Everything Can Change
25 Para tudo tem uma primeira vez
Notas iniciais
Acordei com a luz do sol na minha cara. Tentei me levantar, porém notei que dois braços fortes me seguravam. Olhei pro lado e vi Pedro dormindo ao meu lado. Imediatamente, as cenas da noite anterior vieram a minha mente.
Flashback on:
Depois de passarmos o dia todo passeando pela cidade (idéia do meu pai), eu não via a hora de chegar em casa e dormir. Porém, meu pai resolveu que queria jantar fora.
– Ah, pai! Eu quero ir pra casa! – reclamei
– Hum, ok. – ele disse – Deixo você e o Pedro em casa, primeiro.
Pedro sorriu e passou o braço pela minha cintura. Eu sorri de volta. Por mais que soubesse o que se passava pela cabeça do meu namorado problemático, eu estava cansada de verdade. Meu pai nos deixou na frente de casa e saiu, dizendo que não tinha hora pra voltar. Legal pai!
Entramos em casa e eu fui subindo direto para o meu quarto. Pedro me seguiu. Eu entrei no meu quarto e me joguei na minha cama. Ouvi Pedro bufar e reprimi uma risada.
– Estela, você vai mesmo me ignorar? – ele perguntou
– Pedro, meu amorzinho lindo, eu estou cansada. – respondi
– Mas eu achei que nós poderíamos aproveitar nosso tempo sozinhos. – ele foi dizendo enquanto se aproximava de mim.
– Pedro, não sei... – eu comecei, mas ele me interrompeu com um beijo avassalador.
Todo o cansaço que estava sentindo antes simplesmente sumiu. Eu comecei e puxá-lo para mais perto de mim, sentindo-o sorrir no meio do beijo. Ele me deitou delicadamente na cama, sem deixar de me beijar. Comecei a desabotoar sua blusa, enquanto ele subia a minha. Seu beijo era tão intenso que me fazia parar de raciocinar.
Quando dei por mim, estávamos ambos nus, com ele por cima de mim. Pedro olhou nos meus olhos e eu sustentei seu olhar.
– Eu te amo. – ele disse
– Eu também te amo. – respondi
Então ele me beijou delicadamente, e... Desculpa. Não quero dar detalhes. Acho inapropriado. Só digo uma coisa: foi o suficiente para matarmos nossa vontade!
Flashback off.
Comecei a fazer carinho em seu peito, para acordá-lo. Ele abriu os olhos devagar, um sorriso se formando em seus lábios. Tive que sorrir também.
– Bom dia, Nutella. – ele cumprimentou, me beijando em seguida
– Bom dia, Superman – respondi quando recuperei o fôlego – Temos que levantar. Daqui a pouco meu pai vai estranhar nossa demora.
– Aaahhh! – ele reclamou – Não quero sair daqui!
– Deixa de ser manhoso, Pedro. Vamos voltar pra cá hoje a noite.
– Vamos, é? – ele disse, sorrindo malicioso (como sempre)
Dei um soco no braço dele, fazendo soltar um “ai”, indignado. Eu apenas virei a cara e me enrolei no lençol, levantando em seguida. Peguei uma roupa no armário e fui tomar um banho. Demorei bastante, pois, embora a noite tenha sido maravilhosa, eu fiquei mais cansada ainda. Depois de um vinte minutos, sai. (roupa Estela: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=123788696&.locale=pt-br ). Pedro me olhou, ou melhor, me secou, engolindo em seco em seguida. Eu gargalhei.
– Para de me olhar assim. – mandei
– Não dá. – ele retrucou – Por que você tem que ser tão perfeita?
– Sei lá. A natureza quis assim. Não posso fazer nada.
Pedro riu e balançou a cabeça. Então levantou da cama e me deu um selinho, indo para o banheiro em seguida. Acho que ele gosta de água tanto quanto eu, porque demorou quase o dobro do tempo para terminar.
– Meu deus Pedro! Você é mais lerdo que uma garota pra se arrumar! – zombei
– A pressa é inimiga da perfeição, gata.
– Como se você ficasse muito diferente depois de tomar banho.
– Pelo menos to cheiroso.
– Deixa eu ver. – desafiei e me aproximei dele, inalando seu perfume.
É,ele realmente estava cheiroso. Muito mesmo. Acho que fiquei tempo demais lá aproveitando a situação, porque Pedro riu alto e me abraçou, sussurrando no meu ouvido em seguida:
– Viu? Eu disse que fico perfeito depois do banho. – ele se gabou
– Fica mesmo. – murmurei debilmente
Pedro riu novamente e me puxou, dizendo que tínhamos que descer. Eu apenas assenti e deixei que ele me puxasse, ainda inebriada por seu cheiro.
– ~-
Quando chegamos a cozinha, encontramos Dona Helena preparando o café, sorrindo bobamente. Eu reprimi uma risada. A noite deles também deve ter sido boa.
– Bom dia, mãe. – cumprimentou Pedro, dando um beijo em sua bochecha
– Bom dia, queridos. – ela respondeu – Dormiram bem?
– Sim, Dona Helena. – respondi e, pelo canto do olho pude ver Pedro dar um sorriso safado, me fazendo corar.
– Estela, querida, me chame de Helena. Sem Dona ou Senhora.
– Tudo bem... Helena. – completei com um sorriso. – Onde está meu pai?
– Ele acabou de sair. – respondeu Helena – Ele disse que tinha feito uma encomenda e foi conferir se já chegou.
– Encomenda? – perguntei – Que estranho.
– Bom, quem quer panqueca? – ofereceu Helena
– EU QUERO! – gritou Pedro
Eu ri. “Eu me apaixonei por um retardado” pensei, “ ainda bem que eu também sou”.
– ~-
Uma hora depois, estávamos eu, Pedro e Helena no quintal da casa, perto da piscina, quando meu pai chegou. Ele trazia uma pequena caixinha na mão e possuía um sorriso travesso no rosto. Ele estava aprontando alguma.
– Bom dia. – ele cumprimentou-nos
– Bom dia. – respondemos em uníssono.
– Hoje iremos às compras. – meu pai disse – Temos uma festa pra ir essa noite.
– Festa? – perguntou Helena – Que festa, Arthur?
– A festa de aniversário de um amigo. Relaxem, vai ser uma coisa bem informal.
– Então eu posso ir de calça e tênis? – perguntei
– Estela,não exagere. – ralhou meu pai – Ainda é uma festa.
– Merda! – reclamei
– Olha a boca, mocinha. – ralhou novamente meu pai
– Desculpa, pai. – respondi de mal gosto
– Desculpas aceitas. – ele falou – Então, vamos?
– Vamos, Arthur. – disse Helena
Nós fomos até o carro do meu pai e fomos em direção ao shopping. Eu não estava com a mínima vontade de ficar procurando um vestido, então entrei na primeira loja que vi e arrastei Pedro junto comigo. Eu ia escolher o mais simples que eu achasse, porém o meu querido namorado (ironia on) fez questão de me fazer experimentar o mais chique da loja. Não que tenha ficado feio em mim, mas eu queria contrariar. Só que o chato do Pedro não deixou.
– Ah vamos lá, Estela. – ele choramingou – Não custa nada ir bem vestida.
– Ta bom, Pedro. Já entendi. – resmunguei
Ele riu e entrelaçou sua mão com a minha, beijando minha bochecha. Saímos da loja e encontramos nossos pais comprando comida no Starbucks. Eu larguei a sacola na mão do Pedro e corri até lá, ouvindo ele rir atrás de mim.
– Estela! – ralhou meu pai quando cheguei até eles.
– Ai pai. Não posso evitar. É o Starbucks. – eu falei e meu pai revirou os olhos
– Como você agüenta essa criança, Pedro? – meu pai perguntou ao meu namorado, se referindo a mim.
– Não sei. – ele respondeu – Só sei que sou completamente apaixonado por ela.
Eu me aproximei e dei um selinho comportado nele. Pude ver nossos pais sorrirem, aprovando. Eu nunca estive tão feliz.
– ~-
Chegando em casa, eu fui direto me aprontar para a festa. Quando terminei a maquiagem, ouvi alguém bater na porta. Era o meu pai. Ele entrou e sentou-se na minha cama.
– O que foi pai? – perguntei
– Quero lhe dar um presente.
– Pai, não precisa... – comecei
– Estela, eu quero que você aceite. – ele interrompeu e me entregou uma caixinha vermelha – Abra.
Eu abri a caixinha e vislumbrei um par de brincos de ouro. Eram lindos! Eu estava completamente sem palavras.
– É lindo pai! – comentei, maravilhada
– Era da sua avó. – ele explicou – Ela disse que eu deveria dá-lo para a mulher que eu amar. E, a mulher que eu mais amo no mundo é você, minha Estrela Dalva.
Eu corri e abracei-o, com lágrimas nos olhos. Não podia acreditar que desperdicei dezesseis anos da minha vida morando com a minha mãe. Meu pai era tão perfeito!
– Muito obrigado mesmo, pai! Eu amei!
– Que bom que gostou, querida. Agora termine de se arrumar.
– Sim senhor. – brinquei e ele sorriu, saindo em seguida
Coloquei os brincos na penteadeira e fui me vestir. ( roupa Estela: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=124274292&.locale=pt-br ) Quando terminei, sentei na cama, desanimada. Estranhei, porque nunca fiquei desanimada para ir à uma festa. Bom, parece que para tudo tem uma primeira vez.
Fale com o autor