Evermore
7 Capítulo 6 - O Batman de vestidinho
Notas iniciais
Edmund Dwight
Fazia quase dois meses que estávamos na casa do Will. E ele e Ever não sossegavam!! Se um colocava pó-de-mico no sapato da outra, ela simplesmente colocava fogo em alguma de suas camisas (sim, foi o que aconteceu semana passada).
Ia ter uma festa a fantasia no final de semana. E Ever comprou nossas fantasias. Tristan ia vestido de Coringa e eu de Chapeleiro Maluco. Ela fez questão de pegar fantasias que têm maquiagens muito pesadas, afinal ela adora maquiar as pessoas de personagens fictícios.
Quando nós tínhamos dez anos, Everlyn achou o “santuário” de maquiagem da Tawaret. E ela saiu maquiando todos do orfanato, sejam meninas ou meninos, mas é claro que, como ela não sabia nada, nós acabamos parecendo zumbis com sérios problemas de coloração.
Tawaret ficou com raiva, mas depois ficou animada de ter uma garota que gostava de maquiar então começou a ensinar Everlyn, e ela começou a ficar animada de maquiar as pessoas como se fossem cosplayers.
Se fosse pensou que a fantasia de Everlyn seria uma fantasia fofa cheio de laços, só digo que você se enganou. Ela vai de Batman. BATMAN! Sério, ela não é normal.
Na verdade ela queria ir de Darth Vader, mas quando ela descobriu que na loja não tinha a fantasia, ela começou a fazer um discurso sobre como é impossível uma loja não ter a fantasia do “O Lorde do lado negro da força” e começou a discutir com um menininho de doze anos que tava comprando uma fantasia do Capitão América sobre quem é melhor. O Batman ou o Homem-Aranha.
No fim ela acabou levando a fantasia do Batman, mesmo gostando mais do Homem-Aranha.
Ninguém sabia a fantasia do Will, ele não comprou naquela loja, falou que já tinha de uma festa antiga que teve e que iria servir.
Estávamos nós quatro no sofá, comendo Pringles e tomando Coca-Cola enquanto jogávamos videogame. Eu venci Tristan então roubei quase um pacote inteiro de suas batatinhas. Entramos numa discussão bem profunda sobre como Pringles é melhor que Ruffles.
Everlyn venceu Tristan, então ele teria que comprar uma nova partitura de piano para ela, algo de um cara chamado Bach.
Tipo, QUEM SE CHAMA BACH?? Sendo que se pronuncia só “Bá?” É tipo “vem cá, Bá...tata” ou então “Bá...nana” sei lá. É estranho, deve ter sido mais ou menos assim, o nome:
“— Amor, vamos chamar nosso filho do que? — o pai perguntou.
— Bá! Não sei...”
Enquanto eu estava em meus devaneios sobre o nome do musicista, Everlyn estava discutindo com Will...De novo.
Ele realmente era um cara legal. Foi como Tristan falou, era meio arrogante, mas era bem inteligente e tinha quase que os mesmos gostos que a gente.
— Então — disse Will — vamos fazer o seguinte, ó grande jogadora de Mortal Kombat, se eu vencer você dessa vez, eu vou decidir uma fantasia para você.
— Mas eu já tenho uma fantasia — disse Snow.
— Sim, mas eu escolherei outra. E se você ganhar, o que eu duvido muito, você pode escolher uma fantasia para mim.
Everlyn sorriu diabolicamente. Então os dois começaram a jogar, estava um combate bem concorrido, mas no final Will acabou ganhando.
Ever ficou com muita raiva. Ainda mais quando Will apareceu com a fantasia para ela. Imagine que você conheceu o mundo purpurina rosa, aí você conhece a Rainha Purpurina Rosa, o vestido dela é inferior ao que o Will escolheu para Ever.
Era um rosa pink MUITO chamativo, um vestido de princesa berrante de gala, que tinha dois pompons no lugar das mangas e babados na barra do vestido.
— Parece que agora eu realmente terei que te chamar de princess — eu disse enquanto tomava meu refri.
Everlyn ficou sem palavras por pouco tempo, depois ela começou a espernear sobre como ela NUNCA iria usar algo daquele jeito. Ela não tinha nada contra rosa (ela até tinha mechas dessa cor em seu cabelo) mas aquilo era exagero.
Deixei Ever querendo matar Will e Tristan se divertindo com a situação e fui tomar banho. Eu teria que ficar pronto cedo, porque mesmo que a festa começasse às dez da noite (não, da manhã, paspalho) a Ever teria que me maquiar ANTES dela se arrumar.
Eu nunca aceitar a ir desse jeito numa festa. Mas uma coisa que a Ever falou é verdade. As garotas curtem muito um Chapeleiro Maluco.
Entrei no banheiro um pouco depois de ouvir: “Que seja...” vindo de Ever.
Everlyn Clockwork
Eu tive uma engenhosa ideia, uma ideia que me ocorreu enquanto eu estava maquiando Tristan, afinal Ed já estava pronto e lindo.
Se Will queria que eu fosse com o Penélope-Purpurina, eu ia com o Penélope-Purpurina, afinal aposta era aposta, mas isso não significava que eu NÃO ia de Batman.
Quando os dois ficaram prontos, eu fui me arrumar. Eram quase nove horas. Tínhamos que sair umas nove e meia porque o salão que ia ocorrer a festa era muito longe.
Ah, se você está se perguntando como nós iríamos (afinal, a faculdade era quase do lado da nossa casa então não havia necessidade de um veículo) já irei te explicar. Umas três semanas atrás, Tristan (que já tinha a carta de motorista, afinal ele já tinha feito dezoito anos enquanto estávamos na América) comprou um carro. Para ser mais exata, um Bentley R-Type Continental, com um motor 4,5 de seis cilindros. Não se engane, eu não sou especialista em carros, por mais que eu entenda um pouco (viva longa ao Need for Speed), mas é que eu pedi (ironia 10) pro Tristan comprar um carro igual ao de um livro que eu li chamado “Sr. Ardiloso Cortês”. Ed tinha carta, mas não tinha dinheiro para comprar o carro que queria, eu não tinha carta AINDA, e Will tinha uma moto, mas hoje ele iria de carro conosco.
Coloquei minha fantasia do Batman e coloquei o vestido por cima. Ficou bem apertado, mas dava pra respirar e andar como um ser normal. Coloquei a máscara e saí.
E não. Eu não estava usando saltos. Diga-me para que os saltos foram feitos? Mulheres não precisam parecer mais altas, e aquilo só machuca o pé. O máximo que eu chego a usar é aqueles saltos grossos, porque eu não preciso tentar dar uma de equilibrista.
E o pior é que eu era baixinha. Existem mulheres de 1,80m que querem parecer MAIS altas do que já são. Daqui a pouco vão parecer girafas.
Enquanto eu estava imaginando como seria ver uma girafa de salto alto, Will desceu as escadas. Meu coração acelerou muito. Que porra você está fazendo, seu órgão estúpido?
Ele realmente estava mais bonito. Ele estava vestido como um típico Sir inglês da época vitoriana. Ele usava aqueles babados ao redor do pescoço que desapareciam em meio ao colete cinza claro de botões. Ele colocou por cima um casaco preto, daqueles antigos e elegantes, e por baixo dava para ver que usava uma camisa que tinha aqueles babados nas mangas. Em cima da sua cabeça tinha uma cartola preta.
Ele estava lindo, e eu NUNCA direi isso para ele.
Quando ele me viu ficou sem palavras. Sua boca abria e fechava muitas vezes. Era até engraçado. Depois que ele se recompôs ele perguntou alto.
— O que DIABOS é ISSO?
Deu um sorriso charmoso e respondi.
— Isso é o Batman de vestidinho.
E comecei a dar risada junto com Ed e Tristan.
— Bem, eu queria que você passasse vergonha com aquela coisa rosa, mas parece que você consegue passar vergonha por si mesma.
E ele começou a rir de mim, zoando comigo. Depois entramos no carro e pelo canto do olho vi que Will estava olhando para mim, com um meio sorriso no rosto. Virei o rosto, não gosto que as pessoas me olhem, me deixem ser louca quietamente.
Suspirei. Aquela noite provavelmente seria bem longa...
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