Everything For A Bet
10 Sem título
Notas iniciais
Law’s Pov
Depois de oferecer a Luffy o café, levantei-me e segui para a cozinha. Pude ouvir os passos do garoto me seguindo. Minha cozinha não era muito grande, mas não era pequena. Nela havia algumas bancadas com a parte de cima feita de granito e geladeira, fogão, uma lava-louças, micro-ondas...
Eu sabia que o motivo de eu ter oferecido o café não era bem para Luffy ficar mais desperto, eu mesmo, como médico, sei que isso não faz bem à saúde. Mas eu não queria que ele fosse embora. Não queria que aquele garoto que eu cuido tão bem saísse para trabalhar e ter grande parte do dinheiro tomado pelo próprio pai.
Claro que eu não poderia dizer isso a ele, se eu me sentia mal com a situação, imagine ele, que vive isso tudo. Coloquei um pouco de água para ferver.
Luffy sentou numa das bancadas da cozinha e encostou seu corpo na parede.
–Torao, você sabe fazer café?
–Claro que sei! Quantas noites acha que eu já não passei acordado para ter essas olheiras? – Ironizei, apontando para o meu rosto e caminhando até perto do garoto.
Luffy desceu da bancada e caminhou até o fogão para observar a água ferver.
–Cuidado para não se queimar. – Adverti.
–Não sou criança! – Respondeu, olhando para mim e mostrando a língua.
Sorri e balancei a cabeça negativamente.
–Não é o que parece. – Ri da cara de desgosto que ele fez e cheguei perto dele novamente, acariciei seus cabelos negros e depois me concentrei em fazer o café.
******
Nós conversamos sobre várias coisas enquanto eu terminava de fazer café. Várias coisas mesmo, desde assuntos sérios como Doflamingo (se bem que eu preferi desviar do assunto, quando Luffy pareceu ficar chateado) até um assunto sem pé nem cabeça sobre facas de pão.
–Mas, Torao, facas de pão não podem ser inúteis! Quer dizer, se elas existem têm que ter uma utilidade!
–Não sei, Luffy-ya... Para mim, elas não têm utilidade nenhuma. Pão não entra nessa casa.
Luffy riu. Uma risada gostosa, meio infantil. Até me fez parar no meio do que quer que eu estivesse fazendo para olhá-lo e desfrutar daquele som tão raro. Imediatamente me repreendi por parar tudo para encarar o garoto e voltei a fazer o que estava fazendo, mas era tarde demais. Eu estava colocando o café na garrafa térmica e sem querer derrubei um pouco no meu dedo.
Nem doeu muito na hora, mas eu sabia que ficaria ardendo por um tempo depois daquilo. Rapidamente coloquei meu dedo na água fria da pia.
–Algum problema, Torao? – Indagou o garoto, que antes estava (novamente) sentado na bancada, agora já andara até mim, me olhando com aqueles olhos preocupados.
–Nenhum, só me queimei com um pouco de café.
–Como você é bobo, Torao! – Disse e depois riu mais um pouco de mim. Não pude evitar sorrir um pouco também, mesmo que fosse como rir da minha própria desgraça.
Peguei um copo de vidro no armário e coloquei um pouco de café nele. Eu teria colocado numa xícara, mas achei que não fosse uma boa ideia, porque ele poderia queimar as mãos segurando-a. Luffy voltou a sentar-se na bancada.
–Não quer comer nada, Luffy-ya? Eu poderia preparar um lanche... – Ofereci, novamente tentando adiar a saída do garoto.
–Obrigado, Torao, mas não. Já está quase na hora. – Respondeu, batendo em seu pulso como se indicando um relógio, coisa que ele não tinha.
–Entendi... – Talvez eu tenha soado um pouco mais decepcionado que deveria. O copo de café estava pronto e em cima da pia e ele iria embora de novo.
Eu levei uma de minhas mãos até sua bochecha e a acariciei. Ele me olhou, aparentemente confuso. Provavelmente não mais confuso que eu. “Droga... Corpo, não comece a se mexer sozinho agora!”.
Deslizei minha mão até a nuca dele e brinquei com alguns fios de cabelo que passaram entre meus dedos. Eu nunca perdera o controle daquele jeito. Quando dei por mim novamente, eu já me aproximara dele o suficiente para que sua respiração tocasse minha pele. Como ele estava sentado na bancada, foi mais fácil para eu alcançá-lo.
O rosto dele estava completamente ruborizado e provavelmente, seu coração estaria descompassado, assim como o meu. No final, meu corpo me traiu e eu o beijei. No começo, muito hesitante, mas então tive o pensamento mais comum para aqueles que fazem alguma merda: “O que é uma gota pra quem já está encharcado?”.
Continuei a brincar com seus fios de cabelo e com minha mão livre, segurei a mão de Luffy. Passei a língua pelos seus lábios como que para pedir passagem, que para minha surpresa, foi concedida, não imediatamente, mas foi.
Ele abriu a boca hesitante e eu comecei a explorar todos os cantos da boca do menor. Lentamente ele começou a corresponder, desajeitadamente e provavelmente sem muitas experiências. O que me fez pensar que seria seu primeiro beijo com alguém que não fosse o Doflamingo (se é que o loiro parava para beijá-lo com o mínimo de carinho), o que fez me sentir mal por roubar coisa tão importante do garoto.
Nossas línguas começaram a se entrelaçar e Luffy aprendia rápido, já não tão desajeitado como antes. Minha mão, que anteriormente segurava a dele, passeou até circundar sua cintura e puxá-lo para mais perto de mim.
Nós continuamos a nos beijar até que o maldito ar se fez necessário. E aquele segundo que eu me afastei dele, foi o segundo mais longo da minha vida. Pensei em todas as reações que ele poderia ter, e nenhuma delas era boa. Nos encaramos um pouco. Minhas mãos se afastaram lentamente de seu corpo, até que eu estivesse me apoiando na bancada.
Vi as mãos de Luffy se remexendo inquietas.
–T-To-
Eu voltei a acariciar os fios negros, fazendo com que ele parasse de falar.
–Me desculpe, Luffy-ya. Eu não farei isso de novo. – Disse, me afastando e pegando o café para entregar a ele. Acompanhei-o até a porta em silêncio. Luffy também não fazia questão de falar.
Abri a porta e o portão para ele, e já na calçada eu e ele paramos. Nós dois não tínhamos ideia do que falar.
–Torao, por que você...? – Ele parou no meio da pergunta.
–Quem sabe um dia você tenha um tempo para ouvir minha resposta. – Falei com um sorriso sacana. Ele fez uma expressão emburrada e já ia embora. – Luffy-ya. – Chamei-o e ele me olhou. Apoiei seu queixo com a mão, fiz com que ele olhasse para cima e beijei sua testa. – Bom trabalho.
*****
Depois de entrar em casa, eu me deitei no sofá da sala. Fiquei encarando o maior quadro da minha casa, que tinha o Charlie Chaplin no filme “Tempos Modernos”. Foi quando tive uma ideia. Procurei meu telefone em meu bolso e liguei para um conhecido meu.
–Alô? – Respondeu a voz masculina na linha.
–Kidd-ya, sou eu, Law. – Kidd era um velho amigo meu que nem me lembro exatamente quando tive o desprazer de conhecê-lo, mas ao menos uma coisa eu posso dizer de bom dele, ele era um ótimo (e quando eu digo ótimo, quero dizer o melhor) hacker.
–Trafalgar! A que devo a honra de falar com você?
–Preciso de uma ajudinha.
–Do que precisa?
–Eu quero que você tente hackear qualquer sistema de segurança que tenha relação com um tal de “Don Quixote Doflamingo”. – Falei com um pequeno sorriso.
–Tá certo, depois eu te cobro por isso, maldito! – Falou já começando uma série de insultos desnecessários.
Enquanto ele tentava procurava e depois tentava hackear Doflamingo, eu não desliguei o telefone e nós ficamos conversando sobre qualquer coisa. Acho que se passaram duas horas até que ele finalmente dissesse:
–Consegui! To te enviando os arquivos! Tá me devendo uma, esse foi difícil.
–Obrigado, Kidd-ya. – Falei e depois desliguei o celular. Fui até a cozinha e coloquei uma xícara de café para mim. Subi para meu quarto e liguei o computador. Achei os arquivos que Kidd me enviara. E os abri. Eram horas de imagens de algumas salas distintas.
Passei horas examinando tudo aquilo, mas não surgiu nada que incriminasse o loiro. “Eu bebi quase todo o café que preparei para o Luffy” pensei olhando para a garrafa térmica que eu levara para lá, em algum momento das muitas horas que se passaram.
Foi só pensar no garoto que senti meu rosto esquentar e meu coração pular. “Não devia ter feito aquilo, ele talvez nunca seja capaz de me perdoar...” Admiti para mim mesmo em pensamento. Foi nesse momento que vi algo em uma das telas que me interessou. Doflamingo estava sentado conversando com um homem, talvez seu subordinado. Mas o loiro parecia terrivelmente irritado. De repente, ele tirou uma arma de algum lugar e atirou na cabeça do homem. Arregalei os olhos e a única coisa que pude pensar foi: “Achei!”.
Peguei aquele vídeo e a primeira coisa que fiz foi tentar enviar para a polícia. Imagine minha surpresa quando não consegui porque o arquivo era muito grande.
–COMO ASSIM?! Que droga é essa?! Que coisa mais incompetente! Eu tenho informações que poderiam incriminar esse desgraçado e não posso enviá-las para a polícia porque o arquivo é grande demais? Que merda! – Eu gritei socando a mesa do computador.
Encarei o arquivo do vídeo mais uma vez e então tive uma ideia. Procurei na mesa pelo meu pen drive e quando o achei, passei o vídeo para ele. Uma vez feito isso, encarei aquele pequeno pen drive. Aquele pequeno objeto que poderia quebrar se fosse jogado no chão. Aquilo poderia salvar a vida do Luffy! Poderia livrá-lo do maldito flamingo. Se ele me perdoasse, ele poderia até vir morar comigo e eu daria a ele a vida que ele não teve... Ele finalmente seria feliz!
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