Everlong
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Então, demorei séculos mesmo ( to nem aí - mentira ) JSIAISJAI Bom, fiquei ocupada por causa da escola e tals, mas agora estou de volta. :3
Abri meus olhos vagarosamente. O quarto onde eu estava, eu já o conhecia. Imenso, o teto alto e as paredes coloridas em tom de vermelho, os móveis de um bom carvalho. A janela estava fechada, as cortinas serradas e a porta semi-aberta.
Fiquei a fitar o teto. Tentando ouvir algo, qualquer coisa, vinda de qualquer lugar. Mas era impossível, o silêncio era predominante. Nada, nada além um puro vazio. Fechei meus olhos, tentei lembrar das últimas horas, dias... sei lá. A porta se abriu com um rangido irritante, e Hayley entrou lentamente. Ela parecia cansada, triste. Mas sorriu fungando, e se sentou ao meu lado.– Como você está? — perguntou, deitando-se comigo.– Eu não sei, e você?– Nem eu. Ela apenas se aninhou perto de mim, colocando a cabeça sobre meu ombro e fechou os olhos. Fiquei por um bom tempo me perguntando o que ela estava pensando, abri a boca várias vezes para perguntar, mas não. Aquele era um momento dela. Depois de algum tempo, ela adormeceu. Aproveitei para levantar. Meus cabelos estavam limpos, minha pele estava novamente branca e eu vestia roupas decentes. Era um alívio. Segui pelos corredores até encontrar uma janela que desse de frente com os jardins. Um sol fraco se escondia átras das nuvens, as flores precisavam de cuidados, o jardim estava horrível.– O dia está terrível, não? Me virei rápido e dei de cara com Kyro. Ele sorriu, deixando amostra os dentes que lembravam presas de vampiro. – É, está mesmo. — me virei para a janela novamente.– Você está se sentindo bem? — perguntou, se aproximando.– Estou. — respondi fraco. Ele suspirou, deixou sua mão pousar sobre meu ombro e sussurou:– Você não pode fugir dos seus demônios. — abriu um largo sorriso que eu posso dizer que foi insano. Eu o encarei, com as sobrancelhas arqueadas e me encostei na janela.– A vamos lá, Madley! Uma hora ou outra você terá que voltar ao seu reino. — um dos seus braços estava ao meu lado, como se estivesse segurando a parede.– Eu sei, mas... eu não quero ter que voltar e ver mais um pote de cinzas na estante. – Pessoas morrem. Ninguém é imortal. — seus lábios se contraíram em uma linha fina. Como uma facada, rápido e dolorido, eu lembrei o porquê de estar ali. As palavras saíram como uma enxurrada da minha boca, esperando uma boa resposta.– E o Charlie? O Charlie, onde ele está? Kyro me encarou com um olhar de nojo, logo após, respondeu-me encarando a janela sobre meus ombros.– Não o encontrei. Devia estar mais preocupada com Richard. Tentei não demonstrar minha tristeza. – Você não tem chances com Charlie. Hayley é apaixonada por ele, e de qualquer forma, irá morrer. — disse, frio. Fiz um aceno positivo. De certa forma, eu ainda amava Charlie, da mesma forma que iria amar até o último suspiro.– Tá. — o loiro continuou — Agora me explica o que minha família tem haver com toda essa guerra? Claro, além do meu avô... mas eu sei que tem mais algo envolvido.– Eu não sei. — disse pausadamente. Ele apertou as temporas e fez uma careta de dor. – Acho que nós temos os diários do meu avô. Talvez... — esfregou os olhos com a careta de dor e saiu andando. Eu o segui. Ele dava passos largos e apressados, parecia realmente preocupado com isso.– Minha família é super estranha — berrou a minha frente — Meu avô sempre escreveu a vida toda dele em diários, da mesma forma que o pai dele, e bem, meu pai também. Acho que serei o único a interromper esse ciclo. — riu baixinho. Ele abriu as duas grandes portas de madeira da biblioteca. O cheiro de livros velhos invadiu minhas narinas, incomodava. – O pai do meu avô era um louco, literalmente, louco. Ele ficou assim logo após a esposa morrer, e olha só, ela morreu do nada! Ela era jovem, cheia de saúde! Então, do dia para a noite, ela acordou dura na cama. — Kyro contava enquanto tirava os livros do lugar. — Mas eu nunca entendi porque nós, a minha família, tem essa fama de "vilões". Não somos tão maus. — ele falava praticamente sozinho.– É. — me limitei a responder apenas isso. Ele deixou seus olhos pesar em mim por um momento e sorriu. Isso me incomodava, muito, ele sempre passava momentos me observando e depois sorria ou ria. Parecia um louco. Ele subiu as escadas. Estranhamente, a biblioteca estava arrumada em comparação a última vez que estive ali. Eu o observei pular dois degraus de vez, o que era engraçado. Um garoto magrelo e no mínimo, pequeno, pulando uma escada de uma forma engraçada. Ele parou no último degrau e olhou diretamente para mim, sorriu e perguntou:– Não irá vir procurar também? Ou terei que fazer todo o trabalho sozinho? Os tais diários ficavam na seção mais escura e chata de toda a biblioteca, em um corredor no sentido contrário as janelas. Os livros cheiravam a mofo e isso me irritava. Sentei no chão deixando que o pó e a sujeira empregnassem meu vestido. – Quando você irá voltar ao seu reino? — Kyro perguntou tirando alguns livros do lugar.
– Não sei... — prendi o cabelo em um rabo de cavalo — O mais rápido possível. Ele suspirou como se estivesse imensamente desinteressado, e eu acho que ele realmente estava. Então, ele tirou uma caixa da estante — aparentemente, pesada — e tossiu olhando dentro dela, sorriu e colocou-a no chão, a minha frente. – Está aqui. — foi o que ele disse.– Eu irei ler essa noite. — puxei ela para minhas pernas. Senti como se minha vida dependesse daquilo. Ele sorriu, tão perto de mim. Seus olhos frios me encaravam, seu peito se movia devagar e sua respiração estava baixa. Por um breve momento, eu minto, naquele momento tão longo, eu senti vontade de beijá-lo. Saber qual era o gosto da arrogancia.– Eu sei que você quer isso e — pausou, abaixou o tom e continuou — eu também quero. Arfei quando ele se aproximou rápido e beijou meu pescoço. Senti um arrepio percorrer todo o meu corpo, mas era bom. Minhas mãos apertaram sua nuca como forma de aceitação, e ele sorriu.– Eu quero ter você... só para mim. — ele sussurou enquanto beijava o meu pescoço. As portas da biblioteca se abriram com um "back". Hayley tinha lágrimas nos olhos, as bochechas vermelhas. Gritou em alto e bom som, com tristeza:– Charlie...o Charlie...ele... — e caiu de joelhos, chorando. Empurrei Kyro e corri até a garota, dizendo em um tom alterado: – Onde ele está? Onde? Ela apontou para o salão de festas, e eu corri. Preocupação, medo e agonia me possuiam. Uma parte de mim dizia que eu devia sentar e chorar, outra dizia que eu devia corrrer. Escolhi a segunda opção. Quando eu cheguei a salão, Kyro e Hayley estavam atrás de mim. – Charlie? — sussurei. Ele estava sentado ao lado da janela, abraçando a própria barriga, tossindo. Eu me aproximei e o abracei, sentindo o seu corpo gelado junto ao meu.– Mad, me desculpa, eu... — começou. Então, eu me afastei e vi sangue na minha roupa. Era o sangue dele, ele estava morrendo. – Não, você vai ficar bem, eu sei. — sorri fraco, com dor.– Não é isso. — tossiu — Eu... o Richard.– Não estou entendendo, Char... — pressionei minha mão sobre a barriga dele. — Não precisa explicar. As lágrimas corriam livremente, escorriam sobre suas bochechas, pingavam na camiseta. Ele olhou sobre o meu ombro, e eu senti as mãos de Kyro sobre meus ombros. Me virei e o encarei. Ele me agarrou, puxando-me para longe.– Que? — perguntei exclamando. — Kyro...– Madley, você não está entendendo. — ficou sério, apertou meus ombros e me abraçou. Senti uma sensação ruim e aceitei o abraço, enterrando meu rosto na roupa do loiro.– Charlie, ele... é algo meio difícil de explicar... Richard, ele tentou ferir o Charlie, e ele o matou. — disse baixinho. Eu esperneei, tentei me soltar dos seus braços. Mas ele me segurou forte, me impediu e eu chorei. Simplesmente, chorei. Perdi a única pessoa da minha família, a única que restava.– Eu quero ir embora. — disse.– Tudo bem, eu te levo até o quarto. – Não. Eu quero voltar para casa, para o meu lar. — eu estava tensa, séria.– Agora? Olha, é tarde e...– Agora. Ele concordou. Sentei sobre a cama e puxei a mochila para o meu colo. Tudo o que eu precisava estava ali dentro: a caixa dos diários, um casaco, água e uma adaga que Kyro me deu. Só, era tudo. Kyro estava parado na porta, me encarando, abraçando o próprio corpo. – Vou com você. — disse.– Não, olha... — tentei começar mas ele me interrompeu.– Eu vou com você. Não é louca de sair a essa hora, já está anoitecendo e você sabe, quando anoitece, as criaturas saem e e eu não dúvido que eles sejam os primeiros a querer sua morte. Levantei e ele me seguiu. Fui direto para a rua, onde os cavalos estavam. Fazia muito frio, eu estava praticamente congelando. – Madley, você não vai se despedir? — perguntou, acariciando o cavalo. – Não. — respondi séria, parecendo brava, na verdade, brava. Ele me ajudou a subir no cavalo e depois, ele subiu. Seus braços me envolviam, eu me senti pequena.
Fale com o autor