Everybody Hurts...

15 Capítulo 15



–Tudo bem. Como se chama o seu irmão?

–Jeremy Carter.

–Certo. Pode ir agora Miranda. Caso precisemos conversar de novo eu sei o seu numero. Obrigada. –Ele anotou alguma coisa no papel, apertou minha mão e abriu a porta para que eu saísse. Sean me esperava do lado de fora da porta, aflito. Sean mal esperou que ele virasse as costas para começar a fazer-me perguntas.

–O que aquele homem queria com você?

–Falar sobre a morte da Mandi.

–Ah, me desculpe Miranda. Eu prometo nunca mais meter-me em sua vida.

–Tudo bem, só leve-me para casa. –Entramos em sua velha camionete azul e fomos até seu apartamento e nos sentamos no antigo sofá da sala.

–Como você esta Miranda?

–Estou bem, recuperando-me...

–Olha só para nós dois, juntos aqui novamente... Tudo esta acontecendo como dá ultima vez em que nos encontramos.

–Você esta enganado. Sean desta vez tudo esta diferente. Eu e você não estamos mais juntos. Nós dois mudamos e não somos mais aqueles dois jovens inexperientes que éramos.

–É Miranda. Você tem razão.

–E já que estamos falando sobre passado você lembra-se daquela vez em que me disse que minha vida era uma mentira?

–Desculpe-me. Miranda eu juro que não queria ter dito isso.

–Tudo bem Sean.

–Posso fazer uma pergunta?

–Claro.

–Você ainda me ama?

–Pode ser que isso magoe e que doa, mas eu tenho de ser sincera. Sean eu não o amo mais.

–Não me ama?

–Não. Sabe as coisas mudaram e com o tempo eu percebi que nós dois não valíamos a pena.

–Miranda eu sempre amei você. Eu nunca a deixei sozinha, eu sempre a ajudei e não me arrependo disso.

–Eu sei, reconheço que você sempre foi bom comigo, mas nós dois não damos mais certo. Se continuarmos estaremos nos iludindo.

–O que foi que eu fiz Miranda?

–Sean não me interprete mal. Eu só não o amo mais e não quero que você sofra. Não tem nada de errado com você, pelo contrário, você é maravilhoso.

–Então porque quer me deixar?

–Porque eu amo outro alguém e não quero mais transferir o que sinto por ele para você. A cada vez que olho para você eu só consigo enxergar aquele menino tímido e sensível que sempre foi meu amigo...

–Nós não somos mais amigos, nós somos namorados.

–Não. Agora nós dois somos apenas bons amigos e nada mais. Dois amigos que se amam e que não querem ferir um ao outro. Você ficará bem não é?

–Eu acho que sim... Ficaria melhor com você.

–Não diga isso. –Dei-lhe um suave beijo no rosto e sai em direção a minha casa.

***

Não. Ela não podia ter feito isso comigo. Eu a amo. Ela sabe disso, então porque faz de mim um tapete? Pisa em cima e depois vai embora. Eu fiz tudo por ela, tudo, mas nunca tive valor nenhum.

–George venha para cá agora. Por favor, precisamos conversar. –A primeira coisa que enxerguei foi o telefone e o único amigo que tinha era George — irmão da Miranda.

–O que foi cara?

–A Miranda, ela terminou comigo.

–Vocês brigaram?

–Não, ela só disse que queria ser apenas minha amiga e que não queria mais me magoar.

–Eu sei que você gostava dela, mas pare de drama. Se ela terminou com você foi porque não o amava mais.

–Eu sei...

–Então tente reconquistá-la. Eu vou ajudá-lo.


***

Esse tempo todo eu pensei que amasse o Sean, mas não era verdade eu não o amava, eu nunca o amei. Eu apenas gostava dele como amigo e só hoje me dei conta disso agora. A única pessoa que eu amo é Damon, e hoje tenho certeza disso. Desde a primeira vez em que nos vimos meu coração bateu mais forte e eu soube que com ele seria diferente.

–Onde estava Miranda? Dê uma olhada no relógio, são dez e meia da noite. –Robert esperava por mim sentado a mesa enquanto lia o jornal.

–Não devo satisfações a você.

–Com quem pensa que esta falando mocinha? –Em apenas um só movimento ele levantou-se da cadeira e agarrou-me pelo braço.

–Solte-me seu verme.

–Acho que já esta na hora de você começar a me respeitar sua vagabunda. -Ele agarrou-me pelos cabelos e me levou até a sala onde me jogou no chão e desferiu de toda sua crueldade.

–O que você esta fazendo Robert? –Uma voz ao longe gritava desesperada. Eu estava tonta, sem forças para reagir. Por sorte minha mãe e Melanie apareceram e o tiraram de cima de mim. Depois disso eu acho que apaguei.

–Minha filha o que fizeram com você. –Minha mãe estava debruçada sobre mim na cama. Ela chorava sem parar. Estava desesperada e eu não conseguia entender o motivo, eu só sentia uma dor muito grande na cabeça.

–Me perdoe por não tê-la ouvido. Eu errei em ficar com aquele crápula. –Ela mantinha um pano em suas mãos e vez ou outra molhava o com soro. O sangue escorria por minha testa a fora. Cada vez mais eu sentia raiva por aquele homem, eu sentia repulsa. Todas aquelas feridas não conseguiam doer mais do que o meu coração.

–Como eu pude ser tão idiota de acreditar nas palavras daquele desgraçado. Ele me usou por todo esse tempo e eu nunca nem desconfiei. Perdoe-me por não tê-la ouvido enquanto me avisava sobre ele. Eu estava apaixonada, desnorteada. Eu não sei o que tinha na cabeça quando pensei que alguém um dia me amaria como seu pai me amou. –Ela recuperou o fôlego, hesitou um instante e continuou. –Ora, eu já devia ter contado para você, é a única que não sabe...

–Sabe sobre o que? –Questionei segurando o pano ensanguentado com a mão esquerda.

–Eu e seu pai nos separamos por minha causa, eu traí-o com Robert. Seu irmão George tinha apenas cinco anos e nos viu juntos, ele me contou que sabia de tudo há pouco tempo. Só agora eu me arrependo de ter traído seu pai, ele foi o único homem que me tratou com dignidade, com afeto, ele sempre foi um cavalheiro e acima de tudo sempre foi um ótimo pai. Pena que eu não tenha sabido aproveitar. –Ela esfregava as palmas das mãos uma na outra. Parecia estar muito nervosa.

–Eu já sabia.

–Como assim já sabia?

–O George me contou.

–Ah, melhor. Assim você não se surpreende tanto. Querida, eu quero começar do zero com você, quero compartilhar meus segredos com você e quero que você compartilhe os seus comigo. Eu quero ser uma boa mãe para você e seus irmãos, afinal vocês dois merecem.

–Ah, mãe você não precisa disso, apenas seja quem você é, mas seja um pouco mais calma e flexível e me ouça quando eu falar.

–Tudo bem. Eu prometo que me manterei calma e serei mais flexível com vocês, e até voltarei a cozinhar.

–Desde quando você sabe cozinhar?

–Você não se lembra dos antigos almoços de domingo? Quando eu e seu pai ainda éramos casados?

–Mãe eu devia ter uns cinco ou seis anos como me lembraria?

–Você devia se lembrar... Aqueles formam os melhores anos da sua vida. –Ela tirou a toalha da minha mão e a ensopou com soro e depois a colocou novamente no ferimento.

–Como ficou esse coração depois que a sua amiga faleceu?

–Eu ainda estou me recuperando... –Minha garganta se afunilou e um vazio tomou meu peito.