Os últimos anos em South Park não foram assim tão ruins, isso porque passaram muito rápido. As pessoas na cidade não gostavam de Pip e, por consequência, nem de Damien, então não foi nenhum tipo de sacrifício a decisão de vender a casa antiga e ir para Denver, onde os dois conseguiram alugar um pequeno apartamento provisório e ainda sobraria dinheiro mais que o suficiente por algum tempo.

Agora era a primeira vez que entrava naquele apartamento vazio, que tinha visto apenas em fotos, e parecia muito melhor ao vivo e em cores. O carpete era um tom bege, as paredes eram brancas e tinha essa cozinha de conceito aberto na sala, nada muito grande e ainda não haviam muitos móveis, apenas algumas caixas de coisas aqui e ali e um sofá verde-musgo feio que acabou vindo junto com o apartamento.

O loiro já conseguia imaginar como tudo ficaria quando conseguissem terminar a mudança, estava ansioso por aquilo.

Tinha conseguido sair de South Park e talvez nessa cidade grande, onde ninguém lhe conhecia, pudesse arrumar algum trabalho. Estava especialmente otimista dessa vez.

— Você vai sair da frente ou não? — Quase tinha esquecido que Damien estava logo atrás.

Desculpe-!

Apenas quando Damien chamou, o britânico percebeu que já havia perdido tempo demais admirando o cômodo e foi colocar a caixa que segurava em cima de uma pilha um pouco maior. Tinha uma boa quantidade delas por ai, daria algum trabalho para desempacotar tudo e Pip estaria mais do que feliz em fazer tudo isso.

Começaria agora mesmo, se Damien não tivesse chegado por trás e passado os braços ao redor da sua cintura, abraçando apertado, e enfiado o rosto no seu cabelo. Conseguiu sentir a respiração dele. Gostava muito de como, mesmo depois dos primeiros dois anos desde que se casaram, Damien continuava carinhoso e afetuoso do jeito dele. Era bom não precisar de um motivo para que se abraçassem e esperava que isso nunca mudasse.

— A gente pode deixar pra arrumar essa bagunça depois, não é? — O moreno sugeriu e só conseguiu descrever aquilo como preguiça.

— Ainda são duas da tarde, Damien. — Retrucou e se virou para ele, assim conseguiu retribuir o abraço e riu da careta de mal humor dele. — A cama, a mesa e as cadeiras vão chegar ainda hoje, nós precisamos montar tudo.

Eu sei...

Ele olhou para toda a sala e aquelas caixas com algum desgosto, enquanto Pip não conseguia parar de encará-lo com o seu sorriso ficando cada vez maior. Damien então voltou a olhar na sua direção:

— O que foi?

Se inclinou para beijar os lábios dele, mas não passou de um selinho que durou rápidos segundos:

— Eu estou feliz. — Começou e isso acabou arrancando um sorriso dele, também. — Aqui parece um lugar legal, já consigo imaginar como tudo vai ficar.

Riu sem graça, sabendo que provavelmente não conseguiria disfarçar a vergonha de admitir tudo isso vez voz alta e, por mais que conhecesse Damien e tivesse escutado coisas bem parecidas várias e várias vezes, ele sempre conseguia lhe deixar sem palavras. De um jeito bom, obviamente:

— E eu tô feliz por você estar aqui.

Ele falava de um jeito tão natural, como se realmente não quisesse ou esperasse nada além disso, que Pip simplesmente ainda não sabia como lidar.

— Você vai me ajudar a escolher os outros móveis?

— O que você quiser tá bom.

Ele encolheu os ombros e o loiro revirou os olhos, desfazendo aquele abraço delicadamente apenas para se afastar um pouco dele. Caminhou para perto de algumas caixas perto do sofá e se sentou nele, pegando uma delas no processo e por último abriu. Dentro dela haviam alguns livros.

— Vai ficar parado? — Olhou para Damien com um sorriso simpático. — Bem que você poderia me ajudar com isso, não é? Nós temos muito trabalho pela frente.

Damien resmungou alguma reclamação que lhe fez rir, mas passou disso e logo ele também tratou de começar a desempacotar as coisas.

O dia todo foi gasto com isso e a entrega de algumas das mobílias chegou no horário combinado.

A mesa não foi tão difícil de montar e as cadeiras já vieram prontas, depois eles passaram para um guarda-roupa que ficaria no quarto e Damien fez praticamente todo o trabalho sozinho, mesmo com Pip insistindo que poderia ajudar. Depois que eles fizeram a estante da sala tentaram passar para a cama no único quarto daquele apartamento, mas parecia um pouco mais complicado e já estava ficando tarde.

Anoiteceu e não havia nada na geladeira, então o jantar foi uma comida chinesa barata e ruim que eles decidiram pedir. Damien reclamou um pouco do sabor e Pip, honestamente, não conseguiu sentir o que havia assim de tão ruim nela, mas era engraçado ver o moreno com raiva, reclamando e, mesmo assim, continuar comendo.

Agora estava no sofá, olhando na sua agenda o que precisaria fazer amanhã e era tudo praticamente o mesmo que acabou fazendo hoje. A sala ainda estava uma bagunça de caixas, algumas vazias e outras não, e a estante só estava pela metade com os seus livros. Realmente, muito trabalho a ser feito, mas o britânico não conseguia se sentir de outra forma que não fosse feliz e animado.

Damien foi se sentar do seu lado e o único termo que Pip conseguiu pensar para descrever o estado dele era estar de saco cheio. Ele apoiou a cabeça no seu ombro e encarou o caderno, não parecendo muito feliz por ver que os dois ainda teriam que fazer um monte de coisas chatas pelos próximos dias.

— Por mim a gente deixava tudo como tá… — Virou um pouco o rosto na direção dele e o encarou de volta. — É só uma sugestão.

Ficaram se olhando por apenas mais alguns instantes antes de Pip soltar um riso fraco:

— Por hoje acho que nós podemos deixar assim, mesmo. — Fechou a agenda e colocou no braço do sofá. — Já está tarde, é melhor nós irmos dormir-

— Sim, eu to cansado pra caralho.

Pip riu de novo e levantou do sofá e Damien foi logo em seguida, depois de um banho rápido, higiene no geral e trocar de roupa, os dois foram para a cama. Claro que ela, naquele momento, era apenas um colchão grande no chão, pois ainda não tinham montado a base cama, mas serviria mesmo assim.

Porém, o que realmente aconteceu no final não foi exatamente uma noite de sono.

Depois de uns cinco minutos de conversas paralelas e de trocas de afeto, os dois começaram a se beijar e tocar demais, e as coisas acabaram tomando outro rumo quando Pip subiu em cima do colo de Damien. Não demorou muito tempo para também se livrarem das roupas e, por sorte ou conveniência, quase parecia planejado, tudo que eles precisavam estava em uma bolsa no chão a poucos centímetros de distância.

Agora Pip estava montado no pau de Damien e com as mãos firmes apoiadas no peito dele, enquanto o moreno mantinha os antebraços apoiados no colchão e olhava na sua direção de um jeito tão intenso que acabava deixando o loiro sem jeito. Já estava com os joelhos na cama movendo os quadris, um pouco devagar demais, quando Damien decidiu levantar o tronco e sentar e o loiro só não acabou caindo porque ele imediatamente colocou as mãos na sua cintura e costas.

Subiu as mãos até os ombros e o dele atacou os seus lábios em um beijo de tirar o fôlego, enquanto continuaram naquela posição por mais um tempo até os joelhos de Pip começarem a doer, por isso pediu para que trocassem. Damien não pareceu descontente por mudar e ficar por cima, muito pelo contrário.

Passou as pernas ao redor da cintura dele enquanto as suas mãos foram agarrar as costas nuas, logo os lábios de Damien tomaram os seus novamente apenas por alguns segundos e ele separou quando as estocadas começaram a tomar um ritmo. Uma mão dele também segurou o seu pau e deslizou ao redor, para cima e para baixo, lentamente e no primeiro momento disso o loiro deixou um gemido mais alto escapar.

Tudo continuou lendo por mais algum tempo, talvez um pouco devagar até demais e Pip pode sentir toda vez o pau entrando, com uma fricção que era apenas prazerosa e conseguia ficar ainda melhor toda vez que ele, o seu marido, acertava na próstata.

Não sentia que duraria muito mais tempo assim e, honestamente, estava com vontade de gozar logo.

Damien chegou lá primeiro, mesmo assim ele manteve a mão firme ao redor do seu pênis, masturbando de um jeito que fez Pip se contorcer até as pontas dos pés antes de finalmente gozar.

Ofegante, sentindo uma fina camada de suor na pele e ainda com a sensação de orgasmo fresca no corpo, o loiro não teve muita vontade de soltar o outro homem e fez o exato oposto disso, abraçou e puxou ele para perto por alguns instantes. Mas não ficou assim tanto tempo quanto gostaria e a sua reclamação não passou de um resmungo quando Damien se afastou.

Provavelmente era uma boa ideia tomar um banho, mas estava com preguiça demais e também cansado o suficiente para não ter vontade de levantar da cama.

Damien se levantou apenas para jogar a camisinha fora e limpar o que precisava antes de voltar para o colchão e, imediatamente, Pip se enroscou perto mais dele e logo também sentiu dois braços ao redor do seu corpo.

Depois disso, felizmente caiu no sono bem rápido.

~ DIP ~

Além de ajudar a escolher as roupas – pegou uma camiseta social branca com um blazer vermelho-escuro por cima, uma calça comprida marrom escura e sapatos discretos – aquela tarde, Damien também lhe acompanhou até o local da entrevista de emprego. Uma pequena livraria antiquário no centro da cidade, que ficava no térreo de um prédio mais alto.

Pip estava com o coração na boca por causa do nervosismo, segurando a mão do seu marido, cheio de expectativas e pensamentos sobre o que poderia ou não acontecer, além de inseguranças e medos. Era inevitável, estava acostumado a ser rejeitado e a olhares de desprezo desde muito cedo, durante quase toda a sua vida, mesmo que tentasse ser otimista na maioria das vezes, aquela sensação ruim sempre se fazia presente...

As pessoas não gostariam dele, nunca.

Então foi realmente inesperado para Pip como o dono era um senhor simpático e coincidentemente, assim como o próprio loiro, também um imigrante inglês nos Estados Unidos. Certo, ele era mais educado do que realmente simpático, fechado como a maioria dos britânicos e o sotaque também não era muito forte, mas ainda era algo melhor do que as suas expectativas terríveis.

A conversa foi rápida e bastante fluida, o senhor queria um funcionário pois não estava dando mais conta sozinho da loja por causa da idade. Perguntou sobre alguns livros e parece que Pip deu todas as respostas certas, porque quando disse que não tinha experiência, ele comentou tranquilamente que não era tão difícil assim.

Contra o que estava esperando e a sua falta de experiência nesse tipo de loja, o britânico conseguiu o trabalho. Começaria no dia seguinte.

Agora, em torno das quatro para cinco da tarde, Pip estava animado para voltar para casa e contar a Damien da grande novidade. Sua casa não era muito longe, cerca de vinte minutos de caminhada não era nada e ele quase não prestou atenção. Mas teria sido uma completa falta de educação ignorar aquele velho amigo quando ele veio lhe cumprimentar.

Tweek não estava muito diferente do que se lembrava, só com cabelos mais curtos e ordenados.

Pip? — Ele lhe parou no meio da calçada e o britânico fez o mesmo, abrindo um sorriso assim que o reconheceu.

— Tweek! — Pip dificilmente ficaria feliz por ver um rosto conhecido de South Park, mas Tweek era uma das poucas exceções a regra. — Eu não fazia ideia que você estava aqui.

— Me mudei com Craig há alguns meses. — Ele explicou e soava mais tranquilo e calmo do que conseguia se lembrar. — Ele foi pra faculdade aqui e eu abri um café.

Estava curioso para perguntar mais coisas, mas não queria se atrasar para chegar em casa e o outro loiro também parecia estranhamente inquieto.

— Eu ficaria muito feliz de ouvir mais sobre isso, companheiro, mas infelizmente estou um pouco ocupado agora. — Falou e Tweek imediatamente concordou com a cabeça, sorrindo compreensivamente.

— Eu também meio que preciso ir pra algum lugar agora. — Falou e um segundo depois completou. — Tu tem telefone?

No fim, os dois trocaram números e rapidamente foi para um de volta para o seu caminho original.

Em torno de cinco minutos depois, Pip estava abrindo a porta do seu apartamento e lá dentro havia um cheiro maravilhoso de alguma coisa cozinhando.

— Damien?

— Tô aqui.

Fechou a porta e imediatamente viu que, por trás da bancada que separava a sala da cozinha, Damien estava usando uma camiseta cinza e preparava alguma coisa que certamente estava maravilhosa, em uma das panelas que eles tinham trazido da antiga casa.

Estava ansioso para contar a novidade, mas Damien parecia bastante ocupado agora fazendo a comida dos dois e o loiro não queria atrapalhar. Não faria mal esperar só mais um pouco.

Foi até a cozinha e se aproximou do outro homem, os dois se cumprimentaram com um selinho rápido e dali conseguiu espiar o cozido de panela com várias verduras, cogumelos e cubos de carne boiando no caldo grosso. Nesse momento o seu estômago roncou e Pip não fazia ideia de que estava com tanta fome, será que ainda demoraria muito?

— Daqui a pouco fica pronto. — Damien falou como se fosse capaz de adivinhar os seus pensamentos. — Você pode colocar a mesa pra gente?

Claro!” murmurou alegremente e se afastou, tentando adivinhar se eles usariam os pratos rasos ou fundos daquela vez. Acabou pegando dois pratos fundos e os talheres, depois só terminou de arrumar a mesa.

Depois de uns dez minutos, os dois já estavam sentados a mesa e Phillip colocou pela primeira vez um garfo daquela comida na boca, que já estava com um cheiro incrivelmente bom e o sabor realmente fez jus as aparências.

Quase esqueceu das boas notícias que tinha para dar e realmente teria esquecido se ninguém tivesse falado nada:

— Então — Damien começou, como quem não quer nada. — como foi na livraria?

— Foi ótimo! –- Respondeu alegremente e também bastante animado, enquanto o seu esposo sorriu com essa reação. — O senhor Wilson foi bastante gentil comigo e eu consegui o emprego!

— Eu falei que você não tinha com o que se preocupar.

Encolheu os ombros e comeu mais um pouco da carne, saboreando o jeito que ela praticamente se desmanchava na boca.

— Não consigo evitar. — Admitiu, mas em um tom tranquilo até demais. — As vezes eu tenho a sensação de que ainda estou em South Park.

Pip não estava mais naquela cidade, ele jamais voltaria para ela, mas muitas das coisas que ele passou lá acabaram pesando negativamente em outros aspectos da sua vida, por mais que não gostasse de falar sobre isso. O pessimismo acabava sendo sempre inevitável na maior parte do tempo e o loiro tinha aquela certeza quase absoluta que isso nunca mudaria.

Ao menos assim boas notícias e quando as coisas superavam as expectativas se tornavam, sempre, boas surpresas.

Obviamente sabia que Damien não via as coisas dessa forma e, normalmente, ele costumava ser bem claro sobre isso, então a mudança de assunto foi algo inesperado, mas muito bem-vindo:

— Mas tu gostou do lugar?

— Parece ser muito antigo, sabe? — Imediatamente Pip começou, até mais animado do que antes. — Mas acho que deve ser proposital da decoração, não pude ver tudo para ter certeza. Não é muito grande e parece ser bem limpo, eu tenho a sensação de que as coisas são tranquilas lá, não vi muita gente… Mas talvez seja por causa do dia.

Continuou a falar das suas primeiras impressões, todas bastante otimistas, e, no primeiro momento, o moreno não fez muito mais além de escutar. A comida foi acabando ao mesmo tempo que as observações de Pip se esgotaram, então, depois de um tempo considerável quieto, Damien se pronunciou:

— Parece ser muito melhor do que o lugarzinho de merda que eu tô.

Ele falava bastante sério, apesar de aquele sorriso, o trabalho dele era uma loja de varejo que vendia tudo em grandes quantidades e Damien sempre falava que não gostava, por mais que as reclamações dificilmente passassem disso. O pagamento por hora não era tão bom quanto poderia e ele já estava a procura de um outro lugar para trabalhar, mas, por enquanto, era melhor ficar no que tinha disponível.

— Mas é tão ruim quanto trabalhar no McDonalds?

Jamais!

Ele gargalhou e Phillip riu junto.

— Depois que eu saí da entrevista hoje — Pip começou, rapidamente pensando em mais assuntos para continuar falando. — encontrei com Tweek perto da loja e Craig também está com ele.

— A gente podia sair com eles qualquer dia.

Talvez, e apenas talvez, aquela sugestão vinda de Damien tenha lhe pegue de surpresa. Tudo bem que todos tinham ficado mais amigos com o passar dos anos, mas ele nunca era quem sugeria encontro sócias.

— Essa é uma esplêndida ideia! Lembro-me de Tweek ter falado que havia aberto uma cafeteria, nós deveríamos ir visitar o lugar.

~ DIP ~

A primeira coisa que Pip fez, depois de muito tempo, antes de realmente entrar na cozinha para preparar alguma coisa, foi amarrar os seus cabelos loiros firmemente atrás da cabeça e dobrar as mangas do casaco vermelho de gola alta até o antebraço.

Antes, ele estava decidido a fazer um bolo por uma ocasião que julgou como especial e precisou começar, preparar a massa toda e realmente tentar fazer alguma coisa certa para lembrar, apenas no final, que nunca foi um desastre na cozinha atoa.

Damien chegou em casa com uma sacola de comprar e encontrou tudo tomado por aquela fumaça com um cheiro absolutamente desagradável de queimado, praticamente ao mesmo tempo que Phillip tirava um bolo preto feito carvão de dentro do forno.

Honestamente, aquilo era meio previsível e o britânico sabia bem disso, mesmo assim, não conseguiu não ficar chateado. Tinha feito tudo direito, achava, apenas havia se distraído um pouco na parte do tempo…

Mas, poxa, só queria fazer algo legal para Damien agora que ele tinha sido promovido no trabalho, pensou enquanto olhava tristemente para o bolo queimado, que parecia realmente muitas coisas, mas comestível definitivamente não estava entre eles.

Sequer havia percebido que Damien já tinha chegado antes dele se pronunciar:

Phillip-? — Ele tossiu entre uma frase e outra, mas primeiro foi abrir uma janela para tentar diminuir aquele cheiro desagradável. — Por Satã, o que aconteceu aqui!?

Pegou o prato que desenformaria o bolo e virou a forma em cima dele, a coisa caiu lá como se fosse uma pedra e estava ainda pior do que tinha imaginado. Suspirou tristemente, mas já começando a se conformar com o desfecho, antes de responder:

— Eu tentei fazer um bolo… Porque você foi promovido no trabalho. — Olhou para Damien, que estava do outro lado do balcão encarando o pedaço gigante de carvão. — Não deu muito certo.

Ele continuou quieto por dois ou três segundos, até que balançou negativamente a cabeça enquanto deixou um riso escapar.

— Não tem problema. — O moreno mais pareceu achar tudo aquilo divertido do que qualquer outra coisa. — A gente pode fazer outro, se tu quiser tentar de novo.

Pip abriu um sorriso aliviado e animado. Por mais que ainda estivesse um pouco chateado consigo mesmo por não ter sequer conseguido seguir uma receita direito, o alívio por Damien não ter se importado com isso era bem maior. Para ser honesto, ele nunca ligava muito para quando fazia alguma bagunça na cozinha, mas isso não diminui a culpa que o britânico sentia em qualquer nível que fosse.

— Se você não estiver cansado, eu gostaria de tentar mais uma vez, sim.

A limpeza foi rápida e Damien apenas foi colocar algumas roupas para ficar em casa, mais confortáveis, e os dois voltaram para a cozinha. Na segunda tentativa de Pip e primeira de Damien, o moreno tomou a frente e só precisou olhar o bloquinho de notas com a receita uma vez antes de realmente começar a fazer algo.

Primeiro misturou farinha, açúcar e chocolate em pó, apenas os secos, e depois foi para o leite, ovos e o óleo. A última coisa foi o fermento. O resultado foi uma massa de bolo, bonita, escura e visivelmente diferente – e melhor – daquelas feitas com mistura pronta, que eles viam no supermercado sempre, de todos os sabores. O moreno não gostava delas.

Durante esse preparo todo, Pip mal conseguiu ajudar misturando algumas coisas. Era legal ver Damien cozinhando, especialmente porque ele fazia isso muito bem e dizia que o pai dele que havia o ensinado. Mesmo que fosse um pouco triste pensar que fazia quase dez anos que os dois não se viam, Damien não parecia ligar muito para isso, nunca havia comentado e o britânico nunca teve coragem de perguntar.

— Agora fica uns trinta minutos no forno. — Damien comentou enquanto colocava a forma cheia de massa no fogão e fechou antes de verificar a temperatura. Pip estava do outro lado do balcão que dividia a cozinha da sala, sentado em um dos banquinhos e apoiando um cotovelo na pedra clarinha, enquanto também apoiava o queixo na mão. Ele olhava para o marido com um sorrisinho, mas sem perceber e, por causa disso, ele lhe encarou durante alguns segundos. — O que foi?

Ainda demorou alguns instantes para responder, sem conseguir tirar os olhos do outro homem. Estava tão feliz com a sua vida, de um jeito que, anos atrás, jamais imaginou que seria e nem mesmo tinha essa perspectiva. Não percebeu que levou alguns segundos a mais para responder, mais do que tinha planejado e Damien chegou a abrir a boca para tentar dizer algo, mas conseguiu ser mais rápido:

Eu te amo.

Ele arqueou as sobrancelhas por meio segundo antes de relaxar e também sorrir, se aproximou e Pip aceitou aquele beijo alegremente, mas que também foi mais rápido do que gostaria.

Eu também te amo.

Depois dos trinta minutos que Damien contou no relógio e quando a casa começou a cheirar a bolo de chocolate, ele foi tirar a forma de dentro do forno e tirou da forma em um prato brega, mais bonito com aquelas flores delicadas nas bordas, que Pip achou em uma loja de antiquados.

Diferente do que tentou fazer, o dele estava absolutamente perfeito.

~ DIP ~

A cafeteria era um lugar agradável e o forte cheiro daquele grão predominava no ambiente inteiro, que tinha uma decoração que Pip poderia descrever como um simples e moderno, com mesas de madeira clara, cadeiras brancas e as paredes verde-limão, uma cor clara. Combinava bastante com algo que tinha um dedo de Tweek na decoração.

Quando ele e Damien entraram, o Tweak estava atrás do balcão e não haviam muitos clientes pelas mesas, talvez por já estar muito tarde. De todo modo, era exatamente essa a intenção, logo ele fecharia e só precisavam esperar Craig aparecer. Tweek acenou para os dois e Phillip foi rápido em chegar perto do balcão, onde tinha uma pequena vitrine com quatro bolos simples, todos pela metade ou faltando uma fatia ou duas para acabar, e alguns cupcakes e bolinhos.

— Vocês chegaram cedo. — O loiro comentou enquanto secava as mãos com um pano branco. Tinha alguns copos do lado da pia de aço inox, que o balcão na frente escondia, Pip só conseguiu ver porque chegou perto o suficiente.

— Phillip disse que queria conhecer o lugar.

Damien deliberadamente lhe dedurou e o britânico apenas concordou com a cabeça. Logo depois ele sentou em um daqueles poucos banquinhos sem encosto que ficavam de frente para o balcão.

— Achei um ambiente muito agradável. — Elogiou e nisso Tweek deu um sorriso pequeno e agradeceu muito brevemente, com um “obrigado”. — Gostaria de ter vindo mais cedo.

— O café é do mesmo tipo que os seus pais vendiam?

Virou o rosto para o marido ao mesmo tempo que ele tomava o lugar ao seu lado, na esquerda, sem conseguir acreditar naquela grosseira. Todos, ao menos muita gente de South Park, sabiam exatamente como era o café dos pais do outro loiro e Pip achou a pergunta terrivelmente ofensiva, mas Tweek riu como quem não levou a sério. Ao menos isso.

Ruim? Não acho que seja.

Certamente reagiu bem mais calmo do que faria há uns bons anos atrás, era bom ver que ele tinha melhorado tanto. Tweek serviu uma xícara de café e colocou na bancada, o cheiro era forte – o britânico gostaria mais de uma xícara de chá – e ele cruzou os braços, visivelmente confiante:

— Por conta da casa.

Tinha sido um desafio e viu Damien abrindo um sorrisinho antes de pegar a xícara pela asa e tomar um gole do café, como se ele não estivesse fumaçando de tão quente. Mas Phillip não esperava que ele ficasse visualmente tão surpreso, enquanto olhava para o resto da bebida e depois para o dono da cafeteria, que ainda estava com os braços cruzados:

— Caralho, isso tá muito bom.

Obrigado. — Ele sorriu por um instante e olhou para Pip. — E você quer alguma coisa antes de eu fechar tudo? Faço por conta da casa, também.

Sorriu sem graça e negou levemente com uma mão, era a primeira vez que pisava ali e o seu amigo já estava lhe dando coisas de graça? Não poderia aceitar tão facilmente assim, até sentia que não era certo:

— Não precisa Tweek, não quero abusar da sua boa vontade-

Mas Tweek pegou um daqueles cupcakes bonitos da vitrine, com glacê branco e confeitos coloridos de tons pastéis, e colocou na sua frente. O britânico olhou por um segundo para o pequeno bolo e o Tweak fez um gesto com a mão para que pegasse logo, enquanto Damien lhe pegou de surpresa chegando mais perto e colocando um braço sobre os seus ombros, sorrindo na sua direção:

— Você vai mesmo fazer pouco-caso de um presente, Pip? — Olhou para o seu marido, hoje em dia quando ele lhe chamava pelo apelido era sempre por provocação. Não incomodava em nenhum nível, não depois que “Pip” simplesmente perdeu todo o significado ruim de antigamente. — Não esperava isso de você…

Revirou os olhos e se deu por vencido, apenas agradecendo para Tweek brevemente antes de pegar aquele cupcake para provar uma mordida, e… Era muito melhor do que pode prever. A cobertura não era o glacê doce e pesado que estava esperando, não parecia nem mesmo ser realmente glacê, e a massa do bolo era fofinha, branca e bem leve, tanto na textura quanto no sabor. Pip arregalou um pouco os olhos e colocou uma mão cobrindo a boca por pura educação, mas apenas os dedos, enquanto mastigava.

Ao mesmo tempo, Tweek saiu de trás do balcão para atender o último casal de clientes do outro lado do estabelecimento.

Ofereceu a metade para Damien e ele aceitou de bom grado, comeu e também pareceu impressionado com o sabor. Poucos instante depois, outro loiro voltou para trás do balcão, com alguma louça suja em mãos e só teve tempo de colocar tudo na pia antes de alguém falar alguma coisa:

— Como você fez esse creme de manteiga? — Damien perguntou e ele estava genuinamente curioso, além de sincero, também. — Tipo, tá muito bom!

— Está mesmo incrível, Tweek.

Pip enfatizou e sorriu junto. Era o tipo de comida que a maioria voltaria para comprar de novo e fazia sentido que ele tivesse lhe deixado provar sem pagar, o britânico não era do tipo de pediria esse tipo de cortesia de novo, não se ninguém oferecesse.

Enquanto isso, o dono da cafeteria estava aproveitando um tempo para lavar aquela pouca louça suja. Era quase quatro e meia da tarde e, pelo que ele tinha falado outro dia, logo daria a hora do lugar fechar as portas. O Tweak apenas aceitou todos os elogios de bom grado, parecia até habituado a isso:

— Valeu, é uma receita que eu criei.

O assunto acabou quando Phillip escutou o sino na porta um instante depois que Tweek terminou de falar e ele abriu um largo sorriso, olhando na direção da entrada. Saiu de trás do balcão e Pip teve tempo de ver ele dar um beijo rápido nos lábios de Craig Tucker, se afastando um instante depois para tirar aquele avental simples e bege.

Por baixo disso, a roupa do loiro também não era muito cheia de detalhes, ele usava essa camiseta verde de botões – que um ou dois estavam abotoados nas casas erradas – com as mangas dobradas na altura dos cotovelos, uma calça marrom e um par de sapatos pretos.

O recém-chegado, depois de sorrir para o companheiro, acenou brevemente para Damien e Pip, mas ninguém teve tempo de falar nada antes de Tweek:

Você tá atrasado.

Era a primeira vez que via Craig sorrir tantas vezes em um intervalo tão curto de tempo, mas o jeito que ele sorria apenas para Tweek era óbvio demais:

— A minha aula acabou meia hora atrás, eu vim correndo, babe.

O moreno estava com essas calças jeans larga e acinzentada, uma camiseta azul escura e um casaco por cima, que também parecia de jeans, apenas alguns tons mais claro que as calças. Os tênis nos pés tinham esse aspecto velho e era estranho vê-lo sem aquela touca típica da adolescência, mas Craig apenas se parecia muito com alguém que ainda estava na faculdade – e ele realmente estava, a mochila apoiada em um ombro só completava.

Então, Craig finalmente colocou os olhos em Pip e Damien, acenando de um jeito que o britânico gostou de pensar que foi amigável para os padrões dele. Ainda da parte dele houve algum comentário sarcástico sobre encontro duplo ser apenas brega demais, foi bem recebido apenas por Damien. Era engraçado como eles conseguiam se entender, olhando para trás até mesmo bizarro e curioso, mas fazia um pouco de sentido. Nenhum dos dois homens costumava dar abertura para ninguém, sempre fechado para com quase todo mundo.

Tweek fechou arrumou tudo e cafeteria em quinze minutos, o Sol ainda se fazia presente do lado de fora quando todos saíram na direção dessa lanchonete, por recomendação de Craig, de fachada simples e até discreta entre dois prédios baixos e, se não fosse pela meia dúzia de mesas do lado de fora, ninguém diria que lá era um tipo de restaurante.

Pip preferiu pegar uma daquelas mesas redondas no ambiente externo e Tweek também foi de acordo, enquanto os outros dois que sobraram apenas aceitaram a decisão. Já estava conversando com o outro loiro antes de se sentar, com ele a sua esquerda e Damien na direita, enquanto Craig ficou no lugar que sobrou.

Todos foram fazer os pedidos e o britânico ficou pessoalmente satisfeito que tinha alguns tipos de chá no cardápio, já que estava quase na hora do chá. Depois que a garçonete saiu com os pedidos de todos, o assunto recomeçou:

— O sanduíche de presunto daqui é ótimo, acho que vocês vão gostar. — Contra muitas expectativas, Craig que decidiu falar algo primeiro e isso arrancou um sorriso pequeno de Tweek. — Sempre almoço por aqui depois da aula.

— Eu só faço passar aqui depois do trabalho. — Quem falou dessa vez foi Damien. — Não sabia nem que era um restaurante…

Phillip e Tweek se olharam por um segundo, no meio daquela conversa meio esquisita entre essas duas pessoas que não eram exatamente as mais extrovertidas de todas, e o britânico soltou um riso enquanto o outro loiro revirou os olhos, apesar de o sorrisinho:

— Tweek, — Pip começou, casualmente. — eu preciso confessar que não estava esperando te encontrar pela cidade no outro dia…

— Ah, foi bem de última hora que a gente decidiu se mudar. — Ele encolheu os ombros por um instante, despreocupadamente. — Mas depois de tudo que aconteceu, eu não via a hora de sair daquela cidade… Craig e eu conseguimos juntar algum dinheiro e ele entrou na faculdade com a bolsa. Além de a cafeteria, não tem nada lá que eu já não saiba como se faz, facilitou.

South Park, de fato, não foi muito gentil com ninguém presente naquela mesa, era aquela mesma história longa e Pip tinha essa certeza que ainda viveria na rua se nunca tivesse se mudado. Talvez estivesse passando fome uma hora dessas, fazendo coisas que não iria se orgulhar para ganhar dinheiro ou até pior...

Felizmente, todos esses medos haviam ficado no passado e não eram mais reais.

— Eu arrumei esse emprego em uma livraria.

— Sim, você comentou outro dia.

— O pagamento é bom, mas às vezes eu penso se entrar em uma faculdade não seria melhor…

— Não é garantia de nada. — Craig disse de repente e Pip olhou para ele, a espera de que continuasse. — Curso superior, você ainda pode muito bem se foder na vida mesmo formado… Jason teve que voltar pra casa dos pais depois de terminar administração, tá lá até hoje.

Tentou se lembrar de alguém chamado Jason, isso porque o nome não lhe era estranho e provavelmente ele deveria ter sido algum dos seus valentões no colégio. Mas o problema era, quem não foi um valentão de Pip na escola?

— Sim... — Tweek estava com esse sorrisinho até um pouco perverso, atípico e que não combinava muito com ele. — Você falou outro dia que o Stan perdeu a bolsa?

Dessa vez foi a vez do Tucker de sorrir:

— Sim, ele e o Harrison estão namorando a distância agora, já que o Marsh voltou para aquele fim de mundo e ele ficou por aqui.

— O Gary está em Denver? — Pip perguntou, realmente surpreso. Fazia alguns anos desde que não tinha contato com o mórmon e as vezes se perguntava se ele estava bem, era bom finalmente ter algumas notícias, nem que fosse por terceiros.

Namoro a distância!? — Damien, de repente, riu alto e o britânico quase conseguiu sentir o veneno nas palavras dele. — Eu não acredito que o Gary ainda tá com esse fracassado… O Marsh e os amigos dele nunca foram boa coisa.

Não mesmo.

Era até um pouco engraçado que Craig e Damien concordassem sobre esse assunto, mas também justificável. Os dois continuaram falando mal dos outros por um tempo e Phillip não se engajou na conversa dessa vez, não achava aquele tipo de fofoca uma coisa muito legal de se fazer…

Nesse meio tempo, todos os pedidos chegaram e Pip finalmente pode apreciar o seu chá de camomila, que foi impressionantemente melhor do que estava esperando quando pediu e o acompanhamento foi uma torta salgada. Damien pediu um sanduíche grande de rosbife, Craig o sanduíche de presunto que tinha comentado e Tweek estava com uma xícara de café preto.

Mas, nem com todos comendo, o assunto esfriou:

— As vezes eu esbarro com o Broflovski no campus. Ele tá cursando direito.

Aquilo deixou o britânico mais curioso do que gostaria e colocou a xícara de volta no pires antes de perguntar:

— O Kyle e o Eric ainda estão juntos?

— Até onde eu tô sabendo, sim. — Tweek já tinha terminado o café dele e havia acabado de pedir outra xícara para a garçonete. — O Cartman enche o Instagram dele com fotos de casal, acho que eles estão até morando juntos.

Certamente Pip estaria bem mais atualizado sobre as novidades se criasse alguma rede social, mas, francamente, ele não gostava disso e muito menos Damien, então os dois simplesmente não sabiam das novidades.

— Isso é bem curioso.

— É esquisito. — Damien tinha acabado o sanduíche dele e roubou um pouco do seu chá antes de continuar. — Você só tá tentando ser bonzinho.

— Não diria esquisito, Damien… Você lembra do que aconteceu no baile de formatura-?

Aquele que jogaram uma lata de tinta em você? — Ele interrompeu o marido e olhou na sua direção de um jeito sério demais, aborrecido, mas revirou os olhos. — Como esquecer?

— Sim, esse mesmo. — Pip prontamente ignorou o tom dele, como sempre ignorava quando assuntos como aquele voltavam, e retomou o de antes. — Se eu lembro bem, os dois foram coroados?

— Foram mesmo, o pessoal achou que era uma ótima ideia tirar uma com a cara deles desse jeito. — Craig confirmou, mesmo que parecesse mais interessado na comida dele agora e nem levantou o olhar. — Mas o Cartman só agarrou o Broflovski no palco e todo mundo bateu palmas quando eles falaram que tavam juntos.

Naquele mesmo dia, dois minutos depois desse acontecimento, Bill e Fosse jogaram um balde de tinta branca em Pip e o colégio inteiro riu dele. Uma experiência bastante desagradável, para dizer o mínimo, além de ter sido o primeiro e o último baile da sua vida.

Sim, eu lembro...

— Se tivesse sido a gente lá em cima, eles teriam jogado pedras. — Tweek soltou um riso breve e que pareceu bem amargurado e apenas nesse momento Craig olhou para o loiro, os dois trocaram um olhar rápido antes dele virar o rosto para Pip. — Eu tenho certeza que teriam.

— Sim, mas isso não importa, honey. — Uma pausa rápida, só o tempo de Tweek dar um sorrisinho olhando para Craig. — Eles não vão para o nosso casamento de qualquer jeito, mesmo.

Pip travou e levou alguns instantes a mais para processar o que ele tinha dito. Havia escutado certo? Casamento? Porém, não teve a chance de expressar como estava surpreso primeiro, já que Damien teve uma reação mais imediata e soou impressionado, até mesmo chocado:

— Vocês finalmente vão casar!?

Ficou animado pelos dois e abriu um sorriso, falando algo bem mais cortês e educado do que o esposo tinha dito:

Que notícia fantástica! — Viu Tweek concordando levemente com a cabeça e ele e Craig deram as mãos, se olhando por alguns instantes a mais, apaixonadamente. Era fofo. — Vocês já tem uma data?

Com a pergunta, Tweek voltou a atenção para Phillip e deu um sorriso gentil quando respondeu:

— Na verdade, Pip, foi por isso que eu chamei vocês para sair hoje… A gente quis convidar vocês pessoalmente, porque seria uma honra se vocês fossem pro casamento.

Notas finais
Sim capítulo que vem tem casamento creek... é isso.