Everybody Hurts...
14 Capítulo 14
Havia um rosa em minhas mãos. Era vermelha como sangue. O ar era pesado e tinha um cheiro parecido com o de lixo. Havia um jardim tomado por rosas — todas vermelhas, que me cercavam.
E um segundo a rosa desapareceu, ali, sob os meus olhos. Suas pétalas caíram ao chão. E a rosa se desfez em minhas mãos assim como todo o campo florido. E só o que restou dela foram seus espinhos e seu caule em minhas mãos. Eles me feriram e as primeiras gotas de sangue escorreram por meus pulsos até caírem no chão.
-Miranda esta tudo bem. Miranda acorde!
-Melanie... –Foi à única coisa que consegui dizer a não ser correr sem parada. Eu procurava por alguém, por algum lugar, mas não o encontra. Eu já estava acordada e sabia.
Robert. Ele e minha mãe estavam na cozinha. Juntos. Eu custei a acreditar, mas era verdade. Ele estava novamente sob o mesmo teto que eu e eu não podia fazer nada a não ser gritar de raiva.
-O que é isso aqui?
-Eu e o Robert voltamos Miranda e espero que desta vez você o trate com o máximo respeito possível. Já conversamos sobre isso. Você não é mais uma criança e deve aceitar a felicidade de sua mãe.
-Felicidade? Ele não lhe faz feliz. Para ele você é só um brinquedo que ele usa quando quer e depois guarda para usar mais tarde. Não vê que ele não presta?
- Isso não é verdade. Miranda o que esta acontecendo com você ultimamente? Você anda tão estranha e tão rude comigo... Eu sinceramente não vejo o porquê de tanta rebeldia e de tanto ódio. Eu sempre a tratei com tanto carinho. –Seus olhos mantinham-se fixos a mim. Ele estava tão controlado. Parecia um psicopata negando um crime em frente ao delegado.
-Seu desgraçado. Foi você quem me pôs naquele internato. Foi você que mandou o Scott ficar comigo e foi você, seu canalha que traiu o meu pai. O Jeremy é seu filho junto com ela. –O ódio transbordou, como uma taça e, sem pensar esbofeteei-o com todo o ódio e a repulsa. Foram precisos muitos esforços para me conterem.
-Chega Miranda!Agora fique aqui e fique quieta antes que eu tenha de tomar uma providencia extrema. –Melanie segurava meus dois braços, os pulsos encostados atrás das costas como se faz com um ladrão. Minha só encarava e Robert limpava o canto da boca que sangrava com as costas da mão. Ela me jogou em cima da cama de hóspedes do segundo andar e me trancou no quarto escuro.
Eu precisava sair dali. Daquele pandemônio. Eu não suportava conviver mais um segundo com toda aquela gente que me odiava. Foi só uma questão de tempo até que o medo de pular passasse eu pulasse da janela. Correndo como uma alienada, segui até a casa da única amiga que tinha além de Sean. Mandi.
A campainha soou por várias e várias vezes. Ninguém atendeu a porta, então tentei a maçaneta. A porta se abriu e revelou uma sala de estar escura e tomada pela baderna. Roupas estavam espalhadas pelo chão assim como papéis que não pude decifrar pela falta de claridade.
Segui cômodo a cômodo gritando por seu nome sem sucesso até o banheiro. Sangue. Havia sangue na banheira e um corpo boiando. O corpo desfalecido boiava. Estava despido e dois talhos marcavam os pulsos. Mandi. Ela estava morta. Ela tinha se suicidado.
O bebe. O bebe. Foi só isso que passou por minha cabeça e ainda com esperança de que houvesse salvação liguei para a emergência sem escolher as palavras.
-Eu sinto muito. Ela e o bebe não resistiram. –O médico passou caminhando calmamente pelas duas portas que se encontraram provocando um estrondo e sem esperanças deu a noticia mais triste que eu já havia ouvido em toda a minha vida. Imagens do sonho relampejaram por minha mente. O sangue escorrendo pelos pulsos. As rosas sumindo. O ar pesado e o cheiro de lixo.
Toda a vida, toda a energia, toda a esperança de vida... Tudo tinha se acabado. Dor. Era só isso que eu sentia por dentro. A mais terrível dor que alguém podia sentir por outro.
***
Semanas depois.
-Miranda esta tudo bem. –Sean me tomou em seu abraço e ele pareceu eterno para mim.
-Não Sean. Eu cheguei tarde de mais. Eu queria tê-la ajudado... Eu juro que queria.
-Calma. Você e nem ninguém podia ter ajudado. Ela se foi porque era sua hora. Eu sei que você a amava e eu também, mas nós não podemos deixar que isso nos afetasse. Agora vamos para casa. Você precisa descansar.
-Desculpe, mas antes a senhorita precisar prestar esclarecimento a policia. Por favor, nos acompanhe. –De trás de um vaso de flores quase que num passe de mágica surgiu um homem moreno de feições rudes que vestia um sobretudo mesmo com o tempo fazendo temperaturas altas. Todos que estavam ao redor olharam para ele como se fosse um escorpião ou um assassino.
Eu o acompanhei sem questionar muito, estava cansada de mais para isso. Sean fez questão de me acompanhar, pois não parecia confiar no sujeito. Eu não me importei com aparências ou distintivos eu apenas entrei em seu carro.
-Bem, Miranda sua amiga Mandi tinha traços suicidas, quero dizer, ela não falava sobre suicídio ou lia coisas sobre isso?
-Não. Eu ela nunca falamos sobre isso.
-Então você acha que ela fez isso conscientemente e que teve motivos para isso?
-Eu não sei.
-Vocês duas não eram amigas? Ela tinha seu contato no celular. –O interrogatório já durava quase uma hora e Sean estava prestes a ter um ataque de nervos e entrar naquela sala falando todos os desaforos que sabia, mas fiz um gesto com a mão e murmurei que ele parasse. -Então senhorita Carter você deve saber quem é o pai da criança que Mandi esperava... Será que seu suicídio não se tratou de uma decepção amorosa?
-Eu não sei. Desculpe-me, mas nós éramos assim tão próximas... –Menti para tentar acabar com toda aquela tortura. Mesmo sabendo que não era certo mentir para um policial.
-Por favor, Miranda colabore comigo. Quem era o pai do bebe? –Ele tomou uma xícara de café inteira em um só gole e depois voltou a me encarar.
-Meu irmão Jeremy. Ele esta fazendo um intercâmbio na Inglaterra há quase um mês. –Não tive outra escolha a não ser falar a verdade. Já que ele insistia naquele interrogatório.
Fale com o autor