Bom dia pequeno pedaço de papel! Infelizmente preciso ir, preciso estudar. Aqui estudaremos toda a semana, com exação apenas da sexta-feira, na sexta estudaremos literatura e dança, é como se fosse um dia de descanso, mas não é. Aqui nada é descanso e nem vida.

Ainda não entendo como minha mãe teve coragem de me colocar aqui, ela me deixou aqui como se larga lixo ou se larga um corpo. Achei que ela tivesse sentimentos, mas não tem, acho que depois que ela se casou com Robert eles se perderam em meio a sua maldade.

Bem, vou vestir o uniforme ridículo da escola e usar meu all star,afinal esse é o único tênis que tenho. Ele me largou aqui com apenas a roupa do corpo, como uma mendiga. Até mais tarde diário!

Como se ali naquela escola fosse algum shopping, ou algum tipo de salão de beleza Miranda seguiu andando calmamente até sua determinada sala. Todos os olhares estavam voltados para ela.

–Ei, você não vai tomar café da manhã? –Uma garota se atravessou em frente a mim, era uma garota estranha, e parecia não tomar banho há algum tempo.

–Esta falando sério? Então eles servem café da manhã no inferno... –Respondi arrogante, não queria fazer nenhuma amizade ali dentro, ali não era uma escola, era uma prisão, um tumulto.

–Por incrível que pareça sim, eles servem um ótimo café da manha. –A garota parecia insistir em uma relação de amizade, segui ao seu lado, estava com fome, mas não esperava muito da comida dali.

Ela me levou até o terceiro andar, os refeitórios ficavam ali, eram sórdidos e densos como o resto do prédio. Mesas redondas feitas de carvalho se estendiam até o fim do enorme cômodo tomado por garotas.

Todos os rostos se viraram para mim com uma expressão de “o que diabos isso faz aqui?”, todos estavam pasmos com minha presença. Puxei mais para baixo o colete azul marinho que sobrepunha à camisa branca, limpando a garganta seguimos a diante até uma mesa vazia.

Ah meu deus! Era um internato para garotas, apenas para garotas, o que eu faria agora, o que seria de mim sem alguém ao lado? Sentei-me entre a garota que havia me convidado para tomar café e outra garota ruiva, tinha sardas tomando seu rosto, e como as outras era horrível.

A mesa estava servida de pães, suco, leite e algumas geleias, não havia torradas ou waffles, não havia nada nem parecido com isso. Pelo visto hoje eu iria passar o dia em jejum.

–Olá, sou Nancy, muito prazer! –A garota ruiva voltou-se para mim estendendo a mão, tinha cara de quem era nerd.

–Prazer, sou Miranda. –Retribui a saudação educadamente, mesmo que não fizesse questão disso.

–Oi, sou Bethany! –Exclamou uma garota que estava sentada a minha frente, essa apenas acenou de leve com a mão perecendo tímida.

–Ah, e eu sou Paige, desculpe por não ter me apresentado antes... –Ela Deu-me um rápido beijo na face, parecia ser uma menina legal, pelo menos era simpática.

–Prazer em conhecer todas vocês... Desculpem, acho que o sinal já bateu, vamos. –Disse num tom sussurrado que demonstrava todo o meu desanimo e a minha aflição com tudo aquilo.

–Tem razão, vamos meninas esta na hora e não queremos chegar atrasadas não é? –A garota nerd, Nancy, parecia comandar o grupo, elas eram como um grupo de escoteiras, escoteiras ridículas.

–Bom dia meninas! –Uau! Era um professor, um professor lindo, mas devia ter o dobro da minha idade no mínimo. E eu não viera ali para isso, viera para me tornar alguém melhor do que eu era bem é o que acho.

Não ouvi nada alem disso, não pretendia ouvir, só pensava no meu melhor amigo, Sean, pensava em como ele ficaria ao saber que eu tinha sido matriculada em um internato há quilômetros dá cidade, ao nada. Mas o pior é que não pensava nele como meu melhor amigo e sim como um namorado ou algo a mais, era quase impossível parar de pensar naquele beijo, aquele beijo pareceu à despedida.

–Miranda poderia nos responder em que ano aconteceu a guerra civil?–Ouvi sua voz ao longe me chamar, mas não fazia nem ideia do que ele falava, então permaneci em silencio. Ele não insistiu e fez a mesma pergunta à Nancy que soube responder como se tivesse decorado a resposta.

–A guerra civil ocorreu entre 1861 e 1865.

–Parabéns, é isso mesmo Nancy. –Ele limitou-se apenas a sorrir.

A sineta soou e fomos para o almoço, tinha a mesma cara de gororoba que tinha o café da manhã, só mudava o cardápio: frango com legumes e creme de milho. Limitei-me apenas a beber uma garrafa de água, não queria morrer tão cedo.

Os períodos da tarde foram breves para mim que não copiei li ou respondi a nada que fosse solicitado. Não estava ali para aprender, estava ali para pagar pelos meus pecados e cumprir uma pena de acordo com meus crimes. Ah por favor! Por que aqueles dois lunáticos me colocaram aqui? Queriam me ver morta depois que comesse essa comida? Era só ter colocado veneno no meu suco. Simples.

Pra mim chega, vou para o meu quarto não estou disposta a conversar com aquelas mini-idiotas que só falam sobre provas, notas ou deveres. Eu quero paz, só um pouco de paz e sossego.

Então diário, estou de volta, e estou inacreditavelmente viva, é não foi nem um pouco fácil, mas um dia aqueles asnos me tiram daqui e me pedem desculpas pela merda que fizeram comigo.

Jeremy, você será o próximo a morrer esganado pelas minhas mãos, será o próximo a me pedir perdão de joelhos e implorar que eu volte para aquela casa, mas eu não voltarei, não antes que me vingue deles.

Chega, chega de raiva, vamos pensar em amor. Oh amor, eu pensava não conhecer você, mas me enganei, conheci você há pouco tempo, acho que há um dia... Não sei.

Ah, agora eu só quero uma ducha bem quente, se é que essa espelunca dispõe disso. Bem, vou tentar.