Everybody Loves a Happy Ending
1 Introdução - Wake up!
Notas iniciais
Vocês perceberão que embora tenha elementos canon, acabo me aproveitando muito mais de um cenário alternativo para poder explicar como Draco e Harry chegaram aqui, neste capitulo introdutório.
Não é como se eu fosse apaixonado por Harry Potter. Na verdade, eu o detesto. Potter me causa arrepios, mas não são arrepios bons, quer dizer, é apenas nojo. Sim. Nojo pelo sangue sujo dele, a companhia ruim e ideias de salvador do mundo patéticas.
Isso. Potter é patético. Tanto, que eu não encontro palavras para descrever o quão idiota ele é. Eu poderia passar o resto da minha vida arrumando motivos para odiá-lo. E eu encontraria incontáveis razões para justificar meu ponto de vista, que não é apenas um ponto de vista, é a pura verdade e mesmo assim ainda me faltariam vidas para simplificar em adjetivos o quão Potter é estúpido.
Mais que estúpido, mais que idiota, mais detestável que eu posso imaginar. Eu odeio Harry Potter.
Jamais deveria ter me sujeitado a conviver no mesmo lugar que ele. Meu pai deveria ter arrumado um jeito de deixá-lo longe de mim. Deveria ter dito a eles, todos eles, desde o principio que a presença de Potter prejudicaria meus estudos, mas não... Aquele velho caquético tinha que viver para protegê-lo. E não importa o que Potter faz, ele sempre consegue se safar da expulsão. O que eu acho uma incrível falha das regras da Escola e do Mundo Bruxo. Acho que O Cicatriz deveria ser expulso de nosso mundo, de tão horrível que é.
Pensando bem... Ele deveria ter morrido. Alias sequer nascido. Onde seus pais patéticos estavam com a cabeça para ter um filho mais patético ainda? Antes não tivessem feito isso. Eles tinham o dever de saber como ele realmente seria. Irritante, burro, insensível, maldito! Odeio Potter. Odeio estar esperando por ele há quase duas horas. Não há justificativas. Não há perdão. Ninguém deixa um Malfoy esperando e saí ileso. Nem mesmo o Testa Rachada. E não, eu não estou pensando no que eu poderia estar fazendo aqui, além de esperar, junto dele...
Não estou decepcionado. Eu nem me importo...
Sendo mais sincero ainda, só estou aqui nessa sala estúpida, sozinho, para poder descansar. Claro, eu mereço estar deitado em uma cama espaçosa, em paz. Mereço esse silêncio. Mereço estar longe de Potter, nem que seja por poucas horas. E então eu escuto passos. Lá vem ele, qual vai ser a desculpa?
Não existem desculpas para isso. E eu não hesito ao ver aqueles grandes olhos verdes me encarando daquele jeito... Um jeito estranho. Como se estivesse aliviado por me ver ali. Ah! Eu deveria ter ido embora. E ele não tinha permissão para sentar-se ao meu lado. Espere um pouco! Ele está se deitando! Que audácia, eu vou matá-lo, vou enforcar. Juro por Merlin, por Mordred, por Salazar Slytherin.
-Desculpe a demora. – Desculpe? Quem ele pensa que é? Vou pegar minha varinha agora, uma maldição imperdoável talvez possa resolver meu problema...
-Draco? Ouviu o que eu disse? – Claro que eu ouvi, seu idiota. Não sou surdo. Cruciatus? Avada Kedrava? Não... É pouco. Muito pouco perto do que ele me fez passar.
-DRACO! – Maldito! Ainda grita comigo? Respiro fundo, ele ainda está olhando para mim com aqueles grandes olhos verdes, agora ele parece preocupado, hesitante... Talvez eu esteja expressando demais as minhas ideias... É, acho que estou com uma cara assustadora.
-É claro que eu escutei o que você disse, afinal, surdo eu não sou. – Nem burro... Não vou cair nesse seu joguinho, me olhando desse jeito... Acha que sou idiota?
-Foi o Snape – E agora quem fez uma careta horrível foi ele. Como ousa? – Me deu mais uma detenção.
-E o que você fez dessa vez?
Ele desaprova o que eu falo. Na verdade, até eu desaprovo o que eu disse. Por que estou sendo tão paciente? Por que ainda não coloquei minhas mãos na sua garganta? Morte por sufocamento deve ser horrível, deve ser suficiente...
-Me deu a detenção por eu não estar com o uniforme completo. O que é ridículo, não estamos mais em horário de aulas! Parece que qualquer coisa é motivo para ele me arrumar problemas...
-Concordo plenamente com ele.
-Você não pode estar falando sério...
-Estou sim. Não é porque você é o Grande Potter que tem o direito de ser diferente dos outros alunos...
-Você não está de uniforme.
-Mas é claro que não!
-E você pode ser diferente dos outros?
-Eu sou um Malfoy, Potter! Um Malfoy! Quantas vezes vou ter que lembra-lo disso?
-Pode ter certeza que nenhuma.
Silêncio. Ele ficou chateado, eu sei. Mas não importa. Ele tem que ficar mais...
-Tem mais uma coisa...
-O que é? – Lá vem ele com os seus problemas, claro, O Salvador Potter sempre carrega o mundo nas costas...
-Snape sabe.
-Sabe o que?
-Sobre nós dois. – Nós? Que nós? Não existe nós. Pelo menos não depois que eu colocar as mãos em você.
-E o que tem nós dois?
-Como assim o que tem nós dois? Você está bem, Draco?
-Estou ótimo. Nunca estive melhor. Na verdade, hoje é o melhor dia da minha vida.
-Você está sendo irônico.
-Sério? Não me diga!
-Draco, o que você tem?
-Eu já disse que estou ótimo!
-Não está não! Você tem alguma coisa.
-E você é mais burro que uma porta!
Silêncio. Ele abre a boca algumas vezes pra dizer alguma coisa. Não fala. E eu já estou de pé, indo em direção a saída da Sala Precisa.
-Não foi por que eu me atrasei certo?
E o prêmio vai para Harry Potter! Como ele adivinhou?
-Se atrasou? Potter, você não se atrasou. Você entrou numa fissura de espaço-tempo, esqueceu-se e voi a lá! Cá estamos nós, duas... DUAS horas depois da hora marcada.
-Mas eu te disse que foi por causa da detenção!
-EU NÃO ME IMPORTO COM A SUA DETENÇÃO. EU FIQUEI AQUI TE ESPERANDO COMO UM IDIOTA!
Lá vem ele de novo, com os grandes olhos verdes, inquisidores sobre mim. Como se ele tivesse o direito de me olhar dessa forma...
-Draco, você está sendo infantil.
Agora é minha vez de abrir a boca diversas vezes, sem nada como resposta.
-Eu estava aqui te dizendo sobre o Snape, ele sabe que estamos juntos e não parece muito feliz com a noticia.
Respiro fundo. Ok. Vou deixar a briga para depois. Até eu sei que este é um assunto sério.
-Como ele descobriu? Ele te disse alguma coisa?
-Não com todas as letras...
-De que jeito foi então?
Ele fica quieto, de novo. Isso está virando um péssimo habito.
-Fala de uma vez, Potter!
-Depois que eu organizei os arquivos de detenções pela milésima vez – Aqui eu reviro os olhos -, e já estava de saída ele disse: ‘Eu sei do seu segredo, Potter. E tenha certeza, o que eu puder fazer para acabar com esse seu jogo, eu vou fazer. Está dispensado. ’
-Isso não quer dizer que ele sabe sobre... sobre nós dois...
-Não é como se eu tivesse mais alguma coisa para esconder...
Oh, então eu sou o grande segredo do Potter? Interessante. Mas concentre-se, Malfoy! Se Snape sabe que você e o Testa Rachada estão, bem... Tendo algo... Os seus dias de cão só estão começando.
-O que vamos fazer? – Ele me pergunta como se eu tivesse todas as respostas do mundo! Quem tem mais a perder com isso sou eu! E se meu pai descobrir? Se Snape contar para ele? Começo a andar de um lado para o outro, pensando.
-Draco...?
Pior, e se o Lorde das Trevas descobrir? Todo o prestigio da minha família vai por água abaixo...
-Draco, pare de roer as unhas.
E se ele descobrir que eu estou roendo as unhas...?
-ME DEIXE PENSAR, DROGA!
Torno a me sentar sobre a cama, Harry fica ao meu lado, ambos encarando a porta.
-Vamos parar de nos encontrar.
-O QUE?
-Para de gritar, Potter! É o único jeito. Assim conseguimos despistar Snape e...
-É tão fácil para você, não é?
Potter se levanta de novo. Os olhos verdes me encaram. De alguma forma ele parece abatido, ultrajado. Não gosto que me olhe desta forma, eu não consigo encarar aqueles olhos, não com aquela mágoa crescendo aos poucos.
-Não, Potter. Para você sim, é fácil. Você não tem que se preocupar com uma família, com um nome. Não tem que se preocupar com toda uma horda de comensais da morte em sua casa ou com o que vai acontecer com seu prestigio ou poder de sua família. Para você é simples demais, fácil demais, vir aqui noite após noite, sem preocupações... Sem receios...
-O que você está falando Malfoy! Que eu não tenho preocupações? Que não me preocupo com você...
Estreito o olhar. Alguma coisa dentro de mim revira, sinto meu estomago queimar.
-É o único jeito...
-Não me trate dessa forma, Draco... Não tente fingir que é o único jeito de resolver isso aqui.
-É O ÚNICO JEITO!
-NÃO É NÃO! Nós podemos enfrentar isso, enfrentar Snape e o que mais for necessário. Eu não estaria aqui se fosse um jogo, uma brincadeira! Uma forma qualquer de se levar o tempo... Eu quero isso, Draco. Quero estar aqui com você, noite após noite, quero isso sempre...
-Mas não é assim que as coisas funcionam, Harry. Você consegue imaginar o que vai acontecer com a minha família caso o Lorde descubra algo assim? E pior, o que meu pai é capaz de fazer! Eu não posso correr esse risco, tampouco permitir que paguem por uma loucura minha...
-Loucura? Você chama o nosso namoro de loucura?
Namoro? Quem falou sobre namoro aqui? Desde quando eu sou namorado do Harry Potter? Ele ficou louco? Perdeu o juízo?
-Nós não estamos namorando, Potter...
-Estamos o que então? Porque eu acho que o que estamos fazendo se chama namorar.
-Por Merlin Potter! Eu não sou seu namorado!
Exaspero-me, levo as mãos aos cabelos. O mundo parece estar de cabeça para baixo. Eu não sou namorado do Harry. Não sou... Isso aqui é só... Sei lá o que! Eu nem gosto tanto assim dele, eu...
-Então vamos parar de nos encontrar. – Ele sentencia. Acabou, pronto. Não há mais problemas. Tudo está resolvido.
-Certo.
Tudo está em seu devido lugar. Eu vou poder viver minha vida como antigamente, tudo voltou ao normal. Então... Então por que é que meus olhos estão ardendo tanto? Por que... parece... que estou sufocando?
-Até mais, Potter.
Saio da sala, coisa que deveria ter feito duas horas atrás. Aliás, eu nem deveria ter vindo. O corredor parece pequeno demais, acelero. Não é como se eu estivesse correndo. Não... Para que correr? Correr é deselegante. Malfoys simplesmente desfilam sua nobreza. Eu paro, pois definitivamente correr não é saudável... Eu quase não consigo respirar... Um nó em minha garganta está acabando comigo. E meus olhos, céus... Estão úmidos.
Mas eu não estou chorando. Não importa quão desesperadora pareça a situação... Malfoys não choram.
-Malfoy?
Meu coração bate em falso. Quem é o infeliz...? Me viro bruscamente e tenho a própria visão do inferno.
-Professor Snape...
-O que está fazendo à uma hora dessas fora das masmorras?
Você sabe, por que está fazendo essa pergunta? Penso comigo.
-Já estava a caminho.
-E onde estava...?
-Na biblioteca.
Seu olhar se estreita sobre mim. Sinto raiva dele. Uma raiva cortante.
-Acho bom se apressar, já está quase no horário de recolher.
-Sim, professor. – Falo com o desprezo típico.
-Pode ir.
Viro as costas para ele e sigo em direção as masmorras. O salão comunal está cheio. Não falo com ninguém. Ouço risos e um silêncio quase palpável vindo dos meus amigos. Melhor que fiquem longe de mim. Não estou com paciência. Não quero dar explicações...
O quarto está silencioso... Como eu gostaria de estivesse. Troco minhas roupas, me deito. Por um motivo estúpido lanço um feitiço de silêncio.
Não é como se eu fosse apaixonado por Harry Potter. Eu não sou. É só que eu encontrei alguma coisa naqueles grandes olhos verdes, quase desconcertante... Talvez fosse um feitiço. Eu não sei. Foi algo que me fez beija-lo um dia desses, quer dizer, é óbvio que foi ele quem me beijou primeiro e é óbvio que eu resisti bravamente... Só que eu não posso negar que ele sabia fazer aquilo muito bem, e que suas mãos tinham um toque diferente... E céus, quando ele me chamava pelo nome, eu achava que poderia enlouquecer...
Mas não é como se eu fosse sentir falta disso. Eu não vou.
Eu não vou deixar de dormir para ficar pensando em Potter. Agora tudo está resolvido. Tudo...
Notas finais
Provavelmente todo o álbum será utilizado no desenvolvimento desta história.
Para começar, que tal conhecer a música? Vale a pena!
https://www.youtube.com/watch?v=ewcvZCF8-OE
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