Everybody Hurts...
10 Capítulo 10
-Miranda isso tudo que você acabou de dizer é verdade? Esta em seu juízo perfeito filha? –Uma senhora grisalha veio até mim quase completamente arqueada para frente. Ela só parou quando tocou meu rosto. Sua expressão foi de espanto e felicidade, mas nunca medo. Ela sorriu e posou de volta a mão ao longo do corpo.
-Tudo que contei é verdade vovó; e estou bem agora. –Uma cabeça loura apareceu por trás da senhora idosa. Logo em seguida suspiros cansados se seguiram de sussurros e só depois, quando a vovó deu alguns passos para o lado deixando a vista livre pude ver que era aquela era minha mãe.
-Filha! –Aquela era a primeira vez depois de anos que minha mãe me chamava de “filha”. Ela que sempre foi tão fria e reservada agora demonstrava seus sentimentos com lágrimas rolando pelo rosto. Ela simplesmente caiu em meus braços depois de me ver. Segurei-a. Não posso mentir, ainda sinto saudades dela apesar de tudo. –Você esta viva... E esta aqui, ao meu lado.
-Eu estou viva... Mãe. –Ela me afastou depois de algum tempo. Depois enxugou as lágrimas e continuou agora remanejada:
-Eu esperei tanto tempo por este momento filha. Não houve uma noite em que eu não tenha pensado em você; em como estava. Eu esperei até este momento para pedir desculpas a você e quando soube daquilo... Achei que não fosse ser possível me redimir com você querida.
Senti meu rosto corar. Será que ela estava sendo falsa comigo ou ela realmente tinha mudado seu modo de pensar. Mesmo se ela tivesse realmente mudado nenhuma palavra ou atitude iria redimir o que ela fez. Cerrei os punhos, as unhas cravadas na pele suave da mão.
-Você não me deve desculpa alguma não se preocupe com isso agora. Esta tudo bem.
-Não aja desta forma comigo querida. Vamos conversar em casa. –Ela estendeu o braço para pegar minha mão. Seus olhos lacrimejavam cada gota que ameaçava sair era espantada por seus dedos. Seguimos com o carro de Melanie até sua casa. No caminho minha mãe contou sobre sua separação de Robert. Não posso negar que esteja feliz por isso ter acontecido, se eu fizesse isso estaria mentindo.
-Acomode-se neste quarto Miranda. Acho que esta tudo certo aqui, mas se precisar de qualquer coisa é só chamar por mim. Ah, tem lençóis limpos no armário. –Ela encostou a porta de leve, fechando-a delicadamente deixando só uma fresta. –Boa noite! –Ela resurgiu ao canto entre aberto da porta sussurrando cada palavra calmamente.
Estava na cara que eu não conseguiria dormir essa noite. O quarto era aconchegante, espaçoso... Mas não era o meu quarto ou o quarto de Sean onde eu era acostumada a dormir. Fechei toda a porta com cuidado, segurando a maçaneta firmemente até que a ultima fresta fosse fechada. Depois de revirar o armário e o criado mudo sem sucesso deitei na cama desfeita. O colchão áspero sem lençol não me deixou pregar o olho por um só momento.
Desisti de dormir e me sentei na cadeira estofada perto da janela que no escuro parecia ser mais clara do que o resto do quarto. O farfalhar das folhas, o soprar do vento, o barulho mais mínimo agora podia ser percebido no silencio daquela noite de lua cheia.
-Miranda abre a janela. –Os sussurros foram seguidos de leves batidas no vidro embaçado pelo frio. Abri apenas um canto do olho e vi meu irmão George estacado em frente à janela. Abri a janela devagar, cada músculo dos braços fazendo mais força a cada momento para arcar com o peso. Só agora eu estava sentindo a fraqueza causada pela fome que eu sentia. George me ajudou. Em seguida disse algumas palavras que não consegui entender, só depois ouvi parte delas.
-Sean quer falar com você amanhã. Contei pra ele sobre o que você fez e ele também não a apoiou, mas mesmo assim quer encontra-la às nove horas na igreja. Ele esperará por você no andar superior, onde fica o coro.
Apenas assenti. Estava esgotada de mais para elaborar o mais simples conjunto de palavras que fosse. Ele sussurrou algumas besteiras e alguns xingamentos e depois se foi, para onde a luz da lua não mais o pudesse iluminar.
Tornei a deitar no áspero colchão até entrar em transe e ser levada para um lugar que até hoje eu desconhecia. O cheiro de colônia masculina se estendia por um corredor escuro. De repente as luzes se acenderam e junto com elas surgiu Damon sentado a uma mesa posta para dois. Um jantar a luz de velas.
-Ainda bem que chegou não aguentava mais esperar. –Seus lábios se moviam, mas sua voz não parecia vir dali. Ela vinha de dentro de mim, da minha mente. Parecíamos estar nos comunicando por pensamento.
-Desculpe é que tive problemas na vinda para cá. –Eu descobri que também podia me comunicar por pensamentos e me sentei a sua frente, as mãos escorregando sobre o tecido violeta de um vestido longo.
O bater de uma porta soou atrás de mim. Um frio sobrenatural subiu do meio das costas até a espinha, uma mão fria tocou meu ombro descoberto. Virei — me para analisar o rosto, os cabelos que antes voavam pousados no ombro esquerdo.
Os olhos de Sean ardiam em fogo e agora as palavras de sua boca saiam deliberadamente sem ordem ou sentido. O terno branco estava sujo do que parecia ser sangue e seus dentes eram cerrados e tortos. O cabelo loiro estava desgrenhado e cumprido até a altura dos ombros. O pavor e o medo tomaram conta de mim por um instante e eu corri em direção a uma das dezenas de portas que surgiram a minha frente, a barra do vestido sendo carregada por uma só mão.
Uma musica suave tocava num quarto em quanto filas de espelhos estavam apontados para mim, cada um mostrava um figura diferente do outro. Algumas eram pálidas, outras sorriam, outras choravam e haviam uma em especial que estava caída ao chão, uma poça de sangue ao lado do corpo desfalecido.
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