Everybody hates Pip
2 Pip é um verdadeiro idiota
O dia amanheceu brilhante e bonito para Pip. Não que isso significasse algo de promissor, mas estava bonito. O britânico gosta do nascer do sol, isso o faz lembrar... bem, não existe nada realmente agradável que um nascer do sol possa lhe lembrar, no entanto todo dia quando eles via o sol espreitando pelo horizonte alguma força misteriosa dava-lhe um pequeno raio de esperança, talvez e apenas talvez, alguém dissesse algo relativamente bom para ele hoje.
Pip era um sonhador do pior dos tipos, completamente irracional. E ele sabia disso.
Algumas vezes Pip gostaria de ir de ônibus para a escola, afinal era uma caminhada longa da sua casa até o colégio. O único problema era que a motorista do ônibus não gosta de franceses e não importava o quanto Pip afirmasse e reafirmasse de que era britânico, não francês, a mulher jamais o deixava dar um passo para dentro do ônibus. Assim Pip precisava andar quase dois quilômetros e meio todos os dias para chegar na escola.
Oh, pobre Pip... mas ninguém mandou ele ser tão francês!
Mas de qualquer forma aquilo era bom, afinal ir caminhando proporcionava a Pip uns bons momentos de paz que eles jamais poderia ter no colégio ou se fosse de ônibus para o mesmo. Muitas vezes ele preferia sair de casa sedo para conseguir se trancar na biblioteca e ler até a primeira aula, então não precisava necessariamente se preocupar com os bullies até aquele horário. Entretanto naquele dia em particular a sorte sequer teve a decência de olhar para Pip, então ‘eles’ – os quais a identidade não é nem um pouco relevante – decidiram que precisavam pegar o loiro naquele inicio de manhã, na área do estacionamento do colégio.
– Bom dia, hoje não está um dia agradável cavalheiros?
Pip perguntou em um irritante, porém adorável sotaque francês – quer dizer, britânico – mas nem chegou a receber uma resposta verbal. Um dos brutamontes que duvidosamente estava no 1° ano do ensino médio pegou o loiro pelos tornozelos deixando-o de cabeça para baixo, – e sim, Pip é pequeno o suficiente para fazerem aquilo com ele e a sua cabeça nem chegar perto do chão – consequentemente fazendo as poucas moedas que o menor tinha nos bolsos caírem ruidosamente no chão. Isso sem contar com a sua boina, que por muito pouco não voou para longe.
– Tão pouco Pip? – Questionou um deles, que era terrivelmente bonito. – Vocês franceses são uns imprestáveis.
– Desculpe, mas na verdade eu sou britânico... – Pip não foi capaz de falar mais nada quando o brutamonte o largou sem muitas cerimonias no chão, fazendo-o cair de cara no chão.
Um pontapé, alguns xingamentos e aquelas pessoas deixaram Pip em paz. Mas o loiro teve muita sorte daquela vez, na maioria das vezes deixavam o pequeno britânico com alguma marca roxa pelo corpo entres outras coisas parecidas. Porém daquela vez eles haviam sido gentis o suficiente para esquecer o dinheiro do seu lanche. Pip se ajoelhou no chão e antes de tudo agarrou a sua boina, a qual estava prestes a sair voando, posicionando-a da forma mais simétrica que conseguiria naquele momento na sua cabeça, para finalmente começar a recolher as pouquíssimas moedas.
~ DIP ~
Pip nunca fazia nada de ruim por querer, mas qualquer pequeno acidente já era mais motivo que o suficiente para que os professores o mandassem para a coordenação. Sem duvidas Pip é um infeliz com falta de sorte. Daquela vez ele havia sido um dos alunos que não conseguiram entrar na sala antes do professor de ciências, mas ele foi o único que foi mandado para a coordenação. O pior que não era a primeira vez e nem seria a ultima, o loiro nunca era perdoado e nem ouvido, mas sempre aceitava sua injusta punição em silencio.
– Pip Pip, já é a 281° vez que você vem falar comigo nesse ano. – Sr. Green era um homem lá pelos cinquenta e poucos anos, calvo e de bigode ruivo. Só mais um na lista daqueles que odiavam Pip. – Quando você parar de fazer problemas.
– Sr. Green, eu juro que não foi por que eu quis! – O pequeno britanico tentava inutilmente se justificar. – Eu só não consegui chegar na hora... o que tem de tão mal nisso?
O homem ruivo olhou para Pip com irritação como se aquele fosse o maior pecado do mundo, é talvez fosse para ele, mas ninguém parou para notar que aquela era a primeira vez naquele ano que o loiro chegava atrasado em sala, – porque todos no colégio o odiavam. Que provavelmente seria a primeira e ultima vez, e que apesar de tudo Pip era realmente aplicado nos estudos. Mas como todos os alunos, funcionários em geral e professores odiavam Pip nada daquilo tinham importância.
– O que tem de mal? – O homem bufou. – Chegar atrasado nas aulas é inadmissível!
– Eu sei, então po-por que – O loiro hesitou por uns segundos. – por que o Eric e o Craig não estão aqui?
– O que tem eles?
– Os dois chegaram no mesmo horário que eu cheguei! – Exclamou tomando um pouco de coragem. – Isso não é justo!
– Não envolva seus outros colegas nos seus problemas! Pip, você é incorrigível... então quer dizer que se todo mundo decidisse se matar você também se mataria?
– Eu não falei isso. – Murmurou abaixando a cabeça.
– Pip, até quando você vai fazer esse tipo de coisa? – Sr. Green não deu chance para o loiro responder. – No final da aula você vai...
Antes que o sr. Green falasse algo sobre três horas de detenção uma mulher loira, a qual era a secretaria do homem ruivo, entrou na sala nervosa.
– Sr. Green, tem um garoto estranho aqui!
– É apenas o Pip...
– Não estou falando do Pip. E um novato – A mulher parou para respirar por uns segundos. – Eu já entreguei a agenda, mas não vou ir mostrar o colégio para ele! Precisamos de um aluno para fazer isso! Além disso o tutor dele e o Saddam Hussein!
– Saddam Hussein...?
Naquele segundo os olhares de Sr. Green e da Sra. White se voltaram para Pip.
– Sra. White, você esta pensando o mesmo que eu?
– Sim! Vamos colocar o francês para fazer isso!
– Desculpe, mas eu não sou fran...
Antes que Pip pudesse terminar a frase sra. White o arrastou dolorosamente pelo braço até a recepção.
– Bem olá novamente... uh... – A mulher havia se esquecido do nome do garoto.
– Damien. – O garoto de preto falou.
– Damien! – Sra. White puxou Pip, colocando-o de frente para Damien. – Pip ira lhe mostrar a escola e... o seu tutor ainda precisa preencher alguns papeis, mas você já poder ir, certo?
– Meu nome é Saddam! – Um outro homem na mesma sala se pronunciou.
– Cre-creio que isso seja apenas uma estranha coincidência.
– Eu sei. É mesmo estranho.
Damien olhou para Pip de cima a baixo e falou:
– Eu não quero que ela me mostre o colégio!
– Bem, eu sinto muito corrigi-lo, mas eu sou um garoto. – Pip falou baixo.
– Bem, você é o cara mais feminino que eu já vi. – Damien murmurou. – Eu te conheço de algum lugar?
– Se você me odeia então me conhece. – O loiro respondeu.
– Er... você me é um pouco familiar. Isso é tudo. – Damien suspirou – Bem agora me mostre o colégio.
– Claro! – Falou abrindo a porta da recepção sendo seguido pelo outro garoto.
Pip começou a andar pelo corredor falando onde lugares como o banheiro, diretoria e quadra de esportes ficavam. O loiro nunca tinha se sentido importante antes, e agora ele estava ajudando alguém a aprender algo novo! Pip nunca tinha realmente ajudado ninguém antes, visto que todo mundo o odiava e só não haviam matado ele antes porque era divertido implicar com o loiro.
– Qual é o seu primeiro professor? Eu posso te levar até a sala.
– Não, eu não quero ir para a aula. – Respondeu Damien.
– Tudo bem... então eu poderia mostra-lhe o refeitório. – Pip começou. – Ele fica a apenas 187 passos daqui. A escola é bastante simples, você não vai demorar a decorar onde ficam os lugares e...
– Você é britânico?
– E-eu – Pip gaguejou por um momento. Todo mundo achava que ele era francês! – E-eu sou. Como você sabe?
– O seu sotaque entrega tudo. – Respondeu como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
– Er... todo mundo acha que eu sou francês.
– Realmente soa bem parecido, mas eu não confundiria.
– Oh, entendo. – Pip sorriu. – Você gostaria de ir até a biblioteca?
– Tudo bem. – Deu os ombros. – Ei, qual o seu nome?
– Pip.
– Pip?
– Sim, meu nome realmente é Phillip, mas como todos me odeiam me chamam de Pip. – Pausou. – Mas você pode me chamar do que quiser.
– Bem... Pip, onde fica a biblioteca mesmo?
– Ok! A biblioteca é fácil de encontrar. E só subir as escadas e...
Damien colocou a mão no ombro de Pip e falou:
– Eu sei que eu acabei de te conhecer, embora você me pareça estranhamente familiar – Pausou. – eu posso sentar com você e os seus amigos no almoço?
Pip sentiu um arrepio subir a espinha. Aquela pessoa, Damien, queria se sentar com ele! O loiro era odiado e por isso ninguém ficava com ele, a não ser para intimida-lo. Mas Damien realmente queria sair com ele! Por outro lado, se ele começasse a sair com Pip, certamente seria odiado. Não importava o quanto Pip quisesse um amigo, ele não poderia privar Damien de uma possível popularidade! Aquele garoto que se vestia de preto parecia exatamente com aquelas pessoas que queriam apenas sair com atletas que sentavam com as lideres de torcida, conversar sobre jogos ou fazer insinuações sexuais sobre tudo que ouviam e viam apenas para rir.
Com o coração pesado, Pip disse não.
– Eu sinto muito Damien, mas você não pode. – Falou tentando não gaguejar. – Você não vai gostar de mim ou de que eu saia com você.
Pip nunca sai com ninguém. E por isso que Damien não iria gostar do loiro. Os dois continuaram com a pequena turnê pelo colégio, mas agora Pip sabia que aquela seria a ultima vez que seria tratado de forma tão gentil por Damien.
Porquê Pip é um verdadeiro idiota.
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