Notas iniciais
Mais um capítulo para ver se essa onde de fic Finchel diminiu, rs.
Cenas clichês e tudo mais, aproveitem, rs.
Espero que estejam gostando e me digam o que pensam sobre a fic.
Abraços e boa leitura.

Rachel

Essa semana foi realmente... diferente. Quinn me surpreendeu de uma forma que me deixa quase sem palavras, e posso dizer que isso é raro.

Primeiro aquele abraço na sala do Figgs. O que foi aquilo? Se dias antes ela quase me mata com seu olhar, no dia da apresentação. E ainda diz que estava sentindo minha falta. Oi, o mundo acabou e não me avisaram? Mas conversamos ela afirmou ter mudado e que éramos amigas, mais ou menos, ela disse na verdade.

Então ela realmente me assusta, ao ajudar com a raspadinha e pior, ameaçando Azimio por mim? E ainda teve o beijo... Tudo bem, foi no rosto, mas foi... incrível! Quinn Fabray foi abduzida, só isso explicaria suas atitudes.

Claro que toda essa mudança me deixou mais que feliz, afinal o que eu mais quis nestes últimos anos, era me aproximar dela. Mas ela sempre se afastava, me cortava e me ignorava, então um belo dia acorda e resolve ser minha amiga. Apenas um exorcista poderia explicar o que houve, mas prefiro deixar assim e descobrir quem é essa nova Quinn, apesar de saber que deveria me segurar e não ser tão impulsiva, não consigo resistir, aquela é Quinn Fabray afinal.

E era isso que esperava, conhecê-la, mas Finn resolveu agir como se fosse meu dono e me seguia por todos os lados da escola, ato que me deixou extremamente irritada, e atrapalhou toda aproximação de Quinn pelo resto da semana.

Claro que tinha receio, mas eu queria tanto vê-la, saber mais dessa pessoa, que até agora, estava mostrando ser incrível. E foi com esse pensamento que me dirigi à aula de literatura, a qual eu teria com Quinn, mas ela não apareceu. Estava preocupada, pois não conseguimos nos aproximar pelo resto da semana, e ela também não apareceu no Glee. E apesar de estar morrendo de curiosidade para saber o que tinha acontecido com ela, resolvi vir pra casa sem procurá-la na escola, não sabia se minha curiosidade seria bem recebida, pois mesmo com sua mudança, nunca se sabe o que se passa na cabeça de um Fabray.

Estava em meu quarto, tentando estudar, mas tão concentrada pensando nela que começo a ter alucinações, pois acredito estar vendo Quinn Fabray pular minha janela.

“Q-Quinn?!”.

Digo enquanto me afasto acreditando que estou realmente ficando louca.

“Oi Rachel, como vai?”.

Não, ela não me perguntou isso. O que está acontecendo, estou louca? Penso enquanto dou mais um passo para trás e vejo ela se sentar na janela. Então digo, ainda tentando encontrar uma explicação para o que está acontecendo.

“O-o que você está fazendo?”.

Ela sorri e responde como se fosse a coisa mais banal, pular minha janela.

“Estava ficando louca com a inscrição de Yale, e lembrei que você ofereceu ajuda. Então, aqui estou.”.

Ok. Quem é você e o que fez com Quinn Fabray? Arregalo os olhos mais surpresa ainda, pois a calma em sua voz não é normal, então não me seguro e pergunto.

“E porque está pulando minha janela?”.

Ela dá de ombros e responde.

“Bom, não é como se eu nunca tivesse feito isso antes, certo?”.

Meu queixo cai e tenho certeza, pela sua expressão confusa, que ela não percebeu o que acaba de dizer.

“N-não Quinn, você nunca fez isso antes.”.

Ela parece finalmente se dar conta da situação e começa a dizer rapidamente, totalmente embaraçada.

“Oh Rachel, eu... me desculpe... não sei o que tinha na cabeça... eu... bom eu vou indo... desculpe mesmo...”.

Ao ver que ela está indo embora, me aproximo rapidamente e a seguro pelo braço enquanto digo.

“Não Quinn, não vá. Você veio pedir ajuda, não precisa ir embora.”.

Ela tenta se soltar enquanto pede mais desculpas, e como eu ainda a seguro, ela se desequilibra e acabamos caindo no meio do quarto. Quinn caiu em cima de mim, e a posição em que nos encontramos me faz ficar estática por puro nervosismo. Mas por quê?

Ela levanta um pouco, colocando a mão do lado da minha cabeça, e ao me encarar posso ver claramente seus olhos, seus lábios. Tão linda...

Ela me sorri sem jeito e diz baixinho.

“Me desculpe Rachel... você se machucou?”.

Não consigo mover um músculo... Aquele olhar, o que há por trás dele?

Vejo seu olhar se tornar preocupado e percebo que ainda não respondi sua pergunta, então balanço a cabeça em negativa, descobrindo que consigo dizer nada neste momento. E antes que ela se afaste, meu corpo toma controle de qualquer aviso de perigo que pudesse existir em minha cabeça, e delicadamente levanto a mão, para colocar uma mexa do cabelo loiro e curto atrás de sua orelha.

Ela sorri tímida e sinto uma sensação estranha no estômago, mas não tenho tempo de entender o que é, pois meu pai Leroy resolve abrir a porta bruscamente enquanto diz desesperado.

“Estrelinha, ouvi um barulho, você está bem?”.

Acordo do meu torpor, o que parece ter acontecido com Quinn também, pois ela se levantou tão rápido quanto caiu, e antes que eu diga algo ou consiga me levantar, meu pai continua, agora com um tom severo.

“O que está acontecendo aqui Rachel? E que é essa garota?”.

Quinn agora está mais branca que folha de papel, e quando consigo me levantar, respondo calmamente, pois não me encontro ainda em meu estado normal, me sinto um tanto leve...

“É uma amiga papai. Estávamos conversando, mas Quinn desequilibrou e caiu em cima de mim.”.

Não gosto de mentir, muito menos para meus pais, mas como explicar que Quinn Fabray tinha acabado de pular minha janela, sendo que semana passada eu passava de um grande nada pra ela? Melhor inventar algo. Mas meu pai parece ter ignorado minha mentira e se atentou apenas ao nome que eu disse, e perguntou agora com um pouco de raiva.

“Quinn? Quinn Fabray?”.

Seu tom de voz me faz acordar finalmente, pois percebi nele que as coisas poderiam ficar feias caso eu não agisse logo. Percebo que Quinn deu alguns passos para trás. Não assuste a menina papai! Penso furiosa e lhe digo rapidamente.

“Sim papai. Quinn Fabray, minha amiga. Estamos fazendo algumas coisas da escola, então se o senhor nos der licença, temos muito trabalho a fazer.”.

Ele me olha assustado por causa da minha resposta e tenta dizer, enquanto lhe empurro quarto a fora.

“Mas, estrelinha, ela é...”.

“Sim papai, sei quem ela é, mas não se preocupe, está tudo bem. Pode descer e ficar tranquilo.”.

Fecho a porta sem dar tempo que ele diga mais qualquer coisa e me encosto na mesma. Quando olho pra ela, percebo que está repentinamente triste, o que se confirma quando ela diz baixinho.

“Seu pai me odeia. Com razão, afinal, fiz da sua vida na escola um inferno nos últimos anos.”.

Ela suspira cansada e continua.

“Me desculpe Rachel, não deveria ter vindo, muito menos pulado sua janela desse jeito. Realmente não sei onde estava com a cabeça.”.

Vejo seus ombros caírem em derrota, enquanto ela se dirige mais uma vez à janela. Então me aproximo calmamente e pondo uma mão em seu ombro digo sincera.

“Você não precisa se desculpar Quinn. Pensei que estivesse claro que tudo o que aconteceu já passou. E apesar de ainda me assustar com algumas atitudes suas, ou temer que algo aconteça, somos amigas, lembra? Ou meio amigas como você disse.”.

Ela sorri com minha tentativa de brincadeira e parece relaxar um pouco. Então levanta os olhos e me diz rindo.

“Sim, mais ou menos isso.”.

Faço uma careta a suas palavras, ganhando uma gargalhada como recompensa, e me vejo mais uma vez perdida em observar como ela é linda, e como o som de sua risada funciona como um calmante em mim.

Ela recupera o fôlego e diz ainda sorrindo me olhando diretamente.

“E não vou te machucar Rachel, lhe prometo.”.

Faço que sim com a cabeça, enquanto me perco naquele olhar sincero e gentil. E ela continua.

“Então, preciso de ajuda. Você está muito ocupada?”.

Acordo dos meus devaneios e respondo rapidamente.

“Não! Estava sem fazer coisa alguma. E o que você precisa?”.

Ela fica séria de repente e diz.

“Bom, eu disse antes que não precisava de ajuda com Yale, mas aconteceram muitas coisas essa semana, e eu acabei esquecendo completamente da minha inscrição e como o prazo está terminando e é muita coisa para fazer, lembrei que você havia oferecido ajuda, por isso estou aqui.”.

Ela diz com um fôlego só, e percebo que está um pouco nervosa e corada. Sorrio ao ver como ela fica fofa assim e respondo.

“Claro que te ajudaria Quinn. Venha, vamos nos acomodar para fazer logo isso. Quanto antes começarmos, melhor trabalho poderemos fazer.”.

Ela sorri e me segue, sentando ao meu lado na cama, enquanto coloco o notebook no colo.

Depois de algumas horas preenchendo uma papelada sem fim, fazendo redações e tudo mais, nos demos por satisfeitas com a inscrição de Quinn, então começamos a conversar sobre faculdade, New York e tudo mais, mas de repente ela começa a chorar, e ver isso me doeu tanto, que não fiz outra coisa, além de abraçá-la e confortá-la, enquanto tentava entender o que tinha acontecido.


Quinn

Sai da escola determinada a ir até a casa de Rachel, então passei rapidamente pela minha, para dar sinal de vida à minha mãe e pegar os papéis da inscrição.

Chegando lá, fiz meu caminho habitual, pelo menos pensava assim, e me dirigi à sua janela, mas quando entro no quarto vejo uma Rachel assustada e um Charlie que se dobrava na cadeira de tanto gargalhar.

Tudo bem que esqueci totalmente que eu não pulava mais sua janela, ou ainda, sei lá, então quando resolvo ir embora ela me puxa e acabamos caindo. E Deus, como ela é linda, me deu uma vontade louca de beijá-la, que fica maior quando ela coloca uma mecha dos meus cabelos atrás da orelha. Mas como felicidade de pobre dura pouco, fomos interrompidas pelo seu pai, que entrou bruscamente no quarto, me fazendo levantar tão rápido quanto um foguete, enquanto ela o fazia lentamente, parecendo acordar de um transe.

Mas foi quando ele disse meu nome que o sinal de alerta tocou, senti todo meu corpo se enrijecer ao perceber que eu não era amiga dela até semana passada, e que seus pais provavelmente me odiavam.

Ela percebe o que está acontecendo e dispensa o pai educadamente, ou quase isso, mas a vergonha e tristeza por tudo que havia feito antes, já tinha tomado meu corpo e ao dizer isso vou me afastando, tentando ir embora novamente, o que é prontamente impedido por ela ao dizer que tudo passou e fazendo uma brincadeira que me arranca uma gargalhada.

Depois de explicar o que estava fazendo ali, começamos a resolver o problema da minha inscrição e quando sem notar começamos a fazer planos para NY, começo a chorar, por lembrar que posso morrer em algumas semanas, já que isso não foi esclarecido por Charlie. Ela nota e me abraça enquanto diz.

“O que houve Quinn? Porque está chorando? Foi algo que eu disse?”.

Noto a preocupação genuína em seu tom de voz e tento responder em meio as lágrimas.

“E-eu não posso Rachel. Não posso fazer planos com você. Nem sei se poderei ir, ou se... Ah! É tão injusto.”.

Digo tentando controlar a dor em meu peito ao pensar em tudo o que vai acontecer... Nada de Yale... Nada de NY com Rachel... Nada de um futuro com ela. Ela me abraça mais forte e diz baixinho, então percebo que ela está segurando suas lágrimas.

“Ah Quinn, mas fazer planos mostra o que você quer, mesmo que não aconteça. Ou você prefere ficar parada esperando que tudo aconteça? Ou morrer sem ter ao menos tentado?”.

Me afasto um pouco, para poder encarar seus olhos e digo ainda chorosa.

“Você não entende Rachel. Não é como se eu pudesse escolher, eu já sei que não poderei...”.

Ela me sorri enquanto limpa minhas lágrimas e diz doce.

“Você não sabe Quinn. Então pare de pensar nisso e apenas faça planos comigo. Mesmo que não aconteça, fico feliz em saber que você gostaria de me incluir no seu futuro.”.

Suas palavras tem efeito instantâneo em mim, e o choro começa a diminuir, pois quero que ela saiba que gostaria de ter muito mais que um futuro com ela, gostaria de ter uma vida inteira. Ela me puxa para seus braços novamente, e diz baixinho enquanto acaricia meus cabelos.

“Porque você não fica aqui hoje? Podemos ver um filme ou algo do tipo.”.

Me sinto flutuar em seus braços e carinhos, e sem me afastar pergunto.

“Mas Finn, não virá aqui hoje?”.

Ela suspira cansada e responde com raiva.

“Não quero ver Finn Hudson tão cedo. Essa semana ele me deixou extremamente irritada com aquela mania de perseguição.”.

Sorrio com seu comentário e ao pensar em responder que adoraria ficar, vejo Charlie de pé, próximo a porta, então a realidade me bate com força e penso que não posso fazer isso com ela. Não posso ficar e fazê-la me querer por perto se em algumas semanas tudo isso será tirado dela. Simplesmente não posso fazê-la sofrer assim. Então me afasto e digo triste enquanto me levanto.

“Adoraria Rachel, mas é melhor não.”.

Vejo a tristeza estampada em seus olhos enquanto diz.

“Tem certeza Quinn? Gostaria muito que ficasse.”.

E antes que eu confirme que é melhor ir embora, Charlie se pronuncia.

“Se você tivesse apenas um momento com ela Fabray, apenas um instante em toda sua vida, o que faria?

Sinto as lágrimas voltarem com as palavras dele e digo baixinho enquanto abaixo a cabeça.

“Aproveitaria como se fosse a última gota.”.

Ela não entende e pergunta em confusão.

“O que disse?”.

Levanto o olhar primeiramente pra ele, que assente com a cabeça, e depois pra ela, que me olha confusa e esperançosa, então lhe digo.

“Preciso ligar pra minha mãe Rachel, e avisar que dormirei aqui. Mas tem certeza que não há problemas com seus pais? Não sei se eles vão gostar de me ter aqui ou...”.

E antes que eu termine ela pula da cama me dando um abraço apertado enquanto diz feliz.

“Eles não vão se importar, tenho certeza. Ligue pra sua mãe enquanto vou fazer pipocas. Já volto.”.

Ela sai saltitante do quarto, e não consigo conter meu sorriso de satisfação em ver a alegria dela. Ligo pra minha mãe e ao terminar, vejo que Charlie está sério, e antes que pergunte algo ele diz.

“Precisamos conversar. Você aceitou o acordo, mas não tivemos tempo para que eu lhe explique tudo o que implica neste trato. Veja o filme e quando ela dormir lhe chamarei.”.

Rachel volta com as pipocas, não me dando tempo de responder a ele. Então me puxa para sentar na cama novamente enquanto coloca um desenho Disney para assistirmos.

Os créditos começam a subir e vejo que Rachel adormeceu. Ela está tão linda, vê-la tão serena me faz lembrar dos momentos em que estive com ela naquele outro lugar, pois apesar de conseguir dormir um pouco, sua expressão não carregava tanta paz e tranquilidade, era o sono inquieto de uma mente que não conseguia descansar, que não era feliz. Começo a chorar baixinho com as lembranças e ela desperta, para logo em seguida me olhar preocupada e pergunta enquanto me abraça.

“O que houve Quinn? Aconteceu algo?”.

Como poderia lhe explicar que choro por lembrar da pessoa triste e vazia que ela poderia ser? Então tento lhe sorrir e respondo sincera, mas sem dizer todo o motivo das minhas lágrimas.

“Estou feliz Rachel, por poder estar aqui com você, principalmente depois de tudo o que se passou entre nós nesses últimos anos.”.

Ela me oferece seu mais lindo e doce sorriso e responde feliz.

“Também estou muito feliz que sejamos finalmente amigas Quinn. Não faz ideia do quanto isso me é importante. Mas chega de choro, pois a dramática aqui sou eu.”.

Sorrio com sua brincadeira e me vejo ainda mais apaixonada. Ela se levanta e diz enquanto se dirige ao closet.

“Você precisa de uma roupa para dormir. Tenho certeza que há alguma aqui que é grande o suficiente pra você. Quer tomar um banho enquanto procuro? Vou pedir papai para arrumar um colchão ao lado da minha cama tudo bem? Se preferir pode ficar no quarto de hóspedes”.

“O colchão está ótimo Rachel. E gostaria de tomar um banho sim.”.

Respondo sorrindo, então ela me oferece uma toalha e some de novo para procurar a tal roupa pra mim, assim vou tomar meu banho.

Quando termino ela bate na porta, me entregando a roupa pela fresta que abri, e ao voltar pro quarto, vejo que minha cama provisória já está arrumada. Ela sorri enquanto faz sinal que vai tomar um banho, então me sento na minha cama enquanto me perco mais uma vez em pensamentos.

Acordo dos meus devaneios com Rachel que está parada na minha frente, estalando os dedos próximo ao meu rosto.

“Tudo bem Quinn? Você parece ter desligado por um instante.”

Ela pergunta preocupada e com um sorriso lhe respondo.

“Desculpe Rachel, estava divagando, mas está tudo bem.”.

Ela sorri e timidamente me dá um beijo no rosto. Ao se afastar diz baixinho.

“Boa noite Quinn. Bons sonhos.”.

Fico parada na mesma posição, tentado absorver, pela segunda vez a sensação do seu beijo no meu rosto. Depois de alguns minutos percebo que ela já está deitada, então me deito na minha própria cama e digo baixinho.

“Boa noite Rach. Bons sonhos pra você também.”.

–--

Sou acordada no meio da noite por um cutucão insistente, e digo furiosa.

“Mas que coisa, o que foi?”.

Charlie me levanta uma sobrancelha e quase gargalho ao perceber como essa atitude me é comum. Ele me faz sinal para segui-lo até a janela e quando me aproximo ele começa sério.

“Foi muito corajosa sua atitude mais cedo Fabray, ao decidir se afastar para impedir que ela sofresse mais quando você não estiver aqui.”.

Faço que sim com a cabeça e ele continua.

“Mas não havíamos conversado sobre as consequências do acordo e no que ele interfere. E como você está aqui agora, seria o momento mais apropriado, por isso lhe acordei.”.

Olho para Rachel, que adormece tranquila, por um momento e digo.

“Pensei que ao voltar, teria apenas tempo de fazê-la feliz, de modo que com a minha partida ela não se perdesse.”.

Ele assente e diz.

“Sim, esse é seu trabalho, mas em momento algum eu disse que você morreria.”.

O olho assustada e digo esperançosa.

“Quer dizer que não vou morrer em algumas semanas? Que vou poder ficar com ela? Que teremos um futuro juntas?”.

Ele sorri com minha empolgação, mas fica serio novamente e me diz.

“Também não disse isso Fabray. Na verdade as coisas estão, mais uma vez, totalmente fora do controle.”.

“O que isso quer dizer?”. Pergunto confusa.

“Quer dizer que não posso afirmar que será você a morrer daqui algumas semanas. O que posso afirmar é que você morreu naquele dia Fabray, e outra pessoa terá que morrer. Não pense que, por você não ser o alvo certo, o saldo deve ficar diferente. Alguém morrerá, então cuidado com o que você faz... Mas não é só sobre isso que precisamos conversar.”.

Vejo que ele mudou de assunto antes que eu faça mais perguntas, então digo frustrada.

“E sobre o que mais precisamos falar?”.

“Você precisa saber tudo o que acontece ao fazer um acordo comigo, ou pensou que você simplesmente voltaria no tempo, salvaria sua vida e a dela e ficaria por isso mesmo?’.

Me espanto com suas palavras, pois era exatamente o que eu pensava, além de no final lhe entregar minha alma, o que realmente não sei o que representa. E vendo meu estado ele continua.

“Bom, voltar no tempo é seu, digamos, prêmio por me entregar sua alma depois, mas você entende o que acontece quando eu tiver a minha parte no acordo?”.

Faço que não com a cabeça e ele suspira cansado, enquanto diz.

“Como você aceitou sem ao menos saber o que acontece depois Fabray, devia ter perguntado isso antes.”.

“Acredito que você não entendeu que vê-la naquele estado foi mais que suficiente para que eu lhe desse qualquer coisa, mesmo sem saber as consequências. O que eu queria e quero é salvá-la, o que me acontece depois é o de menos.”.

Lhe digo determinada, ganhando um olhar de admiração e um sorriso sincero.

“Sua coragem e estupidez só me fazem ter mais certeza que seria a única capaz de arriscar tanto por alguém. Isso é admirável.”.

Fico sem graça com suas palavras e sorrindo ele diz.

“Não precisa se envergonhar. Suas atitudes, em reflexo ao amor para com ela são as coisas que podem salvá-las de qualquer coisa que venha a seguir.”.

Sorrio com a esperança de poder ficar com ela depois de tudo e digo finalmente.

“Obrigada, eu acho... Mas então, o que acontece depois que eu morrer de novo? Digo com minha alma.”.

O sorriso dele morre e começa então a explicar a confusão em que me meti.

“Como lhe disse antes, um colega meu amarrou sua alma à dela, o que impediu que você fosse para qualquer lugar, a menos que seja com ela, e isso impede também, que ao morrer, qualquer um possa simplesmente tomar sua alma para si.”.

“Onde eu estava então, antes de você me levar até ela?”. Pergunto curiosa.

“No limbo. Um lugar indefinido, onde ficam aqueles que estão perdidos ou impossibilitados de ir a outro lugar.”.

Faço que sim e ele continua de onde tinha parado, antes de interrompê-lo.

“Então, como sua alma não é livre, é preciso que você a ofereça por vontade própria. No nosso caso, estamos fazendo uma troca, mas em momento algum você foi obrigada a aceitar.”.

Concordo mais uma vez com a cabeça e ele continua.

“Quando você morrer de novo, sua alma estará sob meu controle, e seu vinculo com a dela será desfeito.”.

Me assusto um pouco com suas palavras então pergunto ainda sem saber o tamanho do impacto que isso têm em nossas vidas.

“E o que acontece quando não for mais ligada a ela?”.

Ele suspira enquanto desvia seu olhar do meu e olha pra fora da janela.

“Você estará sem rumo, sozinha, pois foi para lhe guiar que ele te prendeu a ela. Caso não se lembre, você estava totalmente sem rumo no começo deste ano.”.

Lembro de como as coisas estavam bagunçadas antes de aceitar que a amava, e ao compreender o que ele diz, pergunto triste.

“Significa que o que sinto por ela aconteceu só porque seu amigo amarrou nossas almas?”.

Ele me olha espantado e diz rapidamente.

“Não Fabray. O que sente por ela é algo que você permitiu, e só depois de aceitar isso, que ele pôde lhe prender a ela. Não somos responsáveis pelos sentimentos de nenhum de vocês, o que fazemos é ajudar a torná-los felizes, a guiá-los.”.

Um clique se faz em minha cabeça, então digo.

“Você é o anjo dela?”.

Ele sorri e diz.

“Não sei se pode me chamar assim. Anjos não ficam fazendo acordos em troca de almas, certo?”.

Sorrio ao perceber que ele está certo então digo.

“Então é o guardião dela? Ou algo assim?”.

“Ou algo assim”. Ele responde, e antes que diga algo mais, pergunto.

“E porque iria querer minha alma? Você a quer feliz certo? Quer a minha alma para que eu não esteja mais ligada a ela e não possa mais fazê-la sofrer?”.

Sinto as lágrimas se aproximarem com essas palavras, então ele se aproxima, e diz enquanto coloca a mão no meu ombro.

“Exatamente o contrário Fabray. Quero sua alma para usá-la de modo que não permita que ela fique triste novamente, pois apesar de em algum momento você tê-la machucado, hoje é a única capaz de dar a tranquilidade e o carinho que ela precisa. Afinal, é você quem está perdendo tudo por ela.”.

Faço que sim, e ao conseguir controlar o choro pergunto.

“Você não me deixará longe dela então? Mesmo que eu morra, poderei estar com ela?”.

Ele fica sério novamente e diz enquanto se afasta.

“Isso é algo para eu me preocupar Fabray, e não pra você saber.”.

Ele olha pra ela e quando sigo seu olhar ele continua.

“Você está me oferecendo a única garantia que sempre teria de estar com ela, a ligação de suas almas. Isso é muito valioso, então tente aproveitar o que tem. Afinal, morrendo ou não em algumas semanas, o que você faria para estar com ela? Enfrentaria todo seu medo e insegurança para aproveitar os momentos que tem e mostrar a ela como se sente?”.

Fico a observando por alguns minutos, enquanto assimilo as palavras dele.

“Eu faria tudo por ela, meu medo é fazê-la sofrer com a minha partida.”. Digo triste sem deixar de olhá-la.

“Então dê e ela as melhores lembranças que ela poderia ter. Dê-lhe os momentos mais felizes que ela poderia desejar. Mostre a ela Fabray, o porquê de você estar oferecendo sua alma por ela. Assim mesmo que você morra, ela terá o seu melhor para saber que deve e pode continuar.”.

Olho pra ele por um momento e pergunto séria.

“Você não sabe quanto tempo tenho, certo?”.

“Não.”. Ele responde seco, então continuo.

“Existe uma chance de ficar com ela? De não morrer em algumas semanas?”.

Ele faz que sim, mas diz sério.

“Sim Fabray, mas mesmo que fosse uma certeza que será você a morrer, se afastaria dela novamente? Seria novamente covarde a esse ponto?”.

Suas palavras me atingem como um soco e lhe respondo determinada.

“Como você disse, sou eu quem vai perder a alma depois, então não. Não vou me afastar dela, não serei uma covarde novamente.”.

Ele sorri satisfeito com a resposta e diz em desafio.

“O que está fazendo aqui então, e não com ela bem ali?”.

Estreito os olhos e ele ri satisfeito. Então some pela janela me deixando mais uma vez sozinha com ela. Ignoro a cama que foi feita pra mim e me deito ao seu lado, a abraçando enquanto digo baixinho.

“Vou dar um jeito nisso Rachel. Não voltei da morte para ficar longe de você novamente.”.

Sinto ela relaxar em meus braços e em minutos me entrego ao sono, sorrindo feliz, por estar ao seu lado.

Notas finais
Então, o que Quinn vai aprontar? E como Rachel vai enfrentar tudo isso? Foi muito rápido? Como está o ritmo da fic?
Por favor, me digam o que estão pensando ok?
Abraços.
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