Everything

10 Se eu chamar, você virá? Você estará lá?


Notas iniciais
Pessoal, segue mais um capítulo dessa história louca, rs.
Agradeço mais uma vez às pessoas que estão acompanhando, principalmente as que mandam reviews e deixam suas opniões sobre o texto.
Lembrando que qualquer erro grotesco de português, é culpa minha e da falta da revisão, rs. Então se virem algo, me avisem, ok?
Mas agora chega de papo furado, e vamos ao capítulo.
Abraços e boa leitura.

“Surpresa ou pegadinha?”

Quinn


Estava com tantas saudades dela que nem me preocupei em voltar cedo para casa. E como ela parecia sentir o mesmo, me convidou para ver um filme e depois jantar. Os senhores Berry pareciam mais felizes também, ou seria aliviados? Não importa. Rachel estava de volta e isso era o que eu queria. Agora é separá-la daquele imbecil, enganar Charlie e pronto, ficarei com ela de vez.

Cheguei em casa, dei um beijo em minha mãe e subi correndo. Claro que a senhora Fabray ficou com cara de interrogação, mas eu estava feliz demais para dar qualquer explicação no momento. E assim que entro no quarto, vejo ele me esperando.

“Precisamos conversar.”.

Disse Charlie sentado em minha janela, cortando toda a animação que tinha segundos antes. Assim peguei a cadeira da escrivaninha e me sentei perto da janela também. O silêncio instaurou-se no quarto, revelando que estávamos cada um perdido em seus próprios pensamentos, até que ele diz novamente.

“Você precisa entender algumas coisas, sobre a pequena, Hudson e o meu papel.”.

Apesar da surpresa, apenas o encaro séria e faço que sim com a cabeça, esperando ele continuar.

“Qual sempre foi o maior medo dela?”.

Diz ele baixo e suave, olhando em meus olhos, então respondo.

“Ficar sozinha.”.

Ele assente com um leve sorriso e diz.

“Exato. Apesar de nunca ter ocultado seus objetivos, sempre foi claro, para quem quisesse ver, que o real medo dela era estar só, sem amigos, sem apoio, sem amor...”.

Ele olha mais uma vez para a lua que brilhava e com um suspiro continua.

“Agora vamos ao rapaz. O que ele tem Fabray?”.

Ele percebe minha hesitação em responder, pois não estou entendendo aonde ele quer chegar, então respondo duvidosa.

“Rachel, status, popularidade.”.

Ele parece pensar um pouco, então diz.

“E o que ele tem em seu futuro? Quais as opções dele?”.

“Bom, tem a oficina do Burt, alguma vaga como jogador de futebol e caso ele continue com o que havia acontecido antes, ele pode se casar com Rachel.”.

Digo essa última parte sentindo dor em meu peito e o medo se aproximar, mas Charlie sorri e diz com os olhos brilhantes em minha direção.

“Agora vamos ao terceiro tópico desta conversa: meu papel.”.

Faço que sim com a cabeça, enquanto espero ele continuar.

“Quando você perguntou se eu era guardião da pequena e eu não confirmei, eu o fiz por ser mais que isso. Entenda Fabray, não sou apenas protetor de sua alma ou sentimentos, sou espelho de sua vontade, força e coragem e desta forma, sou também defensor de suas opiniões e desejos.

Como você sabe, ou exigiu no caso, tenho certa influencia nas atitudes do meu senhor, mas não é sempre que posso ver claramente seus sentimentos e intenções. E isso vale para as pessoas ao redor daquele que eu defendo. Intenções podem ser mascaradas em atitudes e sentimentos Fabray, até mesmo em equívocos e ilusões.”.

O que ele quer dizer com tudo isso afinal? É o único pensamento que consigo distinguir, no meio do turbilhão de informações que minha mente tenta processar.

“Isso tudo Fabray, nos leva à explicação do modo como o rapaz agiu, a pequena reagiu e em minha falha miserável perante sua amada.”.

Diz Charlie com pesar, encarando meus olhos. Então tento dizer, para ser mais uma vez interrompida.

“Mas Charlie, como você pôde falhar com Rachel, se está o tempo todo com ela? Como voc...”.

“Exatamente por isso que falhei Fabray. Eu deveria ser o defensor das vontades dela, mas algo passou desapercebido e quando vi, era tarde demais. A pequena estava perdida e eu havia perdido a batalha, sem ao menos lutar. Fui enganado pelos sentimentos dela e não vi a emboscada se armar diante mim.”.

Vendo a dor em seus olhos, levanto e me aproximo, colocando a mão em seu ombro, enquanto digo.

“Não entendo Charlie. Como alguém poderia aprontar para Rachel sem que você soubesse?”.

“O que a pequena tinha no final do ano passado?”.

Mas que diabos! Vendo a confusão em meu rosto, pela mudança drástica de assunto, ele continua.

“Apenas responda, logo você entenderá.”

Faço que sim com a cabeça, e ele repete.

“O que ela tinha no final do ano passado?”.

“Bom, não sei o que você quer ouvir. Perdemos as nacionais, Rachel parece ter brigado com Finn e Santana queria matá-la.”

Oh God, me dá arrepios só de pensar na latina furiosa.

“E o que a pequena tinha de você?”.

“Hum... o de sempre?”.

“Que seria...”.

Insiste Charlie, novamente com um sorriso. Então suspiro e digo.

“Desprezo, ódio, inveja e por ai vai.”.

“E quem ela tinha? Apesar das brigas e decepções, quem estava com ela?”.

“Mas que saco Charlie, aonde você quer chegar?”.

Digo furiosa enquanto ando pelo quarto. Ele se aproxima e me puxa para a cadeira e diz sério, quando me sento.

“Quero que entenda Fabray, quero que seja capaz de compreender o que aconteceu para mudar tudo, assim terá uma chance de fazer algo a respeito. Quero que entenda a fonte do desespero, e só assim você verá o que ele é capaz. Então sente-se e responda minhas perguntas.”.

Ok. Quem sou eu para reclamar depois dessa. Penso enquanto espero ele se acomodar na janela mais uma vez e continuar com suas perguntas bizarras.

“E o que aconteceu quando este ano começou? Com todos, principalmente com você e ela?”.

“Rachel voltou a ser maltratada pela maioria do Glee, ela e Finn reataram e eu larguei tudo e me juntei às Skanks.”.

“E depois?”.

“Voltei para o Glee para tentar reaver minha filha, para novamente deixá-la ir e você me reviveu, ou algo do tipo.”.

Ele sorria novamente, e disse suave.

“E como você se relacionava com a pequena desde que o ano começou?”.

“Não me relacionava Charlie, você sabe disso, eu a ignorei, ignorei todos e mesmo quando voltei ao Glee, vazia a menor questão de estar perto dela. Só depois dos constantes intrometimentos na minha vida, por parte dela, que eu permitira que nos aproximássemos, mas isso seria depois das Seletivas.”.

“Isso Fabray! Está tudo ai, todos os fatos. Agora junte-os, monte-os com a mente brilhante que sei que possui e entenda o que veio a seguir.”.

Penso por uns instantes, enquanto ele me encara ansioso. Então digo depois de compreender parte do que ele disse.

“Depois Finn pediu ela em casamento, eu dei a ela argumentos para que não aceitasse, mas ela insistiu e ia se casar, mas eu sofri o acidente e morri.”.

Charlie acena concordando e com um sorriso diz calmamente.

“Ele a pediu em casamento e vocês estavam se tornando amigas...”.

Estreito os olhos para suas palavras e entendendo o recado ele continua.

“Agora pense Fabray. Pense com calma o que o rapaz realmente tem?”.

Diz Charlie interrompendo meus pensamentos que estavam um pouco fora de ordem e completamente caóticos.

A olho confusa, mas ele acente com a cabeça, então repito o que havíamos dito sobre Hudson.

“Ele tem Rachel...”.

“Não Fabray, ela não pertence a ele, pelo menos não mais. Então me diga, o que o rapaz tem?”.

Charlie me interrompe com um sorriso e me incentiva mais uma vez com o olhar.

“Ele tem a oficina...”.

“Que é do padrasto, logo do jovem Hummel... Continue...”.

“Hum... ele tem a posição no time...”.

“Time que era um fracasso menos de um ano atrás...”.

Me interrompe mais uma vez e com um sorriso brilhante, faz sinal com a mão para que eu continue. Onde diabos ele quer chegar?

“Ele é popular...”.

“Popularidade alcançada porque era seu namorado.”.

“Ele canta, é o líder do Glee...”.

“Canta pior que muitos calouros e claramente perdeu sua posição nos solos masculinos para o namorado do jovem Hummel. E é líder apenas por pressão da pequena.”.

Então me sorri novamente, enquanto o encaro confusa e totalmente perdida, até que ele decide tirar minhas dúvidas e diz cortante.

“O jovem Hudson nada possui.”.

Oh merda, mas o quê...

“Ele tinha você.”

“Mas eu engravidei.”.

Ele sorri encorajando meu raciocínio e continua.

“Então ele tinha a menina que era forte para lutar por seus sonhos, mas que também tinha medo de ficar só.”.

“E tinha também a cherrio má que a atacava e que precisava dele como apoio.”.

Digo começando a juntar todas as peças, enquanto sou ajudada por um Charlie animado.

“Ela começa a fazer amigos no Glee.”.

“E ele a beija na competição, arruinando todas as chances de vencermos, fazendo com que todos, mais uma vez, a odiasse e ignorassem.”.

“Então a garota má deixa de atacá-la.”.

Diz Charlie e com isso eu estanco de dor e pesar, mas ele põe a mão no meu ombro, me incentivando a continuar com o que seria o fim de Rachel.

“Elas começam a se aproximar e vendo que ela não precisava mais dele. Ele a pede em casamento, alegando que só haveria ele em seu caminho, que se o perdesse ela estaria só...”.

Não consigo segurar as lágrimas e sou rapidamente amparada por Charlie, que diz com um tom triste.

“Eu deveria proteger as vontades dela, sua força e personalidade. Mas os sentimentos que ela acreditava ter por ele, nublaram minha visão. O jovem Hudson, consciente ou não, sabia que precisava de alguém, e como você não era mais uma opção, só restava ela. Ele conhecia a fraqueza dela, seu medo de estar só, mas sabia também que esta era a situação dele. Para ela era uma opção, pois a pequena pode ser insistente o suficiente para ter amigos, mas e ele? Não havia futuro, talento ou amigos. Então ele a cegou. Mostrava ser o protetor que ela precisava, mas não acabava com a fonte dos problemas, pois se eles acabassem, ela não mais precisaria dele.”.

“E e-eu era a m-maior f-fonte de pro-problemas para Rachel.”.

Digo entre lágrimas. Então ele assente e diz com pesar.

“E quando você se aproximou, ele se desesperou, pois sabia que sua amizade era algo que ela desejava tanto ou mais que Broadway, então a pediu em casamento.”.

“Ele a subjulgou.”.

Digo entre a dor e a fúria, enquanto secava as lágrimas raivosamente. Charlie faz sinal com a cabeça e diz baixo.

“E eu não a protegi, pois confiei nos sentimentos dela, confiei nas atitudes dele, sem olhar o que havia por trás.”.

Eu estava furiosa por de alguma forma ter permitido que isso acontecesse com ela, enojada com a atitude do Hudson, assustada com o quão mesquinho pode ser uma pessoa e triste por saber o quanto Rachel havia sofrido.

“Ela precisava de um empurrão para acordar, e eu sabia que teria que vir de fora... Vir de você. Eu não poderia mais alcançá-la.”.

Diz Charlie interrompendo meus pensamentos, e suas palavras me deixam intrigada, mas ele continua antes que eu diga algo.

“A pequena sempre lhe ouviu Fabray, mesmo quando tudo o que havia entre vocês fossem trocas de palavras dolorosas, ela a ouvia.”.

“Não ouviu quando eu disse a ela para não se casar.”.

Digo amarga deixando claro que não era sempre que ela me ouvia, ao que ele responde calmo.

“Ela ouviu, mas pela primeira vez, desde que vocês começaram essa relação louca, ela queria suas justificativas. Não razões óbvias como as que você deu. Ela queria os seus motivos, os reais, para que ela não se casasse.”.

“E eu não disse. Fui covarde.”.

Charlie olha para a lua mais uma vez e diz sem se virar.

“Mas desta vez você não será. E agora que sabe o que houve, entende como ele agiu, como ela reagiu. Agora você sabe que a pequena tem com quem contar, além de você. E desta vez, eu também estarei lá. Não permitirei que a pequena se perca novamente.”.

Faço que sim com a cabeça, enquanto digo baixo e finalmente olhando para a lua, assim como ele.

“Mas antes de tudo, ele irá se desesperar.”.

Só espero, desta vez, estar preparada para isso.

–--

Eu não conseguia olhar na cara de Hudson, sentia asco do garoto fraco e mesquinho que ele realmente era, mas claro que ele não deixaria de me atormentar com sua cara de imbecil.

“O que você fez Fabray?”.

Pergunta um Finn Hudson colérico ao se aproximar do meu armário, enquanto eu pegava meus materiais. Fecho a porta com força e digo fria assim que meus olhos encontram os dele.

“O que quer Hudson? Diga logo, pois não vou ficar aqui aturando suas atitudes infantis e olhando para sua cara ridícula.”.

“Quero que se afaste de Rachel.”.

Mas de novo esse papo? Qual é a dele, não entende que ele não manda aqui? Penso exasperada e lhe digo seca.

“Escute, mais uma vez, Hudson. Você não manda em mim, muito menos em Rachel, então aproveite o tempo que lhe resta, e tente ao menos ser legal com ela, pois em breve, você não será bem vindo aqui, ou em qualquer lugar. E não será eu a te mostrar isso, será Rachel.”.

Ele tem a dignidade de se assustar com minhas palavras, mas ainda é burro o suficiente para me desafiar e diz.

“Você não manda nela Fabray. Além do mais, Rachel nunca me deixaria, sou a única garantia que ela tem.”.

Mas não mesmo! Penso furiosa e antes que lhe dê a resposta que merece, Satan surge das profundezas do inferno e diz debochada.

“Ora, ora. Os gladiadores do parquinho estão conversando. Sobre o que seria? Um novo playmobil ou planos para faculdades fora do estado?”.

Finn fica pálido com suas palavras e sai praticamente correndo. Assim que o gigante vira a esquina do corredor, encaro a latina sorridente ao meu lado e antes que diga algo ela dá de ombros e sai andando tranquilamente.

–--

“Santana sabe.”.

“O quê?”.

Diz Charlie confuso, enquanto se senta em minha janela novamente.

“Santana possui informações que Hudson preferia não ter deixado escapar, e ela as usará.”.

Respondo enquanto me sento na janela, ao lado dele. Ficamos em silêncio, cada um com seus pensamentos, até que ele diz suave.

“E o que você fará?”.

Encaro seus olhos que agora estavam sombrios e digo fria.

“Farei o jogo dela, e darei o que ela quer.”.

Ele me encara surpreso e diz.

“E isso significa que sua amiga conseguirá executar o plano dela?”.

Sorrio com seu tom e digo antes de desviar meus olhos para a lua.

“Sim, ela fará o jogo dela. O que Santana não sabe ainda, é que serão as minhas regras.”.



Rachel

Eu estava definitivamente feliz! Estar com Quinn novamente me alegrava, me deixava livre e leve o suficiente para ser apenas Rachel. As tardes com ela eram mágicas e reconfortantes, pois por maior pressão que sofresse na escola, de Finn ou de mim mesma, ela estava lá com aquele sorriso desconcertante que me acalmava instantaneamente.

Mas nem tudo estava bem, ou resolvido, pois havia Finn e minha situação com ele. Eu só não esperava que ele tomasse aquela atitude quando veio me procurar...

“Rachel, posso falar com você?”.

Diz Finn, que parecia um pouco agitado, enquanto se aproximava de mim.

“Claro Finn, o que houve? Você não parece bem.”.

Ele sorri sem graça e diz.

“E-está t-tudo bem Rach. S-só estava com saudades de você e queria conversar.”.

Sorrio com seu nervosismo e me deixo ser guiada até a sala vazia mais próxima.

Ao chegarmos lá, Finn imediatamente puxa uma cadeira para que eu me sente e assim que o fiz, ele se ajoelha e começa o discurso que me tiraria totalmente do eixo.

“Rachel, você sabe que eu te amo e que você é tudo pra mim. Sabe também que apesar das nossas brigas eu sei que você também me ama, mas como a escola está terminando e não vejo nossas vidas separadas, quero que você se case comigo.”.

Ao terminar, Finn abre a caixinha de veludo, com o anel dourado no centro e me olha ansioso.

Não, isso não está acontecendo. Não faça isso comigo Finn. E como ficam meus sonhos? Minhas ambições? Como eu fico? São meus únicos pensamentos enquanto deixo a lágrimas rolarem.

“Isso é um sim Rach?”.

Faço que não com a cabeça, sem realmente responder sua pergunta, pois não conseguiria dizer qualquer coisa agora. Mas minha ação o assusta e ele rapidamente diz.

“Tudo bem se quiser pensar Rachel, eu entendo que isso seja importante e tudo mais. Só não demore a responder.”.

Não conseguia me mover, muito menos parar de chorar. Então ele me dá um beijo na testa e sai da sala. Fico alguns minutos sozinha e quando me dou conta já estava longe da escola, no parque.

Precisava de ar, precisava pensar, precisava de um abraço, precisava de colo. E com estes pensamentos, mando uma mensagem para a única pessoa que estaria me esperando naquela árvore, dizendo onde estava.

Ela chegou como sempre, às três da tarde, com a cesta e seu sorriso, mas este logo morreu quando ela viu que eu chorara e antes que ela dissesse algo, me joguei em seus braços e deixava as lágrimas correrem novamente, enquanto ela me apertava contra seu corpo e me confortava. E nunca me senti mais segura...

Estávamos sentadas na grama, os soluços haviam parado, assim como as lágrimas, mas permanecemos da mesma forma: Quinn me afagando os cabelos e eu agarrada a ela. E mais uma vez o silencio veio, o silencio que aperfeiçoamos no tempo em que estávamos distantes... O silencio que mostrava que ela estava esperando, mais uma vez. E eu não queria que ela esperasse, então sem lhe olhar nos olhos, disse baixo.

“Finn me pediu em casamento.”.

Sinto Quinn tencionar em seu abraço, e depois do que pareceram horas, ela suspira e diz suave, enquanto apoiava o rosto na minha cabeça.

“E o que você disse?”.

O carinho, o calor, a voz... Tudo que vinha dela naquele momento me embriagava. Quando foi a última vez que me senti assim? Será que algum dia me senti assim? Pensei antes de me afundar mais em seu peito e dizer.

“Nada...”.

Ela se afasta para me encarar com surpresa e digo rápido, para em seguida voltar à posição em que estávamos.

“Eu não consegui e ele interpretou minha falta de palavras como um pedido de tempo para pensar.”.

Sinto ela mover a cabeça, em concordância, para logo em seguida dizer.

“E você quer?”.

“Não sei Quinn. Eu não sei o que fazer, pensar ou sentir. É como se algo estivesse errado, fora do lugar...”.

“E... v-você o ama?”.

Sinto sua hesitação com a pergunta e suas palavras me fazem pensar. Eu o amo? Ainda amo Finn? Algum dia amei Finn?

“Hum...s-sim. E-eu acredito que sim.”.

“Você não parece certa disso Rach.”.

Veio a sentença com voz suave.

“Eu tenho medo Quinn... Medo de lutar pelos meus sonhos e ficar só. Medo de desistir deles por alguém e ser infeliz. Eu só tenho medo.”.

Digo novamente me entregando ao choro, mas Quinn gentilmente se afasta para me segurar o rosto e dizer, enquanto limpa minhas lágrimas.

“Você não estará sozinha Rachel. Entende isso? Eu serei sua amiga, antes de qualquer coisa e estarei lá por você. Você pode sentir medo, mas não fique parada por causa dele. Essa não é a Rachel que eu conheço.”.

Suas palavras me fazem sorrir um pouco mas não por causa da brincadeira, mas por saber que ela estaria lá, que seria minha amiga. Então digo baixinho, sem me afastar.

“Obrigada.”.

Ela me sorri em resposta e antes que me afaste, ela aperta minha mão e diz séria.

“Antes de você responder e ele, poderia me encontrar no auditório? É algo que venho preparando a algum tempo e se não for agora, poderá ser tarde demais.”.

A encaro intrigada e pergunto.

“O que foi Quinn? É algo sério? Pode me dizer agora, se quiser.”.

“Não Rach, no auditório. E não se preocupe, é apenas algo que venho guardando há algum tempo e acredito que seja a hora de você saber.”.

Concordo silenciosamente enquanto a observo arrumar a toalha sobre a grama, para logo em seguida me dizer brincalhona.

“Venha logo aqui Berry, pois me recuso a ir embora enquanto esta cesta estiver cheia.”.

Me aproximo sorrindo enquanto pego o lanche que me oferecia, então começamos a conversar sobre coisas bobas e inúteis. Até que, minutos depois, ouvimos um grito atrás de nós, e antes que eu me desse conta, ser jogada no chão pela loira de olhos azuis.

“Raaaaaaaaaaaach! Que bom ver você e Q aqui. Eu e San viemos dar comida aos patos, você quer vir junto?”.

Diz animada Brittany, sem sair de cima de mim. Então vendo meu estado, Quinn vem em meu socorro, afastando sua amiga e me ajudando a levantar.

“Oi B, claro que Rachel adoraria se juntar a você. Porque vocês não vão na nossa frente, enquanto Santana me ajuda a colocar as coisas no carro?”.

Diz Quinn para Brittany e percebo que ela nos quer longe para falar com a latina. Mas nem tenho tempo de questionar sua atitude, pois logo sou arrastada pela loira animada, deixando Quinn e Santana se encarando, em uma guerra silenciosa.

Tomara que Quinn não se machuque.


Santana

Eu e Brit-Brit estávamos no parque, pois era dia de dar comida aos patos, e eis que me surpreendo, ao ver de longe, Juno e Frodo lanchando. Que fofo. Penso debochada. E decido mudar a rota, pois se B as visse, iria querer se aproximar, até que ela grita e solta minha mão enquanto corre. Claro que não teria tanta sorte assim.

Chego até elas no momento em que ouço Quinn, não tão discretamente, dispensa o Hobbit e minha loira, alegando que eu a ajudaria com qualquer coisa inútil, e assim que a dupla está longe o suficiente, digo sem rodeios, afinal sabia que ela queria algo.

“Ora, ora Juno, você foi rápida, mas pelo que sei, seu playmobil ainda tem namorado.”.

“Sim, ela tem.”.

Diz Quinn extremamente calma e sem me olhar. Então continuo.

“Bom, agora você pode finalmente acabar com a vida do Hudson e se mudar para o armário, o que acha?”.

Quinn parece me ignorar por um momento, enquanto continua olhando para o Hobbit, que lhe acena e após responder, se vira me encarando enquanto diz calma.

“Ele a pediu em casamento.”.

Dios mío! Hudson tem merda na cabeça, só pode. Penso antes de lhe dizer.

“Você parece estar com problemas maiores agora Q.”.

Ela assente e sem desviar o olhar diz.

“Você sabe de algo.”.

Estreito os olhos para sua afirmação e digo irritada.

“Sobre o que Fabray?”.

“Sobre Hudson. Sei que ele deixou escapar algo e que você sabe.”.

Sorrio debochada, com suas palavras e digo em desafio.

“E você quer saber. Claro que sim! Principalmente agora que sua maior ocupação é babar pelo anão e fazer planinhos para separá-lo do gigante. Que original Fabray! E o que você vai fazer? Me torturar com musicais até que eu lhe diga?”.

Quinn balança a cabeça e diz calmamente, o que está começando a me irritar.

“Farei nada San, não com você.”.

Rapidamente lhe seguro pelo braço, enquanto vocifero.

“Não se atreva a machucar Brittany, pois nada me impedirá de acabar com você, se pelo menos tentar.”.

Como marca registrada, Quinn levanta uma sobrancelha e diz irritada, enquanto se solta.

“Não farei nada a ela Santanta. E nós duas sabemos que eu poderia lhe arrancar essa e qualquer outra informação que quisesse. Infelizmente, se eu estivesse com pressa, provavelmente Brit seria atingida, mas não farei isso. Somos amigas.”.

Suas palavras me impedem, momentaneamente, de pular em seu pescoço e torcê-lo, então digo.

“E o que fará Fabray? Pois espero que saiba que me deixar saber o que Hudson está fazendo, em nada lhe ajuda.”.

“Direi a verdade e deixarei Rachel escolher. Ela está, mais uma vez, segura o suficiente para escolher quem quer em sua vida. E ela me ouvirá antes de dar uma resposta ao Hudson.”.

Quinn é uma idiota! Apenas isso explicaria seu comportamento. Como um dia pude me orgulhar de tê-la como minha capitã? Penso antes de dizer.

“Se não vai me arrancar os segredinhos do Hudon, o que quer comigo afinal? Pois sabemos que não foi para falar sobre o tempo que você dispensou as duas.”.

Percebo a dor passar por seus olhos rapidamente e antes que diga algo, Quinn diz suave.

“Quero pedir desculpas.”.

O quê? O pensamento grita em minha mente, enquanto olho incrédula a loira à minha frente. Então digo sem esconder a surpresa por suas palavras.

“De que diabos está falando?”.

“De tudo San... Estou pedindo desculpas por não ter lhe apoiado quando terminou com Brit. Desculpas por não ter lhe defendido quando Hudson lhe tirou do armário. Desculpas por ter me afastado e machucado você e B.”.

Quinn Fabray foi abduzida! Dios mio, o que será de nós? Penso enquanto tento absorver o impacto que suas palavras têm. Então a compreensão me atinge e digo debochada.

“Ótima jogada Fabray. Isso explica o porquê de você estar ajudando Brittany. Explica o fato de estar tão despreocupada com relação ao que sei sobre Hudson.”.

Quinn faz cara de quem não entendeu e eu continuo. Quinn é mesmo uma vadia, a melhor.

“Está usando tudo isso para que eu não acabe de vez com RuPaul. Está fazendo tudo isso para que eu acredite em você e não atrapalhe seus planos com o Hobbit. Quinn, devo admitir que desta vez você se superou, parabéns!.”.

Termino ofegante e furiosa, enquanto assisto Quinn passar de surpresa para tranquila e me dizer calmamente.

“Não San, não estou ajudando Brit por querer algo em troca. E não estou mentindo sobre minhas desculpas.”.

“E por que está ajudando ela?”.

“Porque ela é minha amiga e quero que tenha um futuro, ou pelo menos uma chance.”.

“E por que está pedindo desculpas? Sabe muito bem que não cairei em joguinhos para fazer eu te ajudar.”.

Quinn sorri e diz.

“Porque você é minha amiga. E eu sinto muito por não ter estado ao seu lado quando você precisou.”.

Encaro a loira sorridente enquanto tento formular algum pensamento coerente e lhe dar a resposta que ela merecia. Mas as palavras não vieram e Quinn continuou.

“Sei que tivemos nossos problemas San, e por mais conturbada que fosse nossa relação, eu sabia que poderia contar com você. Que apesar de sermos as maiores vadias dessa cidade, poderia confiar em você. E é isso que farei mais uma vez.”.

“O-o que me confiará Quinn?”.

Consigo dizer baixo, enquanto encaro aquele olhar forte e determinado. Exatamente como minha ex-capitã sempre olhava quando tinha certeza de algo.

“Confiarei que tomará a melhor decisão sobre Rachel e eu. Que saberá o que fazer para o melhor de todas nós, incluindo Brit.”.

Desvio de seu olhar determinado e resmungo.

“Eu não confiaria.”.

Quinn gargalha com minhas palavra e diz enquanto me abraça.

“Você é minha melhor amiga San, não poderia confiar algo tão valioso a outra pessoa.”.

Sem perceber assinto com a cabeça, ganhando um sorriso antes que ela se afaste. Para logo ir embora e me deixar com Brit e meus pensamentos. Que são bruscamente interrompidos pela minha namorada que diz suave.

“Eu gosto de ver as duas juntas. Quinn nunca esteve mais feliz e Rach nunca pareceu tão forte e segura.”.

Ela então para e diz triste, ao me olhar nos olhos.

“Sei que tem planos para separá-las San. E eu não posso lhe impedir de segui-lo, mas...”.

Sinto a dor em seu tom de voz e lhe encorajo a continuar.

“Mas o que B?”.

Ela respira fundo e diz entre lágrimas.

“Mas não posso te ajudar San. Não farei isso com Rachel e muito menos com Quinn. E se você quiser terminar comigo por causa disso, eu entenderei, mas ainda sim não lhe ajudarei.”.

E antes que eu possa dizer algo, Brittany me beija os lábios suavemente e vai embora, me deixando com apenas um pensamento.

Parabéns Quinn, pela primeira vez em anos, Brit escolhe se afastar de mim, por alguém que não é um namorado. Pela primeira vez ela me deixaria por um amigo, por ser escolha dela. Então é hora do troco.

–--

Brittany continuava estranha comigo, ela parecia triste e isso estava me matando de ódio. Maldita Fabray! Então B deixa escapar a informação que eu precisava para acabar de vez com tudo isso.

“Tenho que ir San. Quinn cantará para Rachel daqui a pouco e preciso estar lá para apoiá-la.”.

Era tudo que eu precisava. Penso vitoriosa enquanto pergunto suavemente à minha loira.

“E onde Quinn estará, Brit-Brit?”.

“No auditório. Ela já combinou com Rachel, então preciso ir.”.

Ela me dá um selinho e sai saltitando em direção ao auditório, e antes mesmo de chegar à porta contrária, mando uma mensagem para a pessoa que não se recusaria a me encontrar, enquanto procuro nos corredores pela outra interessada.

“Onde você pensa que vai ManHands?”.

Digo alto o suficiente para chamar a atenção da anã e para-la, que parecia estar correndo uma maratona infantil.

“Preciso ir ao auditório Santana, e antes que pergunte, não sei onde Brittany está.”.

“Não é sobre Brit que vamos falar agora.”.

Frodo arregala os olhos e diz hesitante.

“E s-sobre o que seria Santana? Não posso demorar, Quinn está me esperando.”.

Sorrio com suas palavras e digo rapidamente, enquanto lhe puxo em direção à sala do coral.

“É sobre Q mesmo que vamos falar, mas antes há uma surpresa para você na sala do coral.”.

RuPaul tenta se soltar do aperto em seu braço e diz.

“Não Santana. Quinn está me esperando, não posso me atrasar.”.

“Ora Hobbit, você provavelmente está quinze minutos adiantada, então Quinn não terá o que esperar, pois nosso assunto será breve.”.

Frodo parece desistir de ir contra, pois parou de se debater. Isso ou pelo fato de estamos chegando à sala, e antes de chegarmos à porta, paro e me viro para dizer séria.

“Fiquei aqui Frodo, só entre quando eu lhe der um sinal pelo celular, preciso saber se está tudo preparado.”.

“E-e como saberei q-que não é u-uma armadilha?”.

Lhe sorrio debochada e digo antes de me afastar.

“Terá que correr o risco Berry. Só lhe garanto que valerá a pena.”.

–--

“Diga logo o que quer Lopez, não tenho o dia todo.”.

“Fique calmo ai grandalhão, não pense que pode falar assim comigo.”.

Digo irritada para o imbecil que atende por Finn Hudson, que coça a cabeça e diz enquanto baixo. Isso mesmo Hudson, entenda quem manda aqui.

“O que quer então.”.

Me sento calmamente enquanto digo sem rodeios.

“Quero saber sobre essa história de faculdades na Califórnia e como conseguiu convencer RuPaul a ir com você.”.

Finnbobão sorri e diz presunçoso.

“Não precisei convencer ninguém Satan. Sou a única opção de Rachel, afinal, ela não recebeu sua carta de NYADA e sem mim ficará presa em Lima.”.

Sinto nojo do rapaz que está na minha frente, mas continuo fingindo interesse.

“E você acha mesmo que ManHands ficará em Lima por muito tempo? Acha mesmo que ela aceitará ir para qualquer buraco com você?”.

Ele gargalha e diz convencido.

“Você não entendeu Lopez. Rachel tem nada, e ninguém. Ela precisa de mim e só terá a mim, pois nem mesmo Quinn conseguirá se aproximar quando nos casarmos. E quando eu for para a Califórnia, ela irá comigo, pois não deixarei que fique longe.”.

“Você o quê Finn?!?”

Diz Berry finalmente, depois de conseguir segurar as lágrimas, enquanto ouvia desde o começo, as declarações do seu herói. E prevendo o que vem a seguir, só me resta sorrir enquanto penso. Agora estamos quites Fabray.



Quinn


Estava andando pelo meio do palco, esperando... Mais uma vez esperando por Rachel. Brit estava sentada na primeira fileira, ansiosa. E Brad estava confortavelmente sentado no banco do piano.

Rachel está atrasada. É o pensamento que me vêm assim que confiro no relógio que se passaram 15 minutos do horário combinado. Então me aproximo do piano e digo cansada.

“Obrigada por vir Brad, mas não haverá apresentação hoje. Está claro que meu público não virá hoje.”.

Ele sorri e diz gentil, enquanto apanha suas partituras.

“Tenho certeza que algo muito sério aconteceu Quinn.”.

Faço que sim com a cabeça enquanto encaro as teclas do piano, até que ele se aproxima e diz novamente.

“É uma música incrível Quinn, Rachel teve ótimos motivos para não estar aqui agora, mas não deixe de cantar para ela. Tenho certeza que ela amará a música, então quando decidir se apresentar novamente, me avise.”.

A encaro espantada, mas internamente grata por seu apoio. E antes que ele vá embora, consigo dizer.

“Obrigada Brad, e pode ter certeza que independente do que tiver acontecido, essa apresentação ocorrerá e contarei com sua ajuda.”.

Ele sorri mais uma vez e some atrás das cortinas.

Brit se aproxima e me abraça, mas antes que diga algo, ouço a voz ao longe.

“Sala do coral. AGORA!”.

E sem pensar me ponho a correr, para ser tomada de dor e fúria, ao finalmente chegar derrapando na porta da sala, que para meu desespero estava trancada, mas ainda assim consigo ouvir as palavras que me levam às lágrimas e aumentam meu ódio.

“Não lhe devo explicações Rachel, aceite logo meu pedido de casamento e que sou o único disposto a lhe tirar de Lima.”.

“Não Finn! Eu irei para NYADA, serei uma estrela da Broadway. Por favor, não me peça para desistir de tudo.”.

“Você nem recebeu sua carta ainda, como pode acreditar que passou?”.

“E-eu s-sei que passei Finn. Minha carta vai chegar.”.

Finn gritava com Rachel, que estava se encolhendo cada vez mais, enquanto se entregava às lágrimas, e eu continuava batendo, socando e empurrando a porta, que ainda não abrira. Até que ele se aproxima perigosamente e meu desespero aumenta.

“Não Rachel, não chegará. E você continuará em Lima, sozinha. Pois não tem amigos e não terá lugar para onde ir. Entenda que só tem a mim.”.

“Se encostar nela, considere-se um homem morto Hudson.”.

Diz Santana, sem se levantar, mas deixando claro que nenhum movimento passaria desapercebido. O que me dá um pouco de alivio, mas ver a forma como Rachel estava chorando ainda me desesperava.

“E-eu tenho amigos Finn. E-eles estarão lá por mim.”.

Diz Rachel baixinho, em meio às lágrimas e soluços. Aumentando minha dor e com isso a força com que batia na porta.

“Que amigos Rachel? Kurt? Santana? Ah, sim. Sua queria Quinn. E onde ela está agora? Onde Kurt está agora. E Santana não é nada sua, pois está ali parada sem fazer qualquer coisa para lhe defender. Então diga Rachel, onde estão seus amigos?”.

Brittany chega e com sua ajuda e mais alguns empurrões, a porta abre e antes mesmo de pensar direito, me aproximo de Hudson, lhe dando um soco no rosto e dizendo furiosa.

“Os amigos dela estão aqui, e aqueles que não presenciaram essa cena nojenta, com certeza saberão e serão mais uma vez amigos dela. Pois ao contrário de você, Rachel tem com quem contar, por mais duvidosa, estreita ou recente relação que ela tenha com algumas pessoas, elas são seus amigos, e isso, nem você ou qualquer outra pessoa pode mudar. Não serão seus jogos, mentiras e manipulações que mudarão o incontestável: você é um perdedor.

Entenda e admita de uma vez que o sozinho aqui é você. Que é você o incapaz e desprezível. Você é o perdedor de Lima, que não terá futuro. Que não tem para onde ir, ou com que contar.”.

Minhas palavras o atingem, pois vejo a cor sumir de seu rosto, mas antes que eu continue o discurso que sentenciaria o fim dele, o soluço de Rachel me desperta e sem mais, me aproximo e a puxo para meus braços. Nos quais ela se deixa relaxar e chorar toda sua dor e desilusão.

“Não seja estúpido Hudson, sabe muito bem que se tentar algo contra elas, terá problemas comigo também.”.

Ouço Santana dizer, e em seguida a resposta fria dele.

“Você armou pra mim.”.

“Não Finn, ninguém te obrigou a dizer qualquer coisa. Você se entregou.”.

E para surpresa de todos, quem disse isso foi Rachel, com uma voz triste e baixa, mostrando ali toda sua decepção, para em seguida se afundar no meu abraço, permitindo assim que eu a tirasse dali.

Ao chegar no estacionamento, me afasto um momento, para abrir a porta pra ela, então percebo que Santana e Brittany se aproximavam. E sem dizer uma palavra, Brit abraça Rachel fortemente, lhe dando um beijo na testa ao se afastar, mas é quando me aproximo para ajudar Rachel a entrar no carro, que ela nos surpreende, pois vai rapidamente em direção à latina e a abraça, enquanto diz baixinho.

“Obrigada.”.

Santana surpresa com a atitude de Rachel, apenas assente, e quando Rachel já se encontra no carro, me aproximo da minha amiga latina e digo entre lágrimas, antes de ir embora.

“Viu? Não haveria outra pessoa na qual eu confiaria a segurança dela. Obrigada, San.”.

–--

Rachel estava finalmente dormindo, depois de chorar por horas e quando não havia mais lágrimas, permitir-se tomar um banho enquanto eu preparava algo para que ela comesse.

Estava quieta, pensando em tudo o que estava acontecendo, e não poderia deixar de me lamentar pela dor em que se encontrava a mulher que amo. Se eu pudesse dizer a ela o que sinto. Se pudesse lhe arrancar essa dor que parece não ter fim. Eu faria sem duvidar. Qualquer coisa para ver o brilho e esperança naqueles olhos novamente. Eram meus pensamentos, então ela se mexe um pouco, enquanto desperta, e quando abre os olhos, me encara e diz triste.

“Será que nunca dará certo Quinn? Será que estou condenada a viver uma vida vazia, enquanto sou abandonada pelas pessoas e tenho meus sonhos destruídos?”.

A tristeza em sua voz me assusta, e sem hesitar, seguro seu rosto enquanto digo firme.

“Olhe só para você Rachel, é uma mulher incrível, então por favor, não se deixe quebrar por alguém que era fraco demais para entender seu valor. Você não estará sozinha, sabe disso, pois agora você tem a mim. E pelo que aconteceu hoje, tem também Brittany e Santana. Além dos seus pais que lhe amam mais que tudo. Então não venha me dizer que ficará sozinha ou que será abandonada. Isso não acontecerá!”.

“M-mas e meus sonhos Quinn? E-eu não recebi minha carta.”.

Tento segurar minhas lágrimas por ver, mais uma vez, a dor em seus olhos e digo.

“Você acredita em si mesma Rachel?”.

“M-mas Q...”.

“Não Rachel, responda minha pergunta. Você acredita em seu talento, força, dedicação e determinação?”.

“S-sim Quinn. Mas...”.

A interrompo novamente e continuo.

“Então é isso que basta Rachel. Pois mesmo que você não passe agora, sei que tentará novamente, e quantas vezes forem necessárias, até que NYADA veja finalmente o brilho que não se pode apagar. E esse brilho, essa luz vem de você Rachel. Então por favor, não desista.”.

Vejo um sorriso tímido aparecer entre as lágrimas e ela diz doce.

“Obrigada Quinn, por ser minha amiga e estar ao meu lado.”.

Sorrio em resposta e a puxo para mais perto e em alguns minutos ela adormece novamente, então digo baixinho, sabendo que ela já dormiu.

“Não me agradeça Rach. Pois mesmo que tenha seus sonhos transformados em migalhas e você pense que não tem mais o que fazer, ou para quem correr. Eu estarei lá e serei sua amiga.”.

Vejo ela sorrir no sonho, me lembrando automaticamente dos dias em que passei com ela naquele outro lugar e digo entre lágrimas.

“Estarei lá porque te amo.”.

Notas finais
Peço mais uma vez que me digam como está o texto. Se tem algo faltando ou sobrando. Sugestões e opnições serão sempre bem vindas e farei o possível para esclarecer as dúvidas e atender os pedidos.
No mais, muito obrigada por ler.
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Abraços.