Everything For A Bet
12 Dangerous Area
Notas iniciais
Law's Pov
Em todo o globo hão pessoas que possuem muito pouco bom senso ( Popularmente chamadas de idiotas ) e normalmente são nos hospitais, tanto públicos quanto particulares, que essas pessoas costumam aparecer periodicamente, surpreendendo-me cada vez mais, fazendo com que minha expectativa na evolução da humanidade só diminua.
Cinco horas. Foi o tempo necessário para resolver um problema o qual poderia ser evitado caso estivéssemos nos tratando de pessoas com no mínimo 3 neurônios em funcionamento. Não era muito do meu agrado operar um homem beirando aos 40 anos que havia grudado o próprio pênis na coxa usando uma nova super cola ( A qual também fazia efeito em pele humana ). E nem adianta perguntar como aconteceu, não quis saber.
Pelo menos a operação foi um sucesso. O homem de 2 neurônios poderá voltar à ativa em um período de algumas semanas.
Saindo da UTI, levemente estressado, retirei minha máscara cirúrgica descartável e a pus no lixo, fazendo me sentir feliz novamente, pois mesmo com alguns anos de atuação na medicina eu ainda não gostava muito de usar aquilo, ainda sabendo que é necessário. O elástico da máscara sempre grudava no cabelo do entorno da minha orelha, fazendo os meus fios enroscarem e arrebentarem aos poucos, causando leves incômodos durante a operação.
Caminhei calmamente pelos corredores do hospital federal visando somente um objetivo, minha sala. Para mim, a minha sala pode ser considerada o meu lugar sagrado , meu ninho, meu único e pequeno refúgio (além da minha casa).Nada poderia dar errado por lá. E é para lá que eu me direcionava, desviando de macas e "colegas" invejosos os quais não se fazia o trabalho de cumprimentar.
BUUUUUUUUUUUUUUUUUUM
O prédio estremesse. As luzes do hospital se apagam e logo são substituídas pelas luzes de emergência, as quais pouco faziam efeito nos corredores largos e longos. Fui para a recepção do andar, a fim de tentar saber o que havia ocorrido. Tardei um pouco para encontrar a mesma, pois não era fácil me localizar pelos corredores devido a pouca luz que o ambiente oferecia.
Quando finalmente consegui identificar minha localização, visei a recepção do quinto andar brevemente e fui andando até ela. Perguntei para a recepcionista sobre o acontecimento o qual ocorrera a poucos minutos atrás, e a mesma, que acabara de desligar o telefone celular, murmurou algo sobre uma provável explosão de um transformado, e que o abastecimento provavelmente só será normalizado daqui a algumas horas.
Bufei irritado. O acontecimento me pegou em um mal momento. "Um dia possui exatamente 84400 segundos, e o transformador resolve explodir no momento do meu intervalo".
– Ninguém merece — Pensei alto, enquanto eu analisava a bancada da recepção, observando alguns panfletos inúteis como: Pizzarias, escolas, lanchonetes. E outros mais interessantes, como: Doação de sangue, doação de órgãos, maneiras de prevenção ao HIV, e mais alguns que não li.
Peguei um panfleto que falava sobre doação de órgão e pus no bolso, sem saber exatamente o que fazer com aquilo.
...
Olhando relatórios de pacientes e bebendo café expresso. Seria dessa forma a qual você me encontraria caso entrasse na minha sala, porém, como não gosto de ser incomodado no meu intervalo, costumo trancar a porta a fim de não ser perturbado. A luz ainda não tinha voltado e a minha sala estava praticamente escura, iluminada somente por luzes de emergências.
Dei um gole profundo no líquido amargo e coloquei o mesmo no canto, enquanto eu forçava um pouco a vista com o objetivo de ler toda aquela papelada pendente. Fiquei assim até sentir meu celular vibrar loucamente no meu bolso. Alguém estava me ligando.
Peguei o mesmo no meu bolso e vi que se tratava de Eustass Kidd. Não por que eu havia gravado seu número nos meus contatos ( Kidd havia me alertado a não fazer isso ), e sim por que eu já reconhecia aqueles números de cor.
Apertei o botão verde e de imediato pus o aparelho na minha orelha.
– Essa linha é segura? — Indaguei, ignorando o casual "Alô" o qual a maioria das pessoas falam quando atendem o telefone
– Boa Tarde para você também, e claro que sim, tomei alguns cuidados para essa ligação não ser grampeada — Fiquei um pouco aliviado por isso. Eustass poderia ser um pouco idiota, mas em contrapartida ele sempre foi muito bem prevenido. Apreciava essa virtude nele — Eu estou ligando somente para informar que já fiz todo o trabalho que você encomendou para mim.
Ergui as sobrancelhas e mordi o lábio inferior de leve. Fiquei bastante impressionado pela velocidade do feito
– Foi bem rápido! Você não me disse que demoraria cerca de dois dias?
– Sim sim, mas quando eu vi a quantia em dinheiro depositada na minha conta, confesso que fiquei bastante satisfeito, logo, eu quis acabar logo com tudo isso — Uma risada firme foi formada do outro lado da linha. Só ele riu — Ah, claro! — Lembrou quando parou de rir — O programa o qual eu desenvolvi para monitorar Doflamingo, como dito antes, já foi feito, e estou te enviando por mensagem o arquivo. Não se preocupe, a mensagem também é segura. Mas tem um porém, o programa é muito rudimentar, ele pode localizar com extrema precisão o seu alvo, mas só pode localiza-lo caso ele estiver na cidade, fora isso não há o que fazer, além disso, seu sistema é um pouco lento e bastante pesado, dependendo da distancia entre você e o alvo ou a sua posição no globo pode variar de segundos à minutos.Fora isso, precisa de mais alguma coisa?
Soltei um leve sorriso e disse que não e aproveitei para falar que provavelmente amanhã eu estaria com o código de segurança. Minutos após eu já havia desligado a chamada e a mensagem já havia sido recebida no meu aparelho, todavia, meu celular ainda não tinha baixado o mesmo, pois estava reclamando por falta de memória. Praguejei irritado. Fui no meu álbum de fotos e videos e apaguei todas um pouco receoso. Tinha várias fotos e videos as quais incriminavam Doflamingo ali, porém, eu possuía os mesmos arquivos no meu pen drive ( O qual está na minha mochila, trancado, dentro do armário de funcionários do hospital ) e no HD do meu computador. Não havia muito em que se preocupar.
Finalmente com espaço disponível, baixei o programa rapidamente e logo em seguida eu o abri.
Era muito similar a um google maps, mas ele só se restringia na cidade a qual resido. Também tinha a opção de mudar o mapa para o mapa da minha casa e o mapa do hospital, olhando com mais precisão caso ele esteja infiltrado em alguns dos dois locais.
Apertei na opção "Localizar Gazela Rosa" ( PS: Foi Kidd que criou esse programa, então não me responsabilizo pelos apelidos infantis do mesmo ) e aguardei.
– Gazela Rosa localizada! — Chiou uma voz feminina e eletrônica
– Mas já? — Fiquei surpreso pelo fato de te-lo encontrado tão rápido, Eustass havia dito que demoraria um pouco para localiza-lo. Olhei pelo mapa a fim de ver onde ele se encontrava...e confesso que me arrepiei.
Meu CORPO
contraiu-se na poltrona acolchoada a qual eu me sentava, o café esquecido, e que já se encontrava frio, foi derrubado no chão e espatifado no mesmo devido ao movimento brusco do meu braço, meus membros tremiam, minha respiração cessou por alguns segundo. Tive que esfregar os olhos a fim de visualizar melhor a tela do meu celular, queria muito que tudo aquilo fosse só e somente só ilusão de ótica.
De acordo com o mapa, Doflamingo estava no hospital.
Começou a chover.
Fui vê-lo com mais precisão e pus na opção "Hospital", o qual mostrava a planta do mesmo e poderia mostrar com mais exatidão onde ele se encontrava.
Abri a planta e logo vi aquilo que eu temia.
O ponto azul ( O qual representava minha posição ) estava dentro de um cômodo, que deduzi ser minha sala. Exatamente fora da sala, em frente a minha porta, via-se um ponto rosa ( O qual representava Doflamingo ). O indicador abaixo dizia "Você está a 5 metros do alvo"
Um trovão fez o prédio tremer e brilhar. Olhei para a porta e vi a maçaneta girar e a porta se sacudir, indicando que alguém estava tentando entrar, porém sem muito sucesso.
Percebi naquele momento o quanto eu fui idiota, eu estava completamente desarmado, não cogitei que haveria um ataque contra mim dentro do hospital, e ainda realizado pelo louco das penas róseas. Confesso que no momento a impotência subiu a minha cabeça e me senti uma presa encurralada pelo predador. Não sabia o que fazer.
Outro trovão, mais perto e mais forte que o anterior. A porta havia parado de sacudir. E um silêncio profundo tomou conta do lugar, eu só conseguia ouvir o pinga-pinga da chuva e minha própria respiração.
– Law
A voz grave do outro lado da porta me fez sair do meu transe. Logo comecei a fazer a primeira coisa que me veio em mente. sai da direção da porta. Caso o homem esteja armado, não seria uma porta de madeira que o impediria de me acertar um tiro.
– O que você quer seu maníaco? — Indaguei, já no canto da minha sala, tentando soar corajoso e indiferente, todavia , eu estava morrendo de medo.
– fufufufu. Não tenho a intenção de mata-lo Law, pelo menos não agora, não hoje, você é bastante famoso, a imprensa cairia em cima da polícia para encontrar o responsável de sua morte, só quero ter uma conversa bem breve de amigo com você ,estou sem muito tempo — Apesar da chuva e da porta estar nos separando, eu ouvia muito bem todas as palavras que saiam da boca do louco cor-de-rosa. Engoli o seco e resolvi rebater
– Então o que você quer de mim? Vou logo avisando que não serei submetido ao seu devido prazer como o Luffy...
– fufufu, você se enche demais — Afirmou, cortando minha fala — Confesso que não seria uma péssima ideia possuí-lo para mim de vez em quando, porém prefiro a beleza inocente e frágil do meu querido fantoche. O que eu quero de você é que saia do meu caminho.
"Você acha mesmo que eu não sei o que você faz? O que você planeja contra mim? Pobre Law, tão jovem e tão inocente! Mas confesso que me divirto com você, e gostaria muito de saber qual vai ser o seu próximo passo! fufufufu."
"Pois hoje será somente um aviso. Caso você saia do meu caminho, talvez você consiga viver por mais alguns anos, talvez. Caso contrário...bom...nunca se esqueça que pode ocorrer um acidente. fufufu. Gostaria de ficar mais, gostaria de arrancar essa pequena porta de madeira e brincar um pouco com você e logo em seguida mata-lo, porém, como já disse anteriormente, estou um pouco sem tempo fufufu. Até logo pequeno médico, aguardo ansiosamente ao nosso próximo encontro. Quem sabe lá a gente não brinque de mestre e fantoche?"
– Vá embora daqui seu monstro! saia da minha vida, saia da vida do Luffy! Deixe-o em paz, deixe-o viver Doflamingo!!!
Ouvi passos ecoando pelo corredor, um cada vez mais distante que o outro, até sumir completamente por baixo do som alto das gotas de chuva batendo no prédio.
...
Bati a porta de seu carro com bastante força, devido a raiva que percorria pelos meus membros. Uma dor de cabeça descomunal formava-se nas minhas têmporas. Não podia acreditar o quanto fui idiota. Logo após o afastamento de Doflamingo, fui direto para os armários do hospital e vi o meu pequeno armário onde ficava minha mochila arrombado. Nenhum objeto de grande valor comercial foi roubado, além do meu pen drive , o qual possuía diversas fotos e videos os quais incriminavam o maníaco cor-de-rosa.
A chuva já estava parando. Eu já havia estacionado o carro na minha garagem, e fui o mais rápido possível para o meu quarto, onde encontrava o computado, o ultimo aparelho o qual eu ainda tinha algumas provas.
Entrei em casa, não olhei nada, simplesmente corri deixando a porta atrás de mim aberta. Subi as escadas pulando dois degraus.Finalmente chegando ao meu quarto, vi o que eu mais temia. Meu computador completamente aberto e desparafusado, com um espaço vazio dentro, local o qual deveria está o HD, mas não havia mais nada ali dentro.
Ace's Pov
Algumas horas atrás, no inicio do dia...
Por algum motivo, eu estava nervoso. Não sou daqueles que não consegue dormir quando nervoso, na realidade dormi bem. Dormi muito. Mas acordei já nervoso. Vê quantas vezes eu repeti a palavra “nervoso” apenas nesse parágrafo?!
Quando eu abri os olhos, senti vontade de voltar a fechá-los imediatamente, até que eu me lembrei de que chamara Luffy para sair, e imediatamente tornei-me fisicamente incapaz de voltar a dormir. Quer dizer... Eu chamei um cara para um encontro...
Quer dizer... Não explicitamente, mas foi meio o que eu fiz. Não?
Não sei mais nada.
De acordo com meus conhecimento de semana, aquele dia era domingo. Quem, nesse mundo inteiro, chama alguém pra sair no domingo?! Quem?! Eu! Portgas D. Ace!
Certo. Chega de desespero. Mesmo que eu esteja desesperado. Olhei o relógio/alarme/aquela coisa feita pelo capeta que eu tinha certeza que um dia jogaria na parede. Marcava onze e meia. E pela claridade do meu quarto, onze e meia da manhã. Hora de levantar, tomar café e levar o meu irmão para algum lugar que ele tem que ir aos domingos.
Levantei-me lentamente da cama. Ao me colocar de pé, senti vontade de enfiar-me novamente nas cobertas e dormir. Saí de meu quarto e fui até a cozinha, onde minha mãe cozinhava o almoço. Um cheiro bom invadiu minhas narinas, que quase me acalmou.
–Bom dia, mãe. – Eu disse, sentando-me à mesa, olhando ao redor, procurando por meu irmão mais novo.
–Boa tarde, Ace. Pensei que você tivesse decidido que não dormiria mais até tarde mesmo aos fins de semana... – Ela começou, enquanto jogava alguma coisa assustadoramente vermelha na comida. Não era pimenta. Era alguma coisa. Mas minha mãe cozinhava bem, apesar de tudo. Eu não estou reclamando, apenas dizendo que não sei e não tenho a mínima curiosidade em saber o que ela estava colocando naquela comida.
–Eu estava planejando passar a fazer isso... Mas sabe... Domingo tem uma cara tão... – Não disse mais nada, já que minha mãe se virou e me encarou como se fosse... Me matar se eu continuasse. Sem exageros.
Acho que não comentei antes, eu não sou tão vagabundo quanto possa parecer. Não coloquei a mesa, porque ela já estava posta! De uma maneira meio estranha, provavelmente por Sabo, mas já estava, então nada o que fazer sobre isso. Não fui ajudar minha mãe na cozinha, porque convenhamos, a comida fica melhor quando não está crua, pegando fogo... Ou quando é comida numa casa não explodida.
Posso ser um ótimo cozinheiro. Posso ser um mané cozinhando. Mas eu não vou arriscar descobrir isso na “manhã” de domingo. Eu estava inquieto, ficava mexendo a cadeira, batendo os dedos na mesa sem acompanhar um ritmo específico e fazendo barulhos com a boca sem parar.
Voltamos ao fator nervosismo dessa manhã. Meu problema não era bem o encontro (vamos chamar assim, achei fofo, não concorda?), mesmo que os momentos que passo com Luffy sejam instáveis. O problema era que... Bem... Aquela merda de aposta.
Como eu poderia sair normalmente com Luffy sabendo da aposta que fiz com Marco? Hein?! Eu sou tão prostituto a ponto de me vender assim? Quer dizer, não vendi meu corpo, mas ainda assim...!
–Ace, pelo amor de Deus. Para quieto! – Minha mãe exclamou subitamente, fazendo-me estranhar aquela reação. Eu estava fazendo tanto barulho?
–Desculpa... Cadê o Sabo? – Perguntei, percebendo que meu irmão não aparecia.
–Sabo está tomando banho para almoçar. Aliás, que acha de você ir ajudá-lo. Nem adianta ficar aqui na cozinha. Não vou te dar nada pra comer antes do almoço. Semana que vem, trate de acordar num horário melhor.
Dei de ombros e fui ao banheiro. Não tinha por que ajudar Sabo a tomar banho, ele sabia tomar banho sozinho, mas não custa supervisionar. Não que eu seja o cara mais responsável do mundo. Não sou. Percebemos quando eu contei sobre aquela coisa de esquecer meu irmão na escola. Ainda assim, sou um adulto.
Entrei no banheiro sem bater antes, porque me falta o bom senso. O que encontrei dentro daquele cômodo me chocou para toda a vida.
Ou não.
Cheguei lá e Sabo estava tomando banho normalmente, como o esperado. Queria que você criasse expectativas de alguma coisa inesperada acontecer.
–Bom dia, Sabo. – Eu cumprimentei, sentando-me na tampa da privada e pegando um livro de cruzadinhas.
–Bom dia, Ace! – Exclamou, sorrindo lindamente. O dente que lhe faltava, dava-lhe um ar tão feliz que quase me acalmou. Mas então ele continuou a falar. – O que você vai fazer hoje?
Mas por que diabos ele me perguntou isso?! É pra fazer meu coração doer, né? Né?
“Nossa, Ace, quanto drama!” Pensei, balançando a cabeça em negação. “É só um passeio.”.
–Eu vou te levar em algum lugar... – Falei, tentando me lembrar de onde Sabo ia todos os domingos, durante a tarde. Igreja? Não... Algum curso? Não... – E vou sair com Luffy.
–Ahhh... – Disse decepcionado. – Eu queria sair com o Luffy também! – Exclamou, fechando o registro, mas ainda tinha tanta espuma em seu corpo que eu coloquei Sabo de volta embaixo do chuveiro e liguei-o novamente.
–Eu sei, eu sei. Da próxima, eu levo você. – Disse, ajudando-o a retirar toda a espuma dele.
–Mas você sabe onde tem que me levar?
–É claro que não. – Respondi imediatamente.
–É na casa da minha amiga! A gente vai estudar... – Ele disse sorrindo.
Nossa... Até o Sabo está saindo com mais mulheres que eu. Apague isso da sua mente! Sabo é um ser puro, não corrompido por essa sociedade, como eu.
Depois que saímos do banheiro, voltamos para a cozinha, comemos a maravilhosa, porém duvidosa, comida feita por minha mãe e eu voltei para o meu quarto.
Tomei um banho rápido, escovei meus dentes e vesti as melhores roupas que achei. Tudo numa velocidade impressionante. Olhei-me no espelho e bati em minhas bochechas.
–Certo. Não tem nada demais nisso. Nada demais. Só um passeio. – Eu tentei me convencer. E continuei com a pior escolha de motivos de minha vida. – É tudo pela aposta.
Saí de lá, imediatamente arrependido. Sabo me esperava perto da porta, sorrindo feito um bobo. Talvez ele gostasse mesmo dessa amiga.
–Tchau, mãe! – Gritei.
–Juízo, Ace. A mamãe te ama, Sabo! – Ela respondeu. Segurei a mão de Sabo e nós fomos ao elevador, apertei o botão e esperamos.
Aliás... Para o Sabo é “mamãe te ama” e eu só ganho um “juízo”. E ela quis dizer que eu não tenho juízo?! Pode até ser verdade, mas qual a necessidade de expor as coisas assim?
Fomos de bicicleta até a casa da amiga de Sabo e depois que eu o deixei lá, o tempo pareceu parar.
Até então estava tudo passando rápido demais, eu estava praticamente no “automático” e então tudo pareceu desacelerar. Peguei meu celular e dei uma olhada no horário.
–Mas... O que?! – Exclamei. Já eram duas e meia?! Digo, sei que acordei tarde, mas duas e meia?
Fui para a casa de Luffy. Aparecer sem avisar? É bem a minha cara, nem tente argumentar. Novamente, ignorei todas as pessoas estranhas e que me encaravam como se fosse me comer (em todos os malditos sentidos), então parei em frente a casa daquele cara.
Sim. Aquele cara é o Luffy. Quer que eu o chame de que? Daquela menina?
Minhas mãos estavam meio suadas, o que me preocupou muito. Porque não havia motivo algum para tal nervosismo. Balancei a cabeça, tomando coragem e bati na porta antes que pudesse pensar na ação.
Esperei. Esperei. Esperei.
Será que ele não estava? Por que será que eu não marquei um horário antes de ir?
A porta se abriu lentamente. Luffy me encarou confuso. Ele estava usando uma de suas tradicionais blusas pretas de manga longa, uma calça jeans escura, justa e um All Star preto de cano alto. Uniforme dele, quase. Ele tinha uma bolsa em suas costas.
–Ace? – Indagou, juntando as sobrancelhas.
–Ahn... Oi. É... Então... – Comecei sem saber o que falar. Sei que o convidei para dar uma volta pelo meu bairro, mas estávamos bem longe do meu bairro e eu não fizera nenhum plano. Podia ter passado mais tempo no planejamento. – Você está livre?
Nossa. Que interessante, Ace. Pareceu um babaca. Mas fora isso...
–Sim. Eu estou... – Respondeu, ainda mais confuso. Mas ele também não ajuda, não é?
–Lembra que eu te chamei pra dar uma volta e tal? Quer fazer isso agora? – Perguntei com um sorriso e ele deu um sorriso mínimo para mim. Fiquei feliz com aquilo.
–Onde vamos?
–Vamos decidir no caminho. – Sentei-me em minha bicicleta. – Vamos. Sobe aqui.
Quando o chamei, estava esperando uma reação mais reservada de Luffy, ou que ele falasse algo como "Sério? Uma bicicleta?", mas seus olhos brilharam. Ele, receoso, subiu na parte de trás da bicicleta e se colocou de pé, apoiando-se em meus ombros.
–Você parece bem animado... – Comentei.
–É que... Bem... Eu nunca andei com alguém numa bicicleta. – Admitiu envergonhado.
Será que era impressão minha ou ele parecia mais relaxado. Será que algo bom acontecera? Só sei que se eu perguntasse, ele não me responderia, só ficaria irritado, então fiquei quieto.
Acelerei e saí daquele bairro maldito. Passe por várias das ruas mais vazias da cidade, porque era perigoso passar por ruas mais movimentadas. Luffy segurava firme em meus ombros e sorria. Na realidade, ele ria como criança.
–Ace! Isso é incrível! – Exclamou, tão feliz.
Eu não respondi. Estava apreciando a sensação do vento batendo em meu rosto e das mãos daquele garoto segurando firmemente em meus ombros. Acho que meu nervosismo foi injustificado.
Então pedalei até uma LOJA
de doces e comprei vários doces para Luffy. Pedalei mais pela cidade. Nós não conversamos muito nesse meio tempo, mas pareceu como se estivéssemos conversando, já que não houve silêncio constrangedor. Não houve silêncio algum. Estávamos aproveitando o passeio.
Infelizmente, não posso contar essa parte de nosso “encontro” em mais detalhes, porque não há palavras que posso usar para descrever aquelas sensações. E porque foi tudo tão rápido que não reuni informações suficientes para repassá-las.
Mas do ponto em que nós chegamos à praça central da cidade ao final daquela saída eu lembro cada segundo. A praça central era grande, cheia de árvores de laranjeiras, o belo canto das mesmas preenchia aquele lugar. Entramos lá de bicicleta. Eu iria passar direto, mas Luffy apertou meus ombros com força.
–Espera aí, Ace. Vamos fazer uma parada aqui. – Pediu, próximo ao meu ouvido. Filho da mãe. Meu coração deu um pulo que quase me matou. Parei a bicicleta e Luffy pulou, olhou a sua volta como se procurasse alguma coisa e sorriu.
–O que foi? – Perguntei.
–Achei, Ace. – Respondeu-me e correu para a sombra de uma grande árvore que ficava diretamente a frente de uma fonte com vários andares, que no momento estava ocupada por várias pombas. Algumas pessoas estavam em volta dela, jogando moedas. Ele sentou-se lá e pegou sua bolsa.
Sentei-me ao seu lado e passei a encará-lo. Ele tirou seu caderno de desenhos da bolsa e começou a rabiscar nele.
Eu o observava de perto.
E observei-o desenhar aquela fonte por uma meia hora ou mais.
Em silêncio. Apenas apreciando aquela visão.
E então uma memória invadiu minha mente.
–Luffy, você se divertiu hoje? – Perguntei, aproximando-me um pouco mais dele.
–Sim, demais. – Respondeu sem tirar seus olhos do desenho.
–Então... Eu estou um passo mais próximo de ser digno de um desenho seu? – Indaguei. Eu me lembrara do ele me dissera sobre desenhar apenas as coisas que gostava ou que achava bonitas.
–Hm? – Ainda não tirou os olhos de seu trabalho, mas pareceu muito mais atento à conversa que antes.
–Você me disse que desenhava apenas o que achava bonito ou o que gostava. Estou mais perto de ser merecedor de ser desenhado por você? – Perguntei novamente. Aproximei-me mais um pouco.
–Está me perguntando se eu gosto um pouco mais de você depois de hoje? – Ele retrucou. Não sei bem que “gostar” ele estava falando. E se quer saber não sei bem o que eu estava querendo dizer, mas quem ouvisse aquilo poderia ter suas dúvidas.
–Se eu estivesse, qual seria sua resposta?
Ele olhou para mim. E nossos rostos estavam tão próximos. Seus lábios de repente pareceram tão convidativos. Seu rosto avermelhou-se um pouco e eu sorri. Esperei uma resposta sem mudar em nada a distância entre nós.
–Ace... Eu...
Quando vi que ele não iria responder, meu corpo apenas se moveu sozinho. Inclinou-se para frente e tomou os lábios de Luffy para si. Sim, meu corpo fez isso sozinho. Eu não fiz nada para começar esse beijo. Apenas depois que ele começou. Toquei seu rosto delicadamente (ou o mais delicado que eu posso ser) e me afastei apenas o suficiente para ser capaz de falar.
–Luffy, abre um pouco sua boca. – Pedi num sussurro. Luffy estava extremamente constrangido, mas ele fez como eu pedi. E com ele consentindo, inseri minha língua em sua boca e passamos a nos beijar. E minhas palavras foram cuidadosamente escolhidas. Beijamos-nos. Porque ele retribuiu. Com alguns traços de inexperiência, mas ainda assim correspondia muito bem.
Não me passou pela cabeça que estávamos num lugar público. Ou que eu teria que explicar aquilo a ele depois. Ou qualquer coisa. Apenas Luffy. Continuei acariciando seu rosto.
E então eu quis respirar. Afastei-me dele com rapidez e percebi que tinha ferrado com tudo. Não pela reação dele. A reação dele foi a esperada. Ele ficou vermelho, se afastou e pareceu muito confuso. O problema foi a minha reação. Meu coração perdeu o compasso, meu cérebro ficou confuso e tudo que se passava nele era Luffy. E já estava definido. A aposta fora a pior coisa que eu fizera na vida.
Eu não sabia o que dizer. E não precisei dizer nada, porque meu celular começou a fazer um barulho estranho. Era um alarme que eu colocara para indicar que era o horário de buscar Sabo.
–Er... Luffy, eu preciso buscar o Sabo. Quer que eu te leve para casa? – Perguntei, levantando-me, claramente desconfortável. Tentando controlar meu coração.
–Ah... N-Não precisa, Ace. Eu vou terminar meu desenho. E vou na casa de um amigo.
Eu não protestei. Não é como se eu estivesse louco para discutir esse beijo fora de contexto. Disse tchau ,enquanto olhava para o céu que antes parecia claro, mas agora era quase negro de tantas nuvens que se acumulavam naquele local.E fui embora antes da chuva começar.
Narrador's Pov
Massageando as têmporas com os indicadores e murmurando aborrecido. Não era necessário ser um gênio para notar que o cirurgião estava no ápice do seu mau humor.
– Preciso de café — Resmungou rispidamente enquanto caminhava em direção a sua cozinha em busca do pó torrado, o qual não tardou muito para encontrar, já que era super organizado e já tinha conhecimento de sua localização.
Pegou a cafeteira, despejou a água em seu devido local, enfiou o coador e logo em seguida o pó de café, suficiente para deixar a bebida bem forte. No decorrer do tempo em que Law aguardava a máquina concluir o trabalho, o mesmo pensou em fazer um bolo caseiro para acompanhar a bebida quente.
Decidiu por fazer seu bolo de milho, pois além de ser muito fácil de se fazer e saboroso, era de um rápido preparo, demorando cerca de 15 minutos para ficar pronto. Pegou os ingredientes e pôs a mão na obra.
...
Já mais relaxado, Trafalgar pôs a massa crua dentro de um recipiente metálico untado e colocou o mesmo dentro do forno pré-aquecido a 180°C.
PEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!
O barulho metálico de sua campainha quase o fez derrubar a massa ainda pastosa dentro do fogão, mas como Law é dotado por grandes habilidades, uma delas sendo seu incrível reflexo, não o fez, poupando seu eletrodoméstico de acidentes.
Após fechar a porta do forno, instintivamente, Trafalgar foi observar as telas das câmeras de segurança, todavia, havia se recordado que Kidd já fizera o trabalho de obstruir o seu sistema de câmeras. Um breve arrepio subiu a sua espinha. Lembrou-se dos acontecimentos bizarros do dia. A destruição de seu computador e o roubo repentino de seu pen drive os qual guardavam provas contra Doflamingo e o Vergo, e o pior de todos, a súbita aparição do maníaco cor de rosa no hospital. Só de relembrar o último acontecimento citado, o moreno já começa a se arrepiar amedrontado, como antes.
"Nunca se esqueça que pode ocorrer um acidente"
Trafalgar engoliu o seco e pegou o bisturi que estava localizado na sua pequena caixa de primeiros socorros, a qual usava com bastante frequência para auxiliar o seu melhor amigo contra o maníaco cor-de-rosa.
– Quem é? — Indagou por trás da porta, sem ousar abrir.
– Torao, sou eu! — Ao ouvir a pequena voz infantil e animada do mais novo, os músculos de Trafalgar relaxaram imediatamente. O sentimento de medo e de auto-preservação foram quase que imediatamente esquecidos e revertidos a conforto e um pouco de vergonha.
– Oh! Certo, já estou abrindo — Disse enquanto guardava o bisturi no bolso e o substituía por um grande molho de chaves.
Ao abrir a porta, o maior deparou-se com um belo sorriso de canto ,levemente rubro, do mais novo. Estava com um guarda-chuva molhado em mãos, porém, já estava fechado, pois a chuva torrencial já se dissipara na mesma velocidade que surgira. Law não pôde deixar de ficar nervoso, e fez a primeira pergunta, ou as primeiras perguntas, que veio em mente.
– Precisa de alguma coisa? Doflamingo machucou você de novo? Precisa de ajuda? Quer um café? Precisa de algo? Quer comer um pedaço de bolo?
Eram tantas perguntas aleatórias que Luffy se perdeu em meio delas. O mesmo sacudiu a cabeça levemente, com a pretensão de voltar ao foco original.
– Torao, primeiro: Eu sou seu amigo, não venho aqui só para explorar de sua boa vontade. Segundo: Esqueceu-se que o Doflamingo está viajando e que no momento ele não se encontra na cidade?. E terceiro....Eu aceito sim um bolo com café. — Respondeu o mais novo sem muita cerimônia, adentrando no cômodo principal da casa, e indo em direção a cozinha — Estranho...você não me atendeu pelo interfone dessa vez!
–É mesmo? — Pensou um pouco no que o menor falou — Eu acho que isso deve ser efeito do stress, ultimamente ando bastante atarefado com alguns problemas pessoais — Completou.
– Huum...bem, se quiser que eu vá embora, eu vou, sem proble..
– NÃO!! — Gritou, e arrependeu-se segundos seguintes após a pequena explosão, vendo a face levemente assustada do mais novo — Quer dizer...não há essa necessidade Luffy-ya, sua presença em minha casa além de me confortar me deixa mais calmo, pois eu sei que pelo menos aqui dentro você estará protegido- Justificou-se tentando abafar seu pequeno deslize com palavras mais reconfortantes.
– Bem...já que é assim eu vou ficar, mas já adianto que não posso ficar muito tempo, tenho que trabalhar.
– Certo, prometo que não tomarei muto de seu tempo — Sorriu enquanto direcionava seu CORPO
de volta para a cozinha.
Ace's Pov
Eu pedalei aquela bicicleta loucamente em direção à casa da amiga de Sabo. Eu só queria sair de perto daquele parque, daqueles sentimentos malucos que poderiam ou não estar aparecendo em mim e principalmente de Luffy. Queria estar longe de Luffy. Ao menos naquele momento.
Ele também não fizera muita questão de conversar, mas eu estava na pior situação.
Porque eu fizera uma aposta idiota com aquele abacaxi mais idiota ainda. Eu sabia que Luffy tinha sentimentos, agora mais que nunca e pensar que para vencer aquela aposta eu teria que destruí-los... Como eu faria isso agora?
Aí você me diz: Mas, Ace, é só não cumprir mais a aposta.
Eu sei, eu sei. Nem me importo tanto em ser o escravo do Marco. O que ele pode fazer? Pedir um sanduíche? E o orgulho que eu tenho de não perder a aposta também não é tão importante para mim.
Mas é outro orgulho que me preocupa. O fato do por que eu quero parar com essa aposta. Quando eu beijei Luffy, foi apenas um impulso. Só um impulso do meu corpo. Mas como eu me senti depois daquilo... Foi inesperado. Eu queria beijá-lo novamente.
Eu o queria.
Um trovão longe ecoou pelo fundo.
Por um momento eu me imaginei fazendo aquilo mais e mais vezes. E aquilo não era bom. Não estou falando que eu me apaixonei por Luffy, OK?
Não estou!
Só que meu sentimento não pode ser descrito como amizade. Mas isso não quer dizer nada. N-A-D-A!
Um pouco de calma. Eu só preciso de um pouco mais de calma. Foi só algo momentâneo. Não tem como... Exatamente... Não tem como! Né...?
OK.OK.OK. Está tudo bem. Eu vou não vou completar a aposta, vou dizer pro Marco que perdi. Vou dizer para ele que não quero transar com um cara por dinheiro. Não que isso seja mentira. O motivo definitivamente não é para não magoá-lo. Entendeu?!
Ou talvez eu complete a merda da aposta. Porque eu não poderia me importar menos. Certo?! Certo. Eu estava pensando nisso tudo no caminho.
Quando eu cheguei à casa da amiga de meu irmão, toquei a campainha e esperei. Continuei divagando. E quanto mais eu dizia que não me importava, quanto mais motivos eu dava... Mais difícil ficava de me convencer que era verdade.
Law's Pov
Luffy já havia sentado na cadeira acolchoada da cozinha, somente aguardando ser servido por mim. Eu não o observava, estava virado de costas com a atenção na cafeteira, que estava sobre a pia. Um silêncio um pouco constrangedor se formou no lugar, porém o menor resolver quebra-lo de repente, enquanto eu passava o café para uma xícara.
– Ace me beijou — Foi assim, de repente, direto, sem rodeios ou filtro.
Com tamanho espanto, errei a mira do café, a qual estava direcionado para xícara, acertando o meu dedo. Com o choque térmico repentino, por puro reflexo soltei o recipiente frágil que em menos de dois segundos já se encontrava no chão esparramado, formando uma poça de líquido negro com alguns pedaços enormes de porcelana envolvendo-o. Luffy já havia me contado por alto algumas vezes sobre esse "amiguinho" dele. Nunca liguei muito para ele pois achava que logo ele iria abandona-lo ou Luffy iria se afastar dele, mas vi que eu estava equivocado.
–T-TORAO! Você está bem? — Indagou Luffy levemente espantado com a minha reação.
Tentei retornar a com minha compostura casual, sem muito sucesso, mas pelo menos pude forçar um pequeno sorriso. Enfiei a mão na pia e abri a torneira no frio, fazendo com que a sensação pulsante da minha mão recém queimada fosse embora aos poucos.
– N-não foi nada, eu só não esperava por isso...na próxima vez quando você for falar uma coisa dessas, certifique-se se eu não tenho nenhum objeto capaz de ferir alguém em mãos — Falei, em um tom mais descontraído possível, tentando não parecer sério demais, ou idiota demais.
Luffy deu uma pequena risada boba, porém ele a abafou um uma das mãos.
– O que foi tão engraçado? — Indaguei curioso, enquanto eu procurava por um pano de chão pelos armários da cozinha, a fim de tentar limpar o estrago o qual eu criei. Não tardei muito a achar. Minha mão ainda ardia um pouco.
– É a segunda vez que você queima a mão com café — Luffy riu mais um pouco.
Senti minhas orelhas esquentarem tanto quanto minha mão esquentou no contato com o líquido.Tentei desviar meus pensamentos e passar a me concentrar no chão, o qual estava completamente sujo, molhado, grudento e cheio de cacos de porcelana.
– Mas eai. Esse tal de Ace –Pronunciei rispidamente o nome, mesmo que involuntário — Ele... te forçou alguma coisa?
Quando desferi a pergunta, eu não estava olhando para os olhos do mais novo. Eu estava fingindo estar concentrado em limpar a bagunça, mas mal sabia ele era que eu não queria que ele olhasse para o meu rosto naquele momento. Me sentia levemente decepcionado comigo mesmo e um tanto aflito.
– Nããão, tudo aconteceu naturalmente, mas até agora não sei dizer se eu gostei ou não...mas uma coisa te digo, ele beija tão bem quanto você.
Duas palavras me definiram no intervalo de milésimos de segundos após o moreno citar o beijo o qual dei nele: Quase Morri. Uma sensação a qual eu nunca tinha sentido na minha vida saiu do meu peito, feito uma câimbra, e se espalhou pelo meu CORPO
numa velocidade impressionante. Senti alguns dos meus membros, tanto superiores quanto inferiores, darem leves espasmos. Uma horrível timidez tomou conta de mim. Minha garganta fechou, impedindo a respiração , minhas mão tremiam ,borboletas psicopatas nasciam no meu estômago e se debatiam nas paredes do mesmo como se não houvesse amanhã, minha visão enegreceu, clareou, desfocou e retornou ao foco. Era tudo muito novo e psicodélico.
A sensação era semelhante a ser atropelado por um caminhão de carga em alta velocidade enquanto você está bêbado e deitado em uma via expressa ao mesmo tempo tendo ataques epiléticos...Bem, confesso que isso nunca aconteceu comigo, mas acredito que a sensação seria parecida.Foi desesperador, e todos esses sentimentos vieram muito de repente, como uma tsunami confusa de emoções de uma menininha virgem de 13 anos apaixonada por um ídolo qualquer de Hollywood.
Mas graças a Deus, na mesma velocidade em que os sentimentos vieram, eles se dissiparam. Seria muito estranho explicar para o mais novo o motivo de eu não conseguir me mexer.
Meu cérebro trabalhou desesperadamente por uma saída. Não queria tocar no assunto, pelo menos não agora. Levantei meu CORPO
, abandonando o trabalho ainda inacabado e sentei-me em um banco, restritamente ao lado direito do Luffy.
– Doar quero órgãos eu vou acho me inscrever...
"Merda, estou perdendo minha capacidade de formular frases com sentido".Ao invés de melhorar as coisas, eu simplesmente estraguei tudo. Cogitei a possibilidade de fincar um pedaço qualquer de porcelana na minha testa.
– Como? — Indagou Luffy com uma expressão de muita dúvida. Pelo visto ele não entendeu o que eu disse.Mas seria espantoso se ele entendesse.
– Quero dizer — Tossi, com o objetivo de tentar desfazer a pressão na garganta — Acho que vou me inscrever para doar órgãos — Falei enquanto retirava do meu bolso o papel o qual eu havia pego no hospital.
Luffy olhou curiosamente para o papel e o observou durante um breve momento. Mexeu, abriu, revirou. e logo em seguida um outro papel idêntico o qual eu havia pego saiu de dentro do mesmo, revelando que eu acidentalmente trouxe para casa 2 papéis ao invés de 1 só.
– Uaaaal! — Impressionou-se — Torao vai se tornar um doador — Analisou mais um pouco os papéis — Como funciona? — Indagou demonstrando uma real curiosidade.
– É simples, Primeiro: você precisa ser maior de idade. Segundo: É só pegar um papel desses e marcar qual órgão você quer doar — mostrei o pequeno catálogo para Luffy onde vários órgão vitais estavam escritos em uma letra de imprensa — E por ultimo, você tem que entregar para a secretaria de um hospital público qualquer junto com a sua identidade, e pronto, você se torna um doador de órgãos. E ainda tem um pequeno espaço para você escrever uma mensagem para aquele que vai receber a sua doação, mas a mensagem é opcional, e a identificação também.
Luffy sentiu-se levemente impressionado com tudo e logo em seguida olhou-me admirado.
–Que legal! — Resmungou — Eu posso me tornar um doador também? — Indagou esperançoso o mais novo com um sorriso raro e fofo no rosto.
– Claro que pode — Ri levemente feliz por conseguir me livrar do assunto anterior — Se não me engano você já tem 18 certo? — Luffy acenou positivamente — Então nada o impede a não ser um
– YOOSH! Eu vou doar toooodos os meus órgãos, todos os que eu puder! — Falou alegre o mais novo, mostrando sua satisfação, enquanto pegava o outro papel que estava escondido e grudado dentro do primeiro que eu tinha pego.
– Que órgãos? Pelo o que eu to vendo você é só pele e osso — Ri baixinho. Luffy ficou levemente irritado por te-lo "insultado". E o menor retribuiu com um soquinho de leve no ombro.
– Idiota — Xingou enrubescido
– Ok ok, foi mal...Acho que vou seguir o mesmo exemplo que você, vou doar todos, mas acho que não vou deixar mensagem...Pelo menos eu acho, pois não vem nada na minha mente.
– Ahh! Então eu posso te dar uma dica? — Perguntou o menor esperançoso
– Humm, claro, porque não?
– Por que você não escreve algo como "Esse presente fará com que eu viva até no final de seus dias dentro de você. Aproveite-o e cuide bem deles"
Olhei para o menor impressionado. Era realmente uma bela frase a qual ele acabara de formular. Aproximei um pouco o meu rosto no dele.
– Uma bela frase Luffy-ya, acho que vou rouba-la para coloca no meu cartão.
Nesse momento eu já estava perdendo o controle do meu CORPO
e aos poucos meu rosto, que provavelmente se encontrava vermelho, se aproximava cada vez mais do rosto do menor. Eu desejava-o, principalmente seus finos lábios cor-de-rosa.
– T-Torao...o seu fogão ta pegando fogo.
Com a súbita informação e o cheiro de queimado entrando nas minhas narinas, sai do meu transe repentino e tentei ir o mais rápido possível em direção ao eletrodoméstico, que agora estava começando a pegar fogo."O bolo" Foi a única coisa a qual pude pensar no momento. A fumaça negra finalmente chegou ao teto, acionando o sprinkler , fazendo com que não só eu, mas Luffy e toda a cozinha, tomemos um baita banho gelado.
– Bom — Comecei enquanto a água jorrava do alto e apagava o fogo — Pelo menos agora o chão ta limpo.
Doflamingo's Pov
Nos últimos dias, meu tempo livre ficava cada vez menor.
Trafalgar Law se tornara um incômodo.
Vários traficantes pequenos me davam problemas.
As vendas estavam decaindo.
Por isso, cada vez mais eu tinha menos tempo para observar a vida de meu fantoche, que era um de meus passatempos preferidos. Então, finalmente sentei-me em um de meus escritórios. Eu chamo de escritório, mas obviamente não era num prédio alto, perto de um advogado. Fufufufu, eu não sou estúpido. Ficava escondido e pouquíssimas pessoas sabiam a localização daquele lugar. E não era o único.
Quando eu ia começar a assistir, bateram na porta. Imediatamente fechei a cara. Mas será que um minuto...?
–Entra. – Mandei, segurando uma arma apontada em direção à porta. Vi que quem entrava era o delegado Vergo. Não baixei a arma, apenas a apontei para outra direção. – Vergo... O que lhe traz aqui?
Já que ele já me atrapalhou, era tarde demais para matá-lo ou algo assim.
–Doflamingo, depois da pequena visita que Trafalgar me fez, me surgiram algumas dúvidas. – Ele começou, fechou a porta atrás de si, mas não se sentou.
–Hm?
–O que você pretende fazer com ele?
–Fufufufu. – Ri da pergunta estúpida. – Matá-lo, é claro. Mas não descuidadamente. Não tenho tempo para descuidos. Ele morrerá em algum... Acidente. Trafalgar Law é um cirurgião de renome, muito famoso nacional e internacionalmente. Se fosse assassinado, seria um problema muito grande. E evitável. Portanto não é necessário.
–E sobre o tal fantoche? Eu sei que você irá matá-lo, mas e depois disso?
Girei a arma em meus dedos.
–Vou embora. Vou pegar um brinquedo novo e começar mais negócios em um país mais promissor. Não digo que vou parar as coisas por aqui, mas vou me centrar em outro lugar. As vendas estão caindo aqui.
Vergo assentiu com a cabeça.
–Era só o que eu tinha a perguntar. Então, já vou saindo. – Disse abrindo a porta.
–Tudo bem. Só uma coisa, antes de ir. – Chamei-lhe a atenção. – Não venha mais me ver pessoalmente. No momento corremos o risco de alguém te seguir, principalmente porque Trafalgar sabe que você tem alguma ligação comigo. Pode me telefonar por um celular descartável, um orelhão ou a merda que você desejar.
Ele não disse nada. Apenas assentiu e saiu. Finalmente, passei a assistir as câmeras que eu tinha acesso. Por algum motivo, depois de minha conversa com o delegado, senti uma vontade imensa de visitar meu fantoche depois.
Sorri.
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