Everything
9 Lágrimas de chuva?
Notas iniciais
Então espero que digam o que estão pensando sobre a fic, para saber se ela está com um ritmo bom, se algo está faltando ou sobrando.
Enfim, aproveitem e nos encontramos lá em baixo.
Abraços e boa leitura.
“A calmaria vem antes ou depois da tempestade?”
Rachel
Eu não tinha respostas para suas perguntas, em alguns momentos eu realmente nem as entendia, mas Quinn continuava lá, todos os dias, silenciosamente, e na verdade eu a esperava todos os dias. Às três horas, de todos os dias, ouvia seu carro estacionar do outro lado da rua, ouvia a corda ser jogada sobre o galho da árvore, e a ouvia subir. Quando os sons cessavam, eu silenciosamente me sentava na janela. E assim passávamos as tardes, cada uma perdida em seus próprios devaneios, mas de alguma forma, eu sabia que ela estava pensando em mim, enquanto que eu continuava pensando em suas palavras e atitudes.
“Nós meio que brigamos, então porquê você ainda vem todos os dias?”.
Lhe perguntei baixo, mas o suficiente para ser ouvida. Quinn que estava deitada no galho da árvore, sentou e se aproximou um pouco da janela, então disse triste.
“Estou esperando.”.
“Pelo quê?”.
“Estou esperando que Rachel volte.”.
Ela disse e isso fez com que eu direcionasse meu olhar para ela, que ainda olhava para a rua. Então ela fechou os olhos, se virou para mim e continuou suave, enquanto esticava a mão em minha direção.
“Se eu fechar os olhos, posso senti-la perto de mim, quase como se pudesse tocá-la...”.
Quinn para por um momento e abre os olhos, me mostrando toda sua tristeza, e continua enquanto tento segurar as lágrimas.
“Mas ao abrir os olhos, vejo que é tudo ilusão. Que Rachel não está mais aqui.”.
Ela se afasta e percebo que está se preparando para ir embora, mas antes diz baixinho enquanto me olha novamente.
“Será que ela quer voltar?”.
E salta da árvore me deixando mais uma vez perdida entre as lágrimas e as perguntas que não saiam mais da minha cabeça. Mas o que eu fiz para você me dizer que não sou mais Rachel? Era meu pensamento mais uma vez. Mal eu sabia que as respostas viram das pessoas mais inesperadas, enquanto Quinn continuava a fazer as perguntas.
–--
As coisas pareciam as mesmas, seguiam o mesmo ritmo lento e doloroso, mas algumas definitivamente mudaram. Primeiro Quinn em uma sala na qual ela não tinha aula, sentada perto de Brittany. Ainda não sabia o porquê, mas assim que Quinn saiu a outra loira me explicou, o que me fez senti dor pelas minhas atitudes, e carinho e admiração pela ex-cherrio.
“Oi Rach, tudo bem?”.
Diz Brittany assim que me aproximo.
“Sim Brittany, e você? O que Quinn estava fazendo aqui?”.
Digo enquanto me sento próximo a ela, não contendo minha curiosidade, pois apesar da distância, ainda queria saber tudo sobre Quinn.
“Q estava me dando mais algumas dicas para nossa prova de hoje e tentando me deixar calma. Essas palavras estranhas me deixam nervosa.”.
Diz Brittany com um sorriso doce enquanto aponta para as palavras chave da nossa prova de biologia. E antes que pergunte algo mais, ela continua.
“Q tem me ajudado com todas as matérias na verdade. As que faço com ela são mais fáceis para ela me acalmar, mas como nessa não estamos na mesma turma, ela veio aqui ter certeza que estou bem.”.
A encaro surpresa e pergunto.
“E por quê Quinn está te ajudando?”.
Brittany sorri e depois de um tempo me encara séria e responde.
“Porque Quinn é minha amiga e quer que eu consiga entrar na faculdade e sair de Lima. Eu quero ser uma dançarina de verdade e Quinn quer me ajudar.”
Sorrio com sua declaração e ela continua.
“Mas Quinn não me passa cola viu Rach. Ela diz que não é por ser minha amiga que deve me carregar nas costas. Que está aqui para me ajudar, não para fazer por mim. É tão esperta minha Q.”.
“Sim Brittany, ela é, e muito gentil também.”.
Digo segurando as lágrimas, enquanto ela balança a cabeça animada, então uma ideia vem a minha mente e com um sorriso digo a ela.
“Nós fazemos algumas matérias juntas Brittany, nas quais Quinn não está. Então eu posso te ajudar, o que acha? Assim você fica tendo ajuda na sala também.”.
“Você faria isso Rachel? Sério mesmo?”.
Pergunta uma Brittany animada, ao que respondo com um aceno de cabeça e em seguida me sinto sufocada por seu abraço enquanto ela diz feliz me levantando do chão.
“Ah Rach você é a melhor! Por isso Quinn gosta tanto de você. Obrigada!”.
Brittany claramente tenta me esmagar até que ouve um pigarro e me solta, movimento que me permitiu respirar novamente, então me volto para o dono do som e vejo um professor não muito feliz, fazendo sinal para nos sentarmos e começa a entregar as provas, mas antes de começarmos Brittany faz um aceno feliz e se concentra em sua avaliação.
Ao sair da sala, Brittany vem me perguntar animada sobre a prova, e antes de responder Santana aparece e diz ríspida.
“O que está fazendo com minha namorada Frodo?”.
Oh céus, será mesmo que estarei viva até a formatura? Penso enquanto tento formular uma resposta, mas minha intenção é interrompida por Brittany, que responde enquanto abraça a namorada.
“Rach é minha amiga San, estava me perguntando sobre a prova.”.
Santana me olha interrogativa e diz para a loira ao seu lado.
“Mas B. este é o Frodo, não tem mais ninguém para ser sua amiga?”.
Então pode ser qualquer um menos eu? Penso revoltada enquanto assisto a interação das duas, até que Santana se vira para mim e pergunta.
“E o que você ganha com isso Hobbit?”.
“Nada”.
Respondo simples, pois é exatamente o que eu ganho. Talvez mais ameaças de morte, mas isso não importa.
“San, Rach é minha amiga, então não seja má com ela. Gosto de Rachel, ela tem cabelos cheirosos e quer me ajudar com as matérias.”.
A latina me lança um olhar mortal e sinto a morte se aproximar, mas ela se limita e fechar a cara e dizer antes de puxar Brittany pela mão.
“Não se atreva a machucar minha garota Hobbit, ou verá que o que lhe fiz até hoje, nem chega perto do que pode ser o inferno.”.
Engulo em seco e me limito a acenar para a loira animada que estava sendo levada pela latina.
E como se os dias não estivessem confusos o suficiente, ainda teria Glee e Quinn me guardava mais uma surpresa, para a qual eu claramente não estava preparada.
–--
Estávamos esperando Sr. Shue aparecer. Quinn estava quieta, distante, sentada na última cadeira, o mais longe de onde eu e Finn estávamos. Ele não mais me perseguia pelos corredores, alegando me proteger, mas estava sempre atento aos meus passos. Brittany me acenava animada, sentada ao lado de Santana que não parava de observar Quinn. Até que o professor chegou e antes que ele pudesse dizer algo, Quinn se levanta e pede para cantar algo, e quando seu olhar encontrou o meu, eu soube. Soube que seria para mim e soube que mais uma vez iria doer.
“Mr. Shue, posso ir ai na frente e cantar algo? É realmente importante.”.
Diz Quinn séria ao professor, que apenas assente com a cabeça e indica o nosso “palco”.
“Não haverá explicações para esta música, a letra fala por si só, então só peço que ouça com atenção.”.
Quinn diz antes de passar as partituras aos músicos, e começar o que seria o tapa no rosto, que silenciosamente me daria.
It's time to change, throw out the books
and start again
Break all the rules, fall on your face
don't be ashamed
You can't waste more time 'cause you've been
gone for far too long
Trapped in his arms, safe without harm
Follow your heart don't be afraid.
You think that you're ok
But I don't believe in what you say
You think that it's too late
But it's not good, good enough for you
Don't hideaway
'Cause I know that you've got what it takes
I believe you can be what you wanna be
Let yourself go, don't you worry about a thing
Breaking the chains, so hard to begin
Follow your heart don't be afraid
You think that you're ok
But it's not good, good enough for you
Don't hideaway
'Cause I know that you've got what it takes
I believe you can be what you wanna be
Don't hideaway
'Cause I know that you've got what it takes
And I believe you can be what you wanna be
Don't hideaway
'Cause I know that you've got what it takes
I believe you can be what you wanna be
You can be what you wanna be
“Espero que a música lhe alcance, pois se ela não o fizer, nada mais fará.”.
Diz Quinn suavemente, ao terminar a música e me direcionar mais uma vez aquele olhar triste. Então sai da sala, deixando todos atônitos com sua apresentação, e eu perdida em tudo o que ela, diretamente ou não, vinha me dizendo.
Quinn
As coisas não estavam bem. Rachel continuava distante, mas apesar das palavras duras, não me mandava embora, o que me dava o mínimo de esperanças. Finn não tinha mais seu sorriso presunçoso, mas se mantinha confiante. Santana, bem... Santana tinha algo pronto e prestes a usar, pois a latina estava terrivelmente quieta, isso não era bom, não mesmo. Charlie havia sumido, provavelmente desistiu de me ajudar. E com tudo isso eu me senti só. Pela primeira vez desde que voltei me senti completamente só, e isso estava me matando aos poucos, principalmente por ver o estado em que Rachel se encontrava: totalmente refém de alguém que só a fazia mal.
E ao me sentir só, eu sabia que poderia me perder e se isso acontecesse, não teria mais Rachel para me guiar de volta para o meu caminho, pois ela mesma estava perdida, então era minha hora de guiar Rachel, era minha hora de trazê-la de volta, e sem ajuda, pois com Santana e Finn aprontando, eu teria que agir rápido. Então nada melhor que uma música para Rachel, pois música sempre foi a linguagem mais clara e direta de atingi-la, e eu esperava sinceramente que desse certo, pois sua apatia estava me atingindo e eu não sabia mais o que fazer. E foi ao me desesperar e cantar aquela música, que recebi ajuda das pessoas mais improváveis daquele colégio, ou não tão improváveis...
Primeiro, e totalmente sem querer, foi Brittany. A pessoa mais doce que já conheci havia percebido o que eu sentia por Rachel, assim como viu o estado em que a morena se encontrava com relação ao Hudson. Com isso, calmamente foi dizendo a Rachel, o que eu tentava dizer também à minha amiga. Afinal, assim como Rach, não queria que Brit fosse dependente de Santana. Claro que Sant, por mais cruel que possa ser com os outros, com B sempre foi a pessoa mais dedicada e amorosa, e de alguma forma, eu sabia que a latina também queria que Brittany fosse independente, sem deixar de ser sua garota.
“Não B, esses sinais são invertidos aqui. Veja.”.
Estavamos eu e Brittany em sua casa estudando matemática e depois de finalmente entender o que estava explicando, paramos para descansar, então ela diz.
“San ficará tão orgulhosa de mim quando eu puder participar da formatura com vocês.”.
“Sim B, mas você entende que deve fazer as coisas por si própria, certo? Você não pode depender de Santana, Brit. Tem que conseguir fazer as coisas sozinhas também, entende?”.
Digo a minha amiga que faz uma cara confusa e pergunta.
“Então não posso te pedir ajuda com esses números, ou a San em espanhol?”.
Sorrio por sua confusão e explico calma.
“Não Brit. Não foi isso o que disse. Somos suas amigas, você deve sim pedir ajuda quando precisar. O que estou tentando dizer é que você precisa escolher suas coisas sozinha, e não depender de alguém para fazer por você. Não é por sermos suas amigas que devemos lhe carregar, mas podemos te ajudar. Entende?”.
Ela me sorri doce e diz no meio de um abraço.
“Sim Q, eu posso e devo fazer minhas próprias escolhas, mas isso não significa que vocês deixam de serem minhas amigas.”.
A olho incrédula, até que me lembro que Brit sempre foi a mais esperta para entender de pessoas e sentimentos, então ela continua, me surpreendendo mais.
“É isso que você está fazendo pela Rachel certo? Mostrando que ela deve seguir por si, sem precisar do Finn.”.
Ok, tudo bem você ser esperta Brit, mas sair por aí desvendando os segredos alheios é demais. Penso indignada e lhe digo.
“Como você sabe o que estou fazendo por Rachel, Brit?”.
Minha amiga me sorri doce e responde com um tom sério.
“Você não está escondendo Q. Pela primeira vez você está mostrando exatamente o que quer, e isso é lindo e eu vou te ajudar. Também sinto falta da Rach.”.
Sem palavras para lhe responder, apenas lhe sorrio envergonhada. Então voltamos aos estudos, até que dê hora de ir embora.
–--
A segunda pessoa a me ajudar, e essa eu posso dizer que até certo ponto, forçado por mim, foi Kurt.
Estava no corredor, juntando minhas coisas para ir embora, quando vejo um ciclope atacar minha queria Rachel. Ela e aquele ogro que ela chama de namorado, estavam discutindo no final do corredor, até que bato com força a porta do armário, fazendo com que ele me visse, e então a soltasse. Rach assim que se vê livre daquele imbecil sai correndo virando a esquina e como sei que não seria bem recebida, vou atrás daquele que iria ajudá-la, mesmo que a força.
Encontro meu mais novo amigo, ou vítima, conversando com seu namorado de cabelos de gel e sem dizer nada o puxo na direção em que Rachel havia ido. Apesar dos protestos, Hummel sabe que não iria adiantar, então resolve parar de se debater, até que paramos na porta do banheiro e eu o solto. Grande arrependimento, o meu é claro.
“O que pensa que está fazendo Fabray? Eu poderia ter deslocado o pulso, ou o braço para ser mais exato. Essa sua atitude em sair puxando as pessoas por aí não é algo muito educado, principalmente vindo de uma ga...”.
O interrompo antes que seu discurso vire um sermão e tempo é a última coisa que tenho disponível.
“Calado Hummel! Lhe trouxe aqui por ser urgente.”.
“E o que você quer para ter uma atitude tão bruta?”.
Bruta Kurt. Sério? Penso enquanto observo o rapaz verificar suas unhas perfeitas e digo ríspida.
“Seu querido irmão vez algo com Rachel e ela não está bem. Então entre logo nesse banheiro e console sua amiga. Ela está precisando de ajuda.”.
Ele me olha assustado e dispara.
“O que houve com ela? O que aquele idiota fez? E porquê você não entrou e a ajudou? Pelo que vi alguns dias atrás, vocês estavam se aproximando bastante.”.
Como diabos ele consegue dizer tudo tão rápido? Céus! E apesar de surpresa com a velocidade de suas palavras, suas perguntas me doeram, então respondi baixo, enquanto encarava o chão.
“Eles parecem ter discutido e Hudson não foi muito delicado, como você deve imaginar. E... e-eu não entrei, por-porque Rachel tem me evitado, provavelmente por algo que seu estúpido irmão disse também. Então p-por favor, apenas entre e veja como ela está.”.
Sim eu pedi, e se fosse necessário eu imploraria ao Hummel que entrasse, apenas para verificar se Rachel estava bem. Não havia mais nada que valesse à pena naquele colégio, eu só me preocupava com ela. E com minhas palavras, Kurt me apertou o ombro e disse suave.
“Rachel está fazendo uma grande bobagem ao se recusar a ver que você se preocupa Quinn. E obrigado por confiar em mim, tenho certeza que você não pediria se não fosse importante e mais, lhe garanto que jamais usaria isso contra você. Rachel é minha amiga e sua preocupação com ela me faz querer o seu bem também.”.
Suas palavras fazem com que levante meu olhar e ver a sinceridade e carinho naqueles olhos azuis. Com isso soube que Kurt me ajudaria, que poderia contar com mais alguém nessa luta interminável para trazer Rachel de volta.
Sorri em resposta e indiquei a porta. Kurt assentiu e entrou me deixando parada no corredor, torcendo para que Rachel estivesse bem. Então me viro em busca da minha, não tão nova, pedra no sapato.
“Finn Hudson!”.
Digo alto e forte o suficiente para assustar o gigante e seu amigo, Puck, que demoram um pouco para se virarem. E assim que vejo a cara de desespero que Hudson faz, sei que ele entende o que virá a seguir, então digo cortante.
“O que pensa que está fazendo com Rachel? Primeiro a segue como um psicopata, depois a ameaça de terminar, caso ela se aproxime de mim, e agora que você tem o que queria, grita com ela no meio do corredor! O que tem nessa sua cabeça Hudson?”.
“Ela é minha namorada Fabray, faço e ajo com ela do jeito que quiser.”.
Ah, mas não mesmo! Penso furiosa com as palavras do menino trêmulo à minha frente, então me aproximo e digo fria.
“Não Hudson, não faz. Então se pretende manter-se inteiro até o final do ano e ainda cogitar ficar com ela, é melhor parar com este tipo de tratamento. Pois não é por Rachel estar afastada de mim, que vou permitir que você ou qualquer outro imbecil, a trate daquela forma. Entendido?”.
Hudson tem a decência de começar a suar, mas mesmo assim me diz desafiador.
“E o que isso lhe importa Fabray? Você mesma era uma das pessoas que a tratavam dessa forma.”.
Sorrio desdenhosa e sem mudar o tom de voz lhe respondo.
“Exatamente Hudson, mas caso ainda não tenha notado, a situação agora é outra, e não permitirei que a tratem assim. Ouça o que digo, pois é meu último aviso. Trate-a com o respeito que ela merece, ou sua vida aqui será tão miserável, que até Santana terá pena de você.”.
Percebo seu tremor aumentar e antes que o menino desmaie no corredor, seu amigo, tão assustado quanto, resolve tirá-lo dali. Mas antes que eu pensasse em ir atrás de Kurt, a pessoa responsável por um dos meus tormentos se pronuncia.
“Sabe Fabray, realmente não entendo o porquê de você ainda não ter atacado diretamente a orca. Afinal, se você quer tanto que ele se afaste do seu playmobil, por que ainda não o fez?”.
Diz Santana escorada no armário atrás de mim e ao me virar, lhe respondo calma.
“Porque atacar Hudson enquanto eles estão juntos dará razão ao que ele disse a ela, e ainda tenho esperanças que Rachel se dê conta de quem ele é, antes que eu chegue ao ponto de acabar de vez com a vida dele.”.
Ela assente com a cabeça e diz antes de se afastar.
“Espero que não tenha esquecido que Hudson não é seu único problema com relação ao Hobbit.”.
“Não Santana, não me esqueci, e tenho certeza que o que você preparou é muito maior do que Hudson se quer poderia imaginar. Mas não esqueça também que caso você consiga, será comigo que terá que lhe dar depois.”.
Digo à latina que apenas levanta a mão se despedindo.
Com isso, sigo meu plano inicial de ir atrás de Hummel, e o que ele disse realmente me assustou. Pois a última coisa que esperava, é que a briga de Finn e Rachel tivesse como motivo a pessoa da qual eu menos esperava ajuda. Claro que não era ajuda totalmente, ou nenhuma, mas era algo que mostrava quem ela realmente é.
Santana
Quinn poderia estar agindo como uma idiota, com essa história de querer conquistar e salvar o Hobbit, mas se há algo que não pode ser negado é que ela é boa no que faz. Afinal Quinn estava lentamente tirando seu playmobil do Finnidiota e a empurrando para a beira do precipício. Não era à toa que Q era a preferida de Sue, pois minha ex-capitã, apesar daquela cara de derrotada, estava fazendo um trabalho incrível. Isso sem contar o medo genuíno que causava em Finncapaz, ato que me arrancava altas gargalhadas diariamente.
Mas claro que ninguém notou o que estava acontecendo com Frodo, talvez nem a própria Quinn, uma vez que a anã estava mudando muito e a tanto tempo que ninguém notava a diferença. Mas eu percebia as mudanças, percebia seus olhares suplicantes em direção a minha ex-capitã, cada vez que Hudson estava por perto, cada vez que Q aprontava algo que mostrava que ela estava por ali, mas foi pior depois que Juno cantou aquela musica. Ali sim o Hobbit parece ter levado o choque que finalmente lhe tiraria os sentidos e a prepararia para acordar. E só então, Frodo cairia no precipício. A diferença é que Quinn queria que a anã caísse na realidade, e eu que ela desse de cara no chão. E um certo Finn Hudson já havia me dado as armas para isso, eu só precisava esperar o momento certo para agir.
O que não esperava mesmo era que minha Brit resolvesse se bandear para o lado baixo, literalmente, e se tornasse amiga de Frodo. E como isso não estava nos meus planos, estes deveriam mudar um pouco, pois nada do que eu fizesse poderia espirrar na minha loira.
Mas o pior era ter que aguentar Frodo lhe encarando, sem que este dissesse uma mísera palavra, e como não estava a fim de gastar saliva, também não disse nada. Burrice a minha, admito, pois quando o portador do um anel resolveu se manifestar, foi para falar as maiores bobagens que já ouvira de sua boca enorme.
“Você não vai proibi-la?”.
Olho interrogativa para o Hobbit e digo seca.
“Proibir quem e de quê?”.
“Brittany. Não vai proibir ela de ser minha amiga, ou de se aproximar de mim?”.
Mas que papo louco é esse? Penso enquanto olho para aquela menina totalmente perdida e sem graça. Como posso um dia ter me divertido em atormentar ela? Veja só que criatura patética.
“Em que mundo você vive Frodo? Ah, não responda. Claro que é na Terra Média, ou seria Idade Média?”.
Ela arregala os olhos surpresa e antes que diga qualquer outra asneira, continuo.
“Brit é uma pessoa capaz o suficiente para saber com quem se meter. E só Deus sabe por que ela gosta de você, mas ela gosta. E não seria eu que a proibiria de cometer esse pecado, mesmo sendo totalmente contra.”.
“Por que não?”.
Dios mio, o que tem essa garota? Penso irritada antes de lhe dar uma resposta atravessada.
“Porque Brittany é livre Frodo. Não é por ser minha namorada que deve me obedecer como um cachorro, não sou dona dela. Madre de Dios! O que tem nessa sua cabeça limitada?”.
“Mas ela ser minha amiga e você não gostar de mim, não causa problemas entre vocês?”.
“Não gnomo, você é o menor dos meus problemas, e não é por causa da sua estatura, mas Brittany tem seus amigos, assim como eu tenho os meus. Ela não é obrigada a gostar deles, e nem eu dos dela. Eu só me meteria no assunto, se um deles a machucasse, e isso inclui você, seu namorado idiota, e até mesmo Juno.”.
“Não fale assim dela, por favor.”.
Ora, ora, Carrie defendendo Juno? Interessante. Penso enquanto vejo a menina baixar a cabeça e começar a pensar com seus botões, ou seria com o mestre do anel? Nunca sei. Até que ela volta ao mundo e diz para si mesma.
“O que estou fazendo então? Comigo e com... Quinn...”.
Vamos testar algo novo. É o que me vem em mente ao ouvir parte de suas divagações.
“Seu namorado é um idiota, Frodo. Não que a rainha de gelo seja muito melhor, mas ele realmente te trata como se você fosse seu cachorro e ele um Neandertal.”.
“Não fale assim dela, Santana.”.
Diz o gnomo ao levantar a cabeça e me olhar nos olhos. Com isso sorrio e digo.
“Interessante Hobbit.”.
“O que é interessante Santana?”.
“Ofendi você e seu namorado na mesma frase e você não foi capaz de se defender ou fazer algo para defendê-lo, mas foi só falar de Quinn que sua primeira atitude é me desafiar para que eu não o faça. Não acha interessante que você nunca fez nada contra mim para se defender, mas quando o assunto é Quinn esquece até com quem está falando e se prontifica a protegê-la?”
Vejo o anão de jardim engolir em seco, enquanto arregala aqueles olhos esquisitos e com isso, me levanto para procurar Brittany, que claramente se perdeu na cantina, ou resolveu me torturar ao deixar Frodo perto de mim.
As coisas finalmente estão ficando boas por aqui.
Mas ainda tinha algumas coisas para entender, e eu o faria antes que a semana acabasse.
–--
A situação era a seguinte: Berry e Finnútil estavam discutindo no final do corredor, Fabray estava no meio deste, próxima ao seu armário, assistindo a cena, e eu estava na outra ponta, dentro de uma sala, assistindo aos três.
Com a saída dramática de Frodo e logo em seguida a de Juno, pensei que o dia havia acabado e Q me decepcionado mais uma vez, afinal estava esperando que ela fosse atrás do gigante, então estava quase indo embora. Mas eis que Fabray volta ao corredor puxando, não tão delicadamente, Hummel pelo braço na direção em que Hobbit havia ido, para poucos minutos depois seguir na direção em que Hudson foi. Agora você responderá minhas perguntas Quinn. É meu pensamento antes de sair da sala e segui-la.
Assisto sua discussão com Hudson de longe, mas perto o suficiente para ouvir tudo, e quando Finnbecil é arrastado de lá por seu grande e fiel escudeiro, me aproximo para conseguir de Quinn a resposta para a pergunta que não me saía da cabeça. Afinal Q era muito boa em amedrontar pessoas e fazê-las seguirem suas ordens, então por que diabos ela não sumia com Hudson do mapa de vez, já que queria o caminho livre para fazer qualquer ritual com o Hobbit?
E sua resposta me faz sorrir internamente, pois apesar de suas crises de perdedora, essa era a atitude esperada por minha ex-capitã, e como não posso deixar de provocá-la, lembro que Hudson não é o único problema que ela tem e vou embora.
Hora de preparar o terreno para empurrar Frodo e Juno para o precipício.
–---
Rachel
Se Quinn queria me atingir com aquela música, então ela conseguiu, pois eu não parava mais de pensar em suas palavras. Quem eu era? Será que havia mesmo me acomodado? Estou perdendo tempo? Mas a pior pergunta era aquela que ela não havia feito: O que eu faço para voltar? O que faço para me encontrar? E indiretamente seria Quinn que me responderia, pois mesmo através de outras pessoas, eram as palavras dela que estavam ali.
Eu não queria mais estar perto de Finn, algo nele estava me sufocando, então todo momento possível eu o evitava, mas era no almoço que eu realizava fugas que deixariam qualquer ladrão com inveja. Infelizmente, ou felizmente, não tenho tanta sorte assim e acabei na mesa de Santana.
Me aproximei calmamente, tentando não despertar a fúria latina e fiquei ali, pensando em tudo o que estava acontecendo, até que me lembrei de Brittany e de algo que realmente me intrigava. Então depois de alguns minutos me debatendo internamente, se deveria tirar minhas dúvidas, com a latina ou não, decidi arriscar e fazer as perguntas que não me saiam da cabeça, e suas respostas realmente me surpreenderam.
Depois disso, durante alguns dias eu acabava procurando as duas cherrios. Brittany sempre um doce de pessoa, me recebia alegre e com um abraço apertado, enquanto que a latina resignava-se a ficar quieta dando atenção somente à namorada. Mas aquele dia seria diferente, e mais uma vez, as sombras das palavras de Quinn viriam à tona.
“Onde está Brittany?”.
Pergunto à latina que estava sentada na mesa de sempre. Ela arqueia uma sobrancelha e responde calma.
“Na biblioteca com Q. Parece que elas têm uma prova depois do almoço.”.
Faço que sim com a cabeça, até que me lembro de um detalhe importante.
“E por que não é você que está ajudando ela?”.
“Porque Quinn é melhor nessa matéria, além de assistir a aula com B. Não que isso seja da sua conta ManHands.”.
Responde impaciente a latina, então resolvo ficar quieta. Mas mais uma vez a curiosidade é mais forte, então digo baixinho.
“Você sabe o que Quinn está fazendo, certo?”.
Santana passa a mão sobre a ponte entre os olhos e diz calma, enquanto me encara diretamente.
“Sim RuPaul, sei exatamente o que Quinn está fazendo. E admito que isso é ótimo.”.
“Mas e se Brittany resolver terminar com você?”.
Oh Rachel, controle sua boca e mantenha-se viva! É meu pensamento, ao ver a fúria nos olhos de Santana, que apesar disso me responde calma.
“Ser independente não significa que ela precisa terminar comigo Frodo. Entenda que estamos juntas por algo que nada tem a ver com dependência. Estamos juntas por nos gostarmos. E o que Quinn está fazendo, só mostra o quanto ela gosta de B e quanto lhe quer bem. Isso é o que os amigos fazem.”.
Suas palavras me acertam em cheio, então digo com um suspiro.
“Quinn é mesmo uma pessoa incrível.”.
“Sim Berry, ela é. Aquela é a verdadeira Quinn e eu estou orgulhosa de que ela tenha resolvido se mostrar. Me deixa tranquila saber que B tem alguém de verdade com a qual possa contar. Brit sempre precisou de pessoas de verdade ao seu redor, o que não se aplica a você, é claro.”.
Diz acidamente a latina enquanto me encara, ao que respondo baixo olhando para a mesa.
“Porque sou Rachel Berry?”.
“Exatamente por você não ser.”.
E com isso levanto me olhar rapidamente, tentando entender o que ela quis dizer com isso, e antes de perguntar ela continua.
“Talvez Quinn tenha razão. Você não é Rachel Berry, não a verdadeira, ou sequer é uma pessoa verdadeira. Então é por isso, que não vejo como sua presença poderia fazer bem para Brittany.”.
Doeu, talvez mais do que tudo que ela já me dissera antes, e doeu mais por ela acreditar que eu faria mal a alguém tão doce quanto Brittany. Então sem esperar que ela continue, me levanto e saio correndo da cantina, sentindo mais uma vez as lágrimas arderem nos meus olhos e a dor em meu peito se alastrar, pois apesar de ter sido a latina a dizer, ainda eram as palavras de Quinn me atingindo.
–--
O que eu não sabia era que Finn continuava me vigiando. Assim ele me viu com as duas cherrios, e viu também quando saí correndo da cantina, e isso gerou mais uma briga e depois as palavras que me fizeram finalmente acordar.
Estava terminando de guardar meus materiais para finalmente ir para casa, quando Finn apareceu e sem rodeios começou.
“O que conversamos sobre Quinn, Rachel?”.
O olho intrigada e respondo sem entender.
“Não tenho falado com Quinn, Finn. Você sabe disso melhor que ninguém, já que fez de tudo para que eu me afastasse dela.”.
“Mas o que falamos sobre Quinn? Lembra que lhe disse que ela só iria lhe fazer mal?”.
Cansada de seu interrogatório, bato a porta do armário e digo furiosa.
“Sim Finn, você disse que Quinn iria me machucar, então me afastei. Me explique então o porquê dessas perguntas. Pois não estou entendendo onde você quer chegar.”.
Ele se aproxima, fazendo com que minhas costas encontrem os armários e diz frio.
“Estou querendo chegar em Santana e na sua amizade com ela.”.
Santana e eu amigas? Finn está louco? É meu único pensamento sobre suas palavras, então digo.
“Está louco Finn? Santana não é minha amiga, talvez nunca seja. De onde tirou isso?”.
“De suas conversas com ela na cantina, enquanto na verdade você deveria estar comigo. Não se finja de boba Rachel, sei que você está de amizade com ela, então só lhe digo uma coisa, Santana é tão ruim ou pior que Quinn, então é melhor se afastar dela também. Isso se ainda quiser manter nosso namoro.”.
Diz Finn furioso, enquanto segura meu braço com força. As lágrimas descem pelo meu rosto, sem controle, e antes que eu possa responder, ouvimos o barulho de um armário fechando, fazendo com que ele rapidamente me solte e sem olhar para trás saio correndo. Quem é ele? Esse não é o Finn que eu conheci.
Mesmo com a visão nublada pelas lágrimas, consigo chegar ao banheiro, que por sorte estava vazio, permitindo-me deixar a dor chegar de vez em meu peito. Então ele veio, e trouxe as palavras doces que eram necessárias para me fazer abrir os olhos, pois logo em seguida eu poderia acordar.
“Rach querida, o que aconteceu?”.
Pergunta Kurt enquanto se aproxima e me abraça firmemente. E entre lágrimas consigo balbuciar.
“E-eu n-não sei Kurt. F-Finn está tão estranho. E-eu não sei o q-que fazer.”.
E me entrego mais uma vez às lágrimas, enquanto meu amigo me consolava, tentando me acalmar.
Depois do que parecem horas consigo parar de chorar, e sem dizer qualquer palavra, Kurt, delicadamente, levanta meu rosto e diz me olhando nos olhos.
“Melhor querida?”.
Faço que sim com a cabeça, fazendo ele sorrir doce e limpar os resquícios de lágrimas com os dedos. Então diz calmo.
“O que houve Rach?”.
Me aconchego em seus braços novamente e digo baixinho.
“Finn está louco Kurt. Primeiro disse que Quinn me faria mal e fez com que eu me afastasse dela, e agora cismou que sou amiga de Santana, e que ela, assim como a Quinn, irá me fazer mal e exigiu que eu me afastasse. Senão nós dois brigaremos e terminaremos.”.
“E você acredita que o que ele disse é verdade?”.
Pergunta docemente meu amigo. Então me dou conta que não sei a resposta, não sei mais se Finn tem razão sobre o que diz. Então digo.
“Não sei Kurt. Tudo está tão confuso. Primeiro Quinn decide ser minha amiga e depois Finn diz que ela só quer me machucar, quando quem me machuca é ele.”.
Me assusto com as palavras que saíram de minha boca, e antes que eu possa pensar mais sobre isso, Kurt diz.
“Talvez esteja na hora de você ouvir a si mesma então, não acha?”.
“Talvez sim, mas... O que você acha das atitudes de Quinn? Estou perdida Kurt, e ela me confunde.”.
Digo olhando em seus olhos, ao que ele sorri e diz.
“Quinn mudou Rachel, isso é claro para quem quiser ver, mas não é minha opinião ou a de qualquer outra pessoa que deve definir como você deve agir com relação a ela. Pense por si mesma e me diga se Quinn iria mesmo te machucar.”.
Ele me encara esperando uma resposta e sem perceber faço que não com a cabeça, então ele me aperta em seu abraço e diz animado.
“E o que fará agora minha diva?”.
“Talvez eu deva conversar com Finn e, quem sabe, me aproximar de Quinn.”.
“Talvez...”.
Ele diz e me aperta mais uma vez antes de me ajudar a levantar, mas antes que ele resolva sair pergunto.
“Foi você que fez barulho no corredor? Pois só assim Finn percebeu estar me machucando e finalmente me soltou, mas sai correndo e não vi quem havia chamado a atenção dele.”.
Ele fica quieto, então vejo que algo está errado. Fazendo assim com que eu continue com as perguntas, enquanto vejo meu amigo dar alguns passos para trás.
“Como você sabia onde eu estava Kurt?”.
“Hum... F-foi a Quinn.”.
“Como?”.
Pergunto rápido ao ouvir as palavras dele. Então ele continua.
“Quinn estava no corredor quando viu sua briga com Finn, quando ele lhe segurou pelos braços ela bateu a porta do armário, tentando chamar a atenção dele. E quando você saiu correndo, ela foi atrás de mim e me fez entrar aqui para saber como você estava.”.
Surpresa era a palavra que poderia definir meu estado assim que as palavras dele fizeram sentido em minha mente. Mas algo ainda não se encaixava.
“E por que ela não veio ver como eu estava? Seria a oportunidade perfeita para ela se aproximar e mostrar o quanto Finn estava me fazendo mal.”.
“Porque se ela viesse, você pensaria exatamente isso, que ela estava tramando algo. Quando na verdade ela estava só preocupada com você.”.
Quinn estava mesmo preocupada comigo? Finn então estava enganado. Quinn queria o meu bem. Eu preciso ter certeza. Eram meus pensamentos e sem perceber, deixo escapar.
“Eu preciso vê-la”.
Kurt me sorri e diz antes que eu saia.
“E o que fará quando a ver?”.
–--
Eu sabia o que faria, eu sabia o que fiz, mas agora precisava ver Quinn, precisava de sua presença constante e silenciosa, precisava dela sentada naquela árvore enquanto observávamos a rua. Precisava dela, mas quem veio foi a chuva e com ela meu desespero.
Eram três da tarde e a chova não parava. Estava próxima a janela esperando ouvir o som do seu carro estacionando, para em seguida o som da corda na árvore e do seu esforço para subir, mas a chuva não parava e pela primeira vez eu tive medo. Medo que ela não viesse, medo de que ela tivesse desistido de mim.
Então vieram as lágrimas, mais uma vez, e me deixei levar por elas, assim como a chuva que caia lá fora, mas então veio o som, o som que eu não esperava, mas que me traria o que eu queria.
As batidas na porta me fizeram levantar lentamente, e quando a abri, recebi o impulso que faltava para acordar. Acordar e ver o quanto estava me machucando... Nos machucando. Acordar e ver o quanto estava perdida e finalmente havia me reencontrado.
Pois diante de mim estava uma Quinn Fabray, ensopada pela chuva, com uma cesta na mão, um sorriso triste nos lábios e lágrimas misturadas à chuva. Ali naqueles olhos avelãs, estavam as respostas de todas as minhas perguntas. E antes que eu me desse conta, ela já havia partido.
Me deu um beijo na testa, acariciou meu rosto, deixou a cesta próxima a porta e foi embora. E estava ali, caminhando pela chuva, a resposta que eu queria. Quinn se preocupava comigo e isso me bastava. Essa certeza era suficiente para poder arriscar qualquer coisa, para enfrentar qualquer coisa, o que eu precisava agora era mostrar que eu havia entendido, mas como?
–--
Estava na sala com Brittany, explicando parte da matéria que ela havia perdido ao cochilar e percebendo minha inquietação, diz doce.
“O que te preocupa Rach?”.
A olho por alguns instantes antes de suspirar e dizer cansada.
“Eu machuquei algumas pessoas que estavam tentando me ajudar. Ajudar a me encontrar e não sei como mostrar o quanto estou grata e que tudo finalmente se resolveu.”.
Brittany me sorri e diz antes de voltar a se concentrar nos livros.
“Você deveria fazer o que sempre fez Rachel.”.
Mas o que eu fazia? Penso intrigada, e percebendo minha confusão, ela diz com um sorriso.
“Cantar.”.
Era hora de Glee, e todos estavam em seus lugares. Eu ainda não tinha entrado, estava observando a todos pelo vidro da porta. Brittany estava confortavelmente no colo da latina. Tina, Mike, Sugar, Artie e Rory estavam conversando animados. Puck, Blaine, Sam e Mercedes em outro canto, também conversando. Finn estava quieto, observando Quinn e Santanta. E Quinn estava sentada ao lado de Kurt, que calmamente passava a mão pelas costas da loira, que parecia um pouco nervosa e agitada. Então chegou Mr. Shue e assim que ele entra na sala, resolvo entrar também, pois tenho algo a resolver e será agora.
“Mr. Shue. Posso tomar alguns minutos da sua aula, antes que comece a lição de hoje?”.
Pergunto nervosa, sentindo o olhar questionador de Finn e o curioso de Quinn.
“Claro Rachel, fiquei a vontade.“.
Diz o professor com cabelo de miojo, então me dirijo ao centro da sala, respiro fundo e levanto os olhos para ela, antes de começar a dizer séria e concentrada.
“Não vou explicar nada agora, a música dirá algumas coisas por mim, e o resto direi depois.”. Então começo a música que representava minha libertação, que representava o lugar em que estava.
I guess I just got lost
Being someone else.
I tried to kill the pain,
But nothing ever helped.
I left myself behind,
Somewhere along the way
Hoping to come back around
To find myself someday...
Lately I'm so tired of waiting for you
To say that it's okay.
Tell me please...
Would you one time, just let me be myself
So I can shine
With my own light.
Let me be myself.
Would you let me be myself?
I'll never find my heart
Behind someone else.
I'll never see the light of day
Living in this hell.
It's time to make my way
Into the world I knew.
And then take back all of these times
That I gave in to you...
Lately I'm so tired of waiting for you
To say that it's okay.
Tell me please...
Would you one time let me be myself
So I can shine
With my own light.
Let me be myself.
For a while,
If you don't mind,
Let me be myself
So I can shine
With my own light.
Let me be myself.
That's all I ever wanted from this world,
Is to let me be me.
Please, would you one time
Let me be myself
So I can shine
With my own light.
Let me be myself.
Please, would you one time
Let me be myself
So I can shine
With my own light.
Let me be myself.
For a while, if you don't mind
Let me be myself
So I can shine,
with my own light.
Let me be myself.
Would you one time
Let me be myself
And let me be me.
Ao terminar a música, meus colegas estão atônitos e sem reação, então vejo que Quinn está sendo segurada por Kurt, pois apesar das lágrimas da loira, ela estava claramente furiosa. Assim começo minhas explicações, antes que alguém se pronuncie.
“Não cantei sobre como me sinto hoje, pois não há definição para meus atuais sentimentos. Cantei sobre como estava me sentindo e não sabia, não havia percebido. Mas eu tenho amigos de verdade e eles me fizeram acordar, me ajudaram a me trazer de volta para meu caminho.”.
Digo olhando para Santana, Brittany e Kurt. Então olho para Quinn e digo suave, com um sorriso.
“Apesar de a música ser sobre o modo como eu me sentia antes, vim para dizer obrigada, que estou livre, que vou pedir a ninguém para deixar eu ser quem quiser, eu serei e pronto. Então, obrigada por estar lá todos os dias, por não ter desistido, por ter me jogado as verdades na cara, quando eu me recusava a vê-las. E principalmente obrigada por me trazer de volta. Pois Rachel Berry está de volta, e ela não irá mais embora.”.
Vejo Quinn finalmente sorrir. Depois de tanto tempo ela sorri, então sei que está tudo bem. Mas outra pessoa precisa de respostas, e é por elas que Finn se levanta furioso.
“O que isso significa Rachel?”.
Lhe olho calma e digo decidida.
“Significa que estou retomando as rédeas da minha vida, que eu decidirei meu caminho, quem serão meus amigos, quem estará perto de mim e fará parte da minha vida.”.
“Então está terminando comigo?”.
“Não Finn, estou apenas lhe dizendo que não preciso deixar de ter meus amigos para ter um namorado, que não preciso ser outra pessoa. E espero que você entenda isso.”.
Ele me olha esperando que eu vá ceder novamente e antes que diga algo, continuo.
“E isso não será negociado ou chantageado Finn. Esta será minha postura de agora em diante e se quiser manter este relacionamento, é melhor você me respeitar.”.
Minha declaração, claramente o assusta, e sem dizer mais nada ele sai da sala. E assim que a porta bate, ouço gritos de alegria, explodirem pela sala, e antes que consiga reagir, me sinto esmagada por abraços calorosos e palavras de carinho e conforto. Mas o abraço que eu realmente queria não veio de imediato.
Mr. Shue continou a aula normalmente, e eu estava ansiosa, pois Quinn não havia se levantado da cadeira desde que entre na sala.
Quando a aula terminou, não tinha forças para me levantar. Quinn ainda estava na sala, ainda sem se mover e eu aguardava sua reação. Então ela lentamente se levantou e foi se aproximando, quando estava perto o suficiente, levantou meu queixo com a ponta dos dedos e quando nossos olhares se encontraram, ela sorriu mais uma vez. Deixou um beijo suave em minha testa e antes de se afastar disse baixinho.
“Rachel está quase chegando, posso senti-la por perto, só mais um passo e saberei que ela está aqui.”.
E com essas palavras me deixou sozinha na sala. Somente eu e a pergunta que veio em seguida.
O que falta para te mostrar que estou de volta?
Quinn
Doía a situação em que Rachel se encontrava. Doía estar sozinha. Doía estar sem ela...
Kurt e Brit estavam lá por ela agora, isso por um lado, era um alívio. Pois sabia que se fracassasse, haveria boas pessoas ao lado dela. Mas isso não significa que doa menos. Então começou a chover e eu queria ver Rachel. A chuva estava atrapalhando, mas eu queria vê-la, nem que fosse por um instante, eu queria... Precisava...
“Vá vê-la.”.
Foram as palavras que ouvi, e isso me deu forças suficientes para sair de casa.
A visibilidade era quase nula, e não era por causa da chuva, mas sim por causa das lágrimas que não paravam de cair. Lágrimas de saudade, de dor, mas principalmente de impotência. Impotência por ver como Rachel estava e nada do que eu fizesse dar resultado. Impotência por ver o quão mal alguém, em que ela confiava, estava lhe fazendo. Impotência por não ter respostas às minhas próprias perguntas.
E foi em meio às lágrimas e descrença que cheguei perto da casa de Rachel, mas a pergunta que veio me deixou mais triste: Será que Rachel me quer por aqui? Então, me arriscando pela última vez, sai do carro em meio à chuva. Eu a veria, nem que fosse para ela me expulsar.
Rachel abriu a porta e pude notar os traços das lágrimas derramadas em seu rosto delicado e isso me fez sentir mais dor, pois Rachel estava sofrendo e ela não me diria o porquê, pois queria distância de mim. E vendo que ela não se moveu, lhe beijei a testa em uma despedida muda, larguei a cesta e fui embora. Era hora de deixar Rachel fazer suas escolhas, sem minha presença?
E a resposta veio com o que mais marcava Rachel, a minha Rachel. Música.
Mas a música não era feliz, não era um clássico da Broadway, não era algo que Rachel normalmente cantaria. Era um pedido de libertação, pedido este que ela mesma atenderia me deixando profundamente orgulhosa.
Depois que ela categoricamente dispensou seu ainda namorado, todos não poderiam fazer outra coisa além de comemorar. E eu sabia que ela esperava uma reação minha, mas apesar de estar orgulhosa de sua atitude, Rachel ainda não tinha chegado, faltava pouco, mas esse pouco deveria ser descoberto por ela. Assim, me despedi e lhe deixei com seus pensamentos, enquanto tomava mais uma vez a decisão de me manter presente em seus dias, chuvosos ou não.
E foi com esse último pensamento que mais uma vez me dirigia para a casa dela, com uma cesta na mão, corda na outra e o sorriso mais contente que poderia ter até agora, mas a janela estava fechada. Toda a casa estava aberta, mas a janela de seu quarto estava fechada. Rachel não me quer por perto. Foi o pensamento que me invadiu o peito e fez meus olhos arderem, antes de me virar e fazer o caminho de volta para o carro.
“Já vai embora Fabray?”.
Suspiro entre o alivio e o desespero, pois Charlie estava ali, finalmente. Mas a dor de saber que Rachel não me queria ali se fez presente, então lhe digo ao me virar.
“Veja Charlie, sua janela está fechada. Está um dia lindo e a janela está fechada. Em todos estes dias, sua janela esteve sempre aberta, mesmo no dia que choveu ela estava aberta. O que acha que isso significa agora?”.
Ele me sorri e caminha em minha direção. Ao estar ao meu lado, me aperta o ombro e diz suave.
“Vamos Fabray, não tenha medo agora, está na hora de ter algumas respostas, não acha?”.
O encaro interrogativa e me lembro das palavras duras que disse antes, então me apresso em pedir desculpas.
“Charlie, e-eu quero m-me dês-desculpar pelas palavras duras que lhe disse outro dia. E-eu estava triste, revoltada, um tanto de coisas e acabei descontando em você. Me desculpe, de verdade.”.
Consigo dizer sincera, olhando em seus olhos, pois havia sentido muito a falta dele. Então me sorrindo contente, ele balança a cabeça em negação e diz sério.
“Não peça desculpas Fabray. Você estava certa sobre muita coisa e precisaremos conversar sobre todas elas, mas agora, apenas faça o que tem feito todos os dias e vá para aquela árvore.”.
Sinto as lágrimas voltarem ao me lembrar da janela e balbucio.
“M-mas a j-janela...”.
“Não Fabray, vá.”.
Deixo as lágrimas rolarem livres, enquanto caminho em direção à casa de Rachel, mas mesmo com a dor que me consuma no momento, consigo me manter um pouco feliz, pois Rachel estava lutando por si, lutando pelos seus sonhos e isso era uma das coisas que eu mais queria.
Mas ao chegar perto da árvore é que entendo o porquê da insistência de Charlie, e ao ver aquele sorriso, deixo os soluços sacudirem meu corpo enquanto caminho com um sorriso ao ouvir.
“Sabe, eu queria lhe esperar no alto da árvore, mas tive medo de cair, e uma vez que pai e papai não estão aqui, não poderiam me socorrer. E como sei que você é pontual, resolvi não arriscar e lhe esperar aqui mesmo. Veja, fiz o lanche hoje e coloquei na cesta que deixou aqui, espero que goste do que preparei. Claro que nada possui bacon, pois me recuso a compactuar com o ass... Quinn!!!”.
A interrompo com uma risada e um abraço, pois estava ali a garota tagarela e extremamente fofa, que falava em parágrafos, que era judia, sonhadora, dona da voz mais incrível que já ouvi e dos olhos mais doces e brilhantes que tive a oportunidade de ver. Estava de volta a mulher forte e determinada, sem deixar de ser doce e carinhosa. E ao soltá-la lhe digo baixinho.
“Bem vinda de volta Rachel.”.
E com minhas palavras ela me dá seu mais lindo sorriso de 10.000 wats e pula em minha direção me dando um abraço apertado. Eu ainda teria problemas com Santana, Finn e a própria morte, mas saber que ela finalmente havia chegado era um alívio imenso e desta vez eu me permitiria aproveitar sem culpa.
Notas finais
- Hideaway (The Corrs) - http://www.youtube.com/watch?v=Z7MtuORZQNc
- Let Me Be Myself (3 Doors Down) - http://www.youtube.com/watch?v=JhFVzc7MDg4
Lembrando que meu conhecimento músical é extremamente limitado, então se quiserem sugerir outras músicas para o lugar destas, fiquem à vontade.
Então como está o texto? Falta algo na história? Algo não foi explicado ou deveria ter mais importância? Por favor, digam o que estão pensando para que eu possa melhorar a fic cada vez mais.
E mais uma vez obrigada.
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