Evermore

3 Capítulo 2 - Barney? Não, é uma hipopótamo rosa.


Notas iniciais
Aqui está o segundo capítulo narrado pelo Edmund. No próximo é que realmente vai começar a história, afinal esses últimos foram mais uma introdução. Peço desculpas por não ter postado antes a descrição deles, afinal nem na capa aparece, só o relógio da Ever, mas nesse agora tem. I hope you enjoy, Kissus.

Edmund Dwight

Enquanto eu encarava o meu lanche do BurgerKing e ele me encarava de volta lembrei de quando tudo começou.

Eu nasci praticamente no orfanato, minha mãe me abandonou na porta do Sunlight quando eu tinha menos de um ano e eu cresci ali. Vi crianças entrarem e saírem. Um pouco depois que eu fiz cinco anos, Tristan apareceu. Eu falava pouco com ele, e ele pouco comigo afinal ele tinha acabado de perder o pai e de ser abandonado pela mãe. Ele falava muito pouco sobre isso, tudo que sabia foi o que eu espiei pelos documentos de Tawaret.

Por eu nunca ter tido uma família eu sempre aprontava. Os castigos de Tawaret eram sempre leves, afinal eu era um pirralho mimado e ela era muito bondosa.

Eu gostaria de dizer que eu tinha parado de aprontar afinal o novo “garoto no pedaço do orfanato” era o Tristan (sim, eu tinha ficado puto), mas não. Eu não parei.

Foi então que Everlyn apareceu. Ela sempre foi pequena. Deve ter problema de crescimento, pensei. Seus cabelos negros e cacheados só chegavam até um pouco abaixo do pescoço. E seus olhos azul-claros se destacavam na sua pele pálida.

Mas eu não pensei nada disso. Pensei que havia outra criança roubando meu lugar de mais jovem. E era uma garota! As pessoas sentem mais pena de garotas fofas como ela. Enquanto Tawaret foi falar com uns homens esquisitos de terno eu fui até ela com uma expressão furiosa e de desgosto, mostrando quem é que mandava lá (tirando a Tawaret, é claro).

— Hey, você aí! — disse com um tom firme.

— Olá — disse Everlyn suavemente.

Bufei, geralmente as garotinhas deveriam ficar intimidadas, não?

— Olha, você pode pensar que é especial só porque é a última que cheg...

— Por que eu acharia que sou especial? — ela me perguntou com seus olhos me desafiando.

QUEM ESSA COISA PENSA QUE É PRA ME DESAFIAR??

— Olha Snow White, só quero deixar as coisas claras entre nós. Você não deve ficar pensando que é a última bolacha do pacote...

— Como você? — ela me perguntou com um sorriso torto.

Aquilo era a gota d’água. Fui pra cima dela pra empurrá-la para fazer ela cair, mas a coisa se movimentava rápido e ela desviou de mim e ME empurrou me fazendo cair de cara no chão.

— EI, NÃO DESCONTE EM MIM SÓ PORQUE SEUS PAIS ABANDONARAM UMA COISA BRUTA COMO VOCÊ. QUAL O SEU PROBLEMA??

— O meu problema é que eu acabei de perder meus pais num acidente e que o lugar que agora sou obrigada a frequentar tem um garotinho mimado que acha que tem direito de me maltratar — ela disse com raiva e tristeza.

Acho que peguei pesado demais.

Ela saiu marchando. E foi só aí que eu percebi que Tristan nos observava.

— Você deveria se desculpar — disse olhando pra mim — não a culpe pelo seu abandono. Às vezes é melhor nunca ter algo, do que ter e depois perder. É menos doloroso.

E com isso ele foi embora. Cara chato. Mas o que ele falou fazia sentido. Eu fui um idiota. Corri para achar a menina. Encontrei-a perto do playground. Ela segurava algo em sua mão, como se aquilo a acalmasse. Era um relógio de bolso muito bonito. Ela me percebeu e se virou.

— O que? — ela perguntou chateada.

— Quero pedir desculpas — disse sem graça — eu...Sempre ajo assim e...

— Você deveria ser ator, sabe? Quase me convenceu que era corajoso e durão.

Ela começou a rir. Eu corei.

— Sou Edmund — mudei de assunto.

— Everlyn — ela se levantou e estendeu a mão que não segurava o seu relógio.

Começamos a conversar enquanto andávamos. Ela me perguntou como eu percebi que tinha sido um idiota, então disse que recebi ajuda de Tristan.

Um pouco depois eu o vi perto de nós e fui agradecê-lo. Logo Everlyn estava conversando com ele e comigo e nós três começamos a brincar e a fazer tudo juntos.

Quando tínhamos nove anos, nós estávamos brincando de colher amoras na árvore do playground, e então vimos um homem aparecer. Ele aparentava ser um empresário, provavelmente um cara que queria comprar o orfanato.

— Sabe — disse Ever — na primeira vez que eu vim pra cá, quando vi Tawaret achei que ela fosse o Barney. Afinal ela parece um dinossauro.

Nesse momento Tawaret começou a expulsar o cara e ficou rosa de raiva enquanto gritava algo.

— Não — falei — o Barney é roxo, Tawaret é rosa.

— Sabe — disse Tristan — Tawaret é nome de uma deusa hipopótamo no Egito.

Nós três começamos a rir. Não conseguíamos parar por nada nesse mundo.

A conversa sobre a faculdade me fez voltar do passado. Quem diria que Ever estava certa sobre eu ser um ator?

Parei de comer meu lanche para olhar para eles. Nada tinha mudado. Tristan continuava sendo o responsável, o simpático e o protetor. Everlyn continuava sendo a inteligente, a louca e a feliz e eu continua sendo...Eu.

Mesmo que nossas aparências tivessem mudado, afinal Tristan tinha crescido bastante, seu cabelo loiro desajeitado se destacava com seus grandes olhos dourados e Everlyn tinha mechas californianas rosas, azuis e roxas que se destacavam na sua cabeleira preta. E eu tinha me tornado um gostosão de olhos verdes e cabelo preto.

No dia da faculdade eu segui para minha aula de teatro. Tristan havia dito que falaria com as pessoas para resolver o negócio da casa. Eu é claro, não protestei, afinal quem sempre sabia resolver tudo era o Tristan.

Conheci algumas pessoas bem legais e quando eu estava a caminho do refeitório, recebi uma mensagem de Tristan falando onde eu poderia achá-lo.

— Então você encontrou alguém para morar conosco? — perguntei animado, eu e Ever não queríamos sair daquela casa.

— Sim, o nome dele é William, depois eu te apresento. Ele tem cara de ser meio arrogante, mas assim como você, talvez debaixo dessa posição de “fodão” ele seja legal.

— É, verdade...Pera, eu não sou arrogante.

— Falou o cara que tentou espantar Ever por puro ciúme.

Começamos a comer, logo depois Everlyn chegou.

— Oi Snow — eu às vezes a chamo de Snow ou Princess. Peguei o hábito desde aquela vez que eu a confrontei e Ever sempre pareceu gostar desses apelidos.

— Oi gente. Como foi a aula de vocês?

E então começamos a conversar sobre as aulas. E depois começamos uma guerra de batatas fritas. Acabamos esquecendo de avisá-la sobre o tal Will, mas achei que não tinha problema.

Mal sabia eu que estava profundamente enganado.

Notas finais
Obrigada por ter lido esse capítulo. No próximo o Will vai começar a aparecer e depois vai ter sua parte na narração. Byebye