas comi meu sanduiche. Passamos momentos sem nos falar, uma ao lado da outra. Senti um vento forte passar por nós e balançar meus cabelos, respirei fundo e tentei expirar profundamente. Como se eu fizesse aquilo pudesse me fazer sentir melhor.


– Há uma diferença em fazer o que é certo e achar que está fazendo o certo. – Tia Susana cortou o silêncio. – Infelizmente, ninguém vai poder achar que o que você fez é errado ou não. Cada um tem sua noção do certo e errado e nem sempre, elas são iguais a todas. Principalmente quando o assunto em questão é o amor.

– Porque está me falando isso?

– Porque eu sei o que você esta passando. Não vou lhe julgar, não sou melhor e nem pior que você. Eu apenas espero que suas escolhas sejam as corretas. Errar é humano, mas quando erramos, tempo se vai. E se tem uma coisa que você sabe mais do que eu, é que a vida é curta e que precisamos curtir ao máximo.

– Eu acho que fiz a coisa certa. – Disse fracamente.

– Então não há motivo para se culpar e ficar triste. – Não estava olhando para ela, mas podia sentir que ela estava sorrindo. – É hora de seguir em frente, querida. – Susana me beijou na testa e se levantou limpando-se da sujeira da grama. – Daqui a pouco nós estamos indo. Preciso ser o que a Mel está fazendo, se eu deixar ela faz o que quer.


Mesmo depois que tia Susana foi embora, suas palavras permaneceram perto. Eu realmente pensava que estava certa em ter deixado ir. Ele vai se tornar grandioso, uma vozinha na minha cabeça sussurrava para mim. Junto que esses sussurros eu derramei o que parecia ser as minhas últimas lágrimas. Inacreditavelmente, depois de tantos dias, eu sorri. E dessa vez, não era um sorriso falso, também não era um sorriso feliz. Era apenas um sorriso singelo que dizia: “Hora de seguir em frente”.


Notas finais
Vai dizer que vocês não gostaram? HAHAHA! Um beijo para as minhas leitoras que ficam me abusando no twitter ♥ eu adoro quando vocês fazem isso! Obrigada pelo apoio de todos! Não se esqueçam de comentar e recomendar, certo? Vamos ver se conseguimos ter mais recomendações que a primeira temporada :) xoxo